{"id":337,"date":"2009-06-14T23:17:00","date_gmt":"2009-06-14T23:17:00","guid":{"rendered":"https:\/\/raulmourao.com\/blog\/?p=337"},"modified":"2009-06-14T23:17:00","modified_gmt":"2009-06-14T23:17:00","slug":"canal-100","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.archive.raulmourao.com\/blog\/?p=337","title":{"rendered":"Canal 100"},"content":{"rendered":"<p>O <a href=\"http:\/\/www.canal100.com.br\/\">novo site do Canal 100<\/a> est\u00e1 no ar e esse texto do Nelson Rodrigues e o filme do jogo despedida do goleiro Gilmar a\u00ed embaixo eu peguei <a href=\"http:\/\/www.canal100.com.br\/\">l\u00e1<\/a>&#8230;<\/p>\n<p>Quinta feira, 12 de Junho de 1969, o goleiro bi-campe\u00e3o do mundo Gilmar se despedia da sele\u00e7\u00e3o em amistoso contra a Inglaterra num Maracan\u00e3 abarrotado de gente. Gilmar foi goleiro numa \u00e9poca diferente de hoje, em que os goleiros s\u00e3o as grandes estrelas; Julio Cesar, Bruno, Rog\u00e9rio Ceni, etc. Santos e Sele\u00e7\u00e3o eram times que o ataque n\u00e3o dava chance para goleiro virar celebridade. Na \u00e9poca dele os melhores eram: Yashin (Russia), Mazurkievsky (Uruguai), Banks (Inglaterra) enfim, goleiros que brilhavam contra o sempre poderoso ataque brasileiro. Gilmar foi titular absoluto nas duas copas 58 e 62, jogou 100 vezes pela sele\u00e7\u00e3o e na cent\u00e9sima fez sua despedida, entrou mudo e saiu calado\u2026<\/p>\n<div class=\"entry\">\n<p><a href=\"http:\/\/www.canal100.com.br\/wp-content\/uploads\/2009\/06\/gilmar_jpeg.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-full wp-image-470\" title=\"gilmar_jpeg\" src=\"http:\/\/www.canal100.com.br\/wp-content\/uploads\/2009\/06\/gilmar_jpeg.jpg\" alt=\"gilmar_jpeg\" height=\"212\" width=\"283\" \/><\/a><br \/><a href=\"http:\/\/www.canal100.com.br\/wp-content\/uploads\/2009\/06\/gilmar.bmp\"><br \/><\/a><\/p>\n<p>Cr\u00f4nica de Nelson Rodrigues sobre a partida: <em>\u00c0 SOMBRA DOS CRIOUL\u00d5ES EM FLOR<\/em><\/p>\n<p>\u201cSe voc\u00eas querem conhecer um povo, examinem o seu comportamento na vit\u00f3ria e na derrota. H\u00e1 poucos dias, o Brasil derrotou a Inglaterra no Est\u00e1dio Mario Filho. Conviria comparar os dois comportamentos: o do Brasil vencedor e o da Inglaterra vencida\u2026A Inglaterra \u00e9 campe\u00e3 do mundo e perdeu. Bastaram dois minutos do verdadeiro futebol brasileiro. Em 120 segundos, liquidamos o inimigo. Vejam voc\u00eas: &#8211; A Inglaterra fazia pose de melhor futebol do mundo. Os nossos jornais ou afirmavam ou, na pior das hip\u00f3teses, imaginavam que o futebol ingl\u00eas era sim, o melhor do mundo. Por um funesto lapso, o brasileiro j\u00e1 nao se lembrava de que somos os bicampe\u00f5es\u2026 Dir\u00e3o voc\u00eas que, nas arquibancadas e gerais, o povo quis ajudar o escrete. O diabo \u00e9 que o povo vaia sem querer, vaia autom\u00e1ticamente. Sim, o povo morreria de t\u00e9dio e frustra\u00e7\u00e3o se n\u00e3o pudesse vaiar qualquer coisa, inclusive o minuto de sil\u00eancio\u2026Mas eu falo dos que, nas perp\u00e9tuas, tribunas, cativas, torciam com o mais l\u00edmpido, transl\u00facido despudor, pelo inimigo. Falei com v\u00e1rios e os sujeitos estrebucharam de devo\u00e7\u00e3o: &#8211; Como jogam! como jogam!. Meu Deus \u00e9 um futebolzinho bem aplicado e laborioso o dos ingleses, de uma disciplina t\u00e1tica feroz e uma base f\u00edsica medonha. S\u00d3\u2026Terminou o primeiro tempo com o marcador de 1\u00d70 para Inglaterra\u2026 A maioria dos locutores, principalmente os paulistas, continuava exigir a retirada de Tost\u00e3o. E, no momento em que mais se exasperavam contra o maravilhoso jogador , Tost\u00e3o \u00e9 derrubado, deita-se na grama e faz o gol! Foi um assombro. Em p\u00e9, Tost\u00e3o j\u00e1 \u00e9 pequeno, pequeno e cabe\u00e7udo como um an\u00e3o de Velazques. Imaginem agora deitado. Os ingleses ficaram indignados e explico: &#8211; um gol como o de Tost\u00e3o desafia toda uma complexa e astuta experi\u00eancia imperial! Um minuto depois, Tost\u00e3o d\u00e1 tres ou quatro cortes luminos\u00edssimos e entrega a Jairzinho. Este p\u00f5e l\u00e1 dentro. Naquele momento ru\u00eda toda a pose inglesa. Era a vit\u00f3ria e pergunto: &#8211; como reagimos diante da vit\u00f3ria? Claro que o homem da arquibancada subiu pelas paredes como uma lagartixa profissional!. Mas pergunto: &#8211; e os outros? A imprensa, o que fez a imprensa? E o r\u00e1dio? E a Tv? Deviam estar virando cambalhotas el\u00e1sticas, acrob\u00e1ticas. A Inglaterra pode n\u00e3o ter futebol, mas tem o t\u00edtulo. \u00c9 campe\u00e3 do mundo. Portanto, vencemos o t\u00edtulo. O grandes jornais n\u00e3o concederam ao feito brasileiro uma manchete de primeira p\u00e1gina\u2026Em S\u00e3o Paulo as <em>Folhas<\/em> acharam os ingleses \u201cos melhores\u201d. No Rio a mesma coisa. No subdesenvolvido, a imparcialidade n\u00e3o \u00e9 uma posi\u00e7\u00e3o cr\u00edtica, mas uma sofistica\u00e7\u00e3o insuport\u00e1vel. Fingindo-se de justa, quase toda a cr\u00f4nica falada e escrita falsificou o jogo, isto \u00e9, descreveu um jogo que n\u00e3o houve.