Krakowski e Sany Pitbull recebem convidados nos bailes ChoroFunk

Diretamente da agenda do OVERMUNDO:

A partir de 9 de janeiro – e nas três sextas-feiras consecutivas, dias 16, 23 e 30 – o pandeirista Sergio Krakowski convidará o DJ Sany Pitbull para fazer a batida sonora dos próximos verões cariocas nos bailes ChoroFunk. Será a partir da estética do funk carioca que Sergio vai misturar e transformar o funk, o choro, o samba, a bossa nova e o côco numa linguagem contemporânea de expressão musical. Em cada baile, a ser realizado na pista do legendário Clube dos Democráticos (Rua do Riachuelo, 91, na Lapa), haverá uma participação especial: Carlos Malta na estréia, dia 9; Pedro Luís no dia 16; Moyseis Marques no dia 23; e Chico César em 30 de janeiro, último dia desta temporada. Ingressos de R$ 13 a R$ 32.

Faz quatro anos que Sergio Krakowski desenvolve uma pesquisa de doutorado em computação musical tendo estudado em Paris por um ano em 2007. A finalidade desta pesquisa é criar maneiras interativas de dialogar com o computador em tempo real através de estímulos rítmicos provocados pelo pandeiro. A idéia central é captar o som do instrumento e analisá-lo ritmicamente por meio de algorítmos que Sergio cria e implementa. Esses algorítmos, por sua vez, fazem com que a máquina responda de forma ‘inteligente’ – gerando uma espécie de interação pioneira. Você pode ver como esta tecnologia funciona em vídeos que o músico disponibiliza no endereço: www.myspace.com/sergiokrakowski

“O que me chamou a atenção foi o caráter percussivo do funk carioca, tanto nas gravações quanto nas performances ao vivo, feitas por DJs que usam a bateria MPC quase com um instrumento de percussão. O estudo partiu do tamborzão do funk”, explica Sergio. Antes de propôr ao Tira Poeira (do qual é pandeirista desde 2002, quando o quinteto foi fundado) de combinar os estilos musicais, Sergio buscou DJs especializados na linguagem funkeira. Encontrou o que procurava numa noite de sexta-feira, no Baile do Cantagalo, em Copacabana, com Sany Pitbull atrás das carrapetas.

A primeira investida foi em “O morro não tem vez”, clássico de Tom Jobim e Vinicius de Moraes, que evoca justamente as favelas. Sem letra, a música (registrada no mais recente álbum do Tira Poeira, ‘Feijoada completa’) demonstra a nova possibilidade de expressão musical, unindo a verve dançante do funk à sofisticação da música brasileira. O pioneirismo repercutiu nos meios musical e jornalístico e foi noticiado pela TV Globo e pelos jornais como lançamento de um novo estilo musical – e o mais interessante: rompendo os preconceitos habituais ao funk carioca, cuja imagem está fortemente ligada ao morro, ao tráfico de drogas e à prostituição. “Pela primeira vez na história, o funk está começando a ser avaliado apenas sob o prisma musical”, resume o pandeirista.

Cada baile terá um convidado especialíssimo
Dando continuidade a essa experiência inicial, Sergio Krakowski vai promover com o DJ Sany Pitbull, no coração da Lapa, os bailes ChoroFunk, cujos convidados representam as diversas vertentes da música brasileira: Carlos Malta trará a energia mágica do seu pife, que remete às bandas de coreto do interior, aliada ao seu incrível conhecimento de música instrumental; Pedro Luís virá com a força da percussão tão apreciada por ele, dialogando perfeitamente com o Tamborzão do Funk; Moyseis Marques, um dos mais proeminentes cantores da nova geração do samba carioca, vai provar da mistura do gênero tradicional com o funk; e Chico César fechará a série com todo o ecletismo e questionamento da cultura negra e da identidade brasileira que lhe é habitual.

Comments are closed.