{"id":359,"date":"2009-06-30T14:09:00","date_gmt":"2009-06-30T14:09:00","guid":{"rendered":"https:\/\/raulmourao.com\/blog\/?p=359"},"modified":"2009-06-30T14:09:00","modified_gmt":"2009-06-30T14:09:00","slug":"marca-de-familia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.archive.raulmourao.com\/blog\/?p=359","title":{"rendered":"Marca de fam\u00edlia"},"content":{"rendered":"<p><span style=\"font-family: arial;\">Saiu no caderno Ilustrada de hoje do jornal Folha de S\u00e3o Paulo essa mat\u00e9ria de SILAS MART\u00cd.<\/span><\/p>\n<p><a style=\"font-family: arial;\" onblur=\"try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}\" href=\"http:\/\/1.bp.blogspot.com\/_YCtMPf2Ld4Q\/SkodIRuDixI\/AAAAAAAAB_A\/ll2tVjypYG4\/s1600-h\/bicho_lygia_clark.jpg\"><img style=\"cursor: pointer; width: 350px; height: 250px;\" src=\"http:\/\/1.bp.blogspot.com\/_YCtMPf2Ld4Q\/SkodIRuDixI\/AAAAAAAAB_A\/ll2tVjypYG4\/s400\/bicho_lygia_clark.jpg\" alt=\"\" id=\"BLOGGER_PHOTO_ID_5353123135115987730\" border=\"0\" \/><\/a><br \/><span style=\"color: rgb(153, 153, 153); font-family: arial;font-size:78%;\" >Escultura da s\u00e9rie &#8220;Bichos&#8217;, de Lygia Clark<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-style: italic; font-family: arial;\">Valores cobrados por herdeiros de Volpi, Lygia Clark e outros dificultam realiza\u00e7\u00e3o de mostras; para parentes, custos ajudam a deter falsifica\u00e7\u00f5es<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial;\">Obras de Alfredo Volpi e Lygia Clark v\u00e3o ter destaque na mostra que o Museum of Fine Arts de Houston planeja abrir em Zurique no fim deste ano, mas nenhuma imagem delas estar\u00e1 no cat\u00e1logo. A n\u00e3o ser que as fam\u00edlias dos artistas aceitem receber menos pelas fotos, como vai pedir nesta semana a curadora do museu.<\/span><br \/><span style=\"font-family: arial;\">Mari Carmen Ram\u00edrez j\u00e1 n\u00e3o p\u00f4de publicar imagens de Volpi num cat\u00e1logo que o museu de Houston publicou em 2007 e agora briga para evitar o mesmo desfecho. &#8220;Estamos falando em milhares de d\u00f3lares, quando o normal \u00e9 nunca pagar mais de US$ 300 por cada imagem&#8221;, afirmou Ram\u00edrez, \u00e0 Folha.<\/span><br \/><span style=\"font-family: arial;\">Herdeiros podem cobrar pelas imagens e pela exposi\u00e7\u00e3o das obras mesmo que as pe\u00e7as tenham sido vendidas a museus ou a colecionadores.<\/span><br \/><span style=\"font-family: arial;\">Volpi tamb\u00e9m ficou de fora do cat\u00e1logo de uma grande individual dedicada \u00e0 sua obra em cartaz at\u00e9 o fim desta semana no Instituto Moreira Salles do Rio, porque n\u00e3o foi pago o valor pedido pelo advogado da fam\u00edlia, que era de R$ 150 mil.<\/span><br \/><span style=\"font-family: arial;\">Organizadores da mostra ofereceram R$ 35 mil \u00e0 fam\u00edlia para fazer a exposi\u00e7\u00e3o e publicar um cat\u00e1logo, mas n\u00e3o houve acordo. Agora, a filha de Volpi e seu advogado amea\u00e7am processar o IMS por terem feito a mostra sem autoriza\u00e7\u00e3o.<\/span><br \/><span style=\"font-family: arial;\">&#8220;As fam\u00edlias est\u00e3o cada vez mais \u00e1vidas, eu n\u00e3o sei aonde vai parar isso&#8221;, disse o cr\u00edtico Ronaldo Brito, que j\u00e1 teve c\u00f3pias apreendidas de seu livro &#8220;Neoconcretismo&#8221;, com uma obra de Lygia Clark na capa -segundo parentes da artista, a editora Cosac Naify n\u00e3o pagou para reproduzir imagens.