{"id":445,"date":"2009-09-07T11:27:00","date_gmt":"2009-09-07T11:27:00","guid":{"rendered":"https:\/\/raulmourao.com\/blog\/?p=445"},"modified":"2009-09-07T11:27:00","modified_gmt":"2009-09-07T11:27:00","slug":"um-desenho-do-vergara","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.archive.raulmourao.com\/blog\/?p=445","title":{"rendered":"Um desenho do Vergara"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"http:\/\/joziasbenedicto.blogspot.com\">peguei l\u00e1 no blog do Jozias Benedicto<\/a><\/p>\n<div><\/div>\n<div><a onblur=\"try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}\" href=\"http:\/\/2.bp.blogspot.com\/_YCtMPf2Ld4Q\/SqTunkIBSPI\/AAAAAAAACKw\/tB_FduIHdoo\/s1600-h\/vergara.jpg\"><img style=\"cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 315px;\" src=\"http:\/\/2.bp.blogspot.com\/_YCtMPf2Ld4Q\/SqTunkIBSPI\/AAAAAAAACKw\/tB_FduIHdoo\/s400\/vergara.jpg\" border=\"0\" alt=\"\" id=\"BLOGGER_PHOTO_ID_5378686218466838770\" \/><\/a><\/p>\n<div class=\"post-body entry-content\" style=\"margin-top: 0px; margin-right: 0px; margin-bottom: 0.75em; margin-left: 0px; line-height: 1.6em; \">Foi a primeira obra de arte que eu comprei, em 1971. Ainda estava na Faculdade de Economia e j\u00e1 trabalhava com tecnologia, estagi\u00e1rio, no Centro do Rio, na Esplanada do Castelo, no imponente pr\u00e9dio do Minist\u00e9rio da Fazenda. Trabalhava com modelos matem\u00e1ticos, na Assessoria Econ\u00f4mica do Gabinete do Ministro, bom, meu trabalho nada era de t\u00e3o imponente assim, os brilhantes economistas que eram assessores tinham as ideias e eu os apoiava implementando os modelos em computadores que na \u00e9poca eram poderosos, mas que hoje equivalem a uma m\u00edsera fra\u00e7\u00e3o deste notebook em que escrevo.<br \/>Era a \u00e9poca onde o &#8220;cara do computador&#8221; era meio o &#8220;g\u00eanio louco&#8221;, mais informal que as outras op\u00e7\u00f5es profissionais para os economistas, e eu, 20 anos, meio hippie, cabelo grand\u00e3o e barba, abracei este caminho, que me permitia flexibilidade de hor\u00e1rio, manh\u00e3s nos pilotis da PUC, tardes no Pier de Ipanema e noites trabalhando. Como a inform\u00e1tica era um mist\u00e9rio, os sacerdotes desta tecnologia futurista tinham sal\u00e1rios alt\u00edssimos; mesmo eu, ainda estudante, minha bolsa era bem maior que a dos outros colegas, e ainda, como eu apoiava diversos economistas com trabalhos acad\u00eamicos que tinham financiamento muitas vezes do exterior, eu era inclu\u00eddo nos projetos e recebia extras tamb\u00e9m significativos, tudo isso um garoto solteiro, com casa e mesada garantida pelos pais&#8230; uma vida boa, pagava minha Faculdade e ainda dava para outros luxos, a gasolina do fusquinha caf\u00e9-com-leite, os chopps com a turma no\u00a0<i>Amigo Fritz<\/i>, de vez em quando um sapato novo no\u00a0<i>Spinelli<\/i>, e ainda dava para uma reserva. Em paralelo, via exposi\u00e7\u00f5es (quase chorei na exposi\u00e7\u00e3o do Antonio Dias na Petit Galerie, ainda em Copacabana), frequentava o MAM, fazia minhas aulas com o Ivan Serpa.<br \/>Namorei uma menina, Priscila, cuja fam\u00edlia colecionava arte, n\u00e3o esque\u00e7o os Krajcberg e os Volpi, e um cora\u00e7\u00e3o enorme do Antonio Dias pendurado do teto e feito especialmente pelo artista, ent\u00e3o um jovem artista, para a m\u00e3e da Priscila, D. Isabel.