{"id":976,"date":"2011-02-02T11:32:00","date_gmt":"2011-02-02T11:32:00","guid":{"rendered":"https:\/\/raulmourao.com\/blog\/?p=976"},"modified":"2011-02-02T11:32:00","modified_gmt":"2011-02-02T11:32:00","slug":"vampire-weekend-no-circo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.archive.raulmourao.com\/blog\/?p=976","title":{"rendered":"Vampire Weekend no Circo"},"content":{"rendered":"<p><span class=\"Apple-style-span\" style=\"border-collapse: collapse; font-family: arial, sans-serif; font-size: 13px;\"><a href=\"http:\/\/chicodub.files.wordpress.com\/2011\/02\/vampire-weekend-final-print.jpg\" style=\"color: #2a5db0;\" target=\"_blank\"><img loading=\"lazy\" alt=\"\" height=\"400\" src=\"http:\/\/chicodub.files.wordpress.com\/2011\/02\/vampire-weekend-final-print.jpg\" title=\"vampire-weekend-final-print\" width=\"285\" \/><\/a><\/span><\/p>\n<p>Chico Dub me mandou um email com a imagem do cartaz acima e o seguinte recado abaixo&#8230; e tamb\u00e9m veio junto a coluna do Dapieve de 7 de janeiro. Ave Chico!<\/p>\n<p>Nesta quinta, o pessoal do&nbsp;<a href=\"http:\/\/www.queremos.com.br\/\" style=\"color: #2a5db0;\" target=\"_blank\">Queremos<\/a>&nbsp;organiza mais um show no Rio. Depois de Miike Snow, Belle &amp; Sebastian, Mayer Hawthorne e Two Door Cinema Club, chegou a vez do&nbsp;<a href=\"http:\/\/www.queremos.com.br\/show\/11-Vampire-Weekend\" style=\"color: #2a5db0;\" target=\"_blank\">Vampire Weekend<\/a>.<br \/>Pra quem n\u00e3o conhece, o Vampire \u00e9 uma das mais famosas bandas indies dos \u00faltimos anos. Com dois discos lan\u00e7ados, \u00e9 uma e chance e tanto de ver uma banda no auge tocando no melhor palco da cidade, o Circo Voador. Sem contar que a abertura (mais do que apropriada) fica por conta da banda Do Amor.<br \/>Pra esquentar,&nbsp;<a href=\"http:\/\/teclamusic.com\/cliente\/tecla-acoes\/projeto\/universo-vampire-weekend-mixtape\" style=\"color: #2a5db0;\" target=\"_blank\">ou\u00e7a a mixtape<\/a>&nbsp;que o pessoal da&nbsp;<a href=\"http:\/\/teclamusic.com\/home\" style=\"color: #2a5db0;\" target=\"_blank\">Tecla<\/a>&nbsp;preparou para divulgar o show. S\u00e3o 60 minutos com sons do &#8220;universo Vampire&#8221; (Paul Simon, The Clash, Talking Heads, King Sunny Ad\u00e9&#8230;.).<\/p>\n<p>E com a palavra, Arthur Dapieve:<br \/><strong>VAMPIRISMO<\/strong><br \/><strong>Colunista admite: \u00e9 do \u2018Contra\u2019<\/strong><br \/><em>&#8220;O primeiro grande sucesso do hoje valorizado Odair Jos\u00e9 foi \u201cVou tirar voc\u00ea desse lugar\u201d. Era uma daquelas suas habilidosas can\u00e7\u00f5es de apelo popular, pegajosas e levemente apimentadas \u2014 como convinha a 1972, ano de impenetr\u00e1vel ditadura e de censura feroz. Falava do amor de um sujeito por uma prostituta. Ele fora pela primeira vez ao bordel para se distrair, \u201cem busca de amor\u201d. Na segunda, estava com saudade da mo\u00e7a. E, na terceira ida, j\u00e1 cantava um refr\u00e3o para ela: \u201cEu vou tirar voc\u00ea desse lugar\/ Eu vou levar voc\u00ea pra ficar comigo\/ E n\u00e3o interessa o que os outros v\u00e3o pensar.