Deu na Folha Ilustrada de hoje

Saiu hoje na Ilustrada da Folha de São Paulo a matéria abaixo.

Raul Mourão cria esculturas pendulares
Galeria exibe formas geométricas feitas em aço que balançam no ar num ritmo controlado pelo próprio peso

SILAS MARTÍ
DE SÃO PAULO

Uma vertigem metálica domina o espaço. São prismas, cubos e retângulos vazados, arestas de aço equilibradas em pontos fulcrais.
Balançam no ar, num ritmo ditado pelo próprio peso. Raul Mourão ocupa o espaço com seus esqueletos pendulares. Na individual que abre amanhã na Nara Roesler, suas obras adensam traços do desenho, materializam a forma ao mesmo tempo que emolduram o vazio.
“Tem esse caráter gráfico mesmo”, diz o artista. “É um equilíbrio instável, uma ação que dá certa vertigem.” É como se traduzisse para três dimensões as linhas desenhadas sobre o papel. Mas, nessa transposição, a forma se desdobra também em movimento, como se todo o potencial do traço fosse contido nesse vaivém geométrico. “Faço uma composição de formas”, descreve Mourão.
“É a busca da beleza ali, empilhando um cubo no outro.” Destoa de outras buscas desse artista, que já construiu carros e até a imagem do presidente da República em pelúcia. Mourão aqui muda para uma rota formalista, descarta resquícios literais.
Único dado concreto ou medida é o tempo. Cada escultura tem como título a duração em minutos e segundos do movimento pendular que percorre no espaço. De certa forma, “20’46″”, “57’44″” e outros tempos são registros mensuráveis de algo efêmero, a tentativa de preservar um ato único, desafiando mesmo o acaso, como se atrito, fricção e temperatura não fizessem oscilar esses intervalos mecânicos.
Nesse ponto, sua vertigem silenciosa lembra “4’33″”, célebre música sem música de John Cage, partitura que indicava à orquestra que não tocasse o instrumento ao longo de seus três movimentos.
Tempo aparece como a mais concreta das dimensões, dispensando, no primeiro, a medida espacial e, no segundo, o peso do som. “Tem um certo clima de concerto”, diz Mourão. “São essas coisas se mexendo.”

RAUL MOURÃO

QUANDO abertura amanhã, às 20h; de seg. a sex., das 10h às 19h; sáb., das 11h às 15h
ONDE galeria Nara Roesler (av. Europa, 655, tel. 3063-2344)
QUANTO grátis

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