{"id":807,"date":"2010-08-12T22:08:00","date_gmt":"2010-08-12T22:08:00","guid":{"rendered":"https:\/\/raulmourao.com\/blog\/?p=807"},"modified":"2010-08-12T22:08:00","modified_gmt":"2010-08-12T22:08:00","slug":"nuno-ramos-no-estadao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.archive.raulmourao.com\/blog\/?p=807","title":{"rendered":"Nuno Ramos no Estad\u00e3o"},"content":{"rendered":"<div class=\"bb-md-noticia-autor\" style=\"color: black; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif; font-size: 11px; line-height: 16px; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px; padding-bottom: 8px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; padding-top: 18px;\">Camila Molina &#8211; O Estado de S. Paulo<\/div>\n<div class=\"separator\" style=\"clear: both; text-align: center;\"><\/div>\n<div style=\"color: #464646; font-family: Georgia, 'Times New Roman', Times, serif; font-size: 16px; margin-left: 1em; margin-right: 1em; margin-top: 0px; padding-bottom: 0px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; padding-top: 0px;\"><img loading=\"lazy\" height=\"211\" src=\"http:\/\/www.estadao.com.br\/fotos\/nunoramos_andrelessa_ae.JPG\" style=\"border-bottom-width: 0px; border-color: initial; border-left-width: 0px; border-right-width: 0px; border-style: initial; border-top-width: 0px; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px; padding-bottom: 0px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; padding-top: 0px;\" width=\"320\" \/><\/div>\n<p><\/p>\n<div class=\"corpo\" style=\"font-family: Arial, Helvetica, sans-serif; font-size: 10.8333px; line-height: 16px; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px; padding-bottom: 0px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; padding-top: 0px;\">\n<div style=\"color: #464646; font-family: Georgia, 'Times New Roman', Times, serif; margin-bottom: 1em; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px; padding-bottom: 0px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; padding-top: 0px; text-align: center;\"><em style=\"margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px; padding-bottom: 0px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; padding-top: 0px;\"><span class=\"Apple-style-span\" style=\"font-size: x-small;\">Nuno Ramos, um dos artistas mais produtivos do cen\u00e1rio contempor\u00e2nio nacional, diz aos 50 anos,&nbsp;<\/span><\/em><span class=\"Apple-style-span\" style=\"font-size: 10.8333px;\"><em style=\"margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px; padding-bottom: 0px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; padding-top: 0px;\"><span class=\"Apple-style-span\" style=\"font-size: x-small;\">que &#8216;se identifica com a vontade de totaliza\u00e7\u00e3o da vida&#8217;. Foto: Andr\u00e9 Lessa\/AE<\/span><\/em><\/span><\/div>\n<div style=\"color: #464646; font-family: Georgia, 'Times New Roman', Times, serif; font-size: 16px; margin-bottom: 1em; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px; padding-bottom: 0px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; padding-top: 0px;\"><em style=\"margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px; padding-bottom: 0px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; padding-top: 0px;\"><\/em><\/div>\n<div style=\"color: #464646; font-family: Georgia, 'Times New Roman', Times, serif; font-size: 16px; margin-bottom: 1em; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px; padding-bottom: 0px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; padding-top: 0px;\">H\u00e1 tr\u00eas meses, durante todos os dias, o artista Nuno Ramos est\u00e1 imerso em um galp\u00e3o na zona norte de S\u00e3o Paulo realizando a obra que ele considera ser, tecnicamente, a mais dif\u00edcil de sua carreira. Fruto Estranho, trabalho protagonista da mostra, de mesmo nome, que ele vai inaugurar em 14 de setembro no Museu de Arte Moderna do Rio, \u00e9 a cria\u00e7\u00e3o de uma imagem forte, desconcertante, monumental.<\/div>\n<div style=\"color: #464646; font-family: Georgia, 'Times New Roman', Times, serif; font-size: 16px; margin-bottom: 1em; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px; padding-bottom: 0px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; padding-top: 0px;\">Duas \u00e1rvores t\u00eam, cada uma, carca\u00e7as de avi\u00f5es monomotores da d\u00e9cada de 1970 embrenhadas em seus galhos, formando dois conjuntos a serem cobertos por 4 toneladas de sab\u00e3o. Ainda para completar, dos flamboyants saem tubos de ensaio de onde goteja soda c\u00e1ustica (o &#8220;veneno&#8221; lido em poema do russo Alexander Pushkin) em contrabaixos transformados em pequenos po\u00e7os de banha quente, abrindo, assim, espa\u00e7o para mais saponifica\u00e7\u00e3o. Somando tudo, s\u00e3o mais de 10 toneladas de obra, que na pr\u00f3xima semana, vai ser transportada em dois caminh\u00f5es e tr\u00eas carretas para o Rio. Depois, ser\u00e3o mais 22 dias de montagem at\u00e9 a abertura da exposi\u00e7\u00e3o.