{"id":752,"date":"2010-06-23T15:17:00","date_gmt":"2010-06-23T15:17:00","guid":{"rendered":"https:\/\/raulmourao.com\/blog\/?p=752"},"modified":"2010-06-23T15:17:00","modified_gmt":"2010-06-23T15:17:00","slug":"entrevista-com-lucio-maia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.archive.raulmourao.com\/blog\/?p=752","title":{"rendered":"Entrevista com Lucio Maia"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" alt=\"\" height=\"250\" src=\"http:\/\/www.popup.mus.br\/wp-content\/uploads\/2010\/06\/luciomaia.jpg\" title=\"luciomaia\" width=\"400\" \/><\/p>\n<p>Peguei a entrevista abaixo l\u00e1 no <a href=\"http:\/\/www.popup.mus.br\/\">blog popup do Bruno Nogueira<\/a> de Recife.<\/p>\n<p>Chega uma hora que toda grande banda n\u00e3o consegue mais dar conta de  todo seu potencial criativo. S\u00e3o tantas id\u00e9ias e propostas, que  inevitavelmente seus integrantes come\u00e7am a fazer projetos paralelos para  dar conta de todas as vontades que sentem em se expressar musicalmente.  A Na\u00e7\u00e3o Zumbi talvez seja um dos melhores exemplos nacionais.  Praticamente todos seus integrantes \u2013 at\u00e9 a turma da percuss\u00e3o \u2013 tem  projetos a parte. De todos esses, al\u00e9m do 3naMassa do baterista Pupilo, o  Maquinado \u00e9 um dos que chama mais aten\u00e7\u00e3o. Em entrevista ao N\u2019Agulha,  L\u00facio Maia \u2013 talvez o mais pol\u00eamico de todos integrantes da Na\u00e7\u00e3o \u2013  falou sobre o disco novo, trabalho e m\u00fasica.<\/p>\n<p><b>No Maquinado, de certa forma, voc\u00ea come\u00e7a do zero. D\u00e1 para  sentir muita diferen\u00e7a de um artista montando sua carreira solo agora,  com o que se passa com um grupo como a Na\u00e7\u00e3o Zumbi? Falo em quest\u00e3o de  conseguir shows, espa\u00e7os, venda de disco, etc.<\/b><\/p>\n<blockquote><p>N\u00e3o d\u00e1 pra comparar uma banda com vinte anos de carreira  pelo mundo todo com um projeto de apenas dois discos. Covardia. Claro, a  Na\u00e7\u00e3o tem o nicho pr\u00f3prio do ano todo, que conquistamos com bons shows e  discos condizentes. Mas sinto uma semelhan\u00e7a muito grande com os dois  come\u00e7os. Tanto a Na\u00e7\u00e3o quanto o Maquinado, os show s\u00e3o frequentados por  entusiastas da m\u00fasica. Ou seja, gente que procura coisas diferentes.  Sendo assim, posso at\u00e9 ter uma boa perspectiva se continuar trabalhando  s\u00e9rio.<\/p><\/blockquote>\n<p><b>Os projetos paralelos da Na\u00e7\u00e3o Zumbi come\u00e7aram todos em clima  de despretens\u00e3o. Mas o Maquinado agora est\u00e1 no segundo disco, j\u00e1  aparece mais em festivais, propagandas de TV, etc. Esse \u00e9 um resultado  maior do que o esperado?<\/b><\/p>\n<blockquote><p>Trabalho com isso. Tudo que fa\u00e7o \u00e9 m\u00fasica e da\u00ed tiro meu  ganho. O Maquinado \u00e9 um planejamento de anos, desde que comecei a tocar.  Seria hipocrisia entrar nesse clich\u00ea de \u201csimplesmente aconteceu!\u201d, que \u00e9  at\u00e9 mentira. Corro atr\u00e1s do p\u00e3o todo dia sen\u00e3o passo fome. Na\u00e7\u00e3o,  Maquinado, Los Sebosos, Almaz, todos s\u00e3o desdobramentos musicais que  servem de desafio e sustento.