{"id":998,"date":"2011-02-16T15:45:00","date_gmt":"2011-02-16T15:45:00","guid":{"rendered":"https:\/\/raulmourao.com\/blog\/?p=998"},"modified":"2013-03-21T05:32:44","modified_gmt":"2013-03-21T05:32:44","slug":"fc-3-dinheiro-e-um-pedaco-de-papel","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.archive.raulmourao.com\/blog\/?p=998","title":{"rendered":"FC\/RIO #3 &#8211; Dinheiro \u00e9 um peda\u00e7o de papel?"},"content":{"rendered":"<p><span class=\"Apple-style-span\" style=\"color: #333333; font-family: 'Trebuchet MS', Verdana, Arial, sans-serif; font-size: 13px; line-height: 18px;\"><b><span class=\"Apple-style-span\" style=\"border-collapse: collapse; color: #333333; font-family: arial, sans-serif; font-size: 13px; font-weight: normal; line-height: 18px;\">Nosso correspondente local Frederico Coelho foi a Brasilia falar no semin\u00e1rio sobre Helio Oiticia e depois saiu para beber com Sergio Martins e Felipe Scovino. Chegou ontem ao Rio e mandou sua terceira coluna. (Na barra lateral direita do b\u00aeog tem uma apresenta\u00e7\u00e3o do Fred pra quem ainda n\u00e3o conhece a figura)<\/span><\/b><\/span><\/p>\n<div class=\"separator\" style=\"clear: both; text-align: center;\"><a style=\"margin-left: 1em; margin-right: 1em;\" href=\"http:\/\/2.bp.blogspot.com\/-18DaMYo-lGg\/TVv69apBVeI\/AAAAAAAADtU\/iqIIvi6wXVQ\/s1600\/money.jpg\"><img loading=\"lazy\" alt=\"\" src=\"http:\/\/2.bp.blogspot.com\/-18DaMYo-lGg\/TVv69apBVeI\/AAAAAAAADtU\/iqIIvi6wXVQ\/s400\/money.jpg\" width=\"400\" height=\"395\" border=\"0\" \/><\/a><\/div>\n<div style=\"text-align: center;\"><span class=\"Apple-style-span\" style=\"font-size: x-small;\">Jac Leirner<\/span><\/div>\n<div style=\"text-align: center;\"><\/div>\n<p>Dinheiro \u00e9 um peda\u00e7o de papel?<\/p>\n<p>Um dos temas que debatemos diariamente no meio cultural brasileiro atual \u00e9 o seguinte: qual o valor do meu trabalho? Os que trabalham com o que est\u00e3o come\u00e7ando a chamar por aqui de economia criativa ou com a\u00e7\u00f5es relacionadas ao meio intelectual e est\u00e9tico vivem se fazendo esta pergunta pois o mercado sempre lhe pergunta isso na hora do contrato. Nas artes visuais, essa pergunta \u00e9 mais dram\u00e1tica: \u201ccomo fa\u00e7o para ganhar dinheiro como artista\u201d? Ou melhor: \u201cse vivo entre o limite tr\u00e1gico-libert\u00e1rio do criador e a necessidade pragm\u00e1tica das contas no fim do m\u00eas, como posso fazer dinheiro\u201d? Ou mais: quem paga o artista? O mercado de arte? O colecionador? O Estado? A galeria? Ou simplesmente o seu investimento concentrado em seu trabalho? Quantos intermedi\u00e1rios o artista precisa para circular sua mercadoria e poder vend\u00ea-la como forma de sobreviv\u00eancia no capitalismo nosso de cada dia?<\/p>\n<p>Outro exemplo deste dilema, posto de outra forma. Na m\u00fasica, as p\u00e1ginas do Segundo Caderno d&#8217;O Globo alimentam, depois de s\u00e9culos, uma pol\u00eamica p\u00fablica. Pol\u00edtica? Talvez. Cultural? De certo ponto de vista sim. Mas a pol\u00eamica \u00e9, mesmo, relacionada a quem paga quem. Na troca de cartas entre Antonio Adolfo, ECAD, Ronaldo Lemos, Joyce e nos artigos de Hermano Vianna e de Caetano Veloso (n\u00e3o tomando nenhuma posi\u00e7\u00e3o contundente e deixando em aberto a d\u00favida tensa, o que tamb\u00e9m \u00e9 importante), todos discutem, cada um do seu ponto de vista, o pagamento (ou n\u00e3o) de direitos autorais na m\u00fasica brasileira. Quem debate s\u00e3o os jovens m\u00fasicos da era digital, os novos nomes da cena musical brasileira? N\u00e3o. Quem debate e defende posi\u00e7\u00f5es s\u00e3o compositores ligados \u00e0 gera\u00e7\u00e3o que fundou a MPB \u2013 e, de certa forma, a profissionaliza\u00e7\u00e3o do m\u00fasico brasileiro nos aos 60 do s\u00e9culo passado. S\u00e3o eles que debatem em p\u00fablico com novos agentes da cultura-s\u00e9culo XXI que apresentam a op\u00e7\u00e3o leg\u00edtima e complexa de refundar formas de distribui\u00e7\u00e3o do produto, que reivindicam uma proposta descentralizada de direitos, uma nova forma de circula\u00e7\u00e3o livre das informa\u00e7\u00f5es e conte\u00fados culturais.