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Com uma câmera de altíssima velocidade que registra até mil quadros por segundo, a artista Marta Jourdan filma a poesia das explosões para sua nova exposição. Jourdan, que já criou objetos e engenhocas para transformar água em vapor, líquido em sólido, desta vez, captura o tempo que a gente não pode ver. A exposição individual “Súbita Matéria”, com abertura marcada na Artur Fidalgo galeria no dia 13 de novembro, traz duas sequências com impressões de quadros do filme, além de uma superprojeção, esculturas e cadernos com estudos da artista.

Para compor essa cena onírica, Jourdan convidou a acrobata Carol Cony e usou dinamites, canhão de ar e quase 30 mil litros de água. As imagens são poéticas. A captura mostra os movimentos no milésimo de segundo, revelando a delicadeza das partículas que surgem de uma explosão, a magia da água na luz, a força de um jato que surpreende uma mulher pelas costas. O som composto por Bruno Queiroz cria a atmosfera de submersão. “É mais um caminho para levar à zona do sonho, desse espaço que não é o real, nosso tempo interior”, diz Jourdan.

Se nos trabalhos anteriores ela já brincava com a transformação dos elementos, molhando quartos e prédios com suas retroprojeções (“zona de lançamento”), sugando com turbinas e evaporando gotas d’água com ferros de passar (“vento” e “líquidos perfeitos”), solidificando gotas (“estanho”) e fundindo imagens (“óleo”), agora ela quer traduzir o tempo.

 

SÚBITA MATÉRIA, de MARTA JOURDAN

Artur Fidalgo galeria

Abertura: 13/nov , 19h às 22h

Exposição: 13/nov a 5/jan, de seg a sex, 10h às 19h, e sábados, 10h às 13h

tá lá no blog Tico Tico do Mauricio Ronca Ronca Valladares.

ao quinto gole no chá de boldo “ypioca”, sem açúcar, percebi um zunzunzum, à direita…

no que conferi, encontrei marcelão D2 distribuindo autógrafos… e fotocas!

clima tumulto, mesmo!

ele se chegou pro meu canto, o pratão foi servido… e o bafafá acalmou, pelo menos, durante a refeição.

D2 & banda (+ catra & banda) estavam em curitiba por conta da festa de 35 anos da torcida os fanáticos, do altlético paranaense… que aconteceu no sábado.

disse ele que a pressão estava muito sinistra no embalo… tanto, que rolou pipoco do lado de fora… e teve gente caindo!

mamãe!

eu estava voltando pra casa depois de sonorizar robertinho plant no teatro guaira (voltarei à pauta, claro).

enfim, marcelão – agulhadão pra pegar o asa dura – papou rápido, posou para mais fotos…

foto: Mauriciio Valladares

foto: Mauriciio Valladares

ao se despedir, perguntou:

“maurição viu a veja que saiu hoje?”

e tirou a revista do saquinho.

imediatamente, click:

foto: Mauriciio Valladares

não deu tempo para fazer a segunda… marcelão justificou a existência do “homem fumaça” e vazou!

pensei eu com meus botões – “caramba, esse é o exemplo de registro onde tudo está afinado”!

claro, voltei ao chá de boldo “ypioca”… felizão!

justino, o garçom, se chegou cheio de letra:

– “semana passada, foi igual com o tiaguinho. maior confusão aqui no restaurante”

eu: “tiaguinho? joga no furacão?”

– “não”

eu: “no coxa?”

– “não”

eu: “putz, justino, não tenho idéia de quem seja esse tiaguinho”

– “pô, tu é bem um carioca alienado que não sabe de nada, né? caramba, tiaguinho do exaltasamba, maior sucesso”

eu: “hahaha, é verdade. tô por foreta total, nunca ouvi falar desse caboclo. mas bacana é a tchurma aqui de curitiba que quase botou uma ratazana na prefeitura”

– “é verdade… mas rato é o que não falta, em todos os lugares”

eu: “bingo, justino. tá na hora de partir”

Antes que eu perca o material online do Surpresa, antes que o conteudo desapareça na blogsfera (que nem o Obra em progresso do Caetano) e antes mesmo de pedir autorização a Lucia Koch, Barrão e Luisa Duarte para abrir os arquivos da equipe de som do Dj Surpresinha resolvi ir republicando aqui no b®og alguns posts do falecido e secreto blog do Surpresa. Esse post aí embaixo chamava bandeira / dead combo e foi publicado em 02/09/09.

Ontem assisti o curta de Fernando Sabino e David Neves sobre o poeta Manuel Bandeira na companhia dos anversariantes do dia primeiro de setembro Geraldinho Magalhães e Bebel Prates. O curta é apresentado pela Bem-te-vi Filmes, chama-se O Habitante de Pasárgada – Manuel Bandeira, tem edição do grande Mair Tavares e no início do filme tem uma cartela que diz “reapresentação do filme O Poeta do Castelo, de Joaquim Pedro de Andrade”, o que me leva a crer que eles utilizaram trechos do filme do Joaquim Pedro. O curta retrata um dia com o poeta nos arredores da Av. Calógeras com Av. Presidente Wilson, centro do Rio, no seu apartamento, no botequim mercearia Buraco do Vieira alí atras do Vilarino. No DVD Encontro Marcado com o Cinema , lançado pela Biscoito Fino, tem outros 9 curtas com Drummond, Vinicius, Jorge Amado etc.

