{"id":488,"date":"2009-10-14T07:29:00","date_gmt":"2009-10-14T07:29:00","guid":{"rendered":"https:\/\/raulmourao.com\/blog\/?p=488"},"modified":"2009-10-14T07:29:00","modified_gmt":"2009-10-14T07:29:00","slug":"entrevista-com-roberto-berliner","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.archive.raulmourao.com\/blog\/?p=488","title":{"rendered":"Entrevista com Roberto Berliner"},"content":{"rendered":"<p>l\u00e1 do <a href=\"http:\/\/osparalamas.uol.com.br\/artigos-blog\">blog d&#8217;Os Paralamas<\/a>.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/osparalamas.uol.com.br\/blog\/img\/lightbox\/imagem4_1255151515.jpg\" rel=\"lightbox\" title=\"Roberto Berliner \u00e9 o flamenguista \u00e0 direita\"><img loading=\"lazy\" alt=\"Roberto Berliner \u00e9 o flamenguista \u00e0 direita\" class=\"border\" height=\"287\" src=\"http:\/\/osparalamas.uol.com.br\/blog\/img\/gd\/imagem4_1255151515.jpg\" title=\"Roberto Berliner \u00e9 o flamenguista \u00e0 direita\" width=\"380\" \/><\/a>    <\/p>\n<div class=\"caption\" style=\"background-color: #cccccc; color: #666666;\"><span style=\"font-size: x-small;\">Roberto Berliner \u00e9 o flamenguista \u00e0 direita   &nbsp;(foto: Mauricio Valladares)   <\/span><\/div>\n<p>S\u00e3o quase tr\u00eas d\u00e9cadas de uma forte amizade e cumplicidade. Roberto Berliner come\u00e7ava a carreira de videomaker enquanto Os Paralamas iniciavam a busca por um lugar ao sol, tocando no Circo Voador.<\/p>\n<p>De l\u00e1 pra c\u00e1 Berliner j\u00e1 dirigiu um grande n\u00famero de videoclipes, document\u00e1rios, filmes&#8230; Poucos se lembram de &#8220;V&#8221;, uma esp\u00e9cie de document\u00e1rio sobre os Paralamas lan\u00e7ado no fim da d\u00e9cada de 80. Foi feito por ele. O acervo generoso de imagens dos Paralamas foi ficando cada vez mais rico e valioso com o passar dos anos e o aumento de hits paral\u00e2micos na hist\u00f3ria da m\u00fasica popular brasilera. E disso nasceu &#8220;Herbert De Perto&#8221;, document\u00e1rio em longa metragem, dirigido pelo Roberto e pelo Pedro Bronz que foi lan\u00e7ado sexta passada. <\/p>\n<p>Berliner deu uma entrevista exclusiva para o site da banda e revelou um pouco dessa rela\u00e7\u00e3o intensa rela\u00e7\u00e3o com a banda.<\/p>\n<p><b>Voc\u00ea conhece a banda desde quando? Como foi o primeiro contato?<\/b><\/p>\n<p>Conheci os Paralamas em 83 . Foi no Circo Voador, onde eu filmava tudo em VHS e onde as novas bandas de rock, que estavam come\u00e7ando, tinham um espa\u00e7o aberto pra tocar.<\/p>\n<p><b>O que te fez resolver come\u00e7ar a gravar imagens daqueles jovens, l\u00e1 no in\u00edcio dos anos 80? Voc\u00ea via alguma coisa de diferente na banda ou era s\u00f3 o v\u00edcio de videomaker mesmo?<\/b><\/p>\n<p>Via muita coisa diferente. Uma nova gera\u00e7\u00e3o de artistas de todas as \u00e1reas se juntou debaixo da lona do Circo pra ocupar um espa\u00e7o que n\u00e3o tinham. E como era um espa\u00e7o novo, praticamente sem regras. Ali experimentaram tudo que podiam. E eu estava l\u00e1 e registrei tudo isso. Dali surgiram grandes nomes de todas as \u00e1reas que hoje est\u00e3o consolidados. Foi um momento especial, surgiram id\u00e9ias e comportamentos que iriam mexer na forma de fazer m\u00fasica no Brasil. <\/p>\n<p><b>Hoje em dia ficou f\u00e1cil toda banda se filmar, registrar desde o primeiro ensaio e subir tudo na internet. Como era filmar bandas independentes ou em in\u00edcio de carreira no meio dos anos 80?<br \/><\/b><\/p>\n<p>Era diferente, n\u00e3o se dava a import\u00e2ncia que se d\u00e1 hoje pra imagem. Quando eu chegava com a c\u00e2mera era uma coisa secund\u00e1ria, ningu\u00e9m dava muita bola. O meu comportamento era parecido com o que se faz hoje. Eu tinha uma moto e uma c\u00e2mera. Amarrava ela no bagageiro e me mandava pra onde fosse. muitas vezes cobrava s\u00f3 o valor da fita. O meu neg\u00f3cio era filmar. <\/p>\n<p><b> Os Paralamas sempre estiveram a frente das inova\u00e7\u00f5es de linguagens est\u00e9ticas, n\u00e3o s\u00f3 musicais, mas tamb\u00e9m visuais e voc\u00ea foi um dos pilares dessa hist\u00f3ria. Como voc\u00ea observa essa rela\u00e7\u00e3o artes visuais (capas, fotos, clipes, etc) x m\u00fasica, especialmente no caso da banda?