bRog entrevista Marcos Chaves
O que é a exposição Evento em Salvador?
É uma ocupação total do andar inferior do Palácio da Aclamação em Salvador (o segundo andar é interditado ao público). Uma construção suntuosa do século XIX, ampliada no início do século XX, estilo eclético/neoclássico, antiga sede do Governo da Bahia. Consiste em três instalações onde uso o vento como protagonista. Procurei utilizar ao máximo o mobiliário existente, no hall de entrada pendurei em forma de espiral cerca de 60 móveis, entre camas, mesas, armários, chapeleiras e cadeiras, todos do acervo local, formando um furacão. Em uma segunda sala, a de banquetes, fiz uma grande desarrumação dos móveis que já estavam dispostos ali, mesas pesadas de jacarandá foram viradas de cabeça para baixo, sobre elas, cadeiras e grandes vasos antigos estão equilibrados sutilmente, apesar da violência com que a cena se apresenta. O ambiente parece haver sofrido a ação de um tornado. Nesta sala o público não entra, uma única vista é oferecida através de uma entrada que dá para o hall fechada com um blindex. O espectador tem uma visão quase fotográfica da cena. No grande salão de baile, instalei 10 ventiladores industriais em suportes de metal, bastante transparentes, organizados abaixo e em volta de um grande lustre de cristal, de onde parte a única iluminação desta sala. Todas as portas estão cerradas, criei uma câmara fechada de vento onde se ouve o som (gravado) dos cristais tilintando, apesar deles estarem estáticos. Apenas as densas cortinas douradas se movem, em uma dança soturna, devido ao som e à pouca iluminação do espaço.
Qual suas proximas exposicoes? Onde? Quando?
Participo em fevereiro de uma coletiva na Maison Rouge em Paris, em abril faço uma individual na Casa de Cultura Laura Alvim e em maio estou na Semana de Arte do Rio. Em julho viajo para uma residência na China por 2 meses.
Alem dessas exposições que você esta preparando tem algum outro trabalho sendo produzido no seu atelier?
Trabalho sempre, tenho alguns procedimentos que repito que estão sempre alimentando minha produção. Andar na rua, a pé ou de bicicleta, sempre com uma câmera, é um deles, visitar com frequência as feiras da Praça XV ou o SAARA é outro. Estou pensando, amadurecendo e produzindo em parte, alguns trabalhos novos, muitos ligados à fotografia e objetos. O resultado deste trabalho deverá ser mostrado em minha exposição na Galeria Nara Roesler em SP, em outubro.
Como você vê o Rio hoje e como você imagina ele em 2016? Vc acredita num NOVO Rio? Ou continuaremos nessa mesma merda?
Já não estamos nesta merda! A cada dia vejo melhoras na cidade. Além de uma infinidade de projetos que tenho ouvido falar. É claro que muito ainda tem que ser pensado e efetivamente realizado. Dei uma passeada pela Lapa depois de um show no Circo Voador neste fim de semanam e fiquei muito surpreso e bem impressionado. Se as coisas estiverem caminhando neste ritmo vejo um novo Rio em 2016, muito muito melhor!
Você está trabalhando em algum projeto de construcao desse NOVO Rio? Que papel a producao artistica e cultural da cidade pode ter na construcao desse novo cenario? Como você se enxerga nesse processo? Como você vê seu trabalho inserido nesse processo de mudança e transformação da cidade?
Este ano participarei de 3 projetos públicos aqui no Rio, o primeiro deles é a melhoria do Túnel da Providência que deverá ficar pronto nos próximos meses. Além disso tenho participando de mesas redondas sobre o assunto, uma delas se realizará no Parque Lage nos 3 últimos dias deste mês de janeiro, será um grande fórum onde se discutirá o futuro da cultura na cidade e no Estado organizado pela Heloísa Buarque de Holanda. Vale a pena comparecer e participar.