{"id":702,"date":"2010-05-11T19:23:00","date_gmt":"2010-05-11T19:23:00","guid":{"rendered":"https:\/\/raulmourao.com\/blog\/?p=702"},"modified":"2010-05-11T19:23:00","modified_gmt":"2010-05-11T19:23:00","slug":"arte-bra-e-o-prazer-de-ler-sobre-arte","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.archive.raulmourao.com\/blog\/?p=702","title":{"rendered":"ARTE BRA e o prazer de ler sobre arte"},"content":{"rendered":"<p>Frederico Coelho escreveu l\u00e1 no blog dele <span class=\"entry-source-title-parent\"><a class=\"entry-source-title\" href=\"http:\/\/www.google.com\/reader\/view\/feed\/http%3A%2F%2Fobjetosimobjetonao.blogspot.com%2Ffeeds%2Fposts%2Fdefault%3Falt%3Drss\" target=\"_blank\">objeto sim objeto n\u00e3o<\/a><\/span> <span class=\"entry-author-parent\">esse texto a\u00ed embaixo preciso e delicioso.&nbsp;<span class=\"entry-author-name\"><\/span><\/span><\/p>\n<div style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #0000ee;\"><u><br \/><\/u><\/span><\/div>\n<div style=\"text-align: center;\"><a href=\"http:\/\/3.bp.blogspot.com\/_VPHVt757pfA\/S-gJqYwro3I\/AAAAAAAAAmY\/pk4ad80R-Qo\/s1600\/zerbini.jpg\" target=\"_blank\"><img alt=\"\" border=\"0\" src=\"http:\/\/3.bp.blogspot.com\/_VPHVt757pfA\/S-gJqYwro3I\/AAAAAAAAAmY\/pk4ad80R-Qo\/s400\/zerbini.jpg\" style=\"display: block; height: 266px; margin: 0px auto 10px; text-align: center; width: 400px;\" \/><\/a><\/div>\n<div style=\"text-align: center;\"><i><span style=\"font-size: small;\">Luiz Zerbini<\/span><\/i><\/div>\n<div><\/div>\n<div>\n<div style=\"line-height: 150%; margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify;\">A rela\u00e7\u00e3o entre arte e escrita \u00e9 org\u00e2nica. Para alguns, em  leitura radical do mundo, tudo \u00e9 texto. Mesmo que a imagem seja o cerne,  imagem tamb\u00e9m \u00e9 texto. Letras s\u00e3o imagens. Cores trazem gram\u00e1ticas e  vocabul\u00e1rios. Esculturas desenham espa\u00e7os ou inventam discursos onde  impera o pleno vazio. <\/div>\n<div style=\"line-height: 150%; margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify;\"> <\/div>\n<div style=\"line-height: 150%; margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify;\">Em 2002 o poeta e  d\u00ednamo est\u00e9tico Waly Salom\u00e3o sugere a Luiz Zerbini um desenho a partir  de seu poema \u201ca vida \u00e9 par\u00f3dia da arte\u201d. O texto de Waly, segundo o  artista, o intimidava na abordagem visual das suas palavras. Ele lia e  relia e n\u00e3o conseguia produzir nenhuma imagem relativa ao poema. A  resposta est\u00e9tica de Zerbini foi, pois, um contra-poema. Um  poema-resposta pra Waly, a \u00fanica forma de dar voz \u00e0s milhares de imagens  que povoavam sua cabe\u00e7a. Um contra-poema t\u00e3o belo e intenso quanto  qualquer um de seus quadros. Como ele diz, \u201cResolvi fazer um desenho  para cada estrofe \/ depois um desenho para cada linha \/ depois um  desenho para cada palavra \/ e a\u00ed muitos desenhos para cada palavra\u201d. A  palavra torna-se ent\u00e3o seu pr\u00f3prio desenho. Aqui, nessse poema-resposta,  Zerbini escrevia ou pintava? <\/div>\n<div style=\"line-height: 150%; margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify;\"> <\/div>\n<div style=\"line-height: 150%; margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify;\">A dupla arte e  escrita, portanto, vai al\u00e9m da rela\u00e7\u00e3o \u00f3bvia entre a pr\u00e1tica est\u00e9tica do  artista e o texto \u201cexplicativo\u201d do cr\u00edtico \u2013 ou do pr\u00f3prio artista.  