<\/p><\/blockquote>\n<p><b>As escolhas para esse segundo disco proporcionam um esquema  que pode circular bem mais, e com mais facilidade, pelo pa\u00eds em termos  de shows. Em que n\u00edvel de prioridade o Maquinado fica hoje na sua  carreira como M\u00fasico?<\/b><\/p>\n<blockquote><p>Aproveito as brechas da Na\u00e7\u00e3o neste come\u00e7o de ano, j\u00e1 que  estamos na entresafra de disco, pra tocar o Maquinado. Tudo eu planejei  desde o ano passado. Sabia que teria tempo pra me dedicar ao Maquinado.  Tento colocar as coisas de forma bem aberta com meus camaradas.<\/p><\/blockquote>\n<p><b>Quando Du Peixe cantou uma m\u00fasica sua no primeiro disco,  parecia que ouviamos uma m\u00fasica da Na\u00e7\u00e3o Zumbi. S\u00f3 que isso n\u00e3o seria  mais poss\u00edvel com as faixas atuais, que seguem uma textura totalmente  diferente. Suas \u201cansiedades musicais\u201d hoje est\u00e3o mais para o Fome de  Tudo ou para o Mundialmente An\u00f4nimo?<\/b><\/p>\n<blockquote><p>Nenhum dos dois, pois ambos, neste exato momento, fazem  parte do passado. Minha cabe\u00e7a j\u00e1 est\u00e1 organizando as pr\u00f3ximas  incurs\u00f5es.<\/p><\/blockquote>\n<p><b>Apesar da programa\u00e7\u00e3o e dos elementros eletr\u00f4nicos estarem  presentes, o segundo disco \u00e9 bem mais org\u00e2nico que o primeiro. Isso, de  certa forma, diz muito de seu momento atual como m\u00fasico. O que voc\u00ea  andou ouvindo quando pensava no disco? E que est\u00e1 ouvindo agora?<\/b><\/p>\n<blockquote><p>Muita coisa. Nem sei dizer. Resolvi gravar um disco ao  tradicional. O primeiro foi um trabalho minucioso de produ\u00e7\u00e3o e levou  dois anos pra ficar pronto e neste fiz as m\u00fasicas, gravei e finalizei o  disco em seis meses. Os m\u00e9todos de grava\u00e7\u00e3o e produ\u00e7\u00e3o \u00e9 que d\u00e3o o  direcionamento de um album.<\/p><\/blockquote>\n<p><b>Com o Maquinado, de certa forma, voc\u00ea est\u00e1 tendo ainda mais  experi\u00eancia na cena independente do que a Na\u00e7\u00e3o Zumbi. O que voc\u00ea tem  achado desse mercado atual no Brasil? Esse dos festivais, selos e  bastante download?<\/b><\/p>\n<blockquote><p>\u00c9 tudo uma merda muito grande. Os festivais n\u00e3o querem  pagar cach\u00eas as bandas iniciantes, passagem a\u00e9rea \u00e9 caro pra cacete e  equipamento s\u00f3 viaja via carga que inviabiliza tudo. Os selos  independentes n\u00e3o tem grana nenhuma pra investir na banda e querem  duzentos por cento de comiss\u00e3o. As r\u00e1dios e canais de tv tem coragem de  ramsters pra investir em cultura, principalmente m\u00fasica alternativa.  Disco n\u00e3o vende. O que mais eu posso acrescentar nesse bolo de bosta?<\/p><\/blockquote>\n<p><b>Quem chega no Recife nem acredita, mas Mundo Livre S\/A, Na\u00e7\u00e3o  Zumbi, Otto e nem 3naMassa, Maquinado ou mais ningu\u00e9m toca em r\u00e1dio. S\u00f3  que isso acontece em quase todo o pa\u00eds. J\u00e1 tem uma gera\u00e7\u00e3o nova da  m\u00fasica brasileira que cresceu sem ouvir r\u00e1dio, mas reclama de n\u00e3o tocar  l\u00e1. Isso faz falta para voc\u00ea? Voc\u00ea escuta r\u00e1dio?