{"id":736,"date":"2010-06-02T19:40:00","date_gmt":"2010-06-02T19:40:00","guid":{"rendered":"https:\/\/raulmourao.com\/blog\/?p=736"},"modified":"2010-06-02T19:40:00","modified_gmt":"2010-06-02T19:40:00","slug":"mc-ldn-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.archive.raulmourao.com\/blog\/?p=736","title":{"rendered":"MC LDN #2"},"content":{"rendered":"<p>Maria do Carmo Pontes, a correspondente avan\u00e7ada do b\u00aeog em Londres (com foto e micro-perfil a\u00ed na barra lateral), mandou a segunda coluna MC LDN.<\/p>\n<p>Ela come\u00e7a assim&#8230;<\/p>\n<p>Vi a exposi\u00e7\u00e3o que narro abaixo em novembro do ano passado no Museu de Arte Moderna de Paris, ap\u00f3s sair cabisbaixa da herm\u00e9tica &#8220;Chasing Napoleon&#8221; no vizinho Palais de Tokyo. N\u00e3o consegui ver mais nada o dia inteiro, t\u00e3o absorta fiquei ao conhecer Apichatpong Weerasethakul. A exposi\u00e7\u00e3o retomou minha f\u00e9 na possibilidade de emo\u00e7\u00e3o nas artes pl\u00e1sticas. <\/p>\n<p>Na semana passada participei de uma conversa com Apichatpong no BFI. Timidamente levantei a m\u00e3o e perguntei sobre o porque da arma na exposi\u00e7\u00e3o. Ele disse que quis fazer um paralelo entre a viol\u00eancia real dos filmes com um objeto de pl\u00e1stico. N\u00e3o me convenceu (na verdade nem ele se conveceu, acho eu, tendo me perguntado se ele havia respondido a minha pergunta ap\u00f3s sua fala, ao que respondi que sim, claro, afinal n\u00e3o ia come\u00e7ar uma discuss\u00e3o curatorial na presen\u00e7a de 200 pessoas). Acredito que tenha sido obra de um cineasta inseguro querendo justificar sua presen\u00e7a num museu atrav\u00e9s de um elemento escult\u00f3rico. Apichatpong faz com uma gra\u00e7a admir\u00e1vel a intersec\u00e7\u00e3o entre o cinema e as artes pl\u00e1sticas. Dois dias antes da palestra ela havia sido premiado com o grande pr\u00eamio de Cannes com &#8220;Uncle Boonmee Who Can Recall His Past Lives&#8221; e neste ano ainda participa da 29a Bienal de S\u00e3o Paulo. Alguns de seus filmes podem ser vistos no <a href=\"http:\/\/www.animateprojects.org\/films\/by_project\/primitive\/primitive\">site da Animate Projects<\/a> e mais informa\u00e7\u00f5es sobre o artista podem ser encontradas no site da sua produtora <a href=\"http:\/\/www.kickthemachine.com\/\">Kick the Machine<\/a>. Atualmente ele est\u00e1 em cartaz com Phantoms of Nabua no <a href=\"http:\/\/www.bfi.org.uk\/\">BFI<\/a> de Londres. <\/p>\n<div class=\"separator\" style=\"clear: both; text-align: center;\"><\/div>\n<div class=\"separator\" style=\"clear: both; text-align: center;\"><a href=\"http:\/\/1.bp.blogspot.com\/_YCtMPf2Ld4Q\/TAazBWlvIKI\/AAAAAAAADHw\/uVO7oPFdAhQ\/s1600\/Phantoms.jpg\" imageanchor=\"1\" style=\"margin-left: 1em; margin-right: 1em;\"><img loading=\"lazy\" border=\"0\" height=\"285\" src=\"http:\/\/1.bp.blogspot.com\/_YCtMPf2Ld4Q\/TAazBWlvIKI\/AAAAAAAADHw\/uVO7oPFdAhQ\/s400\/Phantoms.jpg\" width=\"400\" \/><\/a><\/div>\n<div style=\"text-align: center;\"><span style=\"font-size: x-small;\">&nbsp;Phantoms of Nabua, 2008. Filme<\/span><\/div>\n<p><\/p>\n<div class=\"separator\" style=\"clear: both; text-align: center;\"><a href=\"http:\/\/3.bp.blogspot.com\/_YCtMPf2Ld4Q\/TAay-78P_QI\/AAAAAAAADHo\/smD2XgjrRNE\/s1600\/Primitive.jpg\" imageanchor=\"1\" style=\"margin-left: 1em; margin-right: 1em;\"><img