Mais um blog bacana
Hoje descobri também o blog do jornalista Bruno Moreschi. Gostei e coloquei na lista dos meus links.
Esse texto ai foi publicado na revista BRAVO!
O semeador de imagens
Autor de registros desapressados no interior do Paraná e esquecido por anos, Haruo Ohara foi um dos mais importante fotógrafos do Brasil na segunda metade do seculo passado. Suas imagens servem de inspiração a um mundo que esqueceu a maturação das coisas.
Fotografia e terra eram sinônimos para Haruo Ohara. Enquanto cuidava do café no solo vermelho do interior do Paraná, o imigrante que chegou ao Brasil aos 17 anos registrava, com a paciência de um agricultor, o florescer de um novo mundo. De 1940 a 1970, ele produziu um acervo de 18 mil fotografias, doado no ano passado ao Instituto Moreira Salles. O objetivo era sempre o mesmo: retratar os imigrantes que transformaram, em pouco mais de meio século, uma vastidão de mata em cafezais. Até 1 de março na Galeria de Arte do Sesi, a coletiva Japão: Mundos Flutuantes reserva um dos cantos para o trabalho de Ohara – que morreu ao 90 anos sem o reconhecimento que merecia. Nas paredes marrons tranquilas da galeria, vê-se a obra do fotógrafo que, só agora, resgatamos do esquecimento.
Imagens para si – Maria, filha do artista, brincando no canteiro de flores (1950). Até hoje Ohara é chamado de “fotrógrafo amador”. Fotos bem elaboradas como esta mostram que, no seu caso, o aposto não é sinônimo de incompetente. O termo ficou apenas porque ele evitava vender suas imagens.