Morreu José Mindlin
texto de FABIANE LEITE – Agencia Estado, no site do Estadão.
Nascido em São Paulo, em 8 de setembro de 1914, Mindlin estudou Direito na USP e fez cursos de extensão universitária na Universidade de Columbia, em Nova York. Advogou por alguns anos, deixando essa atividade para fundar a empresa Metal Leve, que se destacou no setor de peças para automóveis e hoje é controlada pela multinacional alemã Mahle. Ele foi diretor da Metal Leve durante 46 anos, deixando a empresa em 1996.
Aos 32 anos, financiado por um empresário, conseguiu um sócio e fundou a livraria Parthenon, em São Paulo, especializada em livros raros. E assim iniciou seu périplo em busca de obras raras para sua biblioteca particular.
A sua paixão pelos livros fez com que chegasse a ter 45 mil volumes, colecionados desde os anos 30. Esse acervo incluiu raridades, como a primeira edição de Grande Sertão: Veredas de João Guimarães Rosa. Em junho de 2009, ele doou sua biblioteca, a maior coleção particular de livros do Brasil, para a USP, transformando-a na a biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin. A Brasiliana USP, é um projeto acadêmico da Universidade de São Paulo que reúne a maior coleção de livros e documentos sobre o Brasil, um moderno edifício de 20 mil metros quadrados na Cidade Universitária.
Mindlin ocupou a cadeira 29 da Academia Brasileira de Letras. Foi eleito em 20 de junho de 2006, sucedendo o escritor Josué Montello. José Mindlin deixa quatro filhos, 12 netos e 12 bisnetos. Sua mulher Guita morreu em 2006.
Velório
Figuras importantes no cenário nacional passaram pelo velório de José Mindlin no Hospital Albert Einstein, como o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, o governador José Serra, o prefeito Gilberto Kassab, a ex-prefeita Marta Suplicy, o reitor da USP João Grandino Rodas, o ex-ministro das Relações Exteriores Celso Lafer, o economista José Pastore, o maestro Júlio Medaglia, o rabino Henry Sobel e o senador Eduardo Suplicy.
“Mindlin foi um resistente contra a ditadura e prestou apoio quando Herzog foi morto. Era uma pessoa que se preocupava com o País”, disse o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso.
“Mindlin será lembrado por doar sua coleção de livros à USP e ajudar na digitalização dos mesmos. Isso é importante por que no Brasil não temos a prática de doar”, comentou a ex-prefeita Marta Suplicy. “Ele foi um homem que ajudou o Brasil a ser um País melhor”, completou o senador Eduardo Suplicy.