{"id":512,"date":"2009-10-28T01:43:00","date_gmt":"2009-10-28T01:43:00","guid":{"rendered":"https:\/\/raulmourao.com\/blog\/?p=512"},"modified":"2009-10-28T01:43:00","modified_gmt":"2009-10-28T01:43:00","slug":"httpobjetosimobjetonao-blogspot-com","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.archive.raulmourao.com\/blog\/?p=512","title":{"rendered":"http:\/\/objetosimobjetonao.blogspot.com\/"},"content":{"rendered":"<div class=\"separator\" style=\"clear: both; text-align: center;\"><a href=\"http:\/\/1.bp.blogspot.com\/_YCtMPf2Ld4Q\/SuegKtVVk_I\/AAAAAAAACb8\/ZqBLtZUGcgE\/s1600-h\/Imagem12.png\" imageanchor=\"1\" style=\"margin-left: 1em; margin-right: 1em;\"><img loading=\"lazy\" border=\"0\" height=\"258\" src=\"http:\/\/1.bp.blogspot.com\/_YCtMPf2Ld4Q\/SuegKtVVk_I\/AAAAAAAACb8\/ZqBLtZUGcgE\/s320\/Imagem12.png\" width=\"320\" \/><\/a><\/div>\n<p>FREDERICO COELHO (jovem pai curador assistente do museu de arte moderna dj mir\u00f3 e outras coisas mais) colocou o texto abaixo la no <a href=\"http:\/\/objetosimobjetonao.blogspot.com\/\">blog dele<\/a>. texto bom pra caralho.<\/p>\n<h2 class=\"entry-title\" style=\"font-weight: normal;\"><span style=\"font-size: small;\"><a class=\"entry-title-link\" href=\"http:\/\/objetosimobjetonao.blogspot.com\/2009\/10\/fabula-sobre-o-tempo.html\" target=\"_blank\">f\u00e1bula sobre o tempo<\/a><\/span><\/h2>\n<div class=\"separator\" style=\"clear: both; text-align: center;\"><a href=\"http:\/\/2.bp.blogspot.com\/_YCtMPf2Ld4Q\/SuehpJnov2I\/AAAAAAAACcE\/7unmG9ir22E\/s1600-h\/mao_fred_coelho.jpg\" imageanchor=\"1\" style=\"margin-left: 1em; margin-right: 1em;\"><img border=\"0\" src=\"http:\/\/2.bp.blogspot.com\/_YCtMPf2Ld4Q\/SuehpJnov2I\/AAAAAAAACcE\/7unmG9ir22E\/s400\/mao_fred_coelho.jpg\" \/><\/a><\/div>\n<p>as vezes voc\u00ea acorda e olha o tempo. ele \u00e9 o mesmo, o mesmo, o mesmo. mas diferente. as vezes voc\u00ea acorda e pisa no ch\u00e3o com o p\u00e9 direito. sua vida se expande em segundos. se esvai nos olhos carinhosos e perdidos dos c\u00e3es. na rua, as coisas avan\u00e7am selvagens. belas pessoas morrem. sonhos tornam-se fogo na madrugada. acumulando raiva e rancor. voc\u00ea olha o dia: mais um. e o tempo? passarinho Bandeira, boitempo Drummond, l\u00e2mina Cabral, o tempo preciso e exato, po\u00e9tico, do baterista. domine o tempo, diz o signo. guarde o tempo, diz o of\u00edcio. abandone o tempo, diz a morte. ame como nunca o tempo, dizem as filhas. o tempo atravessa e de repente voc\u00ea olha o jovem que um dia foi voc\u00ea e ele n\u00e3o \u00e9 mais voc\u00ea. voc\u00ea \u00e9 o outro. cruza a linha e se der sorte, entende e se torna uma pessoa mais leve, menos urgente, mais presente consigo mesmo. seus parentes envelhecem em flor e beleza. seus amigos ficam longe, mas cada dia mais profundos em seu cora\u00e7\u00e3o. a presen\u00e7a da pessoa amada torna-se a forma mais saud\u00e1vel, inteligente e feliz de estar no mundo. pois o tempo carcome, espiral Lispector, absurdo Cort\u00e1zar, embriaguez Nelson Cavaquinho. o tempo faz com que voc\u00ea se choque quando voc\u00ea l\u00ea a frase do escritor no livro que fala sobre perda e morte em cada p\u00e1gina, a frase &#8220;era um homem de 30 anos&#8221;. o mundo \u00e9 dos jovens, somos t\u00e3o jovens, quem n\u00e3o \u00e9 jovem? quem quer ser jovem? historinha exemplar ouvida na esquina da conde de iraj\u00e1 na barraca do chaveiro tricolor: o tempo senta-se em uma mesa de bar e come\u00e7a a explicar como a hist\u00f3ria evapora, como a cren\u00e7a salva, como o homem acredita na mesma ladainha, a mesma ladainha, todos os dias. o tempo, j\u00e1 com quatro rabo de galo na mente explica como ele nos obriga a olhar o rel\u00f3gio. comer. vestir. olhar o c\u00e9u. \u00f4nibus. f\u00faria. asfalto. \u00e1rvore. dinheiro. rango. vaso. todos os dias. o tempo arrota de que valem