{"id":690,"date":"2010-04-27T04:01:00","date_gmt":"2010-04-27T04:01:00","guid":{"rendered":"https:\/\/raulmourao.com\/blog\/?p=690"},"modified":"2010-04-27T04:01:00","modified_gmt":"2010-04-27T04:01:00","slug":"entrevista-no-site-da-fundacao-ibere-camargo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.archive.raulmourao.com\/blog\/?p=690","title":{"rendered":"Entrevista no site da Funda\u00e7\u00e3o Iber\u00ea Camargo"},"content":{"rendered":"<p><b class=\"destaque\"><span style=\"font-weight: normal;\">Lu\u00edsa Fedrizzi, editora do <a href=\"http:\/\/www.iberecamargo.org.br\/content\/revista_nova\/entrevista_integra.asp?id=290\">site da funda\u00e7\u00e3o Iber\u00ea Camargo<\/a>, me pegou correndo depois de uma palestra l\u00e1 na Subterr\u00e2nea e fez essa entrevista que entrou no ar s\u00e1bado passado. <\/span><\/b><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/2.bp.blogspot.com\/_YCtMPf2Ld4Q\/S9ZgL7S62mI\/AAAAAAAAC-Q\/12HZ6yk21vo\/s1600\/site_fundacao_ibere_camargo.png\" imageanchor=\"1\" style=\"margin-left: 1em; margin-right: 1em;\"><img loading=\"lazy\" border=\"0\" height=\"343\" src=\"http:\/\/2.bp.blogspot.com\/_YCtMPf2Ld4Q\/S9ZgL7S62mI\/AAAAAAAAC-Q\/12HZ6yk21vo\/s400\/site_fundacao_ibere_camargo.png\" width=\"400\" \/><\/a><b class=\"destaque\"><\/b><b class=\"destaque\">&nbsp;<\/b><br \/><span style=\"font-size: large;\"><b class=\"destaque\">Os balan\u00e7os do acaso<\/b><\/span><\/p>\n<p>O carioca <a href=\"https:\/\/raulmourao.com\/\" target=\"_blank\">Raul  Mour\u00e3o<\/a> dedica-se \u00e0 produ\u00e7\u00e3o de esculturas, desenhos, pinturas,  v\u00eddeos, objetos, fotografias, performances e instala\u00e7\u00f5es. Suas obras,  constru\u00eddas com materiais t\u00e3o diversos quanto madeira, lona, ferro e  pel\u00facia \u2013 j\u00e1 que ele \u00e9 o autor da afamada s\u00e9rie <i>luladepel\u00facia<\/i>, de  2006. Os trabalhos apresentam um vocabul\u00e1rio composto de elementos da  visualidade urbana deslocados de seu contexto usual. <\/p>\n<p>Um exemplo \u00e9 sua s\u00e9rie <i>Grades<\/i>, de 2005, que, de uma certa forma,  deu origem a seus mais recentes trabalhos: os balan\u00e7os. Apresentadas  recentemente no <a href=\"http:\/\/subterranea.art.br\/\" target=\"_blank\">Atelier  Subterr\u00e2nea<\/a>, em Porto Alegre, na exposi\u00e7\u00e3o <i>Balan\u00e7o Geral<\/i>, as  obras se movimentam se acionadas pelo p\u00fablico, e foram batizadas de  acordo com o tempo de dura\u00e7\u00e3o de seu ciclo.<\/p>\n<p>Na conversa abaixo, Mour\u00e3o fala mais sobre a s\u00e9rie, sua rela\u00e7\u00e3o com o  espectador e seu novo projeto, em v\u00eddeo.<\/p>\n<p><b>Objetos com movimento eram algo in\u00e9dito at\u00e9 ent\u00e3o na sua trajet\u00f3ria. E  voc\u00ea diz que, antes de <i>Balan\u00e7o Geral<\/i>, seus trabalhos tinham uma  \u201cbiografia\u201d anterior a sua realiza\u00e7\u00e3o, mas que, neste caso, isto j\u00e1 n\u00e3o  existe. O trabalho \u00e9 o que se apresenta&#8230;<\/b><br \/>\u00c9, exatamente.<\/p>\n<p><b>Por\u00e9m, por tr\u00e1s destas obras existe um convite de uma companhia de  dan\u00e7a, certo? Como esta parceria colaborou para a realiza\u00e7\u00e3o deste  trabalho?