{"id":891,"date":"2010-10-26T18:30:00","date_gmt":"2010-10-26T18:30:00","guid":{"rendered":"https:\/\/raulmourao.com\/blog\/?p=891"},"modified":"2010-10-26T18:30:00","modified_gmt":"2010-10-26T18:30:00","slug":"mc-ldn-6","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.archive.raulmourao.com\/blog\/?p=891","title":{"rendered":"MC LDN #6"},"content":{"rendered":"<div><span class=\"Apple-style-span\" style=\"-webkit-border-horizontal-spacing: 2px; -webkit-border-vertical-spacing: 2px; border-collapse: collapse; color: #333333; font-family: 'trebuchet ms', verdana, arial, sans-serif; font-size: 13px; line-height: 18px;\"><b>Maria do Carmo Pontes, a correspondente avan\u00e7ada do b\u00aeog em Londres (com foto e micro-perfil a\u00ed na barra lateral), mandou a sexta coluna MC LDN. L\u00e1 vai:<\/b><\/span><\/div>\n<div>Louise Bourgeois &#8211; The Fabric Works<\/p>\n<p>Ao menos uma vez por m\u00eas, eu e minha boa amiga Lucy Moore, jovem pintora inglesa, fazemos uma caminhada pelas galerias de Mayfair. O roteiro \u00e9 sempre parecido, come\u00e7ando invariavelmente pela White Cube de Mason\u2019s Yard, passando pela Thomas Dane, Spr\u00fcth Magers, Stephen Friedman, Gagosian e terminando na Sadie Coles HQ. Sexta-feira passada, enquanto faz\u00edamos o nosso tour, chegamos num impasse ap\u00f3s visita \u00e0 exposi\u00e7\u00e3o da Beatriz Milhazes no Friedman: eu queria seguir para a Sadie Coles ver a individual de Angus Fairhurst enquanto Lucy queria visitar a nova Hauser &amp; Wirth em Savile Road. Como ela infelizmente se muda ainda esta semana para a Austr\u00e1lia, acabou tendo maior poder de escolha e n\u00f3s seguimos para Savile Road.<\/p>\n<p>Para a inaugura\u00e7\u00e3o deste novo espa\u00e7o, que consiste em duas salas ocupando meio quarteir\u00e3o em pleno Mayfair, a Hauser &amp; Wirth organizou uma exposi\u00e7\u00e3o com os trabalhos de tecido de Louise Bourgeois. O uso deste material por parte da artista n\u00e3o \u00e9 nenhuma novidade: grande parte de suas esculturas e instala\u00e7\u00f5es envolvem o uso de tecido, fato compreens\u00edvel uma vez que os pais de Bourgeois trabalhavam no ramo de tape\u00e7aria na Fran\u00e7a, o que muito influenciou a carreira da artista (da\u00ed sucede sua m\u00e3e ser retratada como uma aranha [Maman, 1999]). A grande surpresa, foco e novidade desta exposi\u00e7\u00e3o s\u00e3o trabalhos de parede, quadrinhos de n\u00e3o mais que 50 cm que a artista produziu entre 2002 e 2008.<\/p>\n<p>Tendo nascido em 1911 e falecido em maio deste ano, a artista-\u00edcone francesa penetrou praticamente todas as m\u00eddias pass\u00edveis de serem penetradas nas artes-pl\u00e1sticas: fez esculturas de variad\u00edssimos tamanhos em madeira, pedra, pano, m\u00e1rmore e cobre; desenhou, pintou, exp\u00f4s seus traumas, fragilidades e sexualidade, instalou e desinstalou, pendurou, castrou, jantou o pai e demonizou a m\u00e3e. Al\u00e9m de 3 ou quatro grandes instala\u00e7\u00f5es deste j\u00e1 familiar repert\u00f3rio de Bourgeois, foi de uma beleza ing\u00eanua ver os trabalhos recentes da artista &#8211; pequenos, com um sem-n\u00famero de cores e formas, alinhados em molduras individuais sobre a parede. S\u00e3o colagens, todas sem t\u00edtulo, de retalhos de panos acumulados durante toda uma vida, costurados de forma a compor ora figuras geom\u00e9tricas como ret\u00e2ngulos ou linhas, ora teias partindo de um ou mais centros do tecido. Por vezes o volume saltava o pano, com bolas ou pequenas pedras penduradas sobre ele. Eu pude quase enxergar Louise Bourgeois em seu studio no Brooklyn, em meio \u00e0quelas instala\u00e7\u00f5es monumentais, sentada num canto, tecendo as suas mem\u00f3rias num trabalho solit\u00e1rio e individual. Tornando-se ela mesma em Maman, revivendo lembran\u00e7as de uma vida, enfim encontrando os devidos lugares de cada uma, esperando, j\u00e1 aos 90 anos, que alguma Moira lhe cortasse o pr\u00f3prio fio.