{"id":433,"date":"2009-09-01T11:04:00","date_gmt":"2009-09-01T11:04:00","guid":{"rendered":"https:\/\/raulmourao.com\/blog\/?p=433"},"modified":"2009-09-01T11:04:00","modified_gmt":"2009-09-01T11:04:00","slug":"as-cores-do-carvao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.archive.raulmourao.com\/blog\/?p=433","title":{"rendered":"As cores do Carv\u00e3o"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"font-weight: normal;\"><span style=\"font-size:85%;\">Peguei esse texto abaixo no <a href=\"http:\/\/daniname.wordpress.com\/\">novissimo blog da Daniela Name chamado Pitadinhas<\/a>.<br \/><\/span><\/h2>\n<p>      <small class=\"date\"><span class=\"date_day\">29<\/span>      <span class=\"date_month\">08<\/span>      <span class=\"date_year\">2009<\/span>     <\/small>          <\/p>\n<div class=\"entry\">\n<div class=\"snap_preview\">\n<div id=\"attachment_28\" class=\"wp-caption alignleft\" style=\"width: 310px;\"><img loading=\"lazy\" class=\"size-medium wp-image-28\" title=\"mural\" src=\"http:\/\/daniname.files.wordpress.com\/2009\/08\/mural2.jpg?w=300&amp;h=225\" alt=\"Buracos entre azulejos: desleixo e ocupa\u00e7\u00e3o da \u00e1rea com o anunciado Museu da Bossa Nova\" width=\"300\" height=\"225\" \/><\/p>\n<p class=\"wp-caption-text\"><span style=\"font-size:85%;\">Buracos entre azulejos: desleixo e ocupa\u00e7\u00e3o da \u00e1rea com o anunciado Museu da Bossa Nova<\/span><\/p>\n<\/div>\n<p>Quase todo mundo que trabalha com arte no Rio tem uma hist\u00f3ria com Alu\u00edsio Carv\u00e3o (1920-2001). Ouvi e li algumas delas desde que repassei no Facebook o link com o <a href=\"http:\/\/www.abaixoassinado.org\/abaixoassinados\/4918\" target=\"_blank\">abaixo-assinado<\/a> que pede a restaura\u00e7\u00e3o de um mural de azulejos do artista na Avenida M\u00e1rio Ribeiro, no Leblon (Estrada Lagoa-Barra), que corre s\u00e9rios riscos de desaparecer com a constru\u00e7\u00e3o do Museu da Bossa Nova, pr\u00e9dio em forma de piano (!!!) j\u00e1 anunciado pelo governo estadual. Desde a gest\u00e3o anterior, o painel, criado pelo artista em 1996, vem sofrendo com o desleixo da Funda\u00e7\u00e3o Parques e Jardins, que n\u00e3o rep\u00f5e as pe\u00e7as faltosas.<\/p>\n<p>Os buracos entre os azulejos prejudicam a compreens\u00e3o do desenho geom\u00e9trico sobre a paisagem da cidade e roubam da obra de Carv\u00e3o o que ela tem de mais fundamental \u2013 a cor. Nascido em Bel\u00e9m do Par\u00e1, ele foi aluno de Ivan Serpa no curso de pintura do Museu de Arte Moderna do Rio, do qual mais tarde se tornaria professor. Entre 1953 e 1956, fez parte do Grupo Frente, que mudaria o rumo da arte contempor\u00e2nea brasileira. Integrou a 1\u00aa Exposi\u00e7\u00e3o Nacional de  Arte Concreta (1956) e, em 1959, assinou o Manifesto Neoconcreto com Lygia Pape, Lygia Clark, Amilcar de Castro, Franz Weissmann e os poetas Reynaldo Jardim e Ferreira Gullar.<\/p>\n<p>Depois da dilui\u00e7\u00e3o do movimento construtivo, Carv\u00e3o n\u00e3o trilhou o mesmo caminho de artistas como as Lygias Pape e Clark e H\u00e9lio Oiticica, que testaram os limites entre arte e vida. Tamb\u00e9m n\u00e3o ficou not\u00f3rio pela experi\u00eancia com v\u00e1rios suportes, caso dos concretos paulistas Geraldo de Barros e Waldemar Cordeiro, embora tenha sido cen\u00f3grafo, capista de livro e ilustrador, aplicando os princ\u00edpios da geometria construtiva em seu trabalho como designer.