{"id":869,"date":"2010-09-23T10:04:00","date_gmt":"2010-09-23T10:04:00","guid":{"rendered":"https:\/\/raulmourao.com\/blog\/?p=869"},"modified":"2010-09-23T10:04:00","modified_gmt":"2010-09-23T10:04:00","slug":"cultura-e-acao-publica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.archive.raulmourao.com\/blog\/?p=869","title":{"rendered":"Cultura e a\u00e7\u00e3o p\u00fablica"},"content":{"rendered":"<p><span class=\"Apple-style-span\" style=\"border-collapse: collapse; font-family: arial, sans-serif; font-size: 13px;\">O Fot\u00f3grafo Wilton Montenegro mandou ontem esse texto do Paulo S\u00e9rgio Duarte que&nbsp;<\/span><span class=\"Apple-style-span\" style=\"border-collapse: collapse; font-family: arial, sans-serif; font-size: 13px;\"><b><span style=\"font-size: 12pt;\"><span class=\"Apple-style-span\" style=\"font-size: 13px; font-weight: normal;\">foi publicado no Globo impresso na pag. 7.<\/span><\/span><\/b><\/span><br \/><span class=\"Apple-style-span\" style=\"border-collapse: collapse; font-family: arial, sans-serif; font-size: 13px;\"><b><span style=\"font-size: 12pt;\"><span class=\"Apple-style-span\" style=\"font-size: 13px; font-weight: normal;\">L\u00e1 vai&#8230;<\/span><\/span><\/b><\/span><br \/><span class=\"Apple-style-span\" style=\"border-collapse: collapse; font-family: arial, sans-serif; font-size: 13px;\"><b><span style=\"font-size: 12pt;\"><span class=\"Apple-style-span\" style=\"font-size: 13px; font-weight: normal;\"><br \/><\/span><\/span><\/b><\/span><br \/><span class=\"Apple-style-span\" style=\"border-collapse: collapse; font-family: arial, sans-serif; font-size: 13px;\"><b><span style=\"font-size: 12pt;\"><span class=\"Apple-style-span\" style=\"font-size: 13px; font-weight: normal;\"><\/span>GLOBO ONLINE: OPINI\u00c3O<\/span><\/b><\/span><\/p>\n<div class=\"MsoNormal\" style=\"border-collapse: collapse; font-family: arial, sans-serif; font-size: 13px; line-height: normal; margin-bottom: 0.0001pt; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px;\"><span style=\"font-size: 12pt;\"><\/span><\/div>\n<div class=\"MsoNormal\" style=\"border-collapse: collapse; font-family: arial, sans-serif; font-size: 13px; line-height: normal; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px;\"><span class=\"Apple-style-span\" style=\"font-size: 16px;\">Publicada em&nbsp;<b>21\/09\/2010<\/b>&nbsp;\u00e0s 18h09m<\/span><\/div>\n<div class=\"MsoNormal\" style=\"border-collapse: collapse; font-family: arial, sans-serif; font-size: 13px; line-height: normal; margin-bottom: 0.0001pt; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px;\"><i><span style=\"font-size: 12pt;\">PAULO SERGIO DUARTE<\/span><\/i><\/div>\n<div class=\"MsoNormal\" style=\"border-collapse: collapse; font-family: arial, sans-serif; font-size: 13px; line-height: normal; margin-bottom: 0.0001pt; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px;\"><i><span style=\"font-size: 12pt;\"><br \/><\/span><\/i><\/div>\n<div class=\"MsoNormal\" style=\"border-collapse: collapse; font-family: arial, sans-serif; font-size: 13px; line-height: normal; margin-bottom: 0.0001pt; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px;\"><i><span style=\"font-size: 12pt;\"><span class=\"Apple-style-span\" style=\"font-size: 13px; font-style: normal;\"><\/span><\/span><\/i><\/div>\n<p><i><\/p>\n<div class=\"MsoNormal\" style=\"line-height: normal; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Desde 1985, com a cria\u00e7\u00e3o do Minist\u00e9rio da Cultura, h\u00e1 um problema na formula\u00e7\u00e3o das pol\u00edticas p\u00fablicas de cultura: fomos levados a um div\u00f3rcio entre educa\u00e7\u00e3o e cultura. O novo minist\u00e9rio serviu bem como balc\u00e3o de atendimento \u00e0s reivindica\u00e7\u00f5es das diversas corpora\u00e7\u00f5es culturais, atende artistas e produtores e nos \u00faltimos oito anos ampliou essa assist\u00eancia