João Modé
De vez em quando recebo imagens que amigos fizeram mundo afora pensando no meu trabalho. Essa foto aí o artista plástico João Modé tirou entre La Paz e Lima em 2005 e me mandou hoje de manhã. Aqui no bRog tem também uma do Andre Weller e outras que eu vou procurar logo mais.
Em 2002 eu escrevi esse micro texto abaixo para o folheto da exposição que João apresentou no AGORA, Lapa, Rio de Janeiro.
A exposição chama-se Estímulo Puro e os trabalhos só estarão prontos poucos instantes antes da inauguração. Não há ateliê nem desenho. Não há projeto, apenas um roteiro com imagens. Arte só idéia e ação. Arte sem matéria, sem pista. Um avião na contramão. João solta o balão para o alto. Na galeria, colar e cortinas. Perfume com madeira. Piso fora do nível. Plano fora do prumo. O cisne é o lago. O lago é o mar. O mar é o sal. Diariamente, precariedade e delicadeza irão transformar a exposição. João Modé pela terceira vez tentará construir a torre de madeira em direção ao céu. Pés enterrados no chão. Travesseiro de manteiga. Cama de cabelos. Pedaços de unhas enchem o pequeno pote até a boca, até o topo. A linha atravessa o espaço. A flor lentamente devora o cavalo branco. João Modé acorda cedo todo dia. Raiz, tronco e membros. Som sem som.
foto da exposição no AGORA por Wilton Montenegro
No momento João está apresentando a exposição Invisíveis na Fundação Eva Klabin dentro do Projeto Respiração. A exposição fica em cartaz até o dia 25 de julho e aqui tem o texto do curador Marcio Doctors. Modé é o décimo convidado do Projeto Respiração que promove intervenções contemporâneas no acervo clássico da Fundação.