<\/div>\n<div style=\"color: #464646; font-family: Georgia, 'Times New Roman', Times, serif; font-size: 16px; margin-bottom: 1em; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px; padding-bottom: 0px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; padding-top: 0px;\">&#8220;Esse trabalho tem uma for\u00e7a aleg\u00f3rica maior do que outras coisas que fiz&#8221;, afirma o artista. &#8220;Parece uma esp\u00e9cie de acidente e tem opostos, uma coisa de movimento que parou. Me parece um p\u00e1ssaro que quer voar e por isso pus as asas dos avi\u00f5es meio moles&#8221;, ele continua. J\u00e1 foi falado que Nuno Ramos est\u00e1 sempre \u00e0 beira de um abismo por criar obras &#8211; geralmente, em grande escala &#8211; juntando elementos t\u00e3o inesperados, imprevis\u00edveis como vaselina, breu, areia socada, m\u00e1rmore, m\u00fasica, poesia e at\u00e9 animais.<\/div>\n<div style=\"color: #464646; font-family: Georgia, 'Times New Roman', Times, serif; font-size: 16px; margin-bottom: 1em; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px; padding-bottom: 0px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; padding-top: 0px;\">Em Fruto Estranho &#8211; t\u00edtulo inspirado na m\u00fasica Strange Fruit de Billie Holiday sobre negros mortos e que ser\u00e1 cantada em v\u00eddeo no local expositivo com cena do filme A Fonte da Donzela, de Ingmar Bergman &#8211; prevalece, mais do que a imagem de fus\u00e3o \u00e1rvore\/avi\u00e3o (esp\u00e9cie de &#8220;c\u00f3pula&#8221;), as toneladas de sab\u00e3o que v\u00e3o materializar de forma extraordin\u00e1ria aquela cena em branco puro. &#8220;Para ser menos \u00f3bvio, h\u00e1 algo mais intenso que o sab\u00e3o carrega, uma esp\u00e9cie de ciclo entre morte e vida, sujo e limpo, uma coisa org\u00e2nica feita atrav\u00e9s de opera\u00e7\u00e3o qu\u00edmica&#8221;, descreve o artista.<\/div>\n<div style=\"color: #464646; font-family: Georgia, 'Times New Roman', Times, serif; font-size: 16px; margin-bottom: 1em; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px; padding-bottom: 0px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; padding-top: 0px;\">Mais ainda, a mostra no MAM do Rio, com curadoria de Vanda Klabin, se completa com as obras Verme &#8211; formada por duas grandes esferas de areia socada de onde, por aberturas, saem a proje\u00e7\u00e3o de dois filmes, um com texto de Nuno encenado por atores da Companhia do Feij\u00e3o e outro pornogr\u00e1fico misturando o g\u00eanero musical choro e sexo expl\u00edcito &#8211; e Mon\u00f3logo para Cachorro Morto, j\u00e1 exibida em Bras\u00edlia. O investimento para a exposi\u00e7\u00e3o, patrocinada pelo Bradesco Seguros, \u00e9 de R$ 600 mil. Depois ser\u00e1 lan\u00e7ado amplo cat\u00e1logo.<\/div>\n<div style=\"color: #464646; font-family: Georgia, 'Times New Roman', Times, serif; font-size: 16px; margin-bottom: 1em; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px; padding-bottom: 0px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; padding-top: 0px;\">Pol\u00edtico. Aos 50 anos, Nuno Ramos resiste a qualquer classifica\u00e7\u00e3o e \u00e9 considerado, indubitavelmente, um dos criadores mais inquietos do cen\u00e1rio contempor\u00e2neo brasileiro. Est\u00e1 sempre a se renovar, a dar um giro a cada trabalho -, mas colocando ao mesmo tempo o lado sombrio da vida evidente em suas obras. &#8220;Meu lance \u00e9 opor, criar ressurrei\u00e7\u00e3o entre extremos. Me identifico com uma vontade de totaliza\u00e7\u00e3o da vida, em que o carnaval possa incluir a Quarta-Feira de Cinzas&#8221;, define. \u00c1rvores com avi\u00f5es e sab\u00e3o falam de vida e morte, assim como os urubus da obra Bandeira Branca, que Nuno vai exibir no espa\u00e7o de maior destaque da 29.\u00aa Bienal de S\u00e3o Paulo, a partir de 25 de setembro, remetem ao luto. Com duas atuais exposi\u00e7\u00f5es de impacto e com o lan\u00e7amento de dois livros (leia mais acima), este \u00e9, enfim, um momento especial na carreira do artista, iniciada na d\u00e9cada de 1980.<\/div>\n<div style=\"color: #464646; font-family: Georgia, 'Times New Roman', Times, serif; font-size: 16px; margin-bottom: 1em; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px; padding-bottom: 0px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; padding-top: 0px;\">Sua participa\u00e7\u00e3o na 29.