Cristina Canale – Arredores e Rastros – MAM, Rio

01 jul – 15 ago 2010
A exposição, com curadoria de Luiz Camillo Osório, apresenta um recorte na pintura de Cristina Canale: são 20 obras do período de 1995 a 2010, ocupando parte do 3º andar do Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, abrangendo as mudanças a partir da experiência de estudos na Alemanha até o momento atual.

Lançada, em 1984, pela mostra Como vai você , Geração 80?, Cristina fazia parte do grupo de jovens alunos da Escola de Artes Visuais do Parque Laje que passaram a integrar, após este evento, um dos núcleos mais consistentes e conhecidos da retomada da pintura, no país. Na decada de 80 o trabalho de Cristina se caracterizou pelas telas multicoloridas de farta matéria pictórica, e temas ligados a natureza. Em 1993, mudou-se para Berlim e, nesse ano, recebeu do Estado de Brandenburg a bolsa de ateliê-residência no Castelo de Wiepersdorf. De 1993 a 1996 estudou na Academia de Artes de Düsseldorf, com bolsa do Departamento de Intercâmbio Acadêmico da Alemanha (DAAD), sendo orientada pelo artista conceitual holandês Jan Dibbets. O período que passou na Alemanha foi determinante para a transformação do trabalho de Cristina, ela manteve o foco de sua pintura nas formas da natureza, mas abandonou o tratamento matérico da imagem e, finalmente, descobriu a potência expressiva da linha.

Segundo Luiz Camillo Osório: “A ida para Berlim em meados da década de 1990 deu à pintura de Cristina Canale uma personalidade própria, um estilo singular. Se já se destacava entre os pares da geração 80, a partir daí sua obra ganhou força incontestável. Seu compromisso com a pintura, ao contrário de lançá-la para fora do seu tempo, vai comprometê-la com as múltiplas temporalidades que convivem e se enfrentam no presente.

Sua pincelada assume a crença moderna na potência autônoma da forma. A experiência da pintura deve se sustentar por si mesma, sem se pautar em uma referência externa, nem tampouco isolar-se numa intransitividade que recuse o mundo. Não se trata de uma crença arbitrária e formalista, indiferente às questões do presente, mas de uma aposta na capacidade do olhar criar para si desejos e sentidos próprios. O tempo do olhar potencializa a experiência e não se esgota na identificação de algo fora dela. Seja na aspereza mais opaca da série dos botânicos, seja na vibração cromática das pinturas mais recentes, sua obra cativa o espectador no primeiro contato. Diante de suas telas nos surge uma figuração que parece existir por si, independentemente das convenções pictóricas que estruturam o aparecer das coisas. Há uma intensidade plástica que convoca o olhar sem um sentido dado de antemão. Convocação que põe o olho a trabalhar na difícil transformação da mera sensação em sugestão de sentido. “

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