<\/b><br \/>No final do segundo semestre de 2009, surgiu um convite da Intr\u00e9pida  Trupe pra participar de um espet\u00e1culo onde a companhia interagiria com  obras de quatro artistas: Marta Jourdan, Pedro Bernardes, Guga Ferraz e  eu. Para isto, eles queriam usar a s\u00e9rie das grades, que, a princ\u00edpio eu  tive resist\u00eancia, porque s\u00e3o esculturas que nunca imaginei serem  manipuladas, interagirem com o corpo. Eram trabalhos para contempla\u00e7\u00e3o  visual, apesar de, em alguns momentos, as pessoas poderem entrar neles,  como no caso da instala\u00e7\u00e3o <i>Buraco do Vieira<\/i>, no Museu Vale , em  Vila Velha, na exposi\u00e7\u00e3o coletiva <i>Outra Coisa<\/i>. Eu tinha esta  resist\u00eancia, mas eles foram ao ateli\u00ea, come\u00e7aram a improvisar, e assim  come\u00e7aram a surgir v\u00e1rias coisas muito interessantes, at\u00e9 surpreendentes  para mim. E a\u00ed fui convencido ali, naquele momento. Depois, eles  levaram v\u00e1rias pe\u00e7as para a sala de ensaios, eu comecei a frequentar os  ensaios, e fui acatando o que eles foram construindo. Desses improvisos  surgiu o movimento das pe\u00e7as, propriamente. Uma pe\u00e7a apoiada sobre  outra, acionada por um dos integrantes, ficava em movimento e ele  entrava e saia deste movimento. Eu guardei esta imagem. Naquele primeiro  momento, n\u00e3o achei que aquilo podia voltar para o ateli\u00ea e detonar  trabalhos novos, mas, uma semana depois, fiz uma pequena maquete,  simulando uma situa\u00e7\u00e3o parecida com aquela que eles tinham criado, e ela  gerou uma s\u00e9rie de experimenta\u00e7\u00f5es, que vieram dar nesta nova s\u00e9rie que  estou chamando de <i>Balan\u00e7os<\/i>. Ent\u00e3o, o trabalho tem origem na  s\u00e9rie das <i>Grades<\/i>, mas j\u00e1 \u00e9 uma s\u00e9rie nova, que n\u00e3o remete mais a  todos aqueles conceitos que estavam por tr\u00e1s daqueles trabalhos: um  coment\u00e1rio cr\u00edtico \u00e0 crise da seguran\u00e7a p\u00fablica, \u00e0 degrada\u00e7\u00e3o visual e  arquitet\u00f4nica das cidades, e \u00e0 crise social e mental, esse espa\u00e7o de  paran\u00f3ia, de reclus\u00e3o dentro das casas, de nega\u00e7\u00e3o do espa\u00e7o p\u00fablico  como um espa\u00e7o de todos. Todos estes conceitos e pensamentos n\u00e3o est\u00e3o  mais presentes em <i>Balan\u00e7os<\/i>. Ent\u00e3o, esta \u00e9 uma s\u00e9rie que, como  voc\u00ea estava falando, \u00e9 quase desprovida de conceitos, \u00e9 quase uma pura  composi\u00e7\u00e3o de formas geom\u00e9tricas. \u00c9 uma busca da beleza, da composi\u00e7\u00e3o  ideal, que gera um movimento que me parece mais bonito, mais elegante,  mais belo.<\/p>\n<p>Esta \u00e9 uma pesquisa que convida o espectador a acionar a obra, a  participar, experimentar a obra, coloc\u00e1-la em funcionamento, como se  fosse ligar um aparelho. Uma televis\u00e3o precisa de algu\u00e9m que a ligue  para que ela comece a funcionar. Aqui tamb\u00e9m tem isso: o espectador \u00e9  convidado a botar a obra em a\u00e7\u00e3o, dar vida a ela. E a ideia de aumentar a  escala \u00e9 algo que vem surgindo naturalmente na pesquisa. Fiz um  tamanho, fiz outro, e o trabalho encaminha para uma outra escala, que  ainda n\u00e3o pude experimentar. Mas j\u00e1 fiz alguns estudos e maquetes, e meu  desejo \u00e9 seguir nesta dire\u00e7\u00e3o. <\/p>\n<p><b>Foi um processo complicado se despir desta biografia, deste entorno  que fazia parte das suas obras?<\/b><br \/>N\u00e3o, n\u00e3o foi. Quando surgiu a experimenta\u00e7\u00e3o destas novas pe\u00e7as, fui  tomado, fui envolvido, e minha pesquisa virou esta. Mas ainda estou bem  no in\u00edcio de uma s\u00e9rie, foi exposta pela oportunidade de mostrar no  calor da origem, j\u00e1 no primeiro momento, e de poder tamb\u00e9m sentir o  retorno que a obra tem sem a solenidade de uma grande mostra. Foi uma  decis\u00e3o que achei que combinava com o esp\u00edrito da Subterr\u00e2nea e que eu  estava querendo vivenciar. Muitas vezes o artista fica fechado fazendo  coisas no ateli\u00ea e precisa deste contato. Precisa jogar as obras no  mundo e ver como elas funcionam.