{"id":447,"date":"2009-09-07T13:34:00","date_gmt":"2009-09-07T13:34:00","guid":{"rendered":"https:\/\/raulmourao.com\/blog\/?p=447"},"modified":"2009-09-07T13:34:00","modified_gmt":"2009-09-07T13:34:00","slug":"a-cidade-da-musica-de-uma-nota-so","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.archive.raulmourao.com\/blog\/?p=447","title":{"rendered":"A \u201cCidade da M\u00fasica\u201d de uma nota s\u00f3"},"content":{"rendered":"<p><a onblur=\"try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}\" href=\"http:\/\/4.bp.blogspot.com\/_YCtMPf2Ld4Q\/SqUMClaaAPI\/AAAAAAAACK4\/2UtW9wrtKGc\/s1600-h\/texto_cidade_da_musica.jpg\"><img style=\"cursor: pointer; width: 400px; height: 300px;\" src=\"http:\/\/4.bp.blogspot.com\/_YCtMPf2Ld4Q\/SqUMClaaAPI\/AAAAAAAACK4\/2UtW9wrtKGc\/s400\/texto_cidade_da_musica.jpg\" alt=\"\" id=\"BLOGGER_PHOTO_ID_5378718568506065138\" border=\"0\" \/><\/a><\/p>\n<p>Artigo do designer italiano, Roberto Galisai, e do arquiteto brasileiro, Tuti Giorgi, publicado no \u201cGiornale dell\u2018architettura\u201d, periodico de Turim, Italia, em fevereiro de 2009, se\u00e7\u00e3o de urbanismo.<\/p>\n<p>O \u201cGiornale\u201d \u00e8 uma publica\u00e7\u00e3o com circula\u00e7\u00e3o entre pensadores e especialistas da \u00e1rea de arquitetura, design e cultura.<\/p>\n<p><span style=\"font-weight:bold;\">\u00abGrandeur\u00bb brasileira<\/p>\n<p>A \u201cCidade da M\u00fasica\u201d de uma nota s\u00f3.<\/span><\/p>\n<p>Inaugurado antes de sua conclus\u00e3o o complexo de Christian de Portzamparc no Rio de Janeiro.<\/p>\n<p>A pr\u00e1tica de inaugurar obras incompletas \u00e8 habitual nos pol\u00edticos de todo o mundo.<\/p>\n<p>Em fins de dezembro passado o ent\u00e3o Prefeito do Rio, pr\u00f3xima da entrega do cargo, tratou de inaugurar a inacabada \u201cCidade da M\u00fasica\u201d, a fim de de poder associar o pr\u00f3prio nome com a obra monumental que o levou a comparar-se com o grego P\u00e9ricles, fundador do Partenon.<\/p>\n<p>O uso pol\u00edtico e inadequado dos recursos p\u00fablicos gerou muias pol\u00eamicas em torno do complexo projetado para abrigar a OSB \u2013 Orquestra Sinf\u00f4nica Brasileira e atividades em torno ao tema.<\/p>\n<p>A empreitada da obra fara\u00f4nica de 96.000 metros quadrados atrasou em quase 3 anos, seus custos cresceram mais de 400% chegando perto dos U$ 400.000.000, at\u00e9 agora. E tudo isto para um trabalho ainda inacabado.<\/p>\n<p>Mas que j\u00e1 suscita a id\u00e9ia de uma oportunidade (cara) perdida. Por ao menos tr\u00eas raz\u00f5es:<\/p>\n<p>Primeira: a riqueza musical brasileira n\u00e3o est\u00e1 fechada na m\u00fasica sinf\u00f4nica e desconsiderar isto \u00e8 tratar da quest\u00e3o de um modo colonizado, remete \u00e0 id\u00e9ia de alta\/baixa cultura, antigo e sem compreens\u00e3o da pr\u00f3pria riqueza.