Dead Combo

Depois dos registros dos poetas e escritores brasileiros nos 70 pulamos para a música de hoje em Portugal. Geraldinho nos apresentou a banda Dead Combo que fez a trilha do excelente curta Open Market, de Norberto Freitas que retrata em 16mm p&b imagens do cotidiano do mercado do Bolhão, no Porto que em breve fechará suas portas para obras de modernização. Procurei o curta na web mas não achei. Seguem alguns clipes da banda e uma apresentação ao vivo.

Dead Combo / CUBA 1970

Dead Combo / Quando a Alma Não é Pequena

Dead Combo / Viuva Negra

 

Dead Combo / Putos a roubar maçãs

Dead Combo / Live at Maxime

Todo dia é dia de passar no BLOG DO IMS para ler as novidades e coisas maravihosas como esse Sonso-Coxismo do R Bressane…

CORRESPONDÊNCIA

Contra o sonso-coxismo – por Ronaldo Bressane

IMS | 22.10.2012, 16:59
Querida Vilma,

que demais essa sua história de libertar o riso nas salas de aula de Berkeley! Lembrei daquele caso da estudante de uma universidade de Ohio (Utah? Kansas? este repórter nunca foi muito bom em apuração) que processou um colega por estupro. Tudo porque, na hora do vamo-ver, depois de perguntar antes e com tal zelo e sempre e tanto “baby, posso te beijar?”, “baby, posso abrir seu zíper?”, “baby, posso tirar seu sutiã?” etc. etc. (a pouparei dos detalhes sórdidos), ele se esqueceu de inquirir “baby, posso introduzir meu leão de jade na sua gruta nacarada do prazer?”, ou seja lá qual venha a ser o jargão utilizado pelos jovens do meio-Oeste em seus intercursos de terceiro grau. A cartilha politicamente correta de tal universidade propunha que todos os passos da paixão fossem oralizados, de modo a não deixar dúvida sobre o que seria feito por ambas as partes; o donjuan se esqueceu e se deu mal. O sonho da correção política cria monstros.

Curioso é que mesmo em Berkeley essa camisa de força também vista o comportamento dos estudantes, logo aí, essa universidade que foi berço dos protestos contra a guerra do Vietnã e catalisou os principais embates políticos nos anos 60 nos EUA. Será que o sonso-coxismo já chegou à Califórnia, Vilma? (Chamo de sonso-coxismo certo conservadorismo de raiz fascista porém índole cordial e embalagem mauricinha muito comum aqui em São Paulo. Aquele povo fanático por ordem, segurança e vias expressas lisinhas pro seu SUV deslizar, saca? Coxinha em SP é o termo que designa quem se veste ou se porta empanadinho e certinho como o famoso salgadinho – inventado, dizem, pela cozinheira da Princesa Isabel, cujo filho era doido por coxa de galinha. “Coxinha” também é usado para designar os PMs, que, além de adorarem comer coxinha de graça nos botecos das áreas onde rondam, acabam ficando com a bunda grande de tanto comer salgadinhos – sem falar que o uniforme os torna também, hum, empanados. Ah, que beleza como as palavras vão se tornando outras coisas conforme o uso, não? Mais pra frente podemos falar no maravilhoso termo “diferenciado”).

Considerações político-culinárias à parte, o sonso-coxismo de SP tem encontrado bolsões de resistência. Como, por exemplo, os vários coletivos culturais que, neste exato momento em que escrevo esta carta, conduzem milhares de pessoas vestidas de cor-de-rosa à Praça Roosevelt, onde, neste domingo, se realiza (se realizou) o evento #ExisteAMORemSP, com vários shows gratuitos e esquema totalmente colaborativo, sem nenhum patrocínio. Uma espécie de anarquia organizada, como nunca aconteceu antes na história de nossa cidade sonso-coxinha. Vi a criação desse evento na Casa Fora do Eixo, uma rede de coletivos de produtores de cultura de todo o país, no domingo anterior às eleições municipais, quando Celso Russomanno liderava todas as pesquisas e tinha chances reais de abiscoitar (ainda se usa abiscoitar?) a prefeitura de SP. Daí surgiu o evento #AmorSimRussomannoNão, que levou, debaixo de chuva, três mil pessoas vestidas de rosa à Praça Roosevelt. O uso do rosa-choque foi adotado para não envergar o evento nem sob o azul de José Serra nem sob o vermelho de Fernando Haddad – mas principalmente para chamar a atenção sobrepondo-se ao cinza da cidade para falar de cultura. Cinza aliás bem presente nessa praça de cimento armado que se tornou a Roosevelt após a reforma. Não entendo nada de economia, mas me parece inusitado uma praça custar R$ 55 milhões e não dispor de coretos, rampas suficientes para cadeirantes e carrinhos de bebê, bebedouros, árvores, esculturas etc etc… não há nem mesmo um abrigo para quem queira fugir de uma chuva súbita. Quem amou a praça de perfeito cimento lisinho foram os skatistas – os quais já estão sendo alvo dos sonso-coxinhas que moram na Roosevelt por causa do “barulho”: querem tirar os garotos da praça e colocá-los comportadinhos num cercado; skate, só entre as 12h e as 18h. Lembrei dos seus esquilos em Berkeley…

