{"id":524,"date":"2009-11-09T15:23:00","date_gmt":"2009-11-09T15:23:00","guid":{"rendered":"https:\/\/raulmourao.com\/blog\/?p=524"},"modified":"2009-11-09T15:23:00","modified_gmt":"2009-11-09T15:23:00","slug":"as-dimensoes-do-traco-mam-abriga-megaexposicao-de-carlos-vergara","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.archive.raulmourao.com\/blog\/?p=524","title":{"rendered":"As dimens\u00f5es do tra\u00e7o: MAM abriga megaexposi\u00e7\u00e3o de Carlos Vergara"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"http:\/\/jbonline.terra.com.br\/editorias\/cultura\/\">Texto do Carlos Hel\u00ed de Almeida no Jornal do Brasil online.<\/a><\/p>\n<div class=\"separator\" style=\"clear: both; text-align: center;\"><a href=\"http:\/\/2.bp.blogspot.com\/_YCtMPf2Ld4Q\/Svgzewg06CI\/AAAAAAAACd8\/Z12AIOanIt8\/s1600-h\/vergara_dimensao_grafica.gif\" imageanchor=\"1\" style=\"margin-left: 1em; margin-right: 1em;\"><img border=\"0\" src=\"http:\/\/2.bp.blogspot.com\/_YCtMPf2Ld4Q\/Svgzewg06CI\/AAAAAAAACd8\/Z12AIOanIt8\/s400\/vergara_dimensao_grafica.gif\" \/><\/a><\/div>\n<p>RIO DE JANEIRO &#8211; Ainda em seu est\u00fadio em Santa Teresa, uma escola transformada em ateli\u00ea, Carlos Vergara vai logo avisando que n\u00e3o gosta de mexer em gavetas, de \u201colhar para tr\u00e1s, ou para o pr\u00f3prio umbigo\u201d. \u00c9 por isso que o artista pl\u00e1stico ga\u00facho de 67 anos faz quest\u00e3o de ressaltar que a exposi\u00e7\u00e3o Carlos Vergara: A dimens\u00e3o gr\u00e1fica \u2013 Uma outra energia silenciosa, conjunto de 200 trabalhos realizados pelo artista ao longo das \u00faltimas cinco d\u00e9cadas que ocup o espa\u00e7o monumental do Museu de Arte Moderna (MAM) a partir de quinta-feira, n\u00e3o deve ser vista como uma retrospectiva.<\/p>\n<p>\u2013 Fiquei conhecido como pintor, apesar de trabalhar com diferentes suportes e processos de produ\u00e7\u00e3o. Essa exposi\u00e7\u00e3o quer revelar um aspecto que tem sido sombreado por essa reputa\u00e7\u00e3o, que \u00e9 a do artista com um linha gr\u00e1fica muito forte, caracter\u00edstica constante da minha trajet\u00f3ria \u2013 informa Vergara, antes de reunir sua equipe e partir em dire\u00e7\u00e3o ao MAM, para mais um dia de montagem. \u2013 \u00c9 por isso que a exposi\u00e7\u00e3o tem poucas coisas produzidas nos anos 80, per\u00edodo em que me dediquei quase exclusivamente \u00e0 pintura.<\/p>\n<p>Da d\u00e9cada devotada a experi\u00eancias pict\u00f3ricas, s\u00f3 alguns dos croquis que as originaram passaram pelo crivo do colecionador Goerge Kornis, curador da mostra. A proposta era justamente essa, dar destaque a linguagem gr\u00e1fica que atravessa a produ\u00e7\u00e3o de Vergara, presente em desenhos, monotipias, fotografias, gravuras, instala\u00e7\u00f5es e pe\u00e7as em tr\u00eas dimens\u00f5es. A exposi\u00e7\u00e3o receber\u00e1 obras nunca mostradas antes aos cariocas, como a Capela do Morumbi (1992), formada por quatro monotipias em papel de poli\u00e9ster de 5 x 8m, presas a uma estrutura de ferro que lembra traves de futebol.<\/p>\n<p>\u2013 As monotipias da Capela ser\u00e3o iluminadas pelos dois lados por luzes presas ao teto, para dar a ilus\u00e3o de transpar\u00eancia. E as pessoas poder\u00e3o circular livremente entre elas. Eu a chamo de Assim caminha a humanidade \u2013 brinca o artista, apontando para as pegadas e marcas de pneus de bicicleta dos auxiliares envolvidos com a feitura das monotipias. \u2013 Meus trabalhos costumam incorporar contribui\u00e7\u00f5es humanas ou os sinais da passagem do tempo.