Arte e escrita, esse encontro fundado no oco do tempo da hist\u00f3ria do  homem, comp\u00f5e um campo de a\u00e7\u00e3o espec\u00edfico, em que palavras e imagens  formam um corpo s\u00f3. Um campo de a\u00e7\u00e3o em que a ideia imag\u00e9tica \u00e9  indissoci\u00e1vel do desafio textual de transform\u00e1-la em linguagem corrente,  expandindo a pot\u00eancia da linguagem est\u00e9tica. Arte e escrita formam um  casamento em que movimentar a m\u00e3o \u2013 seja na tela, no ferro, na cera, na  pedra, na tinta, na qu\u00edmica ou no papel \u2013 \u00e9 escrever, sempre, as ondas  gigantes crescendo no mar dos sert\u00f5es de nossas cabe\u00e7as (salve Otto). <\/div>\n<div style=\"line-height: 150%; margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify;\"> <\/div>\n<div style=\"line-height: 150%; margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify;\">Essa introdu\u00e7\u00e3o dispersiva serve apenas para falar  do impacto da leitura desse poema-resposta de Zerbini a Waly (e dessa  rela\u00e7\u00e3o po\u00e9tica t\u00edpica do Rio de Janeiro, poesia-arte via editora  Dantes, encontros no Jardim Bot\u00e2nico, hist\u00f3rias que devem ser  esmiu\u00e7adas, coisas nossas na cidade que todos adoram dizer que nada  acontece \u2013 mesmo que ao menos algo aconte\u00e7a). E serve principalmente  como porta de entrada do verdadeiro prato-assunto do dia: ARTE BRA.  Conheces? Gostas de arte? Manjas os papos dif\u00edceis da cr\u00edtica? Espantas  as fam\u00edlias burguesas com sua ira contra o sistema da arte? Ent\u00e3o se  afaste de ARTE BRA. Pois a cole\u00e7\u00e3o de livros da <a href=\"http:\/\/www.automatica.art.br\/equipe.php\" target=\"_blank\"><span style=\"color: red;\"><b>AUTOM\u00c1TICA<\/b><\/span><\/a> sobre artistas brasileiros  contempor\u00e2neos e suas carreiras (com t\u00edtulos dedicados a Marcos Chaves,  Raul Mour\u00e3o e agora Lucia Koch e Luiz Zerbini) \u00e9, no melhor sentido e  precis\u00e3o da palavra, desmistificadora. Foi nela, no livro dedicado a  Zerbini, que encontrei a hist\u00f3ria acima, sobre o pintor e o poeta.<\/div>\n<\/div>\n<div><\/div>\n<div><\/div>\n<div style=\"text-align: center;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #0000ee;\"><u><img alt=\"\" border=\"0\" src=\"http:\/\/4.bp.blogspot.com\/_VPHVt757pfA\/S-gHwq0HcAI\/AAAAAAAAAmI\/rG96GQ4Ymfc\/s400\/Raul+MOur%C3%A3o.jpg\" style=\"display: block; height: 300px; margin: 0px auto 10px; text-align: center; width: 400px;\" \/><\/u><\/span><\/div>\n<div style=\"text-align: center;\"><i><span style=\"font-size: small;\">Raul  Mour\u00e3o<\/span><\/i><\/div>\n<div style=\"line-height: 150%; margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify;\">Explico-me:  em ARTE BRA, cai o v\u00e9u do afastamento \u201cde classe\u201d entre arte e  informa\u00e7\u00e3o. Sem precisarmos das ferramentas da academia, em ARTE BRA  lemos-vemos a carreira do artista abordada de forma direta, compacta,  informada e informativa. \u00c9 isso. Para o curioso e para quem procura  profundidade no assunto. Ao inv\u00e9s de inventar o artista como personagem  conceitual, ao inv\u00e9s de rodopiar teoricamente ao redor de cita\u00e7\u00f5es e do  costume cansativo da escrita-\u201cname-dropping\u201d, em ARTE BRA n\u00f3s  lemos-vemos uma pessoa que, antes de tudo, trabalha. Que antes de tudo  leva sua op\u00e7\u00e3o de trabalhar com arte a s\u00e9rio. Pessoas que vivem a arte  n\u00e3o como compromisso fatal, n\u00e3o como sina maldita, mas como transpira\u00e7\u00e3o  dos sentidos, investimentos de afetos e, principalmente, incorpora\u00e7\u00e3o  do mundo, da hist\u00f3ria e do outro. Atrav\u00e9s dos quatro livros, descobrimos  que arte n\u00e3o \u00e9 conceitualismo vazio