loading=\"lazy\" border=\"0\" height=\"267\" src=\"http:\/\/3.bp.blogspot.com\/_YCtMPf2Ld4Q\/TAay-78P_QI\/AAAAAAAADHo\/smD2XgjrRNE\/s400\/Primitive.jpg\" width=\"400\" \/><\/a><\/div>\n<div style=\"text-align: center;\"><span style=\"font-size: x-small;\">&nbsp;Primitive, 2009. Filme de dupla proje\u00e7\u00e3o<\/span><\/div>\n<p>E aqui o texto dela&#8230;<\/p>\n<p><b>Apichatpong Weerasethakul &#8211; Primitive<br \/>Mus\u00e9e d&#8217;Art Moderne de la Ville de Paris<\/b><\/p>\n<p>Oito filmes, fotografias, desenhos, livros e esculturas comp\u00f5e a exposi\u00e7\u00e3o \u201cPrimitive\u201d, do tailand\u00eas Apichatpong Weerasethakul, inspirada no livro \u201cThe Man Who could recall his past lives\u201d , escrito por um monge. As obras foram realizadas em Nabua, um vilarejo no nordeste da Tail\u00e2ndia, e mostram a vida de meninos tardios desta regi\u00e3o, ocupada pelo ex\u00e9rcito tailand\u00eas entre os anos de 1960 e 80 para controlar os rebeldes comunistas. Os filmes acontecem na intersec\u00e7\u00e3o entre document\u00e1rio e fic\u00e7\u00e3o, onde esses meninos sem pai interpretam a si mesmos para a c\u00e2mera.<\/p>\n<p>O primeiro filme \u201cPhantoms of Nabua\u201d, \u00e9 mostrado logo na entrada da exposi\u00e7\u00e3o. \u00danica obra exposta que n\u00e3o faz parte do projeto \u201cPrimitive\u201d, o filme come\u00e7a com uma paisagem noturna onde h\u00e1 um poste de luz entre \u00e1rvores. Desce a c\u00e2mera e aparece uma tela de proje\u00e7\u00e3o no ch\u00e3o, seguindo para um plano aberto deste ambiente escuro e rural com repetidos trov\u00f5es. Um personagem sai de casa e caminha, aparecendo junto a um grupo no local da primeira cena, onde a tela projeta imagens dos trov\u00f5es como que se agora presos na fic\u00e7\u00e3o. Os meninos tascam fogo numa bola e come\u00e7am a jogar futebol com ela. Conforme passa de um p\u00e9 a outro, a bola deixa fa\u00edscas no ch\u00e3o, e estas s\u00e3o, junto com o poste e a tela, as \u00fanicas luzes da cena. Num chute, a bola atinge a tela, que queima lentamente, revelando o projetor atr\u00e1s. Com este filme Apichatpong apresenta todos os elementos comp\u00f5e o universo da mostra: luzes, budismo, mem\u00f3ria, natureza e a fronteira t\u00eanue entre inoc\u00eancia e perversidade. Mais ainda, ao apresentar a a\u00e7\u00e3o dentro da a\u00e7\u00e3o o artista revela a estrutura da exposi\u00e7\u00e3o, onde as obras s\u00e3o dispostas de forma a emancipar o olhar do espectador ao papel de agente das obras.<\/p>\n<p>O segundo espa\u00e7o expositivo apresenta grandes amplia\u00e7\u00f5es fotogr\u00e1ficas dos personagens dos filmes, uma passagem budista do livro inspirador, livros e uma metralhadora falsa disposta verticalmente a partir do ch\u00e3o. Desnecess\u00e1rio apresentar tantos elementos literais, a introdu\u00e7\u00e3o dos atores e a presen\u00e7a f\u00edsica da viol\u00eancia. Ao entrar numa porta \u00e0 direita, o espectador se depara com uma sala onde seis filmes de dimens\u00f5es variadas s\u00e3o projetados simultaneamente: uma grande tela pendurada no teto logo na entrada, duas telas paralelas logo atr\u00e1s tamb\u00e9m dispostas a partir do teto&nbsp; e outras tr\u00eas alocadas na parede. Alem dos filmes, nesta sala h\u00e1 dois desenhos de casas em fogo na parede expostos como caixas de luz. Ao tornar metade das proje\u00e7\u00f5es escult\u00f3ricas, Apichatpong transforma a leitura dos filmes poss\u00edvel de ambos os lados da tela. Se posicionando no centro da sala, o espectador se coloca no centro da a\u00e7\u00e3o, de onde v\u00ea o desenrolar de todas as hist\u00f3rias, quase que cont\u00ednuas ainda que singulares: os trov\u00f5es que caem repetidamente,&nbsp; os meninos cheios de energia mas que sem outros meios us\u00e1-la, correm, e constroem naves espaciais imagin\u00e1rias.