O Carnaval das Escolas de Samba do Rio
Ontem a diretora, roteirista e produtora Paola Vieira ligou para comentar o post abaixo que fala do carnaval de rua e ficamos divagando sobre a necessidade da prefeitura mexer também imediatamente em 3 outras áreas:
– reforma total no desfile das escolas (fim do monopólio LIESA e construção do novo Sambodrómo aproveitando que o Niemeyer tá vivo e solicitando um novo projeto para ele)
– ação para promover os Bailes nos Clubes (viva Sarongue!)
– palcos espalhado por toda a cidade (como em Recife)
Daí acordo agora e me deparo com o texto abaixo do jornalista Bernardo Araújo na página de opinião do Globo de hoje.
MITO CARIOCA
Segundo o dito popular – nesse caso, um símbolo da síndrome de vira-lata que assola o brasileiro e, especialmente o carioca – nada no Brasil é organizado, apenas o carnaval. No ano em que o Sambódromo comleta 25 anos, não custa promover uma análise do maior espetáculo da terra e derrubar mais esse mito.
A venda de ingressos por exemplo, é organizada? A Liga Independente das Escolas de Samba dirá que sim, mas o público sabe o que sofre na noite anterior à da abertura das vendas. Os bilhetes são resgatados, uma vez vencida a batalha telefônica da compra, em agências bancárias, que não permitem a entrada de muita gente, deixando dezenas a mercê do sole dos cambistas. Por que não contratar uma empresa especializada, começar vendas mais cedo e espalhar as entradas por diversos pontos? Ah, antigamente o sambista era obrigado a dormir na fila? Verdade, mas isso não significa que o sistema atual seja eficiente e honesto. Passemos a festa. O Sambódromo, adequadamente localizado no Centro, é apertado para receber a quantidade de gente que vai, sendo necessária alguma improvisação para que funcione. Muito bem. Que tal abrir-se o maior espaço possível? A entrada para os setores pares da passarela é das mais complicadas – na vizinhançå da antiga fábrica Brahma e através de ruas estreitas, sujas e escuras. Seria muito difícilinstalar iluminação e facilitar o ir e vir?
O desfile pode ser de maior ou menor qualidade, mas o regulamento poderia ser mais cristalino, para que o resultado (de algo já tão subjetivo) saia de forma isenta. Antes de mais nada: a Liesa é quem arregimenta os jurados? Então, obviamente, a diretoria da Liesa não pode ser formada por diretores das escolas que competem. Mesmo que não haja má intenção, sempre vai aparecer um amigo de um diretor, um ritmista que já passou pelas escolas X, Y ou Z, e vai ficar aquela dúvida quanto às notas lidas na quarta-Feira de Cinzas. O ideal seria algum organismo independente (que tal aquele, como se chama mesmo,? Ah, sim, Prefeitura!) ficar responsável pela escolha e o treinamento dos jurados. O espetáculo teria muito a ganhar. Sem falar que o dinheiro público banca boa parte da festa.