{"id":363,"date":"2009-07-02T11:50:00","date_gmt":"2009-07-02T11:50:00","guid":{"rendered":"https:\/\/raulmourao.com\/blog\/?p=363"},"modified":"2009-07-02T11:50:00","modified_gmt":"2009-07-02T11:50:00","slug":"musica-de-twitter","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.archive.raulmourao.com\/blog\/?p=363","title":{"rendered":"M\u00fasica de Twitter"},"content":{"rendered":"<p><span style=\"font-size:100%;\">Bernardo Mortimer, do<a href=\"http:\/\/www.sobremusica.com.br\/\"> Sobrem\u00fasica,<\/a> \u00e9 o respons\u00e1vel por essa entrevista com Dod\u00f4 Azevedo e Felipe Schuery. A foto abaixo tamb\u00e9m peguei no Sobremusica e assim que Bernardo me mandar o cr\u00e9dito eu coloco aqui.<\/span> Castiga DJ!<br \/><span style=\"font-size:100%;\"><a href=\"http:\/\/www.sobremusica.com.br\/category\/entrevistas_materias\/homedestaque-entrevistas_materias\/\" title=\"Ver todos os posts em Home Destaque\" rel=\"category tag\"><\/a><\/span>                 <\/p>\n<p>      <a onblur=\"try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}\" href=\"http:\/\/4.bp.blogspot.com\/_YCtMPf2Ld4Q\/SkyiCTIYgTI\/AAAAAAAAB_c\/_au9Gss6ylk\/s1600-h\/3_vitrolas.jpg\"><img style=\"cursor: pointer; width: 400px; height: 267px;\" src=\"http:\/\/4.bp.blogspot.com\/_YCtMPf2Ld4Q\/SkyiCTIYgTI\/AAAAAAAAB_c\/_au9Gss6ylk\/s400\/3_vitrolas.jpg\" alt=\"\" id=\"BLOGGER_PHOTO_ID_5353832217415549234\" border=\"0\" \/><\/a><\/p>\n<p><\/p>\n<p>Beleza, exagerei no \u2018m\u00fasica de twitter\u2019, mas a celebra\u00e7\u00e3o do mosaico e da meton\u00edmia para qualquer pe\u00e7a de arte\/informa\u00e7\u00e3o\/entretenimento \u00e9 o esp\u00edrito da coisa nos trabalhos de Dod\u00f4 e Felipe Schuery. Um n\u00e3o tem nada a ver com o outro, mas s\u00e3o dois primos de primeiro grau da \u00e9poca em que vivemos, em que negar foi superado por incorporar (embed, me add, mix edit, quantas formas de dizer a mesma coisa\u2026)<br \/>     A conversa foi por e-mail, tr\u00eas perguntas comuns e um perguntando ao outro. O resultado \u00e9 esse a\u00ed de baixo, e se n\u00e3o tiver lido a resenha sobre os discos, ou desce um pouquinho a tela, ou clica aqui.<\/p>\n<p>sm: <b>Ouvindo o trabalho dos dois, e conhec\u00ea-los pessoalmente ajuda a refor\u00e7ar a impress\u00e3o, permite notar refer\u00eancias claras a um mesmo universo de leituras na internet, a um mesmo conjunto de fontes de informa\u00e7\u00e3o primeiro musical e em segundo lugar pop. Queria que cada um falasse um pouco da rotina pessoal em rela\u00e7\u00e3o a internet, sites preferidos, tempo gasto online, principais v\u00edcios\/h\u00e1bitos\u2026<\/b><\/p>\n<p>D: <i>Acordo, dou beijinho na mulher, fa\u00e7o carinho na gatinha, escovo os dentes, pego o macbook e entro na internet sem culpa. Um laptop conectado 20 horas por dia \u00e9 o futuro da rotina do cidad\u00e3o m\u00e9dio. Em 10 anos n\u00e3o haver\u00e1 mais desktops na casa das pessoas. Twitter e facebook s\u00e3o, hoje, minha 1\u00aa fonte de informa\u00e7\u00e3o. Se quero me aprofundar, tamb\u00e9m fa\u00e7o pela net. TV \u00e9 entretenimento. Tenho h\u00e1bito de escutar bandas indies novas, s\u00f3 pra me certificar que o rock do s\u00e9c 21 n\u00e3o vale muita coisa. Portanto, minhas influ\u00eancias musicais s\u00e3o exclusivamente cultura do s\u00e9c 20. Site preferido: o meu twitter, onde assino os blogs de pessoas bem informadas e sem compromisso com corpora\u00e7\u00f5es<\/i>.