{"id":529,"date":"2009-11-12T19:30:00","date_gmt":"2009-11-12T19:30:00","guid":{"rendered":"https:\/\/raulmourao.com\/blog\/?p=529"},"modified":"2009-11-12T19:30:00","modified_gmt":"2009-11-12T19:30:00","slug":"vergara-explora-carnaval-como-protesto","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.archive.raulmourao.com\/blog\/?p=529","title":{"rendered":"Vergara explora Carnaval como protesto"},"content":{"rendered":"<p>Saiu na Ilustrada de hoje a mat\u00e9ria do SILAS MART\u00cd abaixo, a foto eu peguei <a href=\"http:\/\/www.carlosvergara.art.br\/novo\/pt\/\">l\u00e1 no site do Vergara<\/a>.<\/p>\n<div style=\"text-align: center;\"><a href=\"http:\/\/2.bp.blogspot.com\/_YCtMPf2Ld4Q\/SvxhuHxnOCI\/AAAAAAAACfc\/IKq_whXJO0o\/s1600-h\/zero_zero_vergara.jpg\" imageanchor=\"1\" style=\"margin-left: 1em; margin-right: 1em;\"><img border=\"0\" src=\"http:\/\/2.bp.blogspot.com\/_YCtMPf2Ld4Q\/SvxjBpIpyyI\/AAAAAAAACfk\/hWY22IaucG0\/s400\/zero_zero_vergara.jpg\" \/><\/a><span style=\"font-size: xx-small;\"><span id=\"caption\">Zero Zero, 2001 | Monotipia e vinil s\/ lona crua | 146 x 144cm | Cole\u00e7\u00e3o particular, Rio de Janeiro <\/span><\/span><\/div>\n<p>Carlos Vergara n\u00e3o gosta de estilo nem de entregar composi\u00e7\u00f5es prontas para consumo. Sua retrospectiva no Museu de Arte Moderna do Rio d\u00e1 a dimens\u00e3o fragment\u00e1ria dessa obra. S\u00e3o paisagens quebradi\u00e7as, gravuras que se completam nos poros do papel fotogr\u00e1fico. &#8220;Estilo \u00e9 uma armadilha mais do que tudo&#8221;, diz Vergara, 67.<br \/>&#8220;Meu trabalho tem uma espinha dorsal, uma coer\u00eancia interna, mas n\u00e3o um estilo, o que me deixa mudar o que quiser.&#8221; E muda. Artista que despontou nos anos 60 entre os nomes da nova figura\u00e7\u00e3o, a pop art engajada feita no Brasil, Vergara assumiu depois fotografia e gravura como suportes complementares, juntos no mesmo discurso po\u00e9tico-pol\u00edtico.<br \/>Em &#8220;Texto em Branco&#8221;, um dos primeiros livros de artista produzidos em massa no pa\u00eds, Vergara deixava quase toda a p\u00e1gina vazia, para que o p\u00fablico completasse suas formas. No canto de cada folha, mandou imprimir uma marca vermelha -a gota de sangue como s\u00edmbolo daqueles anos de chumbo.<br \/>No esp\u00edrito da \u00e9poca, que via surgir a est\u00e9tica relacional de Lygia Clark e H\u00e9lio Oiticica, Vergara tamb\u00e9m buscava na participa\u00e7\u00e3o do p\u00fablico um desfecho para suas proposi\u00e7\u00f5es. Cada exemplar do livro teria um destino diferente, embora sejam as originais, em branco, as folhas nesta mostra.<br \/>Do mesmo jeito que seus negativos atacados por fungos foram ampliados com os sinais coloridos da deteriora\u00e7\u00e3o. Gr\u00e3os estourados demais serviram de matriz para suas gravuras, uma geometria constru\u00edda de sinais e marcas do tempo. &#8220;A a\u00e7\u00e3o do tempo \u00e9 incorporada&#8221;, diz Vergara. &#8220;O acaso \u00e9 um dos grandes assistentes do artista. Se ele n\u00e3o est\u00e1 aberto a esse tipo de coisa, tem uma opera\u00e7\u00e3o muito restrita.&#8221;<\/p>\n<p>Cacique de Ramos<br \/>Sem restri\u00e7\u00f5es, a grade que separa o p\u00fablico dos passistas no Carnaval orienta a composi\u00e7\u00e3o dos flagrantes fotogr\u00e1ficos da festa e depois ressurge como tra\u00e7o definidor dos campos crom\u00e1ticos em suas gravuras.<br \/>Nos anos 70, Vergara estudou o Carnaval como se fosse performance. No meio da festa, que ele chama de ritual, descobriu o bloco Cacique de Ramos, em que todos os integrantes se vestiam da mesma maneira. &#8220;A fantasia era recortada sobre o corpo, um peda\u00e7o de pl\u00e1stico e vinil cortado sobre a pele&#8221;, lembra. &#8220;Body art \u00e9 o caralho, body art \u00e9 o Carnaval.&#8221;<br \/>Nas fotografias da \u00e9poca, o protesto pol\u00edtico aparece aliado \u00e0 agita\u00e7\u00e3o fe\u00e9rica dos blocos. Vergara acentua a harmonia poss\u00edvel desse descompasso montando imagens d\u00edspares lado a lado, como se fossem pe\u00e7a \u00fanica. &#8220;Me interessou mais truncar a leitura&#8221;, explica. &#8220;\u00c9 obrigar uma procura de nexo, mesmo que o nexo n\u00e3o exista.&#8221;<\/p>\n<div id=\"wp_fb_like_button\" style=\"margin:5px 0;float:none;height:100px;\"><script src=\"http:\/\/connect.facebook.net\/en_US\/all.js#xfbml=1\"><\/script><fb:like href=\"https:\/\/www.archive.raulmourao.com\/blog\/?p=529\" send=\"false\" layout=\"standard\" width=\"450\" show_faces=\"true\" font=\"arial\" action=\"like\" colorscheme=\"light\"><\/fb:like><\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Saiu na Ilustrada de hoje a mat\u00e9ria do SILAS MART\u00cd abaixo, a foto eu peguei l\u00e1 no site do Vergara. 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