Mas sabe que eu tenho certa inveja desse mundo perfeito da Califórnia, onde tudo funciona e o riso aparece com hora marcada? É que eu fui, né, Vilma, ser freelance na vida, e uma hora estou terminando uma reportagem sobre a estética do frio no sul do Brasil, na outra finalizo um conto sobre o amor nas redes sociais, aí faço uma pensata-playground sobre viver três dias no aeroporto do Galeão, depois edito uma matéria sobre espiritismo, em seguida sou ghost writer de um empresário, na sequência emendo resenhas sobre livros e eventos culturais os mais desencontrados, aí preciso redigir as orelhas de um livro do Drummond e anotar ideias pros meus poemas. Meio desnorteante sim, mas ainda não apelei ao Dramin. Acho que todo frila, insatisfeito por natureza, tem certa nostalgia árcade de uma vida regrada. Ser frila é viver feito bolinha de fliperama, chutado e ricocheteado de lá pra cá sem nunca saber qual vai ser o próximo movimento, uma luz acesa ou o buraco do game over. Aí que um dia desses eu cismei de largar todos os frilas só pra ficar lendo o livro novo do Daniel Galera, Barba ensopada de sangue. Conhece a literatura dele? Que romance impressionante. Tenho certeza de que vai papar todos os prêmios o ano que vem. Mas falemos do livro depois…

É que, por falar em prêmio, o grande bafafá literário da semana se deu em torno do misterioso Jurado C. Olha que piada: Jurado C é o pseudônimo de um jurado do prêmio Jabuti que deu uma de tartaruga ninja e bagunçou o coreto das notas, atribuindo zeros e uns pra alguns livros e notas altas a outros – o que acabou por suspeitamente manipular o resultado final do prêmio, conforme conta em detalhes a brava repórter Raquel Cozer aqui. Depois do Sobrenatural de Almeida, ainda não tinha surgido na literatura nacional um fantasma tão polêmico. Dizem que logo mais a Câmara Brasileira do Livro, que organiza o Jabuti, vai tirar o Gasparzinho do armário para o exorcismo dos furibundos escritores que não gostaram do resultado final. Te atualizo sobre o novo furdúncio.

Outra presepada da semana (não, juro que não vou falar no fim da novela das 9) foi um mendigo de Curitiba cuja foto foi parar no Facebook e se tornou imediatamente famoso – bonito demais pra serhomeless, ganhou convites de casamento de milhares de damas carentes e caridosas. Lembrei do mendigo que rondava seu prédio, não era um que vivia te perguntando se ele era bonito? Bem, chega, falei demais pra variar, dona Vilma. Last but not least, como anda a nossa peça de teatro? Você tinha falado de umas ideias envolvendo um casal, Tennessee Williams e o estar-sem-estar das redes sociais. Te mando abaixo um conto baseado nesse estar-sem-estar, me diz se dá pra transformar isso em drama?

Beijo,

Ronaldo

P.S.: O #ExisteAMORemSP foi incrível: apesar do sonso-coxismo, dez mil pessoas ocuparam a praça por pura diversão, sem organização de poder público nem privado, e principalmente, sem stress.

P.S.2: Acabei de ouvir uma explicação pro termo ‘coxinha’ totalmente diferente… Os playboys, quando iam para a praia, já estavam com as coxas bronzeadas porque frequentavam clubes e usavam shorts, e só playboy frequenta clube.

Matéria do FABIO CYPRIANO que saiu na Ilustrada e no site da Folha.

O Museu de Arte de São Paulo (Masp) está abandonado pelos poderes públicos, especialmente o federal, afirma Teixeira Coelho, curador da instituição. “Não há no poder público uma disposição para perceber a grandeza do Masp”, diz ele.

Com o mais importante acervo do hemisfério sul, o museu saiu da crise institucional, que culminou com o corte de eletricidade, em 2006, mas não tem fôlego para implementar exposições de artistas brasileiros contemporâneos que considera fundamentais.

Com a bilheteria e o apoio de R$ 1,2 milhão do governo municipal, o Masp obtém verba para se manter apenas por quatro dos 12 meses do ano –seu orçamento é de R$ 12 milhões. Os outros oito meses do ano dependem de doações e patrocínios.

Isso, para Coelho, representa a falta de política dos governos para instituições culturais.

Teixeira Coelho, curador do Masp, na sede do museu. Foto: Marcelo Justo/Folhapress

Ele crítica também que, a dois anos da Copa, o governo federal não tenha dado início a um projeto cultural, nos moldes do que Londres organizou durante a Olimpíada.

