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MOTO

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Inaugurei a exposição MOTO no sábado passado na Galeria Nara Roesler, em SP. Apesar da chuva forte apareceu um punhado de gente para conferir os trabalhos e também prestigiar a coletiva Dispositivos para um mundo (im)possível com curadoria de Luisa Duarte, vigésima quinta edição do projeto Roesler Hotel.

MOTO tem como ponto de partida o livro de mesmo nome, que começou a ser desenhado no dia 16 de julho de 2013. Um livro cheio de divisões internas com um conjunto heterogêneo de obras e a participação de outros artistas e pensadores (Joshua Callaghan, Daniel Perlin, BNegão, Carlso Vergara, João Doria, Frederico Coelho, Maria do Carmo Pontes, Eucanaã Ferraz, Gustavo Prado, Bernardo Mortimer, Francisco Bosco, Lenora de Barros e Mauricio Valladares). Desenhos, pinturas, projetos, fotos, frames de vídeos e maquetes eletrônicas se misturam a textos, depoimentos e entrevistas.

Em setembro resolvi transformar parte do livro MOTO na exposição que está agora na Nara Roesler e fica em cartaz até 15 de março. MOTO virou então LIVROEXPOSIÇÃO + hipertexto linkado com o nosso b®og (depositário futuro das versões integrais de textos, arquivos de imagem, áudio e vídeo). A partir desse momento a exposição passou a funcionar como um um diário fictício combinado com a documentação de episódios reais. MOTO juntou diversas experiências vividas e as transformou em obras. Um olhar para trás (o real vivido) e a criação de uma obra (ficção) para aquele acontecimento. Duplicação do real. Um novo real/obra (fictício) a partir de um real (memória). O livro MOTO hoje conta com 23 capítulos, na exposição estou apresentando apenas os capítulos: OBRA, SUICIDARAM SELARON, #SETADERUA, #AGRADEEOAR, SALA SOMBRA e ENGENHARIA DE SOM.

MOTO é sobre movimento e motivação. Sobre o trabalho de arte e suas conexões com a vida. Sobre o processo no ateliê e o cotidiano ordinário. MOTO é sobre o outro, sobre a necessidade da troca e da conversa. Sobre a oposição entre o objeto de arte e o público e como urge encurtar essa distância.

MOTO é para o grande designer e saudoso amigo André Stolarski.

 

Sombra / Muro from Raul Mourão on Vimeo.

 

a lista de agradecimento de MOTO é grande:

B Negão, Mauricio Valladares, Joshua Callaghan, Gustavo Prado, Daniel Perlin, Carolina Ferreira, Gabriela Goulart, Karla Monteiro, David Pacheco, Berna Ceppas, Daniel Carvalho, Julia Paiva, Rita Vilhena, Lenora de Barros, Bernardo Mortimer, Frederico Coelho, Francisco Bosco, Felipe Scovino, Christiano Calvet, Daniel Senise, Leonardo Domingues e Ricardo Imperatore

No próximo dia 15 de fevereiro inaugura a exposição MOTO, minha segunda individual na galeria Nara Roesler em SP. São obras recentes que revelam a diversidade da produção em esculturas, vídeos, fotografias, pinturas e uma instalação em homenagem ao artista popular Selarón, autor da escadarioa que leva seu nome no bairro da Lapa, Rio de Janeiro. A exposição MOTO é dedicada ao grande designer e amigo André Stolarksi (1970-2013).

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16:01:42 14/01/2013 (Bólide/Parangolé/Selarón) da série Timeline, 2013

Segue trecho do release:

MOTO, segunda individual de Raul Mourão na Galeria Nara Roesler, apresenta um olhar amplo sobre o percurso do artista. Há esculturas cinéticas realizadas em tubos de aço galvanizado e braçadeiras, uma instalação composta de duas esculturas cinéticas e pequenas lâmpadas, seis vídeos da série DOC.DOT.MOV realizados em Nova York, onde o artista reside atualmente, além de fotos e pinturas da série #SETADERUA e esculturas e fotos da série #AGRADEEOAR.

O artista comenta: “a diversidade de suportes e temas é resultado de um dialogo direto com o livro MOTO, em que estou trabalhando desde julho passado. O livro é um ensaio visual que mistura documentação de obras realizadas, projetos em andamento, maquetes, pequenos desenhos e um encarte em homenagem ao artista Selarón. A partir de setembro resolvi transpor parte do livro para a exposição de mesmo nome. Diferente das ultimas exposições, no MAM, na Praça Tiradentes (ambas no Rio) e na própria Galeria Nara Roesler, onde apresentei essencialmente esculturas cinéticas, a exposição MOTO apresentará um conjunto heterogêneo de obras revelando uma diversidade que é traço marcante da minha produção desde o início, mas que nos últimos anos andava obscurecida.

A exposição conta ainda com uma instalação em homenagem ao artista popular Selarón, intitulada Suicidaram Selarón.