a um p\u00fablico que nunca teve acesso ao Estado. As leis de incentivo \u00e0 cultura por meio da ren\u00fancia fiscal podem ser aperfei\u00e7oadas, mas funcionaram. Entretanto, a quest\u00e3o crucial n\u00e3o foi enfrentada desde 1985: a participa\u00e7\u00e3o da cultura na formula\u00e7\u00e3o das pol\u00edticas p\u00fablicas educacionais. E vou mais longe: a participa\u00e7\u00e3o da cultura em projetos sociais, como os de urbanismo e habita\u00e7\u00e3o e os de alimenta\u00e7\u00e3o. O fato \u00e9 que a pol\u00edtica cultural n\u00e3o pensa a na\u00e7\u00e3o fora do gueto das diversas corpora\u00e7\u00f5es, algumas com lobistas profissionais.<\/span><\/div>\n<div class=\"MsoNormal\" style=\"line-height: normal; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">O caso da dist\u00e2ncia da cultura dos projetos educacionais \u00e9 o maior problema. O forte investimento que o Brasil fizer em educa\u00e7\u00e3o nas pr\u00f3ximas d\u00e9cadas ter\u00e1 resultados lament\u00e1veis se mantidos os paradigmas atuais. S\u00f3 se pensa na capacita\u00e7\u00e3o t\u00e9cnico-cient\u00edfica e o problema n\u00e3o se resolve ao embutir nos curr\u00edculos disciplinas art\u00edsticas como arte, m\u00fasica e dan\u00e7a. Isso \u00e9 necess\u00e1rio, mas n\u00e3o suficiente. Trata-se de formar os professores das mais diversas disciplinas &#8211; matem\u00e1tica, ci\u00eancias, l\u00ednguas, hist\u00f3ria, geografia, educa\u00e7\u00e3o f\u00edsica &#8211; com \u00eanfase nos aspectos culturais que podem ser explorados em seus projetos did\u00e1ticos. Os laborat\u00f3rios de curr\u00edculos das secretarias de educa\u00e7\u00e3o t\u00eam que ser capacitados para isso. Quando existem, n\u00e3o est\u00e3o preparados e isso dever\u00e1 ser objeto de um investimento rigoroso. \u00c9 todo um processo que se constitui num grande desafio para a pol\u00edtica cultural das pr\u00f3ximas d\u00e9cadas. O cidad\u00e3o do mundo contempor\u00e2neo resolver\u00e1 melhor suas dificuldades se junto com a especializa\u00e7\u00e3o tiver uma percep\u00e7\u00e3o adequada da complexidade local e global, ou como se costumava dizer, em termos mais antigos, das particularidades e da totalidade. A forma\u00e7\u00e3o de professores bem remunerados dever\u00e1 ser a aten\u00e7\u00e3o primordial, mas sem a dimens\u00e3o cultural e a habilidade de trat\u00e1-la em diferentes disciplinas pouco adiantar\u00e1 para melhorar o que vem por a\u00ed.<\/span><\/div>\n<div class=\"MsoNormal\" style=\"line-height: normal; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">O caso da aus\u00eancia da dimens\u00e3o cultural na formula\u00e7\u00e3o dos projetos sociais aponta para as trag\u00e9dias que estamos construindo. Tomemos o exemplo mais banal do urbanismo, da habita\u00e7\u00e3o e do saneamento. Encontrado um terreno plano, tra\u00e7a-se um projeto ortogonal, de vielas ou ruas verticais e horizontais, que se entrecruzam, e l\u00e1 s\u00e3o constru\u00eddas habita\u00e7\u00f5es de arquitetura p\u00edfia. Para quem mora embaixo da ponte \u00e9 um ganho enorme, mas levar o miser\u00e1vel a habitar um verdadeiro campo de concentra\u00e7\u00e3o forma cidadania? Porque n\u00e3o pensar todos, literalmente todos os projetos de habita\u00e7\u00e3o popular, como locais apraz\u00edveis, com desenho de ruas agrad\u00e1veis, um projeto de paisagismo com arboriza\u00e7\u00e3o adequada, locais de lazer e equipamentos de sa\u00fade, de educa\u00e7\u00e3o e cultura necess\u00e1rios para uma vida pobre mas digna dentro das novas exig\u00eancias de sustentabilidade e respeito ao meio ambiente? O que se constr\u00f3i hoje \u00e9 uma ind\u00fastria da depress\u00e3o e da marginaliza\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o pobre, locais vulner\u00e1veis \u00e0 viol\u00eancia e a toda forma de achaques, de traficantes, de mil\u00edcias, de funcion\u00e1rios corruptos e de pol\u00edticos demagogos. A redu\u00e7\u00e3o de custos desses projetos, a m\u00e9dio prazo, custa muito mais caro a toda a sociedade.