{"id":587,"date":"2010-01-22T14:24:00","date_gmt":"2010-01-22T14:24:00","guid":{"rendered":"https:\/\/raulmourao.com\/blog\/?p=587"},"modified":"2010-01-22T14:24:00","modified_gmt":"2010-01-22T14:24:00","slug":"o-vampiro-de-copa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.archive.raulmourao.com\/blog\/?p=587","title":{"rendered":"O vampiro de Copa"},"content":{"rendered":"<p><script>Componentes.montarInfoNoticia(editoria, subeditoria, idPagina, GUIDPagina, \"infoPage\")<\/script>          <script>Componentes.montarRanking(editoria, subeditoria, idPagina, GUIDPagina, \"votacao\")<\/script>texto de Jotab\u00ea Medeiros que saiu no Caderno 2 do Estad\u00e3o essa semana e que eu peguei l\u00e1 no <a href=\"http:\/\/www.estadao.com.br\/estadaodehoje\/20100118\/not_imp497253,0.php\">site deles<\/a> agora.<\/p>\n<p>Editora Papagaio relan\u00e7a a obra liter\u00e1ria completa de Fausto Fawcett, com tr\u00eas livros e mais dois in\u00e9ditos, Favelost e o infantil Loirinha Levada, a partir de mar\u00e7o  <\/p>\n<div class=\"grupoC2\">\n<div class=\"tmTexto\" id=\"ctrl_texto\"><\/div>\n<p><script>Componentes.montarControleTexto(\"ctrl_texto\")<\/script> <\/div>\n<div id=\"corpoNoticia\">\n<div class=\"ImagemMateria\"><img loading=\"lazy\" height=\"280\" src=\"http:\/\/www.estadao.com.br\/estadaodehoje\/20100118\/img\/vampirocopa.JPG\" width=\"400\" \/>      <\/div>\n<div style=\"color: #999999;\"><span style=\"font-size: x-small;\"><i><b><\/b>Fawcett na semana passada, em Copacabana<\/i><\/span><\/div>\n<p><span style=\"font-size: x-small;\">RIO &#8211; ENVIADO ESPECIAL<\/span><\/p>\n<p>Uma&nbsp; hora e meia com Fausto Fawcett num bar no Leblon, e tudo que ele bebe \u00e9 uma garrafinha de \u00e1gua de 300 ml. A mem\u00f3ria lembra dele nos anos 80 e 90 sempre com um copo de u\u00edsque na m\u00e3o. Est\u00e1 magrinho e fala baixo, \u00e9 at\u00e9 poss\u00edvel tom\u00e1-lo por um mero Fausto Falsete. Mas os olhos muito mi\u00fados e o jorro vertiginosamente verborr\u00e1gico confirmam: \u00e9 ele mesmo, o grande vampiro vision\u00e1rio de Copacabana, o detentor do recorde mundial do maior n\u00famero de versos j\u00e1 feitos no menor espa\u00e7o de tempo para um \u00fanico bairro do planeta.<\/p>\n<p>M\u00fasico, escritor, poeta, colunista de jornais, divulgador&nbsp; de loiras, Fausto Fawcett, o bardo que revirou o pop dos anos 80 e 90 com hits como K\u00e1tia Fl\u00e1via e Juliette, est\u00e1&nbsp; agora com 52 anos. E seus tenazes admiradores v\u00e3o vibrar com a not\u00edcia: a Editora Papagaio, de S\u00e3o Paulo, prepara-se para reeditar todos os seus livros &#8211; Santa Clara Poltergeist (1990), B\u00e1sico Instinto (1992) e Copacabana Lua Cheia (2000). De quebra, vai lan\u00e7ar dois in\u00e9ditos: Favelost e o infantil Loirinha Levada. Foi justamente esse o pretexto que levou a reportagem ao Rio para um encontro com Fawcett:<\/p>\n<p><b>No mesmo dia que morreu o Michael Jackson, havia morrido a Farrah Fawcett. E havia s\u00f3 dois ramalhetes de flores para ela na Cal\u00e7ada da Fama. Foi ela que te deu o nome, n\u00e3o? O que acontece com as loiras?<br \/><\/b><br \/>O que acontece? Tudo, n\u00e9? Tanto particularmente quanto para a m\u00eddia. Sem loira, fica dif\u00edcil. Fica dif\u00edcil para qualquer coisa, desde a burrice, para as piadas, at\u00e9 as loiras fatais.