{"id":501,"date":"2009-10-21T09:50:00","date_gmt":"2009-10-21T09:50:00","guid":{"rendered":"https:\/\/raulmourao.com\/blog\/?p=501"},"modified":"2009-10-21T09:50:00","modified_gmt":"2009-10-21T09:50:00","slug":"ainda-ho-ou-um-pouco-de-historia-nao-faz-mal-a-ninguem","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.archive.raulmourao.com\/blog\/?p=501","title":{"rendered":"Ainda HO ou um pouco de hist\u00f3ria n\u00e3o faz mal a ningu\u00e9m"},"content":{"rendered":"<p>Frederico Coelho escreveu l\u00e1 em seu blog <a href=\"http:\/\/objetosimobjetonao.blogspot.com\/\">objeto sim objeto n\u00e3o<\/a>.<\/p>\n<div class=\"separator\" style=\"clear: both; text-align: center;\"><a href=\"http:\/\/1.bp.blogspot.com\/_YCtMPf2Ld4Q\/St7ZOdy7xZI\/AAAAAAAACZU\/CgTSOEf78OA\/s1600-h\/helio_oiticica.jpg\" imageanchor=\"1\" style=\"clear: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;\"><img border=\"0\" src=\"http:\/\/1.bp.blogspot.com\/_YCtMPf2Ld4Q\/St7ZOdy7xZI\/AAAAAAAACZU\/CgTSOEf78OA\/s400\/helio_oiticica.jpg\" \/><\/a><\/div>\n<p>1) O texto abaixo \u00e9 fruto de uma fala de Luciano Figueiredo, um dos curadores e principal articulador e divulgador da obra de H\u00e9lio Oiticica, feita em 1999 no Museu da Rep\u00fablica. O motivo da fala era um semin\u00e1rio intitulado <em>Semin\u00e1rio Internacional Museu em Transforma\u00e7\u00e3o: as novas identidades dos museus<\/em>, entre 11 e 15 de setembro de 1996. Ou seja, treze anos atr\u00e1s.<\/p>\n<p>A fala de Luciano \u2013 e antes que digam algo contra Luciano, artistas pl\u00e1stico, designer, curador e cr\u00edtico, deixo logo claro que prefiro algu\u00e9m que cuide com zelo extremado de uma obra do que algu\u00e9m que n\u00e3o cuida de nada e acha f\u00e1cil transferir responsabilidades e apontar erros alheios com a bunda na cadeira \u2013 \u00e9 um resumo sobre o SENTIDO da obra de HO e de sua manuten\u00e7\u00e3o que, venho insistindo, era (e ainda \u00e9, seja onde estiver pois ela n\u00e3o acabou por inteiro) extremamente complexa de ser guardada, mantida e preservada. A fala de Luciano \u00e9 datada do momento em que o Centro de Arte H\u00e9lio Oiticica tinha sido fundado. Reparem como no come\u00e7o de tudo, a fam\u00edlia e o projeto HO estavam cem por cento voltados para a parceira, o comodato e a aceita\u00e7\u00e3o do Centro como espa\u00e7o leg\u00edtimo do acervo. O que ocorreu nesses \u00faltimos treze anos \u00e9 que s\u00e3o elas. Antes de buscarmos culpados, estudemos as hist\u00f3rias.<\/p>\n<p>2) Antes de transcrever o texto, uma opini\u00e3o pessoal sobre a perda da obra de HO no inc\u00eandio: a dor maior, para al\u00e9m do valor financeiro, hist\u00f3rico e cultural, foi a frustra\u00e7\u00e3o de um minucioso plano de vida\/morte que Oiticica tra\u00e7ou para si mesmo e sua obra. Artista e pensador que equilibrou como poucos o arquivista voraz e met\u00f3dico com o homem que vivia apenas a fugacidade do momento em sua plena pot\u00eancia, a queima de seu arquivo \u00e9, em parte, a morte de seu projeto de vida, como Luciano deixa claro no texto que reproduzo aqui. E por fim, precisa ser dito que as obras queimaram, mas o pensamento e os escritos (milhares!) de HO mal come\u00e7aram a serem lidos e divulgados para al\u00e9m do circuito de pesquisadores interessados nele. Que a morte do acervo sirva como a liberta\u00e7\u00e3o de suas id\u00e9ias. Chega de fetiches sobre Mangueira e Parangol\u00e9, que venha a descoberta de um novo patamar de seu universos estico e po\u00e9tico.<\/p>\n<p>3) texto de Luciano Figueiredo, 1996 (grifos meus)<\/p>\n<p>Rigorosamente falando, podemos dizer que a cole\u00e7\u00e3o de obras que forma o acervo do Projeto H\u00e9lio Oiticica foi realizada e organizada por H\u00e9lio Oiticica como um s\u00f3 corpo, ou seja, toda a sua produ\u00e7\u00e3o de obras que se inicia nas d\u00e9cadas de 50 e 60 foi por ele executada como um todo, ou, como o pr\u00f3prio Oiticica viria a defini-la em seus \u00faltimos anos como uma id\u00e9ia de \u201cwork in progress\u201d, trabalho em progresso. <strong>N\u00e3o tivesse H\u00e9lio Oiticica mantido a sua produ\u00e7\u00e3o art\u00edstica praticamente fora do circuito comercial das especula\u00e7\u00f5es mercadol\u00f3gicas e tamb\u00e9m institucionais, conduzindo esta produ\u00e7\u00e3o sob rigor pessoal e decidindo exatamente quando e onde mostrar suas obras nas pouqu\u00edssimas exposi\u00e7\u00f5es em que participou, dificilmente seria poss\u00edvel hoje para n\u00f3s fazer uma id\u00e9ia de sua singularidade ou apreci\u00e1-la plenamente.