<\/p>\n<p><b>E por ser participativa, por incluir o espectador, esta s\u00e9rie  facilita que voc\u00ea perceba a rea\u00e7\u00e3o do p\u00fablico mais do que em trabalhos  anteriores?<\/b><br \/>Acho que este trabalho coloca o espectador em outro lugar de  contempla\u00e7\u00e3o, um lugar privilegiado, diferenciado. \u00c9 um lugar que gera  uma contempla\u00e7\u00e3o mais intensa, na minha opini\u00e3o.<\/p>\n<p><b>Por qu\u00ea?<\/b><br \/>O movimento tem um tempo, e quando voc\u00ea est\u00e1 observando o trabalho por  um tempo maior, e o trabalho est\u00e1 se modificando no percurso deste  tempo, entendo que ele desloca, \u201csequestra\u201d o espectador para um lugar  onde acontece esta contempla\u00e7\u00e3o diferenciada. \u00c9 uma jun\u00e7\u00e3o da qualidade  do espectador e de uma pe\u00e7a que se mexe, e que gera isto. <\/p>\n<p><b>Na conversa com o p\u00fablico, realizada na Subterr\u00e2nea Atelier durante a  sua exposi\u00e7\u00e3o, voc\u00ea apresentou, em primeira m\u00e3o, um novo trabalho em  v\u00eddeo. Voc\u00ea poderia falar um pouco sobre este projeto?<\/b><br \/>\u00c9 um trabalho in\u00e9dito, que pretendo apresentar em breve. \u00c9 um v\u00eddeo de  3\u201949\u2019\u2019 de dura\u00e7\u00e3o, captado em full HD e sem som, com dire\u00e7\u00e3o de  fotografia do David Pacheco, que fiz em 2009. Ele \u00e9 um plano que tem  in\u00edcio, meio e fim, ou seja, tem uma hist\u00f3ria, mas que tem o acaso como  elemento de sua cria\u00e7\u00e3o. Assim como, assistindo, voc\u00ea n\u00e3o sabia o que  vinha no andar de baixo, eu tamb\u00e9m n\u00e3o sabia. N\u00e3o preparei aquele plano,  ele \u00e9 acidental, feito depois que t\u00ednhamos passado uma noite no terra\u00e7o  de um pr\u00e9dio produzindo 7200 fotos para outro trabalho. Ao sair de l\u00e1,  exaustos, no amanhecer, vimos a luz entrando e pensamos: \u201cbom, vamos  fazer isso aqui\u201d. O filme \u00e9 sobre isto. O David fala que a gente  vivenciou o Samsara <i>[perambula\u00e7\u00e3o, caminho, ciclo da vida para as  religi\u00f5es indianas]<\/i>, ao virar a noite l\u00e1, penando no frio e dormindo  na laje, para, ent\u00e3o, atingir o Nirvana na realiza\u00e7\u00e3o deste plano, que \u00e9  de uma beleza fotogr\u00e1fica e de uma s\u00e9rie de acontecimentos do  inesperado. Parece que come\u00e7amos no amanhecer e que terminamos no  entardecer, que vamos do ver\u00e3o ao inverno. Mas aquelo \u00e9 exatamente o  tempo real. O que se v\u00ea realmente aconteceu comigo, e eu estou dividindo  com o p\u00fablico. N\u00e3o tem manipula\u00e7\u00e3o nem de tempo nem de reenquadramento,  nem de tratamento de imagem&#8230;<\/p>\n<p><b>E a geometria que aparece ali, que tem muito a ver com o seu  trabalho, tamb\u00e9m \u00e9 fruto do acaso?<\/b><br \/>Tudo \u00e9 o acaso.<\/p>\n<div id=\"wp_fb_like_button\" style=\"margin:5px 0;float:none;height:100px;\"><script src=\"http:\/\/connect.facebook.net\/en_US\/all.js#xfbml=1\"><\/script><fb:like href=\"https:\/\/www.archive.raulmourao.com\/blog\/?p=690\" send=\"false\" layout=\"standard\" width=\"450\" show_faces=\"true\" font=\"arial\" action=\"like\" colorscheme=\"light\"><\/fb:like><\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Lu\u00edsa Fedrizzi, editora do site da funda\u00e7\u00e3o Iber\u00ea Camargo, me pegou correndo depois de uma palestra l\u00e1 na Subterr\u00e2nea e fez essa entrevista que entrou no ar s\u00e1bado passado. &nbsp;Os balan\u00e7os do acaso O carioca Raul Mour\u00e3o dedica-se \u00e0 produ\u00e7\u00e3o de esculturas, desenhos, pinturas, v\u00eddeos, objetos, fotografias, performances e instala\u00e7\u00f5es. 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