<br \/>Um amigo meu da Faculdade, Paulo, tamb\u00e9m estava muito bem, trabalhava na Bolsa de Valores e se beneficiava do primeiro\u00a0<i>boom\u00a0<\/i>da Bolsa, parte do Milagre Brasileiro que estava sendo articulado no Minist\u00e9rio do poderos\u00edssimo Delfim Neto, e estava ganhando muito, com a valoriza\u00e7\u00e3o das a\u00e7\u00f5es.<br \/>Em uma conversa com o Paulo, ele falou sobre &#8220;diversificar, investindo em arte&#8221;, bem o jarg\u00e3o da \u00e9poca; como ele sabia que eu gostava de arte, me pediu uma dica. Fui com ele ao MAM (bem antes ainda do inc\u00eandio), uma tarde de sol pela Pres. Antonio Carlos at\u00e9 o Aterro, e em uma pasta na lojinha do Museu escolhemos (eu escolhi) dois desenhos do\u00a0<b>Carlos Vergara<\/b>.<br \/>N\u00e3o me lembro do desenho que o Paulo comprou, n\u00e3o sei se ele ainda o tem, passou-se tanto tempo.\u00a0<br \/>Mas o meu ainda est\u00e1 comigo, e me enche do mesmo prazer que tive ao retir\u00e1-lo da pasta escura na lojinha do MAM.\u00a0<br \/>Vergara (com Gerchman, Antonio Dias e Roberto Magalh\u00e3es) eram artistas jovens, e eu os conhecia pois era antenado, lia o JB, ia aos eventos no MAM, minha programa\u00e7\u00e3o aos domingos \u00e0 tarde era: visitar as exposi\u00e7\u00f5es no MAM (o\u00a0<i>Sal\u00e3o da B\u00fassula<\/i>,\u00a0<i>Tropicalia<\/i>, o\u00a0<i>Sal\u00e3o de Ver\u00e3o<\/i>&#8230;), sess\u00e3o de cinema de arte no MIS e depois um lanche no Bobs&#8217;s da Pres.Wilson, eu e meu fusquinha&#8230;<br \/>Mas naquela tarde eu era poderoso, eu e Paulo \u00e9ramos &#8220;avalistas&#8221; um do outro: se ele dizia que Arte seria um bom investimento para o futuro, eu estava tranquilo em gastar quase um m\u00eas de minha bolsa em um desenho; e se eu dizia que o Vergara era um artista jovem j\u00e1 consolidado e que s\u00f3 iria evoluir, o Paulo podia gastar o lucro de alguma a\u00e7\u00e3o naquele desenho que ele talvez nem entendesse direito.<br \/>Anos depois, um desenho da mesma s\u00e9rie, com a mesma tem\u00e1tica, na cole\u00e7\u00e3o do Gilberto Chateaubriand, foi publicado no pequeno livro da Funarte sobre o artista, isso me deu a certeza que tinha acertado.<br \/>Acertei mesmo. \u00c9 um lindo desenho, e n\u00e3o me canso de olh\u00e1-lo, ele sempre me remete a um clima misterioso, de rela\u00e7\u00f5es estranhas, de uma interrup\u00e7\u00e3o do tempo, onde a viol\u00eancia \u00e9 uma amea\u00e7a presente, uma espada de D\u00e2mocles, uma vis\u00e3o da \u00e9poca da ditadura militar, de momentos de terror que est\u00e3o na obra de v\u00e1rios artistas da gera\u00e7\u00e3o&#8230;<\/div>\n<\/div>\n<div id=\"wp_fb_like_button\" style=\"margin:5px 0;float:none;height:100px;\"><script src=\"http:\/\/connect.facebook.net\/en_US\/all.js#xfbml=1\"><\/script><fb:like href=\"https:\/\/www.archive.raulmourao.com\/blog\/?p=445\" send=\"false\" layout=\"standard\" width=\"450\" show_faces=\"true\" font=\"arial\" action=\"like\" colorscheme=\"light\"><\/fb:like><\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>peguei l\u00e1 no blog do Jozias Benedicto Foi a primeira obra de arte que eu comprei, em 1971. 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