<\/p>\n<p>Simplificando deveras, os proponentes do Creative Commons constroem sua representa\u00e7\u00e3o p\u00fablica como os que querem ser risco, experimento, inven\u00e7\u00e3o, liberdade, cria\u00e7\u00e3o de la\u00e7os sociais universais \u2013 tudo que a arte alimenta no mundo e no homem; j\u00e1 os compositores e m\u00fasicos passam a imagem de tradicionais, institucionais, nacionais, exigem direitos, querem ser reconhecidos como trabalhadores da cultura. Eles querem o reconhecimento de uma vida profissional que precisa do controle do mercado: ouviu, paga. Sem julgamentos de certo ou errado, quem trabalha merece seu reconhecimento simb\u00f3lico e \u2013 no capitalismo \u2013 financeiro. Voc\u00ea vale mais se trabalha mais, ou melhor. Grandes compositores vendem mais, arrecadam mais, tocam mais e por isso n\u00e3o dependem tanto do ECAD quanto pequenos compositores que tem um hit ou apenas dois discos bem sucedidos. E o que os novos m\u00fasicos e compositores t\u00eam a dizer sobre isso? Iniciam suas carreiras apostando nas novas formas de circula\u00e7\u00e3o da mercadoria \u201cm\u00fasica\u201d ou se aferram ao direito garantido de um pagamento via recolhimento de imposto por parte de uma ag\u00eancia central como o ECAD?<\/p>\n<p>E os artistas visuais? A arte \u00e9 imagem e a imagem \u00e9 o que mais circula no mundo atual pela web, sem d\u00favida. Um trabalho pode ser registrado por terceiros e circular infinitamente atrav\u00e9s do Google image. Os sites de artistas est\u00e3o a\u00ed escancarados para quem quiser ver, assim como livros e outros suportes que divulgam essas imagens. Por\u00e9m, nada disso substitui a EXPERI\u00caNCIA de estar com ou conviver com a obra (ir \u00e0 exposi\u00e7\u00e3o, ao museu, ao ateli\u00ea ou compr\u00e1-la para ficar admirando em casa). Eu posso ouvir a obra completa do Caetano ou da Joyce em casa e n\u00e3o perderei tanto assim do seu objetivo inicial quando foi feita. Mas se eu ficar em casa vendo por livro uma obra de Richard Serra ou Chelpa Ferro, n\u00e3o viverei nem um d\u00e9cimo do que realmente est\u00e1 em jogo durante sua cria\u00e7\u00e3o e exibi\u00e7\u00e3o. Assim, o que o artista vende n\u00e3o \u00e9 a execu\u00e7\u00e3o da obra (como na m\u00fasica) ou a m\u00e1xima possibilidade da s\u00e9rie (como o cinema\/DVD e a m\u00fasica\/CD). Quanto mais o artista torna-se produtor de s\u00e9ries infinitas e mercadol\u00f3gicas, vazias de quest\u00f5es pertinentes ao meio cr\u00edtico e hist\u00f3rico da arte, menos ele vale como artista para o seu campo de pares. Vide Romero Brito, artista milion\u00e1rio e totalmente desprestigiado entre os artistas brasileiros. Portanto, o artista vive de VENDER SUA OBRA. Ou de bolsas. Ou de pr\u00eamios.<\/p>\n<p>Um jovem artista, hoje, no Brasil, quer o que? Claro que esta pergunta \u00e9 ret\u00f3rica, j\u00e1 que cada pessoa vive a partir de uma motiva\u00e7\u00e3o pessoal insond\u00e1vel aos outros. Por\u00e9m, vamos fazer esse esfor\u00e7o de generaliza\u00e7\u00e3o: um jovem artista hoje no Brasil inicia sua carreira J\u00c1 VISLUMBRANDO a profissionaliza\u00e7\u00e3o atrav\u00e9s da arte. E isso n\u00e3o \u00e9 um problema. Isso \u00e9 o amadurecimento de um sistema da arte que conta com universidades, cursos, galerias, escolas, certa expectativa de colecionadores etc. O mercado vive do fresh and new, numa esp\u00e9cie de capitalismo \u00e0 La Pound (Money is news that stay news). Assim, novos