“O Masp continua blindado. Como seu acervo é tombado, nós pedimos assento em seu conselho, junto com os governos estadual e municipal, mas eles não respondem. É preciso abrir sua administração e não ficar apenas pedindo dinheiro”, disse à Folha José do Nascimento Júnior, diretor do Ibram (Instituto Brasileiro de Museus), vinculado ao Ministério da Cultura.
Quanto à Copa, Nascimento Júnior diz que o governo elaborou um projeto de R$ 250 milhões, mas está buscando verba.

“A ministra Marta Suplicy encontrou-se com o ministro do Esporte [Aldo Rebelo] nessa semana para tratar disso.”

Em suas críticas aos governos, Teixeira Coelho poupa Marcelo Araujo, o secretário de Cultura do Estado de São Paulo: “Tenho boas expectativas sobre sua gestão. Ele é uma pessoa da área, que sabe o que é necessário”.

Araujo concorda que o Estado precisa dar apoio ao Masp. “Estamos realizando um processo de aproximação com o Masp para compor parcerias”, afirma o secretário.

Para Coelho, parte das dificuldades enfrentadas pelo museu tem a ver com o preconceito em relação ao centralismo da gestão Júlio Neves (1994-2008), que extinguiu a figura do curador.
“Existe uma coisa chamada hábito cultural, que faz com que não se mude o modo de pensar uma coisa”, diz.

Leia abaixo a entrevista que o curador concedeu à Folha.

*

Folha Estamos a dois anos de um megaevento na cidade, que é a Copa do Mundo. Em Londres, por conta das Olimpíadas, a Tate inaugurou uma nova ala. O Masp pretende fazer algo?*
Teixeira Coelho – Um dos primeiros eventos da Olimpíada, em Londres, de que tive conhecimento, foi um concerto de música clássica que eu ouvi pela rádio, meses antes de ela começar. E foi um evento anunciado como parte da Olimpíada. Os ingleses cuidaram disso. As pessoas vêm para as cidades ver dois ou três jogos de futebol, mas fazem também turismo. E buscam cultura.

Quais são os planos do governo brasileiro para a Copa? Estamos a dois anos e nada foi programado. Sozinho o MASP não pode fazer mais do que já faz.

O Masp não foi procurado?
Nada. E eu não sou de ficar aqui sentado esperando. Quando busquei o governo para discutir caminhos de cooperação, me disseram: “Na semana que vem, agora não posso, agora vou viajar…” Se existe um Ministério da Cultura, são eles que deveriam nos procurar.

Então não existe uma política federal para as instituições culturais?
Não. Claro que se você falar com o Instituto Brasileiro de Museus, o Ibram, eles vão dizer que possuem uma política e que o Masp precisa aderir ao sistema nacional de museus. Mas se você trocar em miúdos, nós nunca fomos capazes de ver nada de concreto.

Mas e os editais que eles promovem?
São editais de valores baixos, que pouco representam para o Masp. Eu aprendi que é preciso tratar desigualmente os desiguais. Isso não é tão antidemocrático como parece, pois significa tratar com mais intensidade os desprotegidos e com menos intensidade os mais favorecidos. Isso significa também que determinadas instituições, por sua importância, precisam ser tratadas de forma adequada. Não se trata o Masp como um pequeno museu de memória do interior.

O atual governo tem priorizado o apoio a projetos do Norte e Nordeste. Você concorda com essa política?
Essa é uma questão importante de política cultural. Se você vai na rua Florêncio de Abreu, em São Paulo, lá existe ferragem, na rua da Consolação, produtos de iluminação. O que quero dizer com isso? Existe em cultura algo que diz respeito à concentração. Na universidade isso é chamado massa crítica. Concentrando você pode irradiar. No Brasil, antes de haver concentração, chega um monte de apressadinhos que querem descentralizar.

Isso foi um efeito perverso da Lei Rouanet. Desconcentrou, pulverizou, e as instituições foram rebaixadas a um nível de tábula rasa. Algumas privadas se fortaleceram, mas as públicas não. Não foi só o Masp quem sofreu, o MAC também. O pensamento tem sido “o Masp que se vire sozinho, ele é elitista, tem boas obras”. Mas ele não se vira sozinho. O Louvre ainda recebe 30% de verbas do Estado, se não me engano.

Quanto o Masp consegue de bilheteria?
É um grande tema. Da bilheteria, 66% não pagam nada: idosos e crianças. Em qualquer lugar avançado do mundo, idoso às vezes tem redução de 10%. Assim, 33% dos que entram no Masp pagam alguma coisa, e o preço do ingresso está congelado há seis anos. Então, é quase nada.

O que isso representa de fato?
Com 800 mil visitantes por ano, a bilheteria paga cerca de dois meses de manutenção do museu. Assim, a Prefeitura de São Paulo, que repassa por ano, por conta de um decreto, cerca de R$ 1,2 milhão, paga um mês e meio, dois meses de manutenção do museu, os visitantes outro tanto. E os quase oito meses, já que o orçamento do Masp está em R$ 12 milhões, quem paga? Doações e patrocínio.