<\/strong> Sabemos de sobra que a obra de H\u00e9lio Oiticica foi resultado da explora\u00e7\u00e3o art\u00edstica brasileira da d\u00e9cada de 60 e que este \u00e9 um per\u00edodo de nossa Hist\u00f3ria da Arte marcado pelo surgimento de novas id\u00e9ias, novos caminhos e novas express\u00f5es.<\/p>\n<p>As obras dos artistas do movimento neoconcreto questionaram irreversivelmente a exclusividade das categorias pl\u00e1sticas de ent\u00e3o e, nesse sentido, a experi\u00eancia neoconcreta representa um dos est\u00e1gios mais originais da hist\u00f3ria das vanguardas no Brasil; novas individualiza\u00e7\u00f5es e ideais fora dos c\u00e2nones tradicionais da arte. Assim <strong>podemos situar a produ\u00e7\u00e3o de Oiticica como um programa de proposi\u00e7\u00f5es art\u00edstica sem precedentes dentro do sistema museol\u00f3gico ou mesmo institucional.<\/strong> Diante disso, talvez explique-se a posi\u00e7\u00e3o estrat\u00e9gica que o pr\u00f3prio Oiticica definiu e demarcou para sua obra, atrav\u00e9s de suas ordens conceituais. Estamos falando ent\u00e3o de um artista que concebeu, fundamentou e refletiu a pr\u00f3pria obra de maneira sui generis. <strong>Estamos falando de um artista que colecionou antes de todos n\u00f3s sua pr\u00f3pria obra, opondo-se ao sistema comercial e mercadol\u00f3gico da arte. Oiticica praticamente n\u00e3o permitiu que esses viessem de qualquer forma a interferir com seu rigor conceitual ou seu processo de cria<\/strong>\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Foi precisamente durante a d\u00e9cada de 60 que Oiticica radicalizou posi\u00e7\u00f5es art\u00edsticas, \u00e9tica e ideol\u00f3gicas frente a poss\u00edveis incorpora\u00e7\u00f5es ou mesmo absor\u00e7\u00f5es de suas obras pelo sistema institucional que duramente questionou. Portanto, quando lembramos hoje de tais posi\u00e7\u00f5es e estrat\u00e9gias que o artista estabeleceu para a pr\u00f3pria obra, queremos mostrar que as mesmas lograram \u00eaxito em seus objetivos, pois sua obra foi de fato preservada. Se hoje torna-se vi\u00e1vel uma rela\u00e7\u00e3o institucional com a obra de Oiticica e isto vem a parecer algo paradoxal, creio que devemos tentar discutir a quest\u00e3o aos olhos da din\u00e2mica conceitual que possu\u00edmos hoje, pois facilmente podemos concluir que H\u00e9lio Oiticica \u2013 antimuseu, antimercado, anti-institui\u00e7\u00e3o \u2013 deveria permanecer como tal. Ora, <strong>o pr\u00f3prio fato de ter sido poss\u00edvel existir hoje uma institui\u00e7\u00e3o que tem o nome do artista e abriga o conjunto de obras que produziu \u00e9 bastante revelador da vit\u00f3ria cultural desse legado art\u00edstico para a arte brasileira e universal.<\/strong> <strong>Tivesse esse conjunto de obras sido dispersado ou aleatoriamente espalhado em cole\u00e7\u00f5es privadas, ou em diversos museus, como teria sido poss\u00edvel a preserva\u00e7\u00e3o de seu significado tal como o artista concebeu? Que lugar estaria ocupando hoje na arte brasileira? <\/strong>A institui\u00e7\u00e3o, o Projeto HO, foi criada em 1981 por C\u00e9sar e Claudio Oiticica, irm\u00e3os de H\u00e9lio, e amigos com conhecimentos t\u00e9cnico e conceitual que voluntariamente realizaram estudos e pesquisas tornando poss\u00edvel hoje a aprecia\u00e7\u00e3o p\u00fablica da vasta produ\u00e7\u00e3o desse artista.<\/p>\n<p>Este post \u00e9 dedicado aos Oiticica C\u00e9sar e Cesar Filho, a Luciano Figueiredo, Waly Salom\u00e3o e Andreas Valentin.<br \/><a name='more'><\/a><\/p>\n<div id=\"wp_fb_like_button\" style=\"margin:5px 0;float:none;height:100px;\"><script src=\"http:\/\/connect.facebook.net\/en_US\/all.js#xfbml=1\"><\/script><fb:like href=\"https:\/\/www.archive.raulmourao.com\/blog\/?p=501\" send=\"false\" layout=\"standard\" width=\"450\" show_faces=\"true\" font=\"arial\" action=\"like\" colorscheme=\"light\"><\/fb:like><\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Frederico Coelho escreveu l\u00e1 em seu blog objeto sim objeto n\u00e3o. 1) O texto abaixo \u00e9 fruto de uma fala de Luciano Figueiredo, um dos curadores e principal articulador e divulgador da obra de H\u00e9lio Oiticica, feita em 1999 no Museu da Rep\u00fablica. 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