“Selarón foi encontrado carbonizado em janeiro 2013 na Escadaria que leva seu nome e fica na mesma rua onde funciona meu ateliê na Lapa há mais de 10 anos. Nesse período de convivência tivemos inúmeros encontros e fiz centenas de fotos da escadaria, dele trabalhando e de seus visitantes. Selarón azulejou com suas mãos a escada onde morava e trabalhava, sem lei Rouanet, sem captadores, sem produtores, sem patrocínio público ou privado. Construiu uma obra conhecida no mundo apenas com a colaboração de sua audiência, ao longo dos anos centenas de pessoas enviaram azulejos para ele. Uma obra colaborativa, interativa e em permanente processo. Ele criou, de uma tacada só, uma gigantesca obre de arte pública, um marco urbanístico e um ponto turístico. Ao azulejar sua rua desejava que esse gesto reverberasse pela região na forma de outras melhorias. Infelizmente isso nunca aconteceu. A Lapa segue abandonada pelo poder público e sob comando dos marginais”, escreve o artista no livro MOTO, que será lançado no segundo semestre.

No texto de apresentação da exposição, o escritor e ensaísta Francisco Bosco afirma: “a tensão — entre o mundo e a forma, o concreto e o abstrato, o significado e o significante, a heteronomia e a autonomia — que é o motor da obra de Raul Mourão está recolocada em um conjunto que ilumina o sentido geral de sua trajetória, consolidando-o, aprofundando-o e conferindo-lhe novas inflexões.”

sobre o livro

O livro MOTO, a ser lançado pela Automatica edições no segundo semestre de 2014, é um amplo ensaio visual sobre a trajetória do artista e inclui textos inéditos de Agnaldo Farias, Frederico Coelho, Felipe Scovino, Maria do Carmo Pontes, Eucanaã Ferraz e a participação de artistas convidados como  BNegão, Carlos Vergara, Daniel Perlin, Gustavo Prado, João Doria, Joshua Callaghan, Lenora de Barros e do fotógrafo, radialista e DJ Mauricio Valladares. O livro conta ainda com um encarte em homenagem ao artista popular Selarón com texto inédito da jornalista Karla Monteiro sobre Selarón, sua obra, a misteriosa morte e os desdobramentos da investigação policial. Uma versão do livro estará disponível online no blog do artista no período da exposição.

sobre o artista

Raul Mourão é artista plástico, nasceu no Rio de Janeiro em 1967, estudou na Escola de Artes Visuais do Parque Lage e atualmente vive e trabalha entre NY e Rio. Apresenta seu trabalho em exposições individuais e coletivas desde 1991. Suas obras, construídas com diversos materiais, desenvolvem um vocabulário plástico com elementos da visualidade urbana deslocados de seu contexto usual. Entre eles há referências ao esporte, à arquitetura, aos botequins e à sinalização de obras públicas.

Em 2010 iniciou sua série de esculturas cinéticas que foram exibidas nas seguintes exposições individuais: Tração Animal, no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro (2012); Processo, no Studio X, Rio de Janeiro (2012); Toque Devagar, na Praça Tiradentes, Rio de Janeiro (2012); Balanço Geral, no Atelier Subterrânea, Porto Alegre (2010) e Cuidado Quente, na Galeria Nara Roesler, São Paulo (2010); e também nas exposições coletivas Projetos (in) Provados, na Caixa Cultural, Rio de Janeiro (2010); Ponto de Equilíbrio, no Instituto Tomie Ohtake, São Paulo (2010); Mostra Paralela 2010, no Liceu de Artes e Ofícios, São Paulo (2010); Travessias, no Centro de Arte Bela Maré, Rio de Janeiro (2011); e From the Margin to The Edge, Sommerset House, Londres (2012). Participou recentemente da 7ª Bienal de São Tomé e Principe (2013) e O Abrigo e o Terreno, uma das exposições inaugurais do Museu de Arte do Rio (2013).

Como curador e produtor organizou exposições individuais de Fernanda Gomes, Cabelo, Tatiana Grinberg, Brigida Baltar e João Modé, entre outras e as coletivas Travessias 2 (Galpão Bela Maré, Rio de Janeiro, 2013), Love’s House (Hotel Love’s House, Rio de Janeiro, (2002) e Outra Coisa (Museu Vale, Vila Velha, 2001). Foi editor das revistas de arte O Carioca e Item. Fez também a coordenação geral do espetáculo multimídia FreeZone, que reuniu artistas de diversas áreas sob curadoria do poeta Chacal, no Rio de Janeiro, Curitiba, Porto Alegre e São Paulo. Junto com Eduardo Coimbra, Luiza Mello e Ricardo Basbaum criou e dirigiu a galeria e produtora AGORA, que funcionou na Lapa, Rio de Janeiro, entre 2000 e 2002.

Em 2005 lançou o livro ARTEBRA pela editora Casa da Palavra e em 2011 lançou o livro MOV pela Automatica Edições.

sobre a galeria

Há mais de 35 anos, Nara Roesler promove arte contemporânea junto a um conjunto nacional e internacional de colecionadores, curadores e intelectuais. Em 1989, fundou a Galeria Nara Roesler em São Paulo, como um espaço para expandir as fronteiras da prática artística no Brasil e fora dele. Representando alguns dos mais interessantes artistas da atualidade, a galeria direciona seu interesse à justaposição de trabalhos dos anos 60 em diante e suas ramificações contemporâneas, representando nomes históricos ao lado de um seleto grupo de artistas em ascensão. Em 2012, a galeria teve seu espaço expositivo dobrado, totalizando uma área 1600m² e revitalizou o projeto curatorial Roesler Hotel, iniciado em 2006.