Comentando Caetano _ Rio + SP
Coloquei esse comentário abaixo la no blog dele.
Há tempos venho pensando que Rio e SP devem ser entendidas como 2 cidades complementares e seus textos apesar de apontarem as diferenças são uma oportunidade para refletirmos essa complementaridade.
Se São Paulo é a locomotiva do país o Rio é o vagão restaurante (eu quero um lugar na janela). São Paulo é bom para trabalhar e o Rio é bom para passear (um balneário parado no tempo). São 2 cidades que distam 400 e poucos km e hoje em dia isso é quase nada (há grandes metropoles antagônicas com tanta proximidade no planeta?). 40 minutos de voo, 4h30 de carro sem parar, 5h30 de onibus e infelizmente ainda não há um trem rápido. Com celular ou computador portátil, skype, videoconferencia etc pouco importa onde você se encontra. O grande barato é usar as 2 cidades como sendo uma só.
Se SP do Fasano, Céu, Hurtmold, Oficina, Titãs, Racionais, Tiê, Mariana Aidar e outros mais te animam não podemos esquecer a força da atual produção carioca. Alguns exemplos:
– os 400 blocos que brilharam na cidade apontando uma nova direção para o carnaval de rua que cresce a cada ano.
– a linda e fantástica geração de músicos que mistura Hermanos, Orquestra Imperial, Nina Becker, Do Amor, + 2, Autoramas, Canastra, Nervoso, Moptop, Jonas Sá, Binário, Fino Coletivo, João Brasil, Lucas Santtana, Supercordas, Momo, B Negão, Black Alien, The Twelves, Lettuce, Monobloco etc
– a nova cena do samba com Casuarina, Diogo Nogueira, Mart’nália, Edu Krieger, Moyseis Marques, Nicolas Krassik, Ana Costa, Nilze Carvalho, Empolga as 9, Bangalafumenga
– as festas e djs com Digital Dubs, Phunk!, Nepal, Moo, Calzone, Combo, Paradiso, Little Black is Fuck, Black Friday, Febre, Dancing Cheeta, Soul baby Soul, Ronca-Ronca, Maldita e muitas outras apenas na Zona Sul (importante destacar que os DJs e produtores envolvidos são, em sua ampla maioria, amadores que inventaram seus ofícios na prática, na experiência de dar uma festa. Antropólogos, Fotógrafos, Jornalistas, Historiadores, Artistas Plásticos, Curadores, Escritores, Atores, vários profissionais de outras áreas mergulharam de cabeça nessa cena, produzindo um espaço de invenção musical e encontros a cada noite na cidade.)
– os numerosos bailes funks que Hermano conhece melhor do que todos nós
– as centenas de atelies de artes plásticas espalhados pela cidade que ainda não dialogam com a populaçao mas que se implementado um programa de interface com o público poderá criar uma mediação viva e nova (diferente da relação comercial das galerias e da museologia mofada dos museus).
– a rapaziada que está preparando a revista Atual (nome provisório) capitaneados por Sergio Cohn (da Azougue) e Fred Coelho.
– os incontáveis blogs de reflexão, diversão e informação.
– a sede da Companhia Debora Colker na Glória formando profissionais e divertindo amadores. A Cia dos Atores do Enrique Diaz, Cesar, Olinto etc na Lapa com seus ensaios, peças e atividades.
Não falo do cinema, da televisão, de literatura e outras áreas por falta de intimidade mas deixo aqui a bola quicando para os demais cariocas.
Penso que o Rio está repleto de artistas que querem pensar novas relações entre arte, cidade e cidadania. Está na hora dessa gente bronzeada meter a mão na massa e inventar um futuro melhor. Falta articulação e muitas outras coisas mas há uma produção cultural fantástica e singular embaixo da nossa cara.
abracos gerais do
Raul (aguardando, aqui no blog, a chegada do disco novo)
PS:
Tem uma coisa que tenho pensado também que faz toda a diferença hoje entre a cena cultural do Rio e SP. Lá os paulistas tiveram na figura do sr Danilo Miranda do SESC um verdadeiro reitor de uma universidade informal e invisivel de produção cultural com seu rigor e exigencias mil. Por alí passaram centenas de profissionais aprendendo o que é arte e seu papel tranformador, o respeito ao público e ao artista. Hoje são esses profissionais que tocam a vida cultural em SP. Aqui no Rio nos faltou uma referência a mesma altura e o bundalelismo prevaleceu. Ninguem paga, ninguem recebe, todos são conhecidos e amigos e não há hora certa para começar nem acabar nada.