<\/b><\/p>\n<p>Acho que isso foi conduzido por eles. Uma turma que foi se juntando naturalmente. O Maur\u00edcio Valadares com as fotos, alguns artistas pl\u00e1sticos que fizeram capas. Tudo foi resultado da trajet\u00f3ria deles. Em cada disco aparecia algu\u00e9m diferente. E os que se identificavam mais foram ficando. Essa turma foi construindo a imagem da banda junto com eles, que sempre souberam o que queriam e o que n\u00e3o queriam. Fiz o meu 1\u00ba clipe para Os Paralamas em 86, a m\u00fasica era &#8220;Alagados&#8221;. O LP foi uma grande guinada na carreira deles. O som e os temas eram uma mistura que vinha da Africa, Jamaica e Brasil. Um LP especial. E eu trouxe um tom de document\u00e1rio brasileiro, o contr\u00e1rio da tend\u00eancia do videoclipe dessa \u00e9poca que abusava de efeitos, fuma\u00e7as, maquiagem, est\u00fadio. Fomos pra rua, ver gente real. Baile funk na quadra da Est\u00e1cio, Vila Mimosa, morro do S\u00e3o Carlos, brasileiros pobres. Tentei fazer o mesmo movimento deles e popularizar a imagem deles.<\/p>\n<p><b>H\u00e1 alguma outra banda que tenha criado um acervo documental ou algum diretor que tivesse feito algo assim e que te inspirasse a come\u00e7ar a filmar esse tipo de material? Hoje em dia, teve algum acervo que tenha se revelado e que voc\u00ea admire?<\/b><\/p>\n<p>A minha maior refer\u00eancia era o documentario brasileiro e toda coisa do cinema nacional com a c\u00e2mera na m\u00e3o. &#8220;The hard they come&#8221; de Perry Henzell foi uma das minhas refer\u00eancias.<\/p>\n<p><b>O processo de produ\u00e7\u00e3o do document\u00e1rio &#8220;De perto&#8221;, sobre o Herbert Vianna, j\u00e1 estava em curso na \u00e9poca do acidente dele? Conte um pouco da hist\u00f3ria desse projeto.<\/b><\/p>\n<p>Quando acontece o acidente a gente ia pro hospital e ficava l\u00e1 de prontid\u00e3o, sem nada pra fazer. Assim que saiu do coma, o Herbert falava em v\u00e1rias l\u00ednguas, misturava portugu\u00eas, espanhol e ingl\u00eas, sempre rimando. Ele estava se reconectando e fazia isso atrav\u00e9s da m\u00fasica. Ent\u00e3o os m\u00fasicos foram tocar, os m\u00e9dicos tratar dele, e eu achei que eu s\u00f3 poderia ajudar filmando, mas era um momento muito delicado. Apesar de sempre levar uma c\u00e2mera comigo, n\u00e3o filmei. A preocupa\u00e7\u00e3o era se ele ia sobreviver. Depois, \u00e0 medida que ele foi se recuperando, tomei coragem, falei com o Z\u00e9 (Fortes, empres\u00e1rio da banda) e recome\u00e7amos a filmar.<\/p>\n<p><b>Nos anos 60, O J\u00falio Bressane rodou um document\u00e1rio de nome parecido, chamado &#8220;Beth\u00e2nia bem de perto&#8221;, que tamb\u00e9m pega imagens de uma artista iniciante em evolu\u00e7\u00e3o. Apesar de o foco do seu document\u00e1rio n\u00e3o ser apenas o in\u00edcio da carreira do Herbert, de alguma forma, voc\u00ea prev\u00ea um di\u00e1logo est\u00e9tico do seu filme com esse ou \u00e9 s\u00f3 uma semelhan\u00e7a de nomes? <br \/><\/b><br \/>\u00c9 s\u00f3 uma semelha\u00e7a de nomes. infelizmente n\u00e3o vi o filme do bressane.<\/p>\n<p><b>Se voc\u00ea fosse apresentar seu filme em uma sala repleta de membros dos f\u00e3-clubes dos Paralamas que nunca tivessem visto nenhuma imagem do que viria a seguir. O que voc\u00ea diria?<br \/><\/b><br \/>Curtam o filme. Esse filme \u00e9 &#8220;de perto&#8221; porque \u00e9 feito por um admirador e amigo.<\/p>\n<p><b>Muito se fala do quanto Os Paralamas conseguiram se fixar no inconsciente de uma gera\u00e7\u00e3o por ter embalado diversos momentos importantes na vida das pessoas. Na sua, especialmente, h\u00e1 algum momento mais significativo da rela\u00e7\u00e3o pessoal e afetiva com a m\u00fasica dos caras? Algum epis\u00f3dio mais marcante, alguma m\u00fasica que se destaque em uma hist\u00f3ria pessoal&#8230; <\/b><\/p>\n<p>S\u00e3o varias. Foi no show de lan\u00e7amento do Big Bang que eu conheci a minha mulher, em 1989. Daquele show ficou especialmente a m\u00fasica &#8220;Lanterna dos Afogados&#8221;.<\/p>\n<div id=\"wp_fb_like_button\" style=\"margin:5px 0;float:none;height:100px;\"><script src=\"http:\/\/connect.facebook.net\/en_US\/all.js#xfbml=1\"><\/script><fb:like href=\"https:\/\/www.archive.raulmourao.com\/blog\/?p=488\" send=\"false\" layout=\"standard\" width=\"450\" show_faces=\"true\" font=\"arial\" action=\"like\" colorscheme=\"light\"><\/fb:like><\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>l\u00e1 do blog d&#8217;Os Paralamas. Roberto Berliner \u00e9 o flamenguista \u00e0 direita &nbsp;(foto: Mauricio Valladares) S\u00e3o quase tr\u00eas d\u00e9cadas de uma forte amizade e cumplicidade. Roberto Berliner come\u00e7ava a carreira de videomaker enquanto Os Paralamas iniciavam a busca por um lugar ao sol, tocando no Circo Voador. 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