<\/p>\n<p><b>Voc\u00ea falava muito nos anos 1980 dos programas militares americanos, dos bastidores do projeto Guerra nas Estrelas, e tamb\u00e9m abordava muito o simulacro baudrillardiano. Aquele futuro se realizou? <br \/><\/b><br \/>Ali pelos anos 90, at\u00e9 o meio da d\u00e9cada, houve, para variar, uma euforia com essa nova ferramenta, o computador. Parecia que era s\u00f3 abrir um site e ficar milion\u00e1rio. Agora, nesta d\u00e9cada, aconteceu que o pov\u00e3o mundial tomou conta. A\u00ed, o que o neguinho quer mesmo \u00e9 fofoca. As redes sociais envolvem muita gente. E teve gente que se p\u00f4s a pensar que isso era uma revolu\u00e7\u00e3o, que as redes sociais nos trariam uma intelig\u00eancia coletiva. Eu acho que o grande barato que se tem nessa situa\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica atual \u00e9 a banalidade. N\u00e3o temos mais aqueles sonhos positivistas, de que a ci\u00eancia vai nos levar a uma excel\u00eancia, a uma utopia. N\u00e3o h\u00e1 d\u00favidas que temos mais conforto, temos uma capacidade gigantesca de armazenamento de dados, de informa\u00e7\u00f5es. Mas essa meta de a gente chegar, com o&nbsp; progresso, a algum lugar, n\u00e3o vai dar porque a gente \u00e9 errado, maluco, tr\u00e1gico. Vai dar defeito. Ent\u00e3o aquela onda do Baudrillard&#8230; O que eu gostava mesmo dele era aquele jeito meio apocal\u00edptico, at\u00e9 meio obscurantista. Eu gostava da verve dele. Eu me lembro de um poema do Paulo Leminski que diz assim: &#8220;Um poema que voc\u00ea n\u00e3o entende \u00e9 digno de nota\/ Tem a dignidade de um navio perdendo a rota&#8221;. Ent\u00e3o eu gostava daquele neg\u00f3cio do Baudrillard, n\u00e3o do simulacro, essas coisas que eram at\u00e9 divertidas, mas o lance daquele cara, aquele soci\u00f3logo, pensando de forma catastr\u00f3fica a comunica\u00e7\u00e3o. N\u00e3o tenho esse deslumbramento. Por exemplo: foi um au\u00ea quando apareceu o Second Life, e hoje ningu\u00e9m se interessa mais pelo Second Life. Virou uma trucagem, mas era o grande hit, tinha empresa l\u00e1 dentro, dinheiro. Mas as pessoas t\u00eam o Second Life aqui dentro (aponta para a cabe\u00e7a). A publicidade j\u00e1 tem Second Life h\u00e1 70 anos, sacou? Ent\u00e3o aquilo ali \u00e9 apenas um desenho animado.<\/p>\n<p><b>Mas hoje temos situa\u00e7\u00f5es efetivamente novas, como a mudan\u00e7a no eixo econ\u00f4mico mundial. E teve a frase do Stockhausen, que foi quase linchado quando falou que o atentado do 11 de Setembro ficaria como a grande obra de arte do s\u00e9culo 21&#8230;<br \/><\/b><br \/>Para quem escreve, para o humorista, voc\u00ea acaba se interessando pelo tragic\u00f4mico de tudo isso. Em \u00faltima inst\u00e2ncia, um peda\u00e7o de carne com prazo de validade \u00e9 um del\u00edrio, possibilita um ensaio mam\u00edfero ao autor. Tem de haver civiliza\u00e7\u00e3o, tem de fazer filho, cada vez que uma mulher abre as pernas e faz um novo tamagochi, voc\u00ea tem de trabalhar mais um pouco. Para os escritores, de uma forma digamos cl\u00e1ssica, voc\u00ea tem de tratar a humanidade a socos e pontap\u00e9s para a gente se aproximar mais do ser humano atrav\u00e9s do pat\u00e9tico dele, da fraqueza dele, e com isso demonstrar a capacidade de for\u00e7a civilizat\u00f3ria. A\u00ed entra moral, tecnologia, entra tudo, para dar sentido \u00e0quilo. Mas come\u00e7ando pelo dark side, pela falha. Porque sen\u00e3o n\u00e3o vai. Eu fico maluco vendo meia d\u00fazia de reportagens sobre o filme Avatar, que ainda