<\/b><\/p>\n<blockquote><p>N\u00e3o ou\u00e7o r\u00e1dio nem vejo tv, mas tenho consci\u00eancia que pra  ganhar grana de verdade voc\u00ea tem tramitar nesses ve\u00edculos de massa. Um  conselho que eu dou a quem quer viver de m\u00fasica: esque\u00e7a o radicalismo.<\/p><\/blockquote>\n<p><b>Sem falar em mercado e dinheiro agora, mas de m\u00fasica. Do que  voc\u00ea tem ouvido por onde passa pelo pa\u00eds, o que te deixa inquieto na  m\u00fasica brasileira, tanto positiva quanto negativamente? O que est\u00e1 bom e  o que est\u00e1 faltando?<\/b><\/p>\n<blockquote><p>Eu n\u00e3o pagaria um centavo pra ver um Jamaicano tocando  blues ou um americano tocando polca ou um argentino fazendo reggae.  Penso que o Brasil perde muito com essa falta de nacionalismo musical,  no bom sentido. O samba n\u00e3o uma intitui\u00e7\u00e3o e sim uma materia prima que  pode sofrer moldes infinitas vezes sem perder a ass\u00eancia. Mas \u00e9 mais  f\u00e1cil entrar na onda da vez e aproveitar os poucos quinze minutos. Quem  empurrou a m\u00fasica brasileira pra frente e conseguiu tem seu lugar  garantido, por menor que seja. Eu prefiro estar no dicion\u00e1rio da m\u00fasica  popular que na revista caras.<\/p><\/blockquote>\n<p><b>Voc\u00ea fez parte de algo que mudou a hist\u00f3ria da m\u00fasica no  Brasil. E o Maquinado, em sua pr\u00f3pria forma, continua misturando  refer\u00eancias com um resultado que parece ser novo, no sentido que a gente  n\u00e3o escuta duas bandas iguais a sua. Quando voc\u00ea escuta m\u00fasica, faz  alguma cobran\u00e7a nesse sentido de inova\u00e7\u00e3o \/ ineditismo, etc?<\/b><\/p>\n<blockquote><p>Pra mim o ponto crucial pra gostar de uma banda \u00e9 o  ineditismo do som. C\u00f3pias s\u00e3o um saco. Tanto que n\u00e3o consigo gostar do  Franz Ferdinand porque tenho todos os discos do Talking Heads. Se eu  perceber qualquer semelhan\u00e7a do que fa\u00e7o com outra m\u00fasica ou banda,  abandono a id\u00e9ia. N\u00e3o estou aqui pra dizer o que \u00e9 certo ou errado. Cada  um faz o que tem vontade. Mas se n\u00e3o fosse um curioso que pesquisasse  os fungos n\u00e3o ter\u00edamos a penicilina\u2026<\/p><\/blockquote>\n<p><b>Em 2006 o Bruno Nogueira entrevistou L\u00facio Maia sobre o come\u00e7o do  Maquinado. <\/b><a href=\"http:\/\/www.popup.mus.br\/2006\/04\/19\/entrevista-lucio-maia\/\" target=\"_blank\"><b>Quem  quiser conferir \u00e9 s\u00f3 seguir o link<\/b><\/a><b>.<\/b><\/p>\n<div id=\"wp_fb_like_button\" style=\"margin:5px 0;float:none;height:100px;\"><script src=\"http:\/\/connect.facebook.net\/en_US\/all.js#xfbml=1\"><\/script><fb:like href=\"https:\/\/www.archive.raulmourao.com\/blog\/?p=752\" send=\"false\" layout=\"standard\" width=\"450\" show_faces=\"true\" font=\"arial\" action=\"like\" colorscheme=\"light\"><\/fb:like><\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Peguei a entrevista abaixo l\u00e1 no blog popup do Bruno Nogueira de Recife. Chega uma hora que toda grande banda n\u00e3o consegue mais dar conta de todo seu potencial criativo. 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