para neo-cr\u00edticos conservadores  atacarem de forma gratuita, mas sim esfor\u00e7o profissional e dedica\u00e7\u00e3o na  manuten\u00e7\u00e3o de um espa\u00e7o de a\u00e7\u00e3o e reflex\u00e3o. <\/div>\n<div style=\"line-height: 150%; margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify;\">  <\/div>\n<div style=\"line-height: 150%; margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify;\">A forma como chegamos a essas conclus\u00f5es \u00e9,  justamente, o valor que a cole\u00e7\u00e3o d\u00e1 ao texto e \u00e0 rela\u00e7\u00e3o entre arte e  palavra. Uma rela\u00e7\u00e3o da arte com a palavra, por\u00e9m, vista no sentido  pr\u00e1tico, isto \u00e9, no sentido de fazer com que o artista seja entendido na  extens\u00e3o da sua obra. E isso ocorre com destaque em dois recursos  editoriais que ARTE BRA nos oferece nas suas quatro edi\u00e7\u00f5es: uma  entrevista coletiva e uma preciosa cronologia. <\/div>\n<div style=\"line-height: 150%; margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify;\">  <\/div>\n<div style=\"line-height: 150%; margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify;\">Sobre a entrevista coletiva, \u00e9 fundamental em um  livro sobre um artista e sua carreira que ele mesmo conte com suas  pr\u00f3prias palavras o seu trajeto. Melhor ainda se ele pode contar isso em  um papo amplo, aberto, com diferentes pessoas, diferentes pontos de  vista. S\u00e3o assim, generosas e plurais, que as entrevistas da cole\u00e7\u00e3o se  apresentam (onde mais, por exemplo, podemos ler o relato detalhado de  Zerbini sobre seu encontro seco e divisor de \u00e1guas com Joseph Beuys, em  pleno 1982, no frio de Dusseldorf?). <\/div>\n<div style=\"line-height: 150%; margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify;\"> <\/div>\n<div style=\"line-height: 150%; margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify;\">Mas  \u00e9 principalmente sobre a cronologia \u2013 essa t\u00e3o dif\u00edcil arte de escrever  uma vida em diacronia e sincronia simultaneamente \u2013 que a sensa\u00e7\u00e3o de  que \u201cali h\u00e1 algu\u00e9m que trabalha\u201d melhor repousa. Nas quatro cronologias \u2013  Marcos Chaves, Raul Mour\u00e3o, Lucia Koch e Luiz Zerbini \u2013 temos  verdadeiras aulas sobre a cena da arte brasileira nos \u00faltimos trinta  anos. Exposi\u00e7\u00f5es, estudos, encontros, ateli\u00eas, revistas, festas,  interven\u00e7\u00f5es, contatos, viagens, parcerias, coletivos mesmo fugazes,  todas as informa\u00e7\u00f5es poss\u00edveis nos s\u00e3o fornecidas. No cruzamento dos  quatro artistas\/trabalhos encontramos pontos de encontro e outros pontos  de cria\u00e7\u00e3o, cenas intensas, momentos importantes. As cronologias de  ARTE BRA s\u00e3o a transforma\u00e7\u00e3o do ef\u00eamero \u2013 eventos, encontros, revistas  de poucas edi\u00e7\u00f5es \u2013 em Hist\u00f3ria da arte. N\u00e3o h\u00e1 exagero nessa afirma\u00e7\u00e3o.  Ler os intensos dias de paz e de luta de Zerbini ou Koch, por exemplo, \u00e9  ver como podem ser diferentes e ao mesmo tempo pr\u00f3ximas as vidas de  artistas brasileiros. \u00c9 entender que h\u00e1 diversos percursos poss\u00edveis  para um artista em busca da realiza\u00e7\u00e3o de suas ideias. As cronologias  completas de ARTE BRA nos mostram isso, essa import\u00e2ncia de cada  movimento, de cada conversa que gere um trabalho por menor que seja. \u00c9 a  habilidade e a sabedoria de registrar a micro-hist\u00f3ria contempor\u00e2nea da  arte. <\/div>\n<div style=\"line-height: 150%; margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"line-height: 150%; margin-bottom: 