<br \/>FS: Enquanto estou em casa, praticamente o tempo todo o computador est\u00e1 ligado. O \u00f3bvio: o skype \u00e9 meu telefone; o gmail, meu correio; a web, meu jornal, minhas obras de refer\u00eancia, minha televis\u00e3o, meu som, minha loja, meu livro de receitas, etc. Ent\u00e3o n\u00e3o conseguiria te dizer quanto tempo eu fico online, pode ser muito ou pouco, mesmo com o computador sempre ligado. Acesso blogs de m\u00fasica e cultura pop, portais de not\u00edcia, sites de fofoca, de literatura. O twitter tem sido uma esp\u00e9cie de sum\u00e1rio, ponto de partida para me informar. Fora de casa me desligo, portabilidade ainda n\u00e3o.<\/p>\n<p>sm: <b>Cada um a seu modo optou por tratar do excesso de informa\u00e7\u00e3o atual n\u00e3o s\u00f3 tematicamente mas esteticamente. E s\u00e3o dois trabalhos auto-produzidos e auto-publicados. Queria saber se voc\u00eas est\u00e3o mais para a ang\u00fastia ou para a excita\u00e7\u00e3o quando pensam em excesso de informa\u00e7\u00e3o, e se n\u00e3o acham que o termo \u201cexcesso\u201d \u00e0s vezes se confunde com \u201crepeti\u00e7\u00e3o\u201d, \u201cdistra\u00e7\u00e3o\u201d, \u201cru\u00eddo est\u00e1tico\u201d? A\u00ed junto uma provoca\u00e7\u00e3o: Ser\u00e1 que considerar que h\u00e1 informa\u00e7\u00e3o demais n\u00e3o \u00e9 parte da dificuldade do homem em lidar com a d\u00favida?<\/b><\/p>\n<p>FS: Existe nome para ang\u00fastia misturada com excita\u00e7\u00e3o em medidas exatas? Me delicio, aproveito esse banquete de informa\u00e7\u00e3o, mas n\u00e3o relaxo, os talheres tremem, esbarro no copo, sujo a toalha. Comer muito bacon \u00e9 bom demais. Essa porra vai entupir minhas art\u00e9rias. Como eu gosto de fofoca de celebridade e bizarrice. Poderia estar correndo no parque. Ao mesmo tempo em que sempre acho que estou perdendo algo, penso em como seria bom ter perdido muito do que j\u00e1 consumi (isso n\u00e3o acontecia antes, com televis\u00e3o, jornais e revistas). Fa\u00e7o com culpa. \u00c9 o que a masturba\u00e7\u00e3o foi para o meu pai. No meio dos dilemas, o ato \u00e9 uma curti\u00e7\u00e3o. O problema \u00e9 mais meu do que da internet, certo?<br \/>D: <i>O Alguma Coisinha tem 12 anos de idade, sendo publicado apenas agora. Naquela \u00e9poca, me preocupava com o excesso de informa\u00e7\u00e3o, vertigem da tecnologia, essas coisas. Era um ing\u00eanuo. Nosso c\u00e9rebro se adapta, sempre se adaptou, mostra a Hist\u00f3ria da Humanidade. Pelo menos essa ingenuidade rendeu \u00f3timas letras. Uma condi\u00e7\u00e3o para ser um letrista decente \u00e9 cultivar ingenuidade e tolice no cora\u00e7\u00e3o. Hoje, n\u00e3o acho que h\u00e1 ru\u00eddo, dilui\u00e7\u00e3o ou qualquer conota\u00e7\u00e3o ruim em rela\u00e7\u00e3o ao modo que as informa\u00e7\u00f5es transitam na internet. Meus alunos, tanto do Ensino Fundamental quanto do Ensino M\u00e9dio, d\u00e3o uma li\u00e7\u00e3o em n\u00f3s e matam a bola (essa pretensa \u201cdificuldade do homem em lidar com a d\u00favida\u201d) no peito com eleg\u00e2ncia. Ficamos parecendo aqueles matutos do s\u00e9culo 19 satanizando a inven\u00e7\u00e3o do carro.