<\/p>\n<div id=\"attachment_31\" class=\"wp-caption alignleft\" style=\"width: 158px;\"><img loading=\"lazy\" class=\"size-thumbnail wp-image-31\" title=\"cornucopia\" src=\"http:\/\/daniname.files.wordpress.com\/2009\/08\/cornucopia2.jpg?w=148&amp;h=150\" alt=\"&quot;Cornuc\u00f3pia&quot;, de 1955: forma imperfeita\" width=\"148\" height=\"150\" \/><\/p>\n<p class=\"wp-caption-text\"><span style=\"font-size:85%;\">&#8220;Cornuc\u00f3pia&#8221;, de 1955: forma imperfeita<\/span><\/p>\n<\/div>\n<p>Sem a exuber\u00e2ncia de alguns de seus contempor\u00e2neos, Carv\u00e3o exibia sua singularidade por linhas tortas. Literalmente: embora fosse conhecedor da Gestalt e todas as teorias de cor da Bauhaus que nortearam outros construtivos brasileiros, ele n\u00e3o se prendia aos jogos \u00f3pticos com cores b\u00e1sicas e formas geom\u00e9tricas perfeitas. Com ele, a incompletude sens\u00edvel proposta pelos neoconcretos atingiu contornos distintos. Com uma paleta pr\u00f3xima \u00e0 de Volpi \u2013 e, voltando um pouco mais no tempo, \u00e0 de Guignard \u2013 Carv\u00e3o ousou brincar com tons past\u00e9is e semitons no reino de p\u00f3s-Mondrian. Gostava do improviso, do incompleto e da gambiarra, como provam suas \u201cFarfalhantes\u201d, telas em que pequenos quadrados de metal presos lado a lado criam som e movimento com a a passagem do vento.<\/p>\n<div id=\"attachment_25\" class=\"wp-caption alignright\" style=\"width: 206px;\"><img loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-25  \" title=\"farfalhantes\" src=\"http:\/\/daniname.files.wordpress.com\/2009\/08\/farfalhantes1.jpg?w=196&amp;h=122\" alt=\"&quot;Farfalhantes&quot;, de 1967: luz, som e movimento\" width=\"196\" height=\"122\" \/><\/p>\n<p class=\"wp-caption-text\"><span style=\"font-size:85%;\">&#8220;Farfalhantes&#8221;, de 1967: luz, som e movimento ao sabor do vento<\/span><\/p>\n<\/div>\n<p>A disposi\u00e7\u00e3o das \u201cFarfalhantes\u201d me traz de volta ao painel de azulejos do Leblon. E \u00e0s minhas pr\u00f3prias hist\u00f3rias com Carv\u00e3o. Entrevistei-o algumas vezes e  ele foi assumindo um lugar cada vez mais estrat\u00e9gico em meus afetos e admira\u00e7\u00f5es. N\u00e3o s\u00f3 pelo artista grandioso que era, mas pelo fato de n\u00e3o fazer quest\u00e3o de sobrar. Carv\u00e3o se tornava mais importante \u00e0 medida que n\u00e3o fazia quest\u00e3o de s\u00ea-lo. Em um de nossos encontros, em Niter\u00f3i, logo depois da prepara\u00e7\u00e3o de sua \u00faltima grande individual em vida, no MAC, tivemos uma companhia diferente de sua cachacinha de estima\u00e7\u00e3o: j\u00e1 muito velho e cansado, Carv\u00e3o devorou com apetite infantil ta\u00e7as enormes de sorvete enquanto falava das pipas e dos barcos de Bel\u00e9m, das cores lavadas pela luz do Norte.<\/p>\n<p>Lembro que ali enxerguei o menino que ele foi, ca\u00e7ador de passarinhos da floresta, em frente \u00e0quele Maracan\u00e3 gelado e doce. Tenho a impress\u00e3o que \u00e9 deste menino que todo mundo sente falta.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.blogger.com\/www.daniname.wordpress.com\">Daniela Name<\/a> \/ agosto 2009<\/p>\n<p><\/p>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<div id=\"wp_fb_like_button\" style=\"margin:5px 0;float:none;height:100px;\"><script src=\"http:\/\/connect.facebook.net\/en_US\/all.js#xfbml=1\"><\/script><fb:like href=\"https:\/\/www.archive.raulmourao.com\/blog\/?p=433\" send=\"false\" layout=\"standard\" width=\"450\" show_faces=\"true\" font=\"arial\" action=\"like\" colorscheme=\"light\"><\/fb:like><\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Peguei esse texto abaixo no novissimo blog da Daniela Name chamado Pitadinhas. 29 08 2009 Buracos entre azulejos: desleixo e ocupa\u00e7\u00e3o da \u00e1rea com o anunciado Museu da Bossa Nova Quase todo mundo que trabalha com arte no Rio tem uma hist\u00f3ria com Alu\u00edsio Carv\u00e3o (1920-2001). 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