<\/p>\n<p>A exposi\u00e7\u00e3o n\u00e3o foi montada segundo um crit\u00e9rio cronol\u00f3gico, mas em torno de temas presentes na produ\u00e7\u00e3o de Vergara: indiv\u00edduo e coletividade; espa\u00e7o e tempo, cor e forma, e os materiais usados pelo artista. A Capela do Morumbi ocupar\u00e1 o centro do primeiro andar do museu. As paredes do espa\u00e7o monumental, de p\u00e9 direito muito alto, ser\u00e3o ocupadas por monotipias de grandes dimens\u00f5es, os registros fotogr\u00e1ficos dos carnavais do Cacique de Ramos, realizados entre 1972 e 1976. Ao fundo ficar\u00e1 outra pe\u00e7a grandiosa: o painel de desenhos feito para a Bienal de Veneza, em 1980.<\/p>\n<p>A obra, com 20 metros de comprimento, s\u00f3 foi vista no Rio uma \u00fanica vez, e para um p\u00fablico bastante restrito. Vegara a montou para amigos no palco do Canec\u00e3o numa segunda-feira, dia de descanso do espet\u00e1culo Saudades do Brasil, de Elis Regina \u2013 ele criara a capa do disco e o cen\u00e1rio do show hom\u00f4nimo da cantora. Era a \u00fanica chance de v\u00ea-la montada por inteiro antes de embarcar para a It\u00e1lia. Depois disso, o painel da Bienal de Veneza s\u00f3 foi mostrado uma vez naquele mesmo ano, numa galeria paulista, e durante uma retrospectiva sobre o artista em Porto Alegre, em 2003.<\/p>\n<p>As duas salas do espa\u00e7o monumental ser\u00e3o ocupadas por trabalhos em papel, como desenhos, fotografias e gravuras, como as da s\u00e9rie 5 problemas 5 estampas, que inspirou um document\u00e1rio que est\u00e1 sendo realizado pela produtora Matizar. A exposi\u00e7\u00e3o A dimens\u00e3o gr\u00e1fica \u2013 Uma outra energia silenciosa, que fica em cartaz at\u00e9 12 de mar\u00e7o, reconhece tamb\u00e9m o valor da faceta pop do artista, que desenvolveu capas de livros, discos e pain\u00e9is para empresas particulares, como a Varig, entre o final dos anos 60 e a d\u00e9cada de 70. Numa \u00e9poca em que a arte podia funcionar como instrumento de conscientiza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, Vergara criou para nomes da literatura, como Ant\u00f4nio Callado, Julio Cort\u00e1zar e Ed McBain, e da m\u00fasica popular brasileira, como Elis Regina, Fagner, Edu Lobo, Ritchie, MPB4 e at\u00e9 o Trio El\u00e9trico de Dod\u00f4 e Osmar.<\/p>\n<p>\u2013 Nos anos 60, havia um esfor\u00e7o de difus\u00e3o da arte em duas frentes. At\u00e9 em fun\u00e7\u00e3o da repress\u00e3o da ditadura na \u00e9poca, os trabalhos podiam ter um cunho pol\u00edtico muito forte. Alguns eram bastantes panflet\u00e1rios, uma forma de discutir ideias antifacistas. Por outro lado, tamb\u00e9m os artistas pl\u00e1sticos investiam em trabalhos que pudessem ser multiplicados, em s\u00e9ries de 200 e 300 pe\u00e7as, o que tornava a arte mais acess\u00edvel. Comprava-se arte para dar de presente de anivers\u00e1rio, de casamento \u2013 lembra Vergara, um dos fundadores das feiras itinerantes que resultaram na cria\u00e7\u00e3o da feira de Ipanema.<\/p>\n<p>17:39 &#8211; 07\/11\/2009<\/p>\n<div id=\"wp_fb_like_button\" style=\"margin:5px 0;float:none;height:100px;\"><script src=\"http:\/\/connect.facebook.net\/en_US\/all.js#xfbml=1\"><\/script><fb:like href=\"https:\/\/www.archive.raulmourao.com\/blog\/?p=524\" send=\"false\" layout=\"standard\" width=\"450\" show_faces=\"true\" font=\"arial\" action=\"like\" colorscheme=\"light\"><\/fb:like><\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Texto do Carlos Hel\u00ed de Almeida no Jornal do Brasil online. 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