os quilos de livros as horas de imagens as hordas de palavras ao vento o trabalho di\u00e1rio a arquitetura de vidro os grandes prados mortos as cruzes Mal\u00e9vitch as ruas desertas e sujas, os pap\u00e9is rasgados e queimados Torquato a calma esplendor Caymmi os sil\u00eancios urbanos entulhados de ru\u00eddo Cage o prazer do texto Barthes o lugar p\u00fablico Agrippino a coisa e l\u00f4sa o p\u00e1 e pum o bricbrac o xenhen\u00e9m o vem que tem o vai que \u00e9 tua o nheconheco o sinira o ca\u00f4 o transtorni o crazy ballhead o cascudo o funesto o malungo o tempo glorioso do curtume carioca de olaria das lojas elite da pra\u00e7a das na\u00e7\u00f5es do caf\u00e9 capital do jud\u00f4 no sesc de ramos da batata em redinha vermelha do sabar\u00e1 da vila cruzeiro da linha do trem da casa de praia de muriqui da pipa avoada da marimba do golzinho do pique pega do pique bandeira do pique esconde do pau a pique o tempo batia na mesa e bravatava do que vale todos os sons que ruminamos no bom dia oi e a\u00ed tudo bem e eis que <i>de repente <\/i>um senhor espacial paramentado com o capacete das vibra\u00e7\u00f5es positivas e mil espelhos que refletidos viram dez mil espelhos para quem o olha diz em dialeto burning spear para o tempo: sil\u00eancio. com os olhos fixos e em brasa fuma\u00e7ando mirando bem no oco do tempo ele diz voc\u00ea, meu caro, voc\u00ea, para mim, \u00e9 mat\u00e9ria-prima. eu te domino, eu te atraso eu te avan\u00e7o eu te pulo eu te esfuma\u00e7o eu te esgano eu te eco eu te brenfa eu te teco eu te ben\u00e7\u00e3o eu te reto eu te curvo eu te amo. o tempo descontrolado pergunta pelos quatro cantos do mundo quem \u00e9 o homenzinho que o desafia e o homenzinho responde, baixinho sorrindo quase calado: my name is lee scratch perry.<\/p>\n<div id=\"wp_fb_like_button\" style=\"margin:5px 0;float:none;height:100px;\"><script src=\"http:\/\/connect.facebook.net\/en_US\/all.js#xfbml=1\"><\/script><fb:like href=\"https:\/\/www.archive.raulmourao.com\/blog\/?p=512\" send=\"false\" layout=\"standard\" width=\"450\" show_faces=\"true\" font=\"arial\" action=\"like\" colorscheme=\"light\"><\/fb:like><\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>FREDERICO COELHO (jovem pai curador assistente do museu de arte moderna dj mir\u00f3 e outras coisas mais) colocou o texto abaixo la no blog dele. texto bom pra caralho. f\u00e1bula sobre o tempo as vezes voc\u00ea acorda e olha o tempo. ele \u00e9 o mesmo, o mesmo, o mesmo. mas diferente. as vezes voc\u00ea acorda &hellip;<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.archive.raulmourao.com\/blog\/?p=512\" class=\"more-link\">Read More<\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[1],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.archive.raulmourao.com\/blog\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/512"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.archive.raulmourao.com\/blog\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.archive.raulmourao.com\/blog\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.archive.raulmourao.com\/blog\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.archive.raulmourao.com\/blog\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=512"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.archive.raulmourao.com\/blog\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/512\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.archive.raulmourao.com\/blog\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=512"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.archive.raulmourao.com\/blog\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=512"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.archive.raulmourao.com\/blog\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=512"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}