n\u00e3o vi. E a maioria das mat\u00e9rias diz que &#8220;\u00e9 realmente uma cr\u00edtica ao est\u00e1gio em que estamos de deteriora\u00e7\u00e3o&#8221;. Na verdade, \u00e9 esse milenarismo do discurso do aquecimento global&#8230; Vai falar para os poloneses que morrem com 40\u00ba abaixo de zero sobre aquecimento global&#8230; Em Avatar, parece que o cara vai para um planeta que tem algum recurso, alguma iguaria mineral, e v\u00e3o todos falando que \u00e9 uma cr\u00edtica porque l\u00e1 est\u00e3o povos da floresta, existe uma preserva\u00e7\u00e3o, n\u00e3o sei o que mais&#8230;. P\u00f4, a esta altura do campeonato o nego vem com uma conversa dessas? N\u00e3o rola. N\u00e3o rola porque n\u00f3s n\u00e3o somos assim. N\u00f3s somos industriosos, artificiosos, e ainda temos sentimentos, p\u00f4! N\u00f3s somos antinatureza, no sentido que queremos cutuc\u00e1-la com vara cient\u00edfica curta. Olha em volta, cara! O conforto da gente vem da\u00ed, esse \u00e9 o efeito colateral.<\/p>\n<p><b>Voc\u00ea agora escreveu Loirinha Levada, um livro infantil in\u00e9dito. O que \u00e9 isso? Fausto Fawcett escrevendo livro infantil?<br \/><\/b><br \/>(Risos) \u00c9 a hist\u00f3ria de uma menina, o que eu chamo de Sub-12. Se \u00e9 para crian\u00e7as? S\u00f3 para as espertas (risos). \u00c9 uma garota que narra na primeira pessoa, e vai narrando a vida dela, meio blog. Estou ainda no meio do neg\u00f3cio. \u00c9 uma menina bem temperamental, ela diz que tem &#8220;sangue de chefia&#8221;. Ela come\u00e7a falando da vida dela com o irm\u00e3o, mas a\u00ed o irm\u00e3o morre, e ela fica abalada. Os pais se separam, ela se reveza entre pai e m\u00e3e. Ent\u00e3o, essa &#8220;levada&#8221; pode ser levada de travessa ou de quem vai de um lado para outro. Ela come\u00e7a a fazer sucesso em comerciais, e a m\u00e3e quer seu dinheiro. E ela tem um ritmo verbal de rap, tamb\u00e9m tem essa outra &#8220;levada&#8221;.<\/p>\n<p><b>Algum dos seus livros anteriores fez sucesso?<br \/><\/b><br \/>Nenhum deles vendeu, foram vendendo aos poucos. Santa Clara Poltergeist n\u00e3o foi bem, mas foi \u00f3timo de cr\u00edtica. Sempre encontro pessoas que dizem que leram. O livro completa 20 anos agora. No estreit\u00edssimo c\u00edrculo de fic\u00e7\u00e3o cient\u00edfica, entre cyberpunks, cyberneiros, etc., ele virou refer\u00eancia. E o B\u00e1sico Instinto \u00e9 uma onda dos shows do disco. Tamb\u00e9m \u00e9 a mesma coisa, colheu elogios, etc., mas n\u00e3o decolou. Copacabana Lua Cheia fazia parte de uma cole\u00e7\u00e3o, que acabou s\u00f3 tendo tr\u00eas livros editados, que era para dar uma geral no Rio, v\u00e1rios artistas falando de v\u00e1rias regi\u00f5es da cidade. Eu fiquei com o primeiro. E a cole\u00e7\u00e3o acabou abortando ap\u00f3s tr\u00eas livros, nenhum dos tr\u00eas teve sucesso. <\/div>\n<div id=\"wp_fb_like_button\" style=\"margin:5px 0;float:none;height:100px;\"><script src=\"http:\/\/connect.facebook.net\/en_US\/all.js#xfbml=1\"><\/script><fb:like href=\"https:\/\/www.archive.raulmourao.com\/blog\/?p=587\" send=\"false\" layout=\"standard\" width=\"450\" show_faces=\"true\" font=\"arial\" action=\"like\" colorscheme=\"light\"><\/fb:like><\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>texto de Jotab\u00ea Medeiros que saiu no Caderno 2 do Estad\u00e3o essa semana e que eu peguei l\u00e1 no site deles agora. 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