<\/span><br \/><span style=\"font-family: arial;\">No fim do ano passado, a galerista Raquel Arnaud sofreu para organizar uma exposi\u00e7\u00e3o de Volpi no Instituto de Arte Contempor\u00e2nea, em S\u00e3o Paulo, mas acabou cedendo e pagou R$ 50 mil -valor que conseguiu baixar dos R$ 100 mil originais- pelas imagens. &#8220;A gente brigou muito por causa disso&#8221;, lembra Arnaud.<\/span><br \/><span style=\"font-family: arial;\">\u00c9 um problema que se arrasta. A curadora independente Denise Mattar diz que passou cinco anos de sua vida indo a f\u00f3runs porque foi processada pela fam\u00edlia de Di Cavalcanti quando fez duas mostras no Rio, nos anos 90.<\/span><br \/><span style=\"font-family: arial;\">&#8220;A coisa \u00e9 uma bola de neve&#8221;, diz Mattar. &#8220;A fam\u00edlia acaba contratando um advogado, que tamb\u00e9m quer dinheiro. Vai virando um c\u00edrculo complexo.&#8221;<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: bold; font-family: arial;\">Zelo pela imagem<\/span><br \/><span style=\"font-family: arial;\">De um lado, curadores, institui\u00e7\u00f5es e cr\u00edticos de arte reclamam que a cobran\u00e7a das fam\u00edlias prejudica a realiza\u00e7\u00e3o de exposi\u00e7\u00f5es, arriscando jogar no ostracismo a obra de um artista. Do outro, parentes e advogados dizem que \u00e9 preciso zelar pela imagem dos que j\u00e1 morreram, e que isso tem um pre\u00e7o.<\/span><br \/><span style=\"font-family: arial;\">&#8220;Tem que ter um limite para isso, porque limita o acesso \u00e0 obra&#8221;, diz Vanda Klabin, curadora da mostra de Volpi agora em cartaz no IMS do Rio. &#8220;\u00c9 preciso deixar uma margem em que voc\u00ea possa trabalhar.&#8221;<\/span><br \/><span style=\"font-family: arial;\">Ronaldo Brito fala em tornar &#8220;invis\u00edvel&#8221; a hist\u00f3ria da arte brasileira. &#8220;A difus\u00e3o da obra de arte brasileira vai encontrando obst\u00e1culos, e isso influi no pre\u00e7o das pr\u00f3prias obras&#8221;, diz o cr\u00edtico Paulo Sergio Duarte. &#8220;At\u00e9 do ponto de vista da l\u00f3gica do capital, a coisa \u00e9 torta.&#8221;<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: bold; font-family: arial;\">Inc\u00f4modo<\/span><br \/><span style=\"font-family: arial;\">&#8220;Se eu estivesse advogando para um artista menor, talvez nossa pol\u00edtica fosse diferente&#8221;, diz Salvador Ceglia Neto, advogado da fam\u00edlia de Volpi, \u00e0 Folha. &#8220;Volpi \u00e9 Volpi, a for\u00e7a da obra dele \u00e9 maior do que isso.&#8221;<\/span><br \/><span style=\"font-family: arial;\">Ele descarta que os valores cobrados possam jogar o artista no anonimato. Diz que as cr\u00edticas partem de colecionadores, que querem suas obras divulgadas, e de cr\u00edticos, que querem mais exposi\u00e7\u00f5es sobre as quais escrever. Tamb\u00e9m diz que esse \u00e9 o custo para barrar a circula\u00e7\u00e3o de obras falsas de Volpi.<\/span><br \/><span style=\"font-family: arial;\">&#8220;Com essa cobran\u00e7a acabamos for\u00e7ando a formaliza\u00e7\u00e3o das transa\u00e7\u00f5es&#8221;, diz Ceglia Neto. &#8220;Os propriet\u00e1rios das obras querem ficar no anonimato e essa pol\u00edtica incomoda.&#8221;<\/span><br \/><span style=\"font-family: arial;\">&#8220;A gente est\u00e1 num mercado capitalista&#8221;, diz Patr\u00edcia Volpi, neta do artista. &#8220;O argumento \u00e9 sempre que est\u00e3o fazendo uma homenagem, mas ningu\u00e9m diz estar atrelando a marca a outra marca.&#8221; No caso, a primeira marca \u00e9 Volpi, e a segunda, o IMS, ligado ao Unibanco.