Com as questões do passado recente do museu, como a centralização do ex-presidente Júlio Neves, você acha que o Masp sofre preconceito?
Sim. Existe uma coisa chamada hábito cultural que faz com que não se mude o modo de pensar uma coisa. Certas coisas grudam e vão ficar. Se todo mundo tivesse mente aberta, seria possível mudar de opinião a respeito das coisas.

Eu sabia de tudo isso quando entrei no Masp. Por que aceitei? Ou você fica na arquibancada xingando o juiz, e eu cansei de xingar, ou pega a camisa e vai jogar. Eu escrevi em vários lugares, inclusive na Folha, que o problema do Masp era que ele não tinha curador. Possivelmente por isso fui convidado e o que eu podia responder? Seria muito acadêmico não aceitar, eu não sou acadêmico a esse ponto.

Mas se a elite intelectual ainda descrê do Masp, a população o torna ainda um dos museus mais visitados. É meio esquizofrênico, não?
Parafraseando um político famoso, o público do museu quer ver arte e não está interessando em questões que interessam a outros.

Um fenômeno recente interessante foram as filas para ver os impressionistas no CCBB, sendo que o Masp possui obras dos mesmos artistas com a mesma qualidade…
Aquilo é um evento e o Masp não é. Mas eu não compartilho com a ideia que um evento é necessariamente uma besteira. Etimologicamente, evento é algo que rompe uma rotina.

Se os impressionistas no CCBB servem para romper a rotina dos impressionistas do Masp, ótimo! Acorda, desperta, dá um choque. Mas, fila não mede muita coisa. Aqui também tivemos filas para o Caravaggio e eu acho isso algo indigno. Eu não faço fila para ver arte. Estou lutando para resolver esse problema de filas.

Por outro lado, o Masp ainda tem uma dívida com os artistas brasileiros. O Prêmio Masp, pelo qual venho batalhando desde o início de minha gestão e que só concretizamos neste ano, é uma forma de resgatar a divida do Masp com os artistas brasileiros. Mas fizemos um programa de exposições de artistas brasileiros e pergunta-me se conseguimos patrocínio!

Até hoje temos artistas convidados, que fizeram projetos, mas não conseguimos levantar patrocínio porque as empresas não pagam pelo artista brasileiro e o bolso do Masp não consegue fazê-lo.

Isso não é outra perversidade das leis de incentivo, pois os patrocinadores só apoiam nomes fortes?
Eu aprendi que é preciso ver as coisas por perspectivas distintas. Tem patrocinador que não está preocupado com rendimento de mídia, mesmo porque alguns, não me pergunte quais, não querem que se coloque sua logomarca.

E por que eles apoiam Caravaggio? Porque é conhecido e porque o patrocinador gosta dele, sinceramente! Agora se eu quero mostrar um artista conceitual brasileiro, o patrocinador não o conhece porque não sabe o que é arte conceitual. Ele não está errado, é a instituição que tem que dar um jeito de mostrar aquilo que ela acha que é importante. Só que o museu tem que lutar para ficar à tona. Não é digno que um país deixe um museu lutando para ficar à tona! O país tinha que encontrar um jeito para que o Masp navegasse.

Mas o Brasil vive uma fase de uma euforia no mercado, isso não se reflete nas instituições?
Nós continuamos, do ponto de política cultural, do mesmo modo que estávamos há muitos anos atrás. Alguma instituição tem sucesso porque se renova, como Fundação Bienal, que a duras penas consegue se manter, e outras nem tanto. Então, eu não vejo essa melhora do mercado se refletir nas instituições de arte, como o Masp, um museu que não tem, praticamente, apoio público, com exceção de pequeno aporte do município.

A indiferença e o alheamento em relação às questões de cultura e arte no Brasil continuam os mesmos, tanto do poder público, da iniciativa privada ou da sociedade civil. Eu não sou inimigo da lei Rouanet, porque sem ela o Brasil seria uma cela gelada em termos de cultura; mas o fato é que ela não acostumou a iniciativa privada a colocar dinheiro próprio na cultura.

Ao mesmo tempo, foram criadas instituições como o CCBB, que ajudam a movimentar o setor. Mas há brasileiros que doam dinheiro ao MoMA e não nada para o Masp ou outras instituições do Brasil.

O Masp foi criado por um mecenas, o Assis Chateaubriand. Há mecenas hoje?
Os mecenas acabaram. Quando eu estava no MAC eu ouvi de um colecionador que doações como as do Ciccillo e do Chateaubriand nunca mais, porque ele tem herdeiros e os herdeiros fazem questão de continuarem proprietários das obras. Naquele tempo a arte não tinha alcançado também o patamar econômico que tem hoje, não tinha os mesmos preços de hoje. Aquela fonte secou.

A isso, se acresce o absoluto desconhecimento pela sociedade civil das funções de um museu. A sociedade americana sabe o peso disso, o mesmo na Europa.