<\/i><\/p>\n<p>sm: <b>Agora uma mais facinha: a primeira analogia que vem \u00e0 mente em um trabalho como o de cada um de voc\u00eas \u00e9 a do \u2018do it yourself\u2019 punk, mas h\u00e1 outras. Penso em beatniks, precisando publicar para se manter afastado de uma loucura\/inadequa\u00e7\u00e3o. Ou em blogueiros criando universos particulares para confrontar sadiamente ego e solid\u00e3o. Imagino que existam outras. O que h\u00e1 por tr\u00e1s do impulso de cada um em investir na produ\u00e7\u00e3o de um disco hoje sozinho assim e post\u00e1-lo para quem est\u00e1 ao redor?<\/b><\/p>\n<p>FS: Foi disco feito para ficar ultrapassado. Desde que comecei a fazer, pensava em ouvi-lo daqui a dez anos, como reuni\u00e3o de croniquetas de uma \u00e9poca. Foi o impulso maior. Mais: o custo do \u201cdata cr\u00f4nica\u201d foi a luz que gastamos e as cervejas que bebemos; investi na satisfa\u00e7\u00e3o entre amigos, no prazer de ver can\u00e7\u00f5es de voz e viol\u00e3o transformadas por outros m\u00fasicos, na sensa\u00e7\u00e3o de ser produtivo, na distra\u00e7\u00e3o da rotina, na curiosidade pelo impacto daquilo em outras pessoas.<br \/>D: <i>Em uma palavra: sexo.<\/i><\/p>\n<p>FS: As m\u00fasicas do \u201cAlguma coisinha\u201d resultaram do seu fasc\u00ednio pelo SoundForge, software de grava\u00e7\u00e3o de som, e trazem samplers de diversos artistas. O reprocessamento da cria\u00e7\u00e3o cresceu em progress\u00e3o geom\u00e9trica (sabemos que sempre existiu) com a digitaliza\u00e7\u00e3o da informa\u00e7\u00e3o na m\u00fasica. Para a literatura: recentemente J.D. Salinger entrou na justi\u00e7a contra a continua\u00e7\u00e3o do Apanhador no Campo de Centeio, feita por outro escritor [sueco]. Se existem, quais s\u00e3o as diferen\u00e7as entre m\u00fasica e literatura no campo de direito autoral e reprocessamento da cria\u00e7\u00e3o? Sua literatura mudou como resultado do uso de algum software (fazer buscas para eliminar repeti\u00e7\u00e3o e v\u00edcios de linguagem, como exemplo banal)?<\/p>\n<p>D: <i>Quando escrevo um texto jornal\u00edstico, ou um artigo, vou no google. Apesar de, para certas refer\u00eancias, acredite, uma boa biblioteca f\u00edsica \u00e9 incompar\u00e1vel. Exemplo: na Internet n\u00e3o h\u00e1 quase nada sobre a Nouvelle Vague ou sobre Vitr\u00favio. Quando escrevo um romance, consulto, sempre, os personagens que est\u00e3o dentro da cabe\u00e7a. Sampler, mashups, sratch: tudo isso pode ser encontrado na literatura, antes mesmo de se verificar esse assunto na Hist\u00f3ria da M\u00fasica. A B\u00edblia \u00e9 o exemplo definitivo de samplers de lendas orientais, mashups com teologia bizantina, remixes feitos pelos monast\u00e9rios, remasteriza\u00e7\u00f5es luteranas. A Biblia \u00e9 o Paul\u2019s Boutique dos livros. E quem questiona a autoria da Biblia? O que eu quero dizer \u00e9 que se \u00e9 bem feito, se funciona, transcende o modo como foi constru\u00eddo. N\u00e3o vou nem falar de Jorge Luis Borges, cuja obra \u00e9 s\u00f3 remix e mashup e sampler e remasteriza\u00e7\u00e3o.