\u201d<\/em><br \/><em>N\u00e3o penso que fosse inten\u00e7\u00e3o de Odair fazer metalinguagem, mas na minha cabe\u00e7a qualquer m\u00fasica sempre deveria almejar nos tirar do lugar. Porque o ouvinte tende a ser uma maria vai com as outras, uma esp\u00e9cie de prostituta que dan\u00e7a com meio mundo e n\u00e3o se move de verdade por quase ningu\u00e9m. A maior parte da produ\u00e7\u00e3o musical n\u00e3o tem nem a ambi\u00e7\u00e3o nem a capacidade para nada mais do que peg\u00e1-lo, sacudi-lo um pouco e&#8230; Deix\u00e1-lo exatamente no mesmo lugar. Seja este o elevador, a pista de dan\u00e7a, o autom\u00f3vel ou a academia. Ela entra por um ouvido e sai por outro, ainda que demore semanas no caminho, martelada pela mem\u00f3ria ou pelas r\u00e1dios.<\/em><br \/><em>Compare com o conjunto das obras, por exemplo, de Bach, Roberto Carlos ou Radiohead. Suas m\u00fasicas tiram o ouvinte do lugar, do lugar-comum. Ao dosarem familiaridade e estranheza, repeti\u00e7\u00e3o e inven\u00e7\u00e3o, elas nos transportam para novos universos, maravilhosos lugares que, uma vez vislumbrados, parecem sempre ter estado ali. A boa m\u00fasica \u00e9 uma viagem sem volta. Por\u00e9m, conforme o bom ouvinte \u00e9 movido daqui para l\u00e1, de l\u00e1 para acol\u00e1, e vai conhecendo mais lugares, ele precisa lutar contra a ang\u00fastia de achar que j\u00e1 ouviu de tudo. E que nada mais ir\u00e1 tir\u00e1-lo desse lugar.<\/em><br \/><em>Eppure si muove, felizmente&#8230;&nbsp;<strong>Porque todo esse introito \u00e9 para lhes contar que o CD de m\u00fasica pop internacional que me levou mais longe em 2010 foi \u201cContra\u201d, do quarteto nova-iorquino Vampire Weekend. E ele s\u00f3 me bateu em todo o seu esplendor depois de dois amigos, que entendem de m\u00fasica, terem desdenhado da banda. Um disse que \u201cContra\u201d nada avan\u00e7ava em rela\u00e7\u00e3o ao disco de estreia, \u201cVampire Weekend\u201d, de 2008. Outro anunciou que n\u00e3o daria um centavo para ver o show do grupo no Circo Voador, em 3 de fevereiro. Para completar, \u201cContra\u201d n\u00e3o entrou na lista de 50 melhores do ano da querida \u201cMojo\u201d, a revista inglesa com quem ando me estranhando.<\/strong><\/em><br \/><strong><em>Ent\u00e3o, depois de ter viajado \u00e0 be\u00e7a com \u201cContra\u201d, lan\u00e7ado aqui recentemente pelo bendito selo Lab 344, pensei se n\u00e3o estaria maluco. Fui pesquisar outras listas de melhores de 2010 e, ufa, l\u00e1 estava o CD. Estava na revista americana \u201cRolling Stone\u201d (sexto lugar, entre 30) e nas inglesas \u201cNew Musical Express\u201d (24\u00ba lugar, entre 50) e \u201cQ\u201d (quinto, entre 50). N\u00e3o que isso fizesse grande diferen\u00e7a \u2014 ele podia ter sido ignorado por todas que continuaria sendo o meu n\u00famero 1 \u2014 mas \u00e9 sempre bom saber que algu\u00e9m mais no mundo, ou na imprensa, sentiu o disco mais ou menos do jeito que senti.<\/em><\/strong><br \/><strong><em>Uma das coisas de que mais gosto em \u201cContra\u201d \u00e9 justamente ele ser um segundo disco do n\u00edvel que \u00e9. Porque costumamos ser ludibriados por primeiros discos. Eles concentram todo o tes\u00e3o acumulado em anos de rala\u00e7\u00e3o, s\u00e3o um jorro de criatividade represada, t\u00e3o bons que dobram a responsabilidade da segunda vez. A\u00ed, quando vem o sucessor, transado num curto intervalo, fica aquela coisa meia-bomba, frustrante. Isso n\u00e3o ocorre com \u201cContra\u201d, em parte porque o espa\u00e7o entre o nascimento da banda, em 2006, e o lan\u00e7amento do aclamado \u201cVampire Weekend\u201d tamb\u00e9m tenha sido breve.