<\/span><\/div>\n<div class=\"MsoNormal\" style=\"line-height: normal; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">E n\u00e3o esque\u00e7amos que \u00e9 tempo de a dimens\u00e3o cultural entrar na pol\u00edtica de alimenta\u00e7\u00e3o. Pode parecer absurdo, mas depois do Fome Zero \u00e9 importante pensar na qualidade da alimenta\u00e7\u00e3o num processo de educa\u00e7\u00e3o alimentar das popula\u00e7\u00f5es mais pobres, e, de novo, a pol\u00edtica cultural ter\u00e1 que encontrar um nicho para se meter nesse assunto: o que comem os brasileiros pobres.<\/span><\/div>\n<div class=\"MsoNormal\" style=\"line-height: normal; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Esses s\u00e3o desafios para uma pol\u00edtica cultural mais abrangente do que a que vem sendo executada h\u00e1 mais de duas d\u00e9cadas. Sem uma sinergia positiva entre os diversos minist\u00e9rios e o Minist\u00e9rio da Cultura n\u00e3o sairemos dos limites atuais. E essa sinergia s\u00f3 se produzir\u00e1 a partir da vontade expressa do futuro presidente da Rep\u00fablica, como plano permanente de governo.&nbsp;<\/span><\/div>\n<div class=\"MsoNormal\" style=\"line-height: normal; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px;\"><span style=\"font-size: 12pt;\"><br \/><\/span><\/div>\n<div class=\"MsoNormal\" style=\"line-height: normal; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">PAULO SERGIO DUARTE \u00e9 professor e pesquisador do Centro de Estudos Sociais Aplicados da Universidade Candido Mendes.&nbsp;<\/span><\/div>\n<p><\/i><\/p>\n<div id=\"wp_fb_like_button\" style=\"margin:5px 0;float:none;height:100px;\"><script src=\"http:\/\/connect.facebook.net\/en_US\/all.js#xfbml=1\"><\/script><fb:like href=\"https:\/\/www.archive.raulmourao.com\/blog\/?p=869\" send=\"false\" layout=\"standard\" width=\"450\" show_faces=\"true\" font=\"arial\" action=\"like\" colorscheme=\"light\"><\/fb:like><\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Fot\u00f3grafo Wilton Montenegro mandou ontem esse texto do Paulo S\u00e9rgio Duarte que&nbsp;foi publicado no Globo impresso na pag. 7.L\u00e1 vai&#8230;GLOBO ONLINE: OPINI\u00c3O Publicada em&nbsp;21\/09\/2010&nbsp;\u00e0s 18h09m PAULO SERGIO DUARTE Desde 1985, com a cria\u00e7\u00e3o do Minist\u00e9rio da Cultura, h\u00e1 um problema na formula\u00e7\u00e3o das pol\u00edticas p\u00fablicas de cultura: fomos levados a um div\u00f3rcio entre educa\u00e7\u00e3o &hellip;<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.archive.raulmourao.com\/blog\/?p=869\" class=\"more-link\">Read More<\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[1],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.archive.raulmourao.com\/blog\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/869"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.archive.raulmourao.com\/blog\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.archive.raulmourao.com\/blog\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.archive.raulmourao.com\/blog\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.archive.raulmourao.com\/blog\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=869"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.archive.raulmourao.com\/blog\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/869\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.archive.raulmourao.com\/blog\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=869"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.archive.raulmourao.com\/blog\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=869"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.archive.raulmourao.com\/blog\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=869"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}