<\/i><\/p>\n<p><i>D: <i>Agora que a aten\u00e7\u00e3o dispensada a audi\u00e7\u00e3o de uma m\u00fasica \u00e9 m\u00ednima (dar um play no myspace e interromper a can\u00e7\u00e3o no meio, conhecer o disco novo de sua banda favorita pelo iPod no metr\u00f4 a caminho do trabalho), que tipo de import\u00e2ncia ela, a M\u00fasica, tem hoje?<\/i><br \/>FS: Esse tombo hist\u00f3rico da ind\u00fastria fonogr\u00e1fica tradicional \u00e9 acompanhado pelo aumento do consumo de m\u00fasica. E isso n\u00e3o \u00e9 paradoxal, a rela\u00e7\u00e3o \u00e9 direta. Conseguir a grava\u00e7\u00e3o do seu artista preferido ou conhecer uma banda nova ficou muito mais f\u00e1cil, a cliques de dist\u00e2ncia, e quando n\u00e3o \u00e9 de gra\u00e7a, n\u00e3o \u00e9 caro. M\u00fasica para a nova gera\u00e7\u00e3o \u00e9 como \u00e1gua, luz, televis\u00e3o. Voc\u00ea paga pouco, tem e pronto. \u00c9 s\u00f3 abrir a torneira, tocar no interruptor, apertar um bot\u00e3o que vem. Essa facilidade, assim como banaliza a audi\u00e7\u00e3o, multiplica as comunidades em torno de algo musical (uma banda, um festival, uma festa, um blog). Se a aten\u00e7\u00e3o dispensada \u00e0 audi\u00e7\u00e3o de uma m\u00fasica \u00e9 m\u00ednima, ao mesmo tempo conhecemos mais m\u00fasicas, ouvimos um n\u00famero maior de artistas, existem mais galhos, ampliamos o leque de liga\u00e7\u00f5es com outras pessoas. Ouvir e compartilhar m\u00fasica \u00e9 se enturmar. E se somos consumidores, o que vem a reboque? As empresas se apressam para associar sua imagem \u00e0 m\u00fasica, oferecem o disco novo de um artista embutido no seu produto e investem pesado em novos festivais. M\u00fasica gravada d\u00e1 a coceira e a experi\u00eancia real (os shows) cura a coceira. Dessacralizar a audi\u00e7\u00e3o nos leva agora a uma escala diferente do encontro, da experi\u00eancia real. N\u00e3o \u00e9 coincid\u00eancia que hoje temos trocentos Woodstocks pelo mundo, trocentos festivais independentes estabelecidos no Brasil. M\u00fasica sempre foi liga para comunidades tempor\u00e1rias, redes sociais, virtuais ou reais, mas hoje potencializou-se nesse sentido.<\/i><\/p>\n<div id=\"wp_fb_like_button\" style=\"margin:5px 0;float:none;height:100px;\"><script src=\"http:\/\/connect.facebook.net\/en_US\/all.js#xfbml=1\"><\/script><fb:like href=\"https:\/\/www.archive.raulmourao.com\/blog\/?p=363\" send=\"false\" layout=\"standard\" width=\"450\" show_faces=\"true\" font=\"arial\" action=\"like\" colorscheme=\"light\"><\/fb:like><\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Bernardo Mortimer, do Sobrem\u00fasica, \u00e9 o respons\u00e1vel por essa entrevista com Dod\u00f4 Azevedo e Felipe Schuery. 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