<\/span><br \/><span style=\"font-family: arial;\">&#8220;N\u00e3o houve exposi\u00e7\u00e3o que deixou de ser feita por causa disso&#8221;, diz \u00c1lvaro Clark, filho de Lygia. &#8220;Eu n\u00e3o vejo dificuldade. \u00c9 que antigamente as coisas eram mais liberais.&#8221;<\/span><br \/><span style=\"font-family: arial;\">Ele diz que sua Associa\u00e7\u00e3o Cultural Mundo de Lygia Clark cobra em m\u00e9dia 165 por imagem de obra. Mas \u00e9 preciso que o trabalho em quest\u00e3o tenha um certificado de autenticidade emitido por eles. &#8220;N\u00e3o cobramos pela certifica\u00e7\u00e3o. S\u00f3 pedimos que a pessoa contrate um fot\u00f3grafo para fazer a imagem da obra e um muse\u00f3logo para fornecer um condition report [laudo de condi\u00e7\u00f5es]&#8221;, diz.<\/span><br \/><span style=\"font-family: arial;\">Clark diz que hoje h\u00e1 cerca de 580 obras certificadas e que gasta recursos dos direitos autorais para barrar falsifica\u00e7\u00f5es. &#8220;\u00c9 um processo claro e limpo. Quero limpar o mercado.&#8221;<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: bold; font-family: arial;\">Oiticicas n\u00e3o cobram por imagens<\/span><br \/><span style=\"font-family: arial;\">Na contram\u00e3o de fam\u00edlias que cobram para liberar imagens de obras, os Oiticica t\u00eam uma pol\u00edtica mais liberal. Cobram pelo empr\u00e9stimo das obras de H\u00e9lio Oiticica, morto em 1980, mas liberam sem encargos imagens e documentos de seus trabalhos.<\/span><br \/><span style=\"font-family: arial;\">&#8220;N\u00e3o vou cobrar dinheiro para exibir imagens do H\u00e9lio, mesmo porque voc\u00ea enterra o artista quando faz isso&#8221;, diz C\u00e9sar Oiticica, irm\u00e3o de H\u00e9lio. Ele e Cl\u00e1udio, outro irm\u00e3o do artista, fundaram em 1981 o Projeto H\u00e9lio Oiticica, que cuida de seu esp\u00f3lio.<\/span><br \/><span style=\"font-family: arial;\">&#8220;Esse projeto se financia emprestando obras do H\u00e9lio&#8221;, diz C\u00e9sar Oiticica. De car\u00e1ter mais conceitual, quase todas as obras do artista, cerca de 95%, n\u00e3o foram vendidas e ficaram nas m\u00e3os de seus parentes.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: bold; font-family: arial;\">Feeling para cobrar<\/span><br \/><span style=\"font-family: arial;\">Oiticica diz, no entanto, que \u00e9 preciso saber cobrar o valor adequado para o empr\u00e9stimo das obras. &#8220;A gente sabe que existe um valor de mercado&#8221;, diz. &#8220;A exposi\u00e7\u00e3o \u00e9 \u00f3tima para o museu, para o curador, mas \u00e9 um valor que precisa ter o feeling para cobrar. Se voc\u00ea cobrar muito caro, ningu\u00e9m compra.&#8221;<\/span><br \/><span style=\"font-family: arial;\">Oiticica critica quem cobra pela divulga\u00e7\u00e3o de imagens. &#8220;N\u00e3o \u00e9 uma boa pol\u00edtica, porque a gente sabe que isso \u00e9 muito ruim para a obra do artista&#8221;, diz. &#8220;A maior sacanagem que voc\u00ea pode fazer com um artista \u00e9 dar um jeito de n\u00e3o expor a obra dele.&#8221; <\/span><span style=\"font-weight: bold; font-family: arial;\"><br \/><\/span><\/p>\n<div id=\"wp_fb_like_button\" style=\"margin:5px 0;float:none;height:100px;\"><script src=\"http:\/\/connect.facebook.net\/en_US\/all.js#xfbml=1\"><\/script><fb:like href=\"https:\/\/www.archive.raulmourao.com\/blog\/?p=359\" send=\"false\" layout=\"standard\" width=\"450\" show_faces=\"true\" font=\"arial\" action=\"like\" colorscheme=\"light\"><\/fb:like><\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Saiu no caderno Ilustrada de hoje do jornal Folha de S\u00e3o Paulo essa mat\u00e9ria de SILAS MART\u00cd. 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