Bienal do Vazio, Vik, Fedex, Waltercio, Cildo etc

Fernanda Lopes é jornalista de artes plásticas, escreve para Bravo!, Gazeta Mercantil etc e colocou no ar um blog muito bacana que eu acabei de conhecer agora. Esse texto sobre a palestra do Vik no MAM Rio eu roubei de lá. Vale conferir também outro post sobre a Bienal de SP que aponta um link para um dossie organizado pelo site Forum Permanente.

Slumdog Millionaire

A capacidade de 180 lugares não foi suficiente para abrigar todos que estavam na fila esperando. Muita gente ficou de fora Cinemateca do Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro na tarde de hoje e acabou não vendo Vik Muniz falar. Ele falou durante quase duas horas, e falou muito bem. Sabe como segurar a platéia. Falou sobre seu trabalho, sobre a imagem no mundo de hoje e a importância da educação, sempre recorrendo a piadas e sacadas espertas.

Ele falou muito, mas talvez a expressão “Slumdog Millionaire” escrita em sua camisa que ele usava seja mais importante para defini-lo. [traduzindo para o português, seria algo como “Vira-lata Milionário”]. Isso porque a exposição que ele apresenta no MAM e que no final de abril chega a São Paulo, é a maior já realizada sobre seu trabalho. Em poucas semanas já é um grande sucesso de público (com uma média de 12 mil visitantes por semana) e de mercado, mas não empolga boa parte da crítica. Ele não parece se importar muito. Logo na entrada da exposição, uma frase dele parece uma boa resposta: “Objetos de arte são tristes e vazios pedaços de matéria pendurada no escuro enquanto ninguém os olha. O artista faz somente metade da obra, o observador faz o resto”.

Uma das muitas histórias que ele contou durante a palestra também dá outra pista. Quando ele estava em Nova York trabalhando na série Imagens de linha, onde ele reproduz imagens de obras famosas com linhas, frequentemente recebia a visita de um entregador de Fedex. Um dia, William, o entregador, vendo os trabalhos sobre a mesa quis saber o que era aquilo. “É arte?”. Desde então, sempre que ia fazer uma entrega no ateliê do artista, pedia para entrar e ver o que ele estava fazendo. A relação correu bem, até o dia em que William começou a tecer comentários sobre os trabalhos. “Essa não ficou boa. Você exagerou na relação da linha com o papel”, disse. Um tempo depois, durante um jantar, um importante crítico de arte nova-iorquino parabenizou Vik por sua exposição, mas não sei conteve em dizer que não tinha gostado de uma obra. A mesma que William não gostou, e pelo mesmo motivo. “Você tem toda razão. O meu entregador de Fedex me falou a mesma coisa”, respondeu Vik, informando à platéia que até hoje o tal crítico não fala mais com ele.

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