<\/p>\n<p>Segunda: houve a  oportunidade rara, prefeito e arquiteto puderam escolher o terreno a partir de um v\u00f4o de helic\u00f3ptero, e sobre um terreno no encontro dos eixos principais de circula\u00e7\u00e3o previstos por Lucio Costa em seu plano urban\u00edstico para a Barra da Tijuca,<\/p>\n<p>N\u00e3o nasceu, todavia, um elemento urban\u00edstico capaz de resgatar a imagem do bairro, s\u00edmbolo  mais recente da especula\u00e7\u00e3o imobili\u00e1ria. Ao contr\u00e1rio, o complexo de perde (e ent\u00e3o se acha) entre os tantos aglomerados de condom\u00ednios blindados e shoppingcenters em estilo \u201cnova Miami\u201d que povoam a regi\u00e3o.<\/p>\n<p>Terceiro. A julgar pelas pol\u00eamicas \u2013 esperamos ser desmentidos &#8211; a gigantesca interven\u00e7\u00e3o urban\u00edstica n\u00e3o parece ser capaz de refor\u00e7ar as rela\u00e7\u00f5es entre a cidade e a Barra da Tijuca, com poucas conex\u00f5es fisicas e distantes em esp\u00edrito e estilo de vida, ao ponto da Barra ter pretens\u00f5es de autonomia.<\/p>\n<p>A grandeza do projeto \u00e8 uma met\u00e1fora do papel hist\u00f3rico de centro cultural do Rio de Janeiro, capital pol\u00edtica do Brasil at\u00e9 1960, quando foi inaugurada Bras\u00edlia.<\/p>\n<p>La grandeur carioca \u00e8 filha daquela francesa. N\u00e3o \u00e8 por acaso que um arquiteto franc\u00eas desenhe, no Rio de Janeiro como em Paris, um complexo dedicado \u00e0 m\u00fasica. Sem entrar no m\u00e9rito de quanto seja ultrapassado o conceito de parque tem\u00e1tico dedicado `as artes, o que surpreende \u00e8 a influ\u00eancia cultural que Paris exerce sobre o imagin\u00e1rio do Rio (a outra tentativa de grande equipamento cultural da cidade, uma filial do Museu Guggenheim, se deu com  o tamb\u00e9m franc\u00eas Jean Nouvel), e como os cariocas nutrem ainda um sentimento colonial de francofilia.<\/p>\n<p>As ra\u00edzes deste sentimento remontam \u00e0 \u00e9poca imperial, ao s\u00e9culo XIX, e as miss\u00f5es art\u00edsticas \u201ccivilizat\u00f3rias\u201d francesas, passando pelas reformas urbanas `a la Haussmann e o papel que teve Le Corbusier no brilhante modernismo de Lucio Costa e Oscar Niemeyer.<\/p>\n<p>\u00c9 a essa arquitetura que Portzamparc disse reverenciar em seu projeto. Mas se compararmos os resultados vemos a distancia da s\u00edntese e eleg\u00e2ncia dos mestres brasileiros, e percebemos que tal inspira\u00e7\u00e3o n\u00e3o passou da inten\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p><span style=\"font-weight:bold;\">Roberto Galisai e Tuti Giorgi<\/span><\/p>\n<div id=\"wp_fb_like_button\" style=\"margin:5px 0;float:none;height:100px;\"><script src=\"http:\/\/connect.facebook.net\/en_US\/all.js#xfbml=1\"><\/script><fb:like href=\"https:\/\/www.archive.raulmourao.com\/blog\/?p=447\" send=\"false\" layout=\"standard\" width=\"450\" show_faces=\"true\" font=\"arial\" action=\"like\" colorscheme=\"light\"><\/fb:like><\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Artigo do designer italiano, Roberto Galisai, e do arquiteto brasileiro, Tuti Giorgi, publicado no \u201cGiornale dell\u2018architettura\u201d, periodico de Turim, Italia, em fevereiro de 2009, se\u00e7\u00e3o de urbanismo. 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