<\/em><\/strong><br \/><strong><em>O grupo foi formado por alunos da Columbia University, l\u00e1 em cima na Broadway, esquina com a Rua 116. O que conferiu aos seus membros certa aura intelectual \u2014 as letras s\u00e3o de gente que estudou, ao menos um pouco \u2014 e lhes deu oportunidade de definir seu som, n\u00e3o sem ironia, como \u201cUpper West Side Soweto\u201d. A men\u00e7\u00e3o ao gueto negro pr\u00f3ximo a Johannesburgo, na \u00c1frica do Sul, demarca de imediato a sua paix\u00e3o pelas m\u00fasicas de todo aquele continente. Nisso, o Vampire tem antecessores ilustres na pr\u00f3pria cidade de Nova York: Paul Simon, fase \u201cGraceland\u201d (at\u00e9 a voz de Ezra Koenig lembra a do ex-parceiro de Garfunkel), e David Byrne.<\/em><\/strong><br \/><strong><em>J\u00e1 a por\u00e7\u00e3o \u201cUpper West Side\u201d garante que o grupo mantenha dist\u00e2ncia de qualquer \u201craiz\u201d imobilizadora. S\u00e3o quatro garotos americanos de ouvidos abertos, que flertam com ritmos e harmonias africanas, mas praticam ainda o bom pop-rock de sua terra, mais m\u00fasica latina e eletr\u00f4nica. Vampirismo do bem. Assim, \u201cContra\u201d traz, em pouco mais de 36 minutos, uma quantidade not\u00e1vel de m\u00fasicas sedutoras. Nada menos que nove entre dez faixas: \u201cHorchata\u201d, \u201cWhite sky\u201d, \u201cHoliday\u201d, \u201cCalifornia English\u201d, \u201cTaxi cab\u201d, \u201cRun\u201d, \u201cCousins\u201d, \u201cGiving up the gun\u201d e \u201cDiplomat&#8217;s son\u201d, refer\u00eancia ao falecido Joe Strummer, do Clash, outro amante dos sons desse mund\u00e3o besta. A mais fraca \u00e9 justamente a derradeira, que explica o t\u00edtulo do CD, \u201cI think ur a contra\u201d.<\/em><\/strong><br \/><em><strong>Acho que \u201cContra\u201d tamb\u00e9m me moveu tanto por ser alegre, para cima, em que pesem alguns raros climas sombrios. Costumo preferir m\u00fasicas tristes, livros tristes, filmes tristes. At\u00e9 as mulheres me apaixonam mais quando nelas flagro uma express\u00e3o de tristeza. Por isso, imagino que aqueles que forem ao show no Circo ser\u00e3o felizes<\/strong>.&#8221;<\/em><br \/><em>Arthur Dapieve<\/em><br \/><em>texto publicado em sua coluna no Segundo Caderno do Jornal O Globo (07\/01\/2011)<\/em><\/p>\n<div id=\"wp_fb_like_button\" style=\"margin:5px 0;float:none;height:100px;\"><script src=\"http:\/\/connect.facebook.net\/en_US\/all.js#xfbml=1\"><\/script><fb:like href=\"https:\/\/www.archive.raulmourao.com\/blog\/?p=976\" send=\"false\" layout=\"standard\" width=\"450\" show_faces=\"true\" font=\"arial\" action=\"like\" colorscheme=\"light\"><\/fb:like><\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Chico Dub me mandou um email com a imagem do cartaz acima e o seguinte recado abaixo&#8230; e tamb\u00e9m veio junto a coluna do Dapieve de 7 de janeiro. Ave Chico! Nesta quinta, o pessoal do&nbsp;Queremos&nbsp;organiza mais um show no Rio. 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