artistas disputam com artistas maduros ou consagrados o mesmo campo, as mesmas listas, os mesmos pr\u00eamios. A quest\u00e3o \u00e9 saber se todos precisam utilizar as mesmas PR\u00c1TICAS para se relacionar com esse sistema que o Brasil constr\u00f3i a duras penas nos \u00faltimos cinq\u00fcenta anos. H\u00e1 muitos caminhos para se estabelecer como um artista profissional (no sentido de ocupa\u00e7\u00e3o)? Ou h\u00e1 apenas os caminhos estreitos que ser\u00e3o reproduzidos por todos, sejam eles radicais, conservadores, inventores, diluidores, mestres ou monstros?<\/p>\n<p>Semana passada <a href=\"http:\/\/daniname.wordpress.com\/2011\/02\/09\/so-sp-no-marcantonio-vilaca\/\">Daniela Name postou em seu blog<\/a> alguns coment\u00e1rios e artigos refletindo sobre a aus\u00eancia de artistas cariocas na lista final do Premio Marcantonio Villa\u00e7a deste ano \u2013 assim como no PIPA do ano passado. A repercuss\u00e3o foi ampla dentre os que freq\u00fcentam o blog. A quest\u00e3o que Daniela colocou \u00e9 mais um sintoma do que um problema, apesar do sintoma raramente ser debatido ou posto em xeque. O problema mesmo n\u00e3o \u00e9 entender a precariedade institucional de uma cidade em contraste com a organicidade entre insititui\u00e7\u00f5es, galerias, compradores, museus e universidades. O problema \u00e9 entender se pode existir uma especificidade em cada espa\u00e7o criativo regional ou se todos ter\u00e3o que trabalhar e viver sob o mesmo diapas\u00e3o que emana do grande centro financeiro. \u00c9 o mercado que consagra a arte feita em S\u00e3o Paulo? N\u00e3o creio. Assim como n\u00e3o \u00e9 o fracasso institucional do Rio de Janeiro que impede a ascens\u00e3o de artistas cariocas em certos meios. A quest\u00e3o \u00e9 saber, novamente, o que o artista espera do seu trabalho como forma de vida, profiss\u00e3o. O investimento agudo e solit\u00e1rio na linguagem que se escolhe como arte \u00e9 um trabalho \u00e1rduo e, na perspectiva rom\u00e2ntica por\u00e9m real, sem retorno financeiro garantido. Como investir na linguagem e ser um profissional remunerado por um mercado vol\u00e1til e uma aus\u00eancia completa ou quase completa de aquisi\u00e7\u00e3o de obras por parte das institui\u00e7\u00f5es e do Estado? Matem\u00e1tica dif\u00edcil de se resolver.<\/p>\n<p>Mas a grande not\u00edcia, o grande tema da hist\u00f3ria cultural brasileira atual \u00e9 a promessa de <a href=\"http:\/\/www.oesquema.com.br\/urbe\/2011\/02\/16\/um-papo-com-jorge-ben-jor-sobre-o-show-do-a-tabua-de-esmeralda.htm\">Jorge Ben(Jor) em apresentar um show completo com todo o disco T\u00e1bua de Esmeraldas<\/a>, tocado do mesmo jeito e se poss\u00edvel com os mesmos m\u00fasicos. Isso \u00e9 a maior not\u00edcia do ano. E n\u00e3o tem pre\u00e7o.<\/p>\n<div><span class=\"Apple-style-span\" style=\"font-size: x-small;\">\u00a0<\/span><\/div>\n<div><span class=\"Apple-style-span\" style=\"font-size: x-small;\"><i><b>Frederico Coelho &#8211; fevereiro de 2011<\/b><\/i><\/span><\/div>\n<div><span class=\"Apple-style-span\" style=\"font-size: x-small;\">esse texto \u00e9 dedicado aos meus camaradas Sergio Martins e Felipe Scovino<\/span><\/div>\n<div id=\"wp_fb_like_button\" style=\"margin:5px 0;float:none;height:100px;\"><script src=\"http:\/\/connect.facebook.net\/en_US\/all.js#xfbml=1\"><\/script><fb:like href=\"https:\/\/www.archive.raulmourao.com\/blog\/?p=998\" send=\"false\" layout=\"standard\" width=\"450\" show_faces=\"true\" font=\"arial\" action=\"like\" colorscheme=\"light\"><\/fb:like><\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nosso correspondente local Frederico Coelho foi a Brasilia falar no semin\u00e1rio sobre Helio Oiticia e depois saiu para beber com Sergio Martins e Felipe Scovino. 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