Mas as dificuldades do Masp não têm uma relação por conta da centralização, por anos, de um grupo liderado pelo Júlio Neves?
O Brasil é um país provinciano no sentido de que rixas ideológicas, familiares ou pessoais comandam o cenário e é impossível colocar isso em segundo plano. Se a sociedade que mantém o Masp tem sua parcela de responsabilidade, os poderes públicos também.

Há dois anos o Masp ficou 18 meses sendo investigado por uma promotora de Justiça e nada de significativo foi encontrado e o Masp venceu em primeira instância. Não há no poder público uma disposição para perceber a grandeza do Masp. A Pinacoteca encontrou na OS [Organização Social] uma forma de se manter, mas pelos estudos que o Masp fez, não valeria a pena passar a ser uma OS. Por cinco anos me encontro me encontrei com o Ministério da Cultura e nada acontece!

Uma das primeiras iniciativas da Marta Suplicy foi visitar o Masp…
Tentarei conhecer suas intenções a respeito.

Você tem uma boa expectativa em relação à ela?
Não tenho nenhuma expectativa em relação a ninguém, sem querer ser sarcástico. É que eu sei que, estruturalmente, o Estado brasileiro é indiferente à cultura e à arte. Nós conseguimos sobreviver, mas é difícil, até porque a lei Rouanet dificulta, já que ela é feita ano a ano, não há como planejar dois ou três anos adiante.

A gente tem que planejar uma mostra com maior antecedência, mas não tem autonomia econômica para concretizá-la.

E o Marcelo Araújo, como secretário de Estado?
Tenho boas expectativas sobre sua gestão, ele é uma pessoa da área, que sabe o que é necessário.

Qual é a vocação do Masp, hoje?
Quando fui chamado para ser curador, há quase seis anos, eu propus ao Masp uma linha de atuação baseada na configuração dele. Esse museu aqui, guardadas todas as proporções, é uma espécie de Metropolitan pequeno, fruto da política inicial do museu que era inclusiva: ele tem arte europeia, arte pré-colombiana, cerâmica italiana, etc, típica ideia de um museu do século 19.

Então não há porque ignorar a coleção do museu e não constituir um repertório a partir dele. Hoje, temos seis mostras prontas, a partir do acervo, que se revezam em mostras de longa duração. O museu, então, tem um repertório, como células que apontam para possibilidades de exposição. Surgindo interesse de outro museu, a mostra está pronta para viajar.

O museu não tem como seguir na linha de aquisição, como quando o Chateaubriand era vivo, não porque não se queira, mas porque os preços estão absurdos, e para que ele não se encerre em sua coleção, é preciso que ele se alimente com exposições de arte contemporânea, o que também temos feito. A Bienal percebeu essa tendência do MASP e ela também acontece aqui neste ano, com dois artistas.

Uma prática cotidiana hoje é produtores organizarem exposições para os museus, terceirizando seus serviços. Os museus não têm mais capacidade de organizar mostras sozinhos?
Não é bem terceirizar. Qualquer museu hoje em dia apresenta exposições de outro lugar, mesmo o MoMA, e isso não é um demérito. Você não oferece uma exposição do Caravaggio para a tendinha da esquina. Mas terceirização é uma tendência internacional.

Não quer dizer que seja uma política do Masp, mas faz parte de uma pulverização de algo que antes era muito concentrado. Hoje o museu não é está mais isolado, tem a Bienal, as feiras, os centros culturais, produtoras independentes. Um museu não dá conta sozinho. Temos aqui só três curadores, somos poucos.

E o que representa o prédio ao lado, que está sendo reformado, para o Masp?
A previsão é que ele seja inaugurado no primeiro semestre de 2014. Nós recebemos uma doação de 2.000 obras de arte asiática, do colecionador Fausto Godoy, e parte dela será exibida onde hoje é o restaurante, que vai para o novo prédio. Uma parte da administração também vai para lá, assim como a lojinha, e nele faremos uma escola de arte revolucionária para a cidade.

Em que sentido?
Eu não posso avançar nesse assunto, mas será de fato diferente, porque vai mexer com essa ambiente de São Paulo.

Em 2014 será o centenário do nascimento de Lina Bo Bardi e o Instituto Lina Bo e Pietro Maria Bardi não quer que a mostra comemorativa ocorra no Masp pois o museu não apresenta o projeto expositivo dos cavaletes na coleção. Por que o acervo permanente continua sem usar os cavaletes?
Por que deveria continuar? Por que uma proposta expositiva deve continuar para sempre? O Brasil é um país profundamente patrimonialista e preservacionista. É inconcebível que se queira manter uma mesma maneira de expor eternamente. Tentaram tombar os cavaletes do Masp no Condephaat e eles perceberam que isso não era possível. Por outro lado, a primeira exposição que fiz como curador do MASP, com o artista Alex Flemming, utilizou os cavaletes da Lina…

Matéria da Audrey Furlaneto publicada no Segundo Caderno e no site do Globo.

foto: Camilla Maia

RIO – De um lado, uma floresta em delírio, com árvores e flores que parecem saltar, coloridas, de formas geométricas. Anda-se um tanto para o lado oposto, e a geometria parece reinar. As formas surgem equilibradas, ritmadas por um movimento suave. Caminha-se um pouco mais e, enfim, chega-se ao delírio completo que já não obedece às formas e surge ora em espelhos, ora em tecidos brilhantes, ora em néons azuis e vermelhos.

