Beatriz Milhazes bate recorde

A expectativa do mercado era grande e acabou se concretizando ontem. A pintura de Beatriz atingiu o maior preço em um leilão internacional por um brasileiro vivo.

Seguem 2 matérias da Agência Estado, a de hoje e a de ontem:

Tela de carioca é leiloada por US$ 1 mi na Sotheby’s

A tela O Mágico (2001), da pintora carioca Beatriz Milhazes, foi vendida ontem, em leilão da casa Sotheby’s, em Nova York, por US$ 1,049 milhão. Beatriz Milhazes, nascida em 1960, bateu, dessa maneira, o recorde anterior de artista brasileiro vivo, que era seu mesmo: sua tela Laranjeiras (2002/2003) foi vendida por US$ 465 mil em leilão da Christie’s, em Londres, em outubro de 2007. As obras de artistas mortos, em geral, são mais valorizadas.

O termo recorde só é usado quando se trata de leilões, porque a venda da obra é feita publicamente. Jones Bergamin, diretor da Bolsa de Arte do Rio de Janeiro, entrou ontem na disputa pela tela de Beatriz Milhazes representando um grupo de marchands. “Fomos até o final, ficamos com o penúltimo lance pela tela”, conta Bergamin. Segundo ele, o preço de martelo (hammer price) – ou preço final da obra na sala do leilão – foi de US$ 900 mil. Depois é acrescida a essa cifra uma taxa a ser paga pelo comprador da tela: e, dessa maneira, o preço final da venda foi de US$ 1,049 milhão. O Mágico, feita com tinta acrílica sobre tela, pertencia à Galeria Elba Benitez, de Madri. A Sotheby’s anunciava, antes do leilão, que os lances iniciais para a obra seriam de US$ 250 mil a US$ 350 mil.

O sucesso de Beatriz Milhazes no mercado de arte nacional e internacional é fruto de um processo que vem se fazendo desde o final dos anos 1990 e início dos anos 2000. A carioca, um dos nomes da chamada Geração 1980, quando artistas daquela década se voltaram para a pintura, despertou primeiro a atenção do mercado internacional – no caso, dos EUA – e depois manteve seus altos preços aqui no Brasil também. As telas de sua última mostra em São Paulo, no ano passado, foram vendidas por US$ 250 mil.

As pinturas coloridas e cheias de elementos de Beatriz Milhazes volta e outra estão em leilões internacionais. Entre outras obras vendidas nesses eventos, estão as telas O Periquito (US$ 293,338 mil) e O Peixe (US$ 281,769 mil). Outro ponto curioso é que suas colagens começam a se valorizar muito também: em abril, Sonho de Valsa, feita com embalagens do bombom sobre papel, foi arrematada em leilão da casa Phillips de Pury & Company, em Londres, por US$ 263,734 mil. “Há uma certa histeria em relação a isso, já que dinheiro é o que move o mundo. Procuro me manter à distância”, afirma a pintora carioca.

Tela de Beatriz Milhazes pode bater recorde na Sotheby’s

15/05 – 12:12 – Agência Estado

É grande a expectativa no mercado de arte brasileiro em relação ao leilão de arte contemporânea que a tradicional casa Sotheby’s vai realizar hoje em Nova York. Entre obras de Yves Klein, Barnett Newman, Anish Kapoor e Andy Warhol estará no prelo a tela ‘O Mágico’, de Beatriz Milhazes, com preços iniciais de US$ 250 mil a US$ 350 mil.
A pintora carioca é das poucas artistas brasileiras a conseguirem alcançar altos valores no mercado internacional de arte – aliás, a valorização de suas obras ocorreu, do início dos anos 2000 para agora, do circuito estrangeiro (principalmente, americano) para o brasileiro – e, por isso, ela já está sendo considerada a primeira brasileira a bater o recorde de preço entre os artistas vivos (definição baseada apenas em se tratando de leilões).

“Minha estimativa é que a obra dela possa ter seu preço triplicado hoje no leilão da Sotheby’s”, diz Jones Bergamin, galerista, investidor e diretor da Bolsa de Arte do Rio de Janeiro, ele mesmo interessado em entrar na disputa pela tela da artista. Curioso que ontem, em leilão da Christie’s, em Nova York, uma tela de Lucian Freud foi vendida a US$ 34 milhões, transformando-se no maior valor já pago pela obra de um artista vivo.

A presença do quadro de Beatriz Milhazes no leilão de hoje é apenas um dos indícios de que o mercado brasileiro de arte está passando por um momento de grande efervescência e deve ser vista com cautela. Afinal, bons resultados em leilões decorrem de fatores muitas vezes imponderáveis.

“É um jogo cujas regras não estão nas mãos de ninguém”, afirma Marcia Fortes, sua galerista no Brasil – Beatriz ainda é representada por galerias em Londres, Berlim e Nova York. Apesar de não querer fazer especulações, ela confirma que o interesse é grande e tem ‘muita gente faminta’ atrás. “É uma tela ótima, excelente, de uma fase muito procurada, e está com estimativa relativamente baixa. Acredito que vá, sim, superar essa estimativa”, diz a galerista. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo

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