{"id":3296,"date":"2014-08-27T15:29:07","date_gmt":"2014-08-27T15:29:07","guid":{"rendered":"https:\/\/raulmourao.com\/blog\/?p=3296"},"modified":"2014-08-29T05:35:11","modified_gmt":"2014-08-29T05:35:11","slug":"carlito-nara-roesler-sp","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.archive.raulmourao.com\/blog\/?p=3296","title":{"rendered":"Carlito Carvalhosa @ NARA ROESLER SP"},"content":{"rendered":"<p class=\"normal\" style=\"color: #808285;\"><a href=\"https:\/\/archive.raulmourao.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/carlito_nara_roesler_sp.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-3297\" src=\"https:\/\/archive.raulmourao.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/carlito_nara_roesler_sp.jpg\" alt=\"carlito_nara_roesler_sp\" width=\"825\" height=\"600\" srcset=\"https:\/\/www.archive.raulmourao.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/carlito_nara_roesler_sp.jpg 825w, https:\/\/www.archive.raulmourao.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/carlito_nara_roesler_sp-300x218.jpg 300w, https:\/\/www.archive.raulmourao.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/carlito_nara_roesler_sp-600x436.jpg 600w\" sizes=\"(max-width: 825px) 100vw, 825px\" \/><\/a><\/p>\n<p class=\"normal\" style=\"color: #808285;\">Carlito Carvalhosa faz sua primeira individual na Galeria Nara Roesler a partir de 30 de agosto, trazendo uma megainstala\u00e7\u00e3o concebida especialmente para o espa\u00e7o da galeria.<\/p>\n<p class=\"normal\" style=\"color: #808285;\">A obra consiste na suspens\u00e3o de antigos postes de luz de madeira atravessando o espa\u00e7o expositivo, mesclados a pe\u00e7as de vidro espalhadas pelo ch\u00e3o. Em alguns pontos, os troncos cruzam as paredes, que ajudam a sustent\u00e1-los no ar; em outros, s\u00e3o as intersec\u00e7\u00f5es entre dois ou mais deles que os mant\u00eam no alto.<\/p>\n<p class=\"normal\" style=\"color: #808285;\">Na sala principal figuram os grandes artefatos de madeira, acompanhados de copos e l\u00e2mpadas fluorescentes, aqui acoplados ao fundo da sala. \u00