O percurso poético — do delírio da forma ao delírio puro — poderá ser percorrido no Museu de Arte Moderna (MAM), que abre nesta quarta às 19h para convidados três mostras de artistas diferentes e, ao mesmo tempo, próximos: Luiz Zerbini, Raul Mourão e Cabelo.

De Zerbini, a exposição “Amor”, a maior das três que o MAM inaugura hoje, reúne 60 obras da última década — entre elas, as telas (de até seis metros) em que natureza e formas geométricas convivem e deliram no plano bidimensional. Trata-se da maior individual da carreira do artista que nasceu em São Paulo e construiu sua trajetória no Rio, desde os anos 1980, quando trabalhou como cenógrafo do grupo de teatro Adrúbal Trouxe o Trombone.

Um dos grandes nomes da arte contemporânea no país, Zerbini leva de quatro a oito meses para produzir uma pintura. Duas telas que estarão no MAM, entre elas um tríptico de 3 metros por 6 metros, foram feitas especialmente para a mostra. O artista também expõe uma série com slides, telas sem chassis e uma grande mesa em que reproduz as referências que carrega para o ateliê durante o longo e meticuloso processo de criação.

Vizinha à mostra de Zerbini, a exposição “Tração animal” traz oito grandes esculturas de Raul Mourão. São os “balanços” que aparecem na obra do artista desde 2009. Neles, formas em metal se equilibram e têm o movimento alterado pelo toque do espectador. Raul ocupa ainda outras duas salas: numa, balanços menores têm suas sombras projetadas nas paredes; na outra, está o vídeo “Plano/acaso”, em que a câmera, num elevador, percorre os andares de um edifício-garagem no Rio.

Por fim, há “Humúsica”, de Cabelo. E então há terra, floreiras carregadas por imagens de Buda, minhocas, carrinhos, espelhos em bases de skate… Na abertura, o artista irá “incorporar” o MC Minhoca. Fará uma performance com o DJ Esterco (na vida “real”, o DJ XXT) e os meninos Cebolinha e Yuri, do Bonde do Passinho.

Para o curador do MAM, Luiz Camillo Osorio, “pelo contraste, percebe-se a singularidade” dos artistas:

— A apropriação surge como um elemento vital que é potencializado pela obra de cada um. Raul se apropria dos andaimes de forma lúdica, Cabelo tem um universo inteiro. Zerbini vai dos galhos secos às caixas de som, aos slides, aos postes. Ele combina a exuberância de uma obra do Renascimento com a vibração potente de uma banda como Sonic Youth.

Na parede principal do Espaço Monumental do MAM, Zerbini mostra o que define como “conversa entre objetos, cores, formas e composições”. Ele ocupa quase toda a parede com telas que flertam com a figuração, a abstração e a geometria.

A figuração, por exemplo, surge em plantas, convivendo com caixas de som, postes da cidade ou micos que percorrem cabos de energia. Tudo é reflexo da observação da cidade pelo artista, que fotografa postes ou carrega plantas para o ateliê a fim de contemplá-las e recriá-las na pintura.

Zerbini ocupa a parte mais alta da parede, perto do teto, com as formas geométricas puras, em pinturas com incontáveis quadrados do cinza ao preto. Tudo em “Amor” é grandioso e, como diz o curador do museu, “potente e exuberante”.

— É como se fosse um espaço fantástico, mas numa escala real, uma continuação do espaço real — afirma Zerbini.

Na parede oposta, há vitrines de acrílico com slides coletados pelo artista há alguns anos. Ele os organiza, criando padrões, ou faz intervenções, substituindo as imagens por gelatinas coloridas. Já nas laterais do espaço, ficam telas presas por cordas, como “páginas de um livro gigante”.

Reunir todos os trabalhos sob o título “Amor”, diz Zerbini, pareceu-lhe uma “tradução muito precisa do trabalho”:

— Dentro dele está a memória emocional do que se viveu, estão a família, as amizades, a loucura. Tudo isso está incluído na ideia de amor.

Já a expressão “Tração animal”, título da mostra de Raul Mourão, é definida em dicionários como “qualquer veículo deslocado por animal”. No MAM, o espectador é quem “desloca” a obra. Com um toque, as esculturas entram em um “equilíbrio instável”, como diz o artista, que pode ser alterado continuamente.

Para ele, a mostra deve despertar a “vertigem do olhar”.

— A principal função da arte é essa. Uma função social, aliás. Trata-se de impregnar o homem de poesia — diz Raul.

