{"id":350,"date":"2009-06-23T23:48:00","date_gmt":"2009-06-23T23:48:00","guid":{"rendered":"https:\/\/raulmourao.com\/blog\/?p=350"},"modified":"2009-06-23T23:48:00","modified_gmt":"2009-06-23T23:48:00","slug":"o-som-do-pasquim","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.archive.raulmourao.com\/blog\/?p=350","title":{"rendered":"O som do Pasquim"},"content":{"rendered":"<p><span style=\"font-size:100%;\">Peguei esse post l\u00e1 no <a href=\"http:\/\/www.popup.mus.br\/\">Pop Up<\/a>, blog do jornalista pernambucano Bruno Nogueira.<\/span><\/p>\n<p><img class=\"aligncenter size-full wp-image-2160\" title=\"pasquim\" src=\"http:\/\/www.popup.mus.br\/wp-content\/uploads\/2009\/06\/pasquim.jpg\" alt=\"pasquim\" \/><\/p>\n<p>A simples id\u00e9ia de um bate papo entre <strong>Ziraldo<\/strong> e <strong>Chico Buarque<\/strong> j\u00e1 parece ser algo inspirador. Pensar, ent\u00e3o, que ele e toda a toda turma do Pasquim reuniu, sob organiza\u00e7\u00e3o de Tarik de Souza, algumas das principais conversas que eles tiveram n\u00e3o apenas com o carioca, mas tamb\u00e9m figuras como <strong>Raul Seixas<\/strong>, <strong>Luiz Gonzaga<\/strong> e <strong>Waldick Soriano<\/strong> faz de \u201c<a href=\"http:\/\/www.osomdopasquim.com.br\/livro.asp\" target=\"_blank\"><strong>O Som do Pasquim<\/strong><\/a>\u201d um adi\u00e7\u00e3o certa a qualquer biblioteca de m\u00fasica que se preze. Daqueles para se ter mesmo quando n\u00e3o vai ser lida uma p\u00e1gina de todo o livro.<\/p>\n<p><span id=\"more-2159\"><\/span><\/p>\n<p>Quando foi lan\u00e7ado originalmente em 1976, a cole\u00e7\u00e3o de entrevistas ganhava a met\u00e1fora de um \u00e1lbum de fotos de verdades sobre a M\u00fasica Popular Brasileira. Eram declara\u00e7\u00f5es de um Chico Buarque que dizia n\u00e3o saber tocar e um <strong>Caetano Veloso<\/strong> que afirmava n\u00e3o ter musicalidade. E, entre isso, o desgosto mutuo entre gera\u00e7\u00f5es como a de <strong>Agnaldo Tim\u00f3teo<\/strong>, que descascava tanto o sambista quanto o tropicalista com adjetivos que a gente n\u00e3o guarda nem para aquele motorista que corre sobre uma po\u00e7a d\u2019\u00e1gua ao nosso lado em dia de chuva.<\/p>\n<p>Mas seu relan\u00e7amento, agora pela editora <strong>Ediouro \/ Desiderata<\/strong>, ganha um novo significado. Em tempos de fim de diploma de jornalismo, armado com a nostalgia de uma publica\u00e7\u00e3o feita com bom humor e, ainda assim, ultrapassava a tiragem de 250 mil c\u00f3pias, o \u201c<strong>Som do Pasquim<\/strong>\u201d escancara a fal\u00eancia do jornalismo musical brasileiro. Ao mesmo tempo que gera tanto fac\u00ednio ler as palavras de um <strong>Waldick Soriano<\/strong> afirmar que hippie \u00e9 marginal e maconheiro safado, por isso devia morrer, vem tamb\u00e9m um forte sentimento de desilus\u00e3o. Esse n\u00edvel de intimidade entre entrevistador e entrevistado nunca mais vai voltar a acontecer.<\/p>\n<p>N\u00e3o v\u00e3o acontecer nem mesmo com a gera\u00e7\u00e3o mais nova. Seja a de jornalistas, que se acostumou a n\u00e3o procurar mais o entrevistado, mas esperar que o departamento de divulga\u00e7\u00e3o do pr\u00f3prio marque uma entrevista, seja dos pr\u00f3prios artistas, que travestidos com o manto de profissionalismo, agora s\u00f3 falam frases de efeito pr\u00e9-formatado e sem conte\u00fado. Comparar as declara\u00e7\u00f5es de Caetano em 1971 \u2013 \u201cN\u00e3o sou bom m\u00fasico, sou s\u00f3 um bom sujeito\u201d \u2013 com as que foram replicadas no atual lan\u00e7amento de seu <strong>Zii e Zie<\/strong> \u00e9 perceber que aquele artista n\u00e3o existe mais. Virou uma esp\u00e9cie de rob\u00f4, tal qual aqueles que fazem as mesmas perguntas sem significado.<\/p>\n<p>Talvez essa reedi\u00e7\u00e3o de \u201c<strong>O Som do Pasquim<\/strong>\u201d sirva tamb\u00e9m de met\u00e1fora para o espelho de <strong>Lewis Carrol<\/strong>. E que o rob\u00f4 o atravesse em busca de um cora\u00e7\u00e3o de verdade nesse reino do antigamente. Se n\u00e3o chegar a tanto, poderia estar na bibliografia para salvar o curso de jornalismo. Vale ouro como t\u00e9cnica de entrevista. Mas uma que \u00e9 sem regras. Come\u00e7a sem lead, ultrapassa as 10 p\u00e1ginas de conversa e encerra com leitor fiel e sensa\u00e7\u00e3o de dever cumprido. E quando o entrevistado ainda diz que viu um disco voador, ai sim que voc\u00ea publica. Afinal, sem isso, sobre a provoca\u00e7\u00e3o: se Raul Seixas aparecesse hoje em uma reda\u00e7\u00e3o, falando a mesma coisa, sem assessoria de imprensa e sem entrevista marcada, teria virado materia de jornal?<\/p>\n<p>As entrevistas s\u00e3o acompanhadas sempre com as \u00f3timas ilustra\u00e7\u00f5es do cartunista e compositor <strong>Antonio N\u00e1ssara<\/strong> (que tamb\u00e9m abrem esse post), citado indiretamente no livro, sempre que falam de sua marchinha mais famosa, o \u201cAl\u00e1-l\u00e1-\u00f4!\u201d.<\/p>\n<div id=\"wp_fb_like_button\" style=\"margin:5px 0;float:none;height:100px;\"><script src=\"http:\/\/connect.facebook.net\/en_US\/all.js#xfbml=1\"><\/script><fb:like href=\"https:\/\/www.archive.raulmourao.com\/blog\/?p=350\" send=\"false\" layout=\"standard\" width=\"450\" show_faces=\"true\" font=\"arial\" action=\"like\" colorscheme=\"light\"><\/fb:like><\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Peguei esse post l\u00e1 no Pop Up, blog do jornalista pernambucano Bruno Nogueira. 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