{"id":889,"date":"2010-10-26T14:20:00","date_gmt":"2010-10-26T14:20:00","guid":{"rendered":"https:\/\/raulmourao.com\/blog\/?p=889"},"modified":"2010-10-26T14:20:00","modified_gmt":"2010-10-26T14:20:00","slug":"e-livre-seja-este-infortunio-francisco-bosco","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.archive.raulmourao.com\/blog\/?p=889","title":{"rendered":"E livre seja este infort\u00fanio &#8211; Francisco Bosco"},"content":{"rendered":"<div class=\"separator\" style=\"clear: both; text-align: center;\"><a href=\"http:\/\/4.bp.blogspot.com\/_YCtMPf2Ld4Q\/TMbjM2VXehI\/AAAAAAAADjs\/7tg-znggs3I\/s1600\/convite+Bosco+-+RJ.jpg\" imageanchor=\"1\" style=\"clear: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;\"><img loading=\"lazy\" border=\"0\" height=\"288\" src=\"http:\/\/4.bp.blogspot.com\/_YCtMPf2Ld4Q\/TMbjM2VXehI\/AAAAAAAADjs\/7tg-znggs3I\/s400\/convite+Bosco+-+RJ.jpg\" width=\"400\" \/><\/a><\/div>\n<div class=\"separator\" style=\"clear: both; text-align: center;\"><\/div>\n<p>S\u00e1bado, no ateli\u00ea aqui na Lapa, Francisco Bosco lan\u00e7a seu livro, s\u00e3o ensaios mas com alma de poesia. O lan\u00e7amento acontece entre 19h e 22. Depois rola festa\/pista at\u00e9 1h da manh\u00e3 com os djs Nepal, Arthur Mir\u00f3 (Festa Phunk) e Rodrigo Montoni. O release que Francisco me mandou diz assim:<\/p>\n<p>E LIVRE SEJA ESTE INFORT\u00daNIO ] FRANCISCO BOSCO<\/p>\n<p>O tema do novo livro de Francisco Bosco, E livre seja este infort\u00fanio, pode ser resumido de modo singelo e direto: &#8220;as pessoas mudam?&#8221; Por meio de uma s\u00e9rie de textos heterog\u00eaneos quanto \u00e0 escrita (alternando ou equacionando os registros te\u00f3rico, autobiogr\u00e1fico e narrativo), mas intensamente coeso quanto \u00e0 quest\u00e3o perseguida, o livro se debru\u00e7a sobre trajet\u00f3rias de vidas e analisa momentos de ruptura radicais. Em que condi\u00e7\u00f5es uma pessoa pode se transformar? Que pr\u00e1ticas existenciais propiciam ou impedem uma transforma\u00e7\u00e3o ps\u00edquica?<\/p>\n<p>Como descreve Nuno Ramos, &#8220;o livro pergunta essencialmente (e quase deseja) por uma crise. Inomin\u00e1vel, disforme, completa, essa crise ronda como um eco de fundo cada frase e cada racioc\u00ednio, e \u00e9 seu elemento verdadeiramente unificante, a um s\u00f3 tempo pessoal e cultural. O mundo descrito por Francisco Bosco quer quebrar-se, ou est\u00e1 prestes a.&#8221;<\/p>\n<p>Mirando obssessivamente os momentos e as condi\u00e7\u00f5es de grandes transforma\u00e7\u00f5es, trata-se de um livro que n\u00e3o deixa de compartilhar o interesse primordial do g\u00eanero autoajuda &#8211; chegando, contudo, a uma conclus\u00e3o diametralmente oposta: o movimento que precede uma ruptura radical \u00e9 aquele de um pensamento negativo, capaz de sustentar um inc\u00f4modo e impedir que seu potencial transformador se desperdice sem a dire\u00e7\u00e3o e o conte\u00fado necess\u00e1rios.<\/p>\n<p>\u00c0 maneira dos relatos de casos cl\u00ednicos pela psican\u00e1lise, o livro tem a concretude como m\u00e9todo: por que Kafka n\u00e3o p\u00f4de se livrar da opress\u00e3o tir\u00e2nica de seu pai?, por que Arnaldo Baptista passou da inf\u00e2ncia \u00e0 melancolia, e da\u00ed a uma aparente tentativa de suic\u00eddio?, por que uma ascese parece ser condi\u00e7\u00e3o necess\u00e1ria para a realiza\u00e7\u00e3o e sustenta\u00e7\u00e3o de um ato transformador?, por que o ci\u00fame pode, em certas condi\u00e7\u00f5es, revelar-se uma via insuspeitada de reinven\u00e7\u00e3o do eu?<\/p>\n<p>Os conceitos fundamentais de que se vale o livro s\u00e3o egressos da psican\u00e1lise. Mas, antes disso, esses conceitos remetem a problemas que n\u00e3o s\u00e3o exclusivos da psican\u00e1lise ou de qualquer outro campo de saber; os problemas s\u00e3o sempre da vida, os conceitos \u00e9 que pertencem a territ\u00f3rios discursivos. Esse livro compartilha com a psican\u00e1lise o interesse por determinados problemas. Mas, nele, o di\u00e1logo primordial \u00e9 com esses problemas, e n\u00e3o com a psican\u00e1lise.<\/p>\n<p>O fil\u00f3sofo Gilles Deleuze dizia que, se n\u00e3o formos capazes de remontar as abstra\u00e7\u00f5es aos problemas de que elas se originam, a teoria n\u00e3o serve para nada. Pois bem, E livre seja este infort\u00fanio \u00e9 um livro fiel a essa perspectiva, a qual entende que os conceitos s\u00e3o meios &#8211; a vida \u00e9 que \u00e9 o fim.<\/p>\n<div id=\"wp_fb_like_button\" style=\"margin:5px 0;float:none;height:100px;\"><script src=\"http:\/\/connect.facebook.net\/en_US\/all.js#xfbml=1\"><\/script><fb:like href=\"https:\/\/www.archive.raulmourao.com\/blog\/?p=889\" send=\"false\" layout=\"standard\" width=\"450\" show_faces=\"true\" font=\"arial\" action=\"like\" colorscheme=\"light\"><\/fb:like><\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>S\u00e1bado, no ateli\u00ea aqui na Lapa, Francisco Bosco lan\u00e7a seu livro, s\u00e3o ensaios mas com alma de poesia. O lan\u00e7amento acontece entre 19h e 22. Depois rola festa\/pista at\u00e9 1h da manh\u00e3 com os djs Nepal, Arthur Mir\u00f3 (Festa Phunk) e Rodrigo Montoni. 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