Já em “Humúsica”, de Cabelo, a natureza torna-se ainda mais lúdica — um viveiro de minhocas está no centro de tudo. A ideia que parece dar base à mostra é que o resíduo torna-se fertilizante (no caso, de novas ideias, de obras pouco óbvias que flertam com Arthur Bispo do Rosário e a arte pop).

Além da sala principal, onde há de telas a minhocas, Cabelo criou outra, onde estão vídeos e “objetos de vários tempos, obras feitas e a fazer”.

— O Cabelo é um artista que sai da música, da performance, dessa vibração da cultura pop do Rio e vai para o desenho, o objeto — diz Luiz Camillo Osorio, para, em seguida, retormar a relação entre os três artistas:

— Zerbini tem um pouco da geometria do Raul e da turbulência do Cabelo. Com a geometria do Raul, você vê a turbulência do Cabelo. E, com ela, a geometria do Raul fica mais poética.

 

2012 POWER 100

It’s been 11 years since ArtReview first produced its annual ranking of the most influential people in the artworld, and it’s been quite a ride – past the ecstatic and the furious, bruised egos and big heads, baffled frowns and knowing smiles.

The contemporary art that we get to see (as opposed to contemporary art in general) and the discussions we have about it are determined by a complex and shifting network of forces and interests. Since its inception, the Power 100 has aimed to map and document these forces and their shifts as clearly as possible. As a result, the list is founded on observation rather than judgements about who is best and who is worst. And you don’t get a crown, a robe, a prize or even a certificate for being number one.

The artworld’s expanding, fragmenting scene faces some big questions: beyond Big Money, there are Big Ideas to be fought over, about who art is for, as much as what it is for. At a time of constant muttering about the 1% and the other 99%, the artworld might be living proof that art really does imitate life.

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1. Carolyn Christov-Bakargiev

2. Larry Gagosian

3. Ai Weiwei

4. Iwan Wirth

5. David Zwirner

6. Gerhard Richter

7. Beatrix Ruf

8. Nicholas Serota

9. Glenn D. Lowry

10. Hans Ulrich Obrist & Julia Peyton-Jones

11. Sheikha Al-Mayassa bint Hamad bin Khalifa Al-Thani

12. Anton Vidokle, Julieta Aranda & Brian Kuan Wood (e-flux)

13. Cindy Sherman

14. Alain Seban & Alfred Pacquement

15. Adam D. Weinberg

16. Annette Schönholzer, Marc Spiegler & Magnus Renfrew

17. Marc Glimcher

18. Marian Goodman

19. Massimiliano Gioni

20. Jay Jopling

21. François Pinault

22. Klaus Biesenbach

23. Matthew Slotover & Amanda Sharp

24. Barbara Gladstone

25. RoseLee Goldberg

26. Eli & Edythe Broad

27. Patricia Phelps de Cisneros

28. Bernard Arnault

29. Nicholas Logsdail

30. Liam Gillick

31. Ann Philbin

32. Victor Pinchuk

33. Maja Hoffmann

34. Tim Blum & Jeff Poe

35. Marina Abramović

36. Dakis Joannou

37. Udo Kittelmann

38. Monika Sprüth & Philomene Magers

39. Matthew Marks

40. Gavin Brown

41. Damien Hirst

42. Rosemarie Trockel

43. Wolfgang Tillmans

44. Agnes Gund

45. Chus Martínez

46. Isa Genzken

47. Iwona Blazwick

48. Anne Pasternak

49. Sadie Coles

50. Daniel Buchholz

51. Toby Webster

52. Adam Szymczyk

53. James Lingwood & Michael Morris

54. William Wells & Yasser Gerab

55. Michael Ringier

56. Theaster Gates

57. Pussy Riot

58. Jeff Koons

59. Steve McQueen

60. Takashi Murakami

61. Boris Groys

62. Emmanuel Perrotin

63. Richard Chang

64. Tim Neuger & Burkhard Riemschneider

65. Slavoj Zizek

66. Thaddaeus Ropac

67. Chang Tsong-zung

68. Elena Filipovic

69. Tino Sehgal

70. Christian Boros & Karen Lohmann

71. Luisa Strina

72. Claire Hsu

73. José Kuri & Mónica Manzutto

74. Brett Gorvy & Amy Cappellazzo

75. Tobias Meyer & Cheyenne Westphal

76. Budi Tek

77. Walid Raad

78. Cuauhtémoc Medina

79. Massimo De Carlo

80. Bernardo Paz

81. Christine Tohme

82. Mario Cristiani, Lorenzo Fiaschi & Maurizio Rigillo

83. John Baldessari

84. Sheikha Hoor Al-Qasimi

85. Dasha Zhukova

86. Vasif Kortun

87. Anita & Poju Zabludowicz

88. Candida Gertler

89. Gisela Capitain

90. Carol Greene

91. Franco Noero & Pierpaolo Falone

92. Jacques Rancière

93. Miuccia Prada

94. Maureen Paley

95. Don, Mera, Jason & Jennifer Rubell

96. Paul Chan

97. Victoria Miro

98. Adriano Pedrosa

99. Johann König

100. Gregor Podnar