0.0001pt; text-align: center;\"><img src=\"http:\/\/3.bp.blogspot.com\/_VPHVt757pfA\/S-gKPj7-vuI\/AAAAAAAAAmo\/Cs3v9TMEG9Y\/s400\/marcos+chaves.jpg\" \/><\/div>\n<div style=\"line-height: 150%; margin-bottom: 0.0001pt; text-align: center;\"><i><span style=\"font-size: small;\">Marcos Chaves<\/span><\/i><\/div>\n<div style=\"line-height: 150%; margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify;\">  <\/div>\n<div style=\"line-height: 150%; margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify;\">ARTE BRA faz com que o leitor interessado em arte  saia de sua leitura mais interessado ainda. Quebra uma s\u00e9rie de  preconceitos rasteiros sobre a arte brasileira contempor\u00e2nea mostrando  que os artistas est\u00e3o vivos, ao menos os artistas de uma gera\u00e7\u00e3o formada  nos anos 70\/80 que j\u00e1 passaram por uma d\u00e9cada de s\u00e9culo XXI e  permanecem em plena expans\u00e3o criativa e profissional. Constatamos a  intensa produtividade e pesquisa dessa gera\u00e7\u00e3o, a infinita conversa com  os meios e com as t\u00e9cnicas, o di\u00e1logo inventivo e n\u00e3o mais reativo com a  arte mundial. Para novos tempos, novas artes. A cole\u00e7\u00e3o nos mostra  tamb\u00e9m que os textos sobre arte, cada vez mais, podem e devem ser  valiosos parceiros na leitura de cada obra, como s\u00e3o os textos de  Agnaldo Farias sobre Raul Mour\u00e3o ou de Moacir dos Anjos sobre Lucia  Koch, para ficar apenas em dois livros.<\/div>\n<div style=\"line-height: 150%; margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify;\">  <\/div>\n<div style=\"line-height: 150%; margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify;\">Beleza  editorial \u2013 capas, fotos, diagrama\u00e7\u00e3o (o livro de Lucia Koch nos faz <i>ver  <\/i>seus trabalhos de luz e filtros mesmo atrav\u00e9s das p\u00e1ginas  impressas) \u2013 alia-se ao conte\u00fado r\u00e1pido, din\u00e2mico, colado na hist\u00f3ria do  artista e de sua gera\u00e7\u00e3o. Livro <u>sobre<\/u> a pr\u00e1tica da arte, que  promove no leitor um sincero respeito pelo trabalho do artista abordado.  E que demonstra, melhor de tudo, um precioso respeito pelo leitor.<\/div>\n<div style=\"line-height: 150%; margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify;\"> <\/div>\n<div style=\"line-height: 150%; margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify;\">ARTE BRA: n\u00e3o percam.<\/div>\n<div style=\"line-height: 150%; margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"line-height: 150%; margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify;\"> <\/div>\n<div style=\"line-height: 150%; margin-bottom: 0.0001pt; text-align: center;\"><img src=\"http:\/\/3.bp.blogspot.com\/_VPHVt757pfA\/S-gJ9xXRvjI\/AAAAAAAAAmg\/624NOhnRHPk\/s400\/24-02-09_1747.jpg\" \/><\/div>\n<div style=\"line-height: 150%; margin-bottom: 0.0001pt; text-align: center;\"><i><span style=\"font-size: small;\">Lucia Koch<\/span><\/i><\/div>\n<div id=\"wp_fb_like_button\" style=\"margin:5px 0;float:none;height:100px;\"><script src=\"http:\/\/connect.facebook.net\/en_US\/all.js#xfbml=1\"><\/script><fb:like href=\"https:\/\/www.archive.raulmourao.com\/blog\/?p=702\" send=\"false\" layout=\"standard\" width=\"450\" show_faces=\"true\" font=\"arial\" action=\"like\" colorscheme=\"light\"><\/fb:like><\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Frederico Coelho escreveu l\u00e1 no blog dele objeto sim objeto n\u00e3o esse texto a\u00ed embaixo preciso e delicioso.&nbsp; Luiz Zerbini A rela\u00e7\u00e3o entre arte e escrita \u00e9 org\u00e2nica. 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