\u00aa Bienal \u00e9 considerada por Nuno a mais importante de sua trajet\u00f3ria (esteve nas edi\u00e7\u00f5es do evento em 1985, 1989 e 1994). &#8220;J\u00e1 \u00e9 um outro Nuno, senhor de tudo o que ele vem trabalhando&#8221;, diz Agnaldo Farias, curador, ao lado de Moacir dos Anjos, da 29.\u00aa Bienal. Bandeira Branca (sua primeira vers\u00e3o foi apresentada no Centro Cultural Banco do Brasil de Bras\u00edlia) ocupar\u00e1 todo o v\u00e3o central do pavilh\u00e3o desenhado por Oscar Niemeyer, podendo ser olhada, assim, por tr\u00eas pavimentos do edif\u00edcio e da rampa que une os andares. &#8220;\u00c9 onde j\u00e1 estiveram Joseph Beyus, Tunga, Anish Kapoor&#8221;, continua o curador.<\/div>\n<div style=\"color: #464646; font-family: Georgia, 'Times New Roman', Times, serif; font-size: 16px; margin-bottom: 1em; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px; padding-bottom: 0px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; padding-top: 0px;\">No interior de uma grande \u00e1rea delimitada por uma rede, estar\u00e3o tr\u00eas pe\u00e7as geom\u00e9tricas, tr\u00eas postes de areia negra, tr\u00eas urubus vivos em ambiente em que se ouve as m\u00fasicas Bandeira Branca (cantada por Arnaldo Antunes), Carcar\u00e1 (por Mariana Aydar) e Boi da Cara Preta (por Dona Inah). &#8220;Os urubus ficam voando e parece um r\u00e9quiem, bem calmo, na \u00e1rvore do mau agouro, o Goeldi (artista) expl\u00edcito&#8221;, afirma Nuno Ramos. No fim das m\u00fasicas, os tr\u00eas cantores se unem num coro que diz: &#8220;Nada \u00e9.&#8221;<\/div>\n<div style=\"color: #464646; font-family: Georgia, 'Times New Roman', Times, serif; font-size: 16px; margin-bottom: 1em; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px; padding-bottom: 0px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; padding-top: 0px;\">Esta obra potencializa a quest\u00e3o que a 29.\u00aa Bienal quer tratar, a rela\u00e7\u00e3o entre arte e pol\u00edtica. &#8220;Penso que esse trabalho tem tudo a ver com uma esp\u00e9cie de anti-anos 50, uma pitada negativa naquele desenvolvimentismo&#8221;, diz o artista, fazendo a rela\u00e7\u00e3o da instala\u00e7\u00e3o de Bandeira Branca na emblem\u00e1tica arquitetura de Niemeyer daquele per\u00edodo. &#8220;Acho que \u00e9 o que estamos vivendo de novo, um desenvolvimentismo cego, mais amplo, mais potente, com mais gente envolvida e mais cego&#8221;, continua.<\/div>\n<div style=\"color: #464646; font-family: Georgia, 'Times New Roman', Times, serif; font-size: 16px; margin-bottom: 1em; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px; padding-bottom: 0px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; padding-top: 0px;\"><strong style=\"margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px; padding-bottom: 0px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; padding-top: 0px;\">Nuno, um artista das letras<\/strong><\/div>\n<div style=\"color: #464646; font-family: Georgia, 'Times New Roman', Times, serif; font-size: 16px; margin-bottom: 1em; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px; padding-bottom: 0px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; padding-top: 0px;\">No pr\u00f3ximo dia 27, Nuno Ramos lan\u00e7ar\u00e1 na Livraria da Vila o livro O Mau Vidraceiro, pela Globo Livros. O artista pl\u00e1stico tamb\u00e9m \u00e9 escritor, inclusive, foi o vencedor do Pr\u00eamio Portugal Telecom de 2009 pela obra \u00d3 (Editora Iluminuras) e j\u00e1 tem lan\u00e7ados outros trabalhos liter\u00e1rios como Ensaio Geral (reuni\u00e3o de ensaios) e O P\u00e3o do Corvo (fic\u00e7\u00e3o). O Mau Vidraceiro \u00e9 mais um livro de fic\u00e7\u00e3o, com contos, textos, pensamentos, como diz Nuno. J\u00e1 para coincidir com a 29\u00aa Bienal de S\u00e3o Paulo, entre setembro e outubro &#8211; ainda em data indefinida &#8211; o artista vai lan\u00e7ar pela Editora Cobog\u00f3 uma ampla edi\u00e7\u00e3o sobre toda a sua carreira.<\/div>\n<\/div>\n<div id=\"wp_fb_like_button\" style=\"margin:5px 0;float:none;height:100px;\"><script src=\"http:\/\/connect.facebook.net\/en_US\/all.js#xfbml=1\"><\/script><fb:like href=\"https:\/\/www.archive.raulmourao.com\/blog\/?p=807\" send=\"false\" layout=\"standard\" width=\"450\" show_faces=\"true\" font=\"arial\" action=\"like\" colorscheme=\"light\"><\/fb:like><\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Camila Molina &#8211; O Estado de S. Paulo Nuno Ramos, um dos artistas mais produtivos do cen\u00e1rio contempor\u00e2nio nacional, diz aos 50 anos,&nbsp;que &#8216;se identifica com a vontade de totaliza\u00e7\u00e3o da vida&#8217;. 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