Grande Chico
Parece que há um grande rio com esse nome, tem gente que acha que o Francisco Buarque de Holanda é enorme mas pra mim Grande Chico é o sr Xico Sá que escreve pra cacete na Folha em livros e nas telinhas por aí. Esse texto aí de baixo eu peguei no blog dele e é sobre o livraço do Javier Naranjo.
O que é o amor?
“É quando uma pessoa se ama e até pode casar e ter filhos e todas essas besteiras”, responde Ana Cristina Henao, 8 anos.
O que é sexo?
“É uma pessoa que se beija em cima da outra”(Luisa Fernanda Pates, 8).
“Trabalho das putas”( Mateo Ceballos, 10).
Criança não alivia, não se suja à toa com o barro escorregadio do eufemismo na hora de definir as coisas e os sentimentos do mundo.
Criança sabe que um adulto não passa de uma “pessoa que em toda coisa que fala, vem primeiro ela”, como bem-disse Andrés Felipe Bedoya, 8.
O professor Javier Naranjo pesquisou, durante uma década, as definições de meninos e meninas entre 3 e 12 anos. Do “A” de adulto ao “V” de violência.
O trabalho foi feito na escola El Triângulo, no sítio Llanogrande, zona rural de Rionegro, estado de Antióquia, nas brenhas da Colômbia.
Naranjo reuniu a sua investigação no livro “Casa das estrelas –o universo contado pelas crianças”, publicado agora no Brasil pela editora Foz.
É meu livro de algibeira. Não largo, não me larga. Sei até de cor muitas das definições mais sacanas da molecada.
Aos 11 anos, o donzelinho Oscar Alarcón desafia Freud e diz o que é uma mulher:
“Humano que não se pode consertar.”
Antes que o pequeno Oscar seja chamado de porquinho-chauvinista fruto da cultura machista e opressora da América Latina, passamos a bola para o Héctor Auguto Oquendo, 10:
“Elas têm o poder e um homem não.”
Nelson Ramirez, de apenas 7, é um fofo desde niño:
“É uma pessoa que se apaixona por alguém”.
E você, caro leitor adulto, sabe o que seja um morto? Ora, Pedro Bó, facílimo, é só “uma pessoa que está estirada”, na resposta do geniozinho Herber David Cardona, 9.
Óbvio que solidão não passa daquilo “que dá na mamãe” (Jorge Sáenz, 6).
Bem, dinheiro “é o fruto do trabalho –mas há casos especiais”(Pepino Nates, 11). Bote casos especiais nisso.
Para encerrar, rebobinemos a definição definitiva de amor: “É quando batem em você e dói muito”, soltou a pequena Viviana Castaño, 6.
Pensando bem, faz todo sentido do mundo. Faz ou não faz? E não estou falando obrigatoriamente nas perversões do tio Nelson Rodrigues.