<\/p>\n<p>A artista revela com esta exposi\u00e7\u00e3o uma dimens\u00e3o do percurso da vida, voltando ao palp\u00e1vel, ao artesanato, ao pequeno, como n\u00f3s mesmos ficamos fisicamente pequenos ap\u00f3s certa idade. O trajeto de Bourgeois, artista, n\u00e3o foi a desmedida busca do mais e do maior, desafiando at\u00e9 aonde vai a ambi\u00e7\u00e3o humana. Quem sabe ela n\u00e3o resolveu os temas que tanto a atormentaram ao realizar a obra de uma vida? Os anos finais foram de balan\u00e7o, achar nome a lugar para as coisas, tempo de fechar um c\u00edrculo: ciclo.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"separator\" style=\"clear: both; text-align: center;\"><a href=\"http:\/\/2.bp.blogspot.com\/_YCtMPf2Ld4Q\/TMcdG37k1AI\/AAAAAAAADkM\/lZjILrgkkIk\/s1600\/LB+view.jpg\" imageanchor=\"1\" style=\"clear: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;\"><img loading=\"lazy\" border=\"0\" height=\"266\" src=\"http:\/\/2.bp.blogspot.com\/_YCtMPf2Ld4Q\/TMcdG37k1AI\/AAAAAAAADkM\/lZjILrgkkIk\/s400\/LB+view.jpg\" width=\"400\" \/><\/a><\/div>\n<p><\/p>\n<div class=\"separator\" style=\"clear: both; text-align: center;\"><a href=\"http:\/\/1.bp.blogspot.com\/_YCtMPf2Ld4Q\/TMcdHnNBu0I\/AAAAAAAADkQ\/CaWPjVZuDOc\/s1600\/LB+5.jpg\" imageanchor=\"1\" style=\"clear: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;\"><img loading=\"lazy\" border=\"0\" height=\"266\" src=\"http:\/\/1.bp.blogspot.com\/_YCtMPf2Ld4Q\/TMcdHnNBu0I\/AAAAAAAADkQ\/CaWPjVZuDOc\/s400\/LB+5.jpg\" width=\"400\" \/><\/a><\/div>\n<p><\/p>\n<div class=\"separator\" style=\"clear: both; text-align: center;\"><a href=\"http:\/\/1.bp.blogspot.com\/_YCtMPf2Ld4Q\/TMcdIY3PG7I\/AAAAAAAADkU\/ERWRmd-AxxI\/s1600\/LB+4.jpg\" imageanchor=\"1\" style=\"clear: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;\"><img loading=\"lazy\" border=\"0\" height=\"266\" src=\"http:\/\/1.bp.blogspot.com\/_YCtMPf2Ld4Q\/TMcdIY3PG7I\/AAAAAAAADkU\/ERWRmd-AxxI\/s400\/LB+4.jpg\" width=\"400\" \/><\/a><\/div>\n<p><\/p>\n<div class=\"separator\" style=\"clear: both; text-align: center;\"><a href=\"http:\/\/4.bp.blogspot.com\/_YCtMPf2Ld4Q\/TMcdJdU8J1I\/AAAAAAAADkY\/QH8ODqDvWyE\/s1600\/LB+3.jpg\" imageanchor=\"1\" style=\"clear: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;\"><img loading=\"lazy\" border=\"0\" height=\"400\" src=\"http:\/\/4.bp.blogspot.com\/_YCtMPf2Ld4Q\/TMcdJdU8J1I\/AAAAAAAADkY\/QH8ODqDvWyE\/s400\/LB+3.jpg\" width=\"322\" \/><\/a><\/div>\n<p><\/p>\n<div class=\"separator\" style=\"clear: both; text-align: center;\"><a href=\"http:\/\/1.bp.blogspot.com\/_YCtMPf2Ld4Q\/TMcdKOWbydI\/AAAAAAAADkc\/lf3Njllvez8\/s1600\/LB+2.jpg\" imageanchor=\"1\" style=\"clear: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;\"><img loading=\"lazy\" border=\"0\" height=\"311\" src=\"http:\/\/1.bp.blogspot.com\/_YCtMPf2Ld4Q\/TMcdKOWbydI\/AAAAAAAADkc\/lf3Njllvez8\/s400\/LB+2.jpg\" width=\"400\" \/><\/a><\/div>\n<p><\/p>\n<div class=\"separator\" style=\"clear: both; text-align: center;\"><a href=\"http:\/\/1.bp.blogspot.com\/_YCtMPf2Ld4Q\/TMcdKwJfFzI\/AAAAAAAADkg\/TjADePk4yOI\/s1600\/LB+1.jpg\" imageanchor=\"1\" style=\"clear: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;\"><img loading=\"lazy\" border=\"0\" height=\"325\" src=\"http:\/\/1.bp.blogspot.com\/_YCtMPf2Ld4Q\/TMcdKwJfFzI\/AAAAAAAADkg\/TjADePk4yOI\/s400\/LB+1.jpg\" width=\"400\" \/><\/a><\/div>\n<div><\/div>\n<div id=\"wp_fb_like_button\" style=\"margin:5px 0;float:none;height:100px;\"><script src=\"http:\/\/connect.facebook.net\/en_US\/all.js#xfbml=1\"><\/script><fb:like href=\"https:\/\/www.archive.raulmourao.com\/blog\/?p=891\" send=\"false\" layout=\"standard\" width=\"450\" show_faces=\"true\" font=\"arial\" action=\"like\" colorscheme=\"light\"><\/fb:like><\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Maria do Carmo Pontes, a correspondente avan\u00e7ada do b\u00aeog em Londres (com foto e micro-perfil a\u00ed na barra lateral), mandou a sexta coluna MC LDN. 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