<\/p>\n<p>Tal qual uma narrativa, o espectador atravessa uma porta anexa a esta sala, e se depara com uma proje\u00e7\u00e3o dupla de grandes propor\u00e7\u00f5es, que ocorre na nave constru\u00edda anteriormente. Esta se tornou o habitat desses jovens, lugar de seguran\u00e7a e conforto onde dormem, comem e sonham. A proje\u00e7\u00e3o dupla \u00e9 narrada, com uma imagem complementando a outra e ambas complementando a fala, de forma que cada peda\u00e7o dessa dial\u00e9tica fornece um elemento para a s\u00edntese, que \u00e9 amb\u00edgua, assim como o \u00e9 o comportamento desses jovens, j\u00e1 n\u00e3o ing\u00eanuos. Em dado momento do filme, o narrador se dirige ao espectador, quase imperceptivelmente, como se perguntando: voc\u00ea me escuta?<\/p>\n<p><i>Maria do Carmo Pontes, maio de 2010 <\/i><\/p>\n<div id=\"wp_fb_like_button\" style=\"margin:5px 0;float:none;height:100px;\"><script src=\"http:\/\/connect.facebook.net\/en_US\/all.js#xfbml=1\"><\/script><fb:like href=\"https:\/\/www.archive.raulmourao.com\/blog\/?p=736\" send=\"false\" layout=\"standard\" width=\"450\" show_faces=\"true\" font=\"arial\" action=\"like\" colorscheme=\"light\"><\/fb:like><\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Maria do Carmo Pontes, a correspondente avan\u00e7ada do b\u00aeog em Londres (com foto e micro-perfil a\u00ed na barra lateral), mandou a segunda coluna MC LDN. Ela come\u00e7a assim&#8230; Vi a exposi\u00e7\u00e3o que narro abaixo em novembro do ano passado no Museu de Arte Moderna de Paris, ap\u00f3s sair cabisbaixa da herm\u00e9tica &#8220;Chasing Napoleon&#8221; no vizinho &hellip;<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.archive.raulmourao.com\/blog\/?p=736\" class=\"more-link\">Read More<\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[19],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.archive.raulmourao.com\/blog\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/736"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.archive.raulmourao.com\/blog\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.archive.raulmourao.com\/blog\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.archive.raulmourao.com\/blog\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.archive.raulmourao.com\/blog\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=736"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.archive.raulmourao.com\/blog\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/736\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.archive.raulmourao.com\/blog\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=736"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.archive.raulmourao.com\/blog\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=736"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.archive.raulmourao.com\/blog\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=736"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}