<\/p>\n<p>Vejam agora o comportamento dos ingleses. Ningu\u00e9m faz um imp\u00e9rio sem um implac\u00e1vel cinismo. E os nossos advers\u00e1rios portaram-se com um admir\u00e1vel descaro. A Inglaterra foi um Bonsucesso. Dir\u00e3o que estou fazendo um exagero caricatural. Mas, se o Bonsucesso tivesse assassinado a pauladas Maria Stuart, se jogasse a sombra de lord Nelson, lady Hamilton e Dunquerque, e se morasse no pal\u00e1cio de Buckingham &#8211;  o Bonsucesso faria mais que os ingleses. Batidos em dois minutos, submetidos a um ol\u00e9 in\u00e9dito e ignominioso, faltou aos nossos advers\u00e1rios a nobil\u00edssima humildade da autocr\u00edtica. O t\u00e9cnico e os jogadores trataram a derrota como se vit\u00f3ria fosse; esvaziaram a humilha\u00e7\u00e3o de todo o dramatismo. Os brasileiros n\u00e3o s\u00e3o de nada. Tost\u00e3o fez aquele gol espantoso. Deitado, enfiou a bola nas redes. Diante de tamanho feito os ingleses deviam admitir de vista baixa:- \u201d Aprendemos mais esta\u201d. Nada disso e pelo contr\u00e1rio: acharam absurdo, indesculp\u00e1vel, que um jogador deitado fizesse um gol.<\/p>\n<p>Com um cinismo de grande povo, o ingl\u00eas inverte magicamente tudo em seu favor. Ao passo que o brasileiro, subdesenvolvido, inverte tudo em seu preju\u00edzo\u2026<\/p>\n<p>Felizmente houve o \u201cOL\u00c9! OL\u00c9! OL\u00c9!\u201d. Saldanha mandava parar. N\u00e3o queria que o inimigo crescesse na humilha\u00e7\u00e3o. Mas a loucura instalara-se no Est\u00e1dio Mario Filho. Eram 80, 100 mil pessoas \u00e9brias gritando ol\u00e9. E s\u00fabito, da crudel\u00edssima exibi\u00e7\u00e3o, Gerson estica uma bola comprida para Pel\u00e9. O crioul\u00e3o dispara e quase, quase entra com bola e tudo. Depois do jogo, a multid\u00e3o saiu em plena embriaguez. Muitos dias j\u00e1 se passaram. E ainda sentimos a ressaca trinufal do ol\u00e9. <\/p>\n<\/p><\/div>\n<p><object width=\"425\" height=\"344\"><param name=\"movie\" value=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/belIv0mMpWk&#038;hl=pt-br&#038;fs=1&#038;\"><\/param><param name=\"allowFullScreen\" value=\"true\"><\/param><param name=\"allowscriptaccess\" value=\"always\"><\/param><embed src=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/belIv0mMpWk&#038;hl=pt-br&#038;fs=1&#038;\" type=\"application\/x-shockwave-flash\" allowscriptaccess=\"always\" allowfullscreen=\"true\" width=\"425\" height=\"344\"><\/embed><\/object><\/p>\n<div id=\"wp_fb_like_button\" style=\"margin:5px 0;float:none;height:100px;\"><script src=\"http:\/\/connect.facebook.net\/en_US\/all.js#xfbml=1\"><\/script><fb:like href=\"https:\/\/www.archive.raulmourao.com\/blog\/?p=337\" send=\"false\" layout=\"standard\" width=\"450\" show_faces=\"true\" font=\"arial\" action=\"like\" colorscheme=\"light\"><\/fb:like><\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O novo site do Canal 100 est\u00e1 no ar e esse texto do Nelson Rodrigues e o filme do jogo despedida do goleiro Gilmar a\u00ed embaixo eu peguei l\u00e1&#8230; Quinta feira, 12 de Junho de 1969, o goleiro bi-campe\u00e3o do mundo Gilmar se despedia da sele\u00e7\u00e3o em amistoso contra a Inglaterra num Maracan\u00e3 abarrotado de &hellip;<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.archive.raulmourao.com\/blog\/?p=337\" class=\"more-link\">Read More<\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[1],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.archive.raulmourao.com\/blog\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/337"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.archive.raulmourao.com\/blog\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.archive.raulmourao.com\/blog\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.archive.raulmourao.com\/blog\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.archive.raulmourao.com\/blog\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=337"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.archive.raulmourao.com\/blog\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/337\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.archive.raulmourao.com\/blog\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=337"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.archive.raulmourao.com\/blog\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=337"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.archive.raulmourao.com\/blog\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=337"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}