MARTA JOURDAN ESCULPINDO O TEMPO
Com uma câmera de altíssima velocidade que registra até mil quadros por segundo, a artista Marta Jourdan filma a poesia das explosões para sua nova exposição. Jourdan, que já criou objetos e engenhocas para transformar água em vapor, líquido em sólido, desta vez, captura o tempo que a gente não pode ver. A exposição individual “Súbita Matéria”, com abertura marcada na Artur Fidalgo galeria no dia 13 de novembro, traz duas sequências com impressões de quadros do filme, além de uma superprojeção, esculturas e cadernos com estudos da artista.
Para compor essa cena onírica, Jourdan convidou a acrobata Carol Cony e usou dinamites, canhão de ar e quase 30 mil litros de água. As imagens são poéticas. A captura mostra os movimentos no milésimo de segundo, revelando a delicadeza das partículas que surgem de uma explosão, a magia da água na luz, a força de um jato que surpreende uma mulher pelas costas. O som composto por Bruno Queiroz cria a atmosfera de submersão. “É mais um caminho para levar à zona do sonho, desse espaço que não é o real, nosso tempo interior”, diz Jourdan.
Se nos trabalhos anteriores ela já brincava com a transformação dos elementos, molhando quartos e prédios com suas retroprojeções (“zona de lançamento”), sugando com turbinas e evaporando gotas d’água com ferros de passar (“vento” e “líquidos perfeitos”), solidificando gotas (“estanho”) e fundindo imagens (“óleo”), agora ela quer traduzir o tempo.
SÚBITA MATÉRIA, de MARTA JOURDAN
Artur Fidalgo galeria
Abertura: 13/nov , 19h às 22h
Exposição: 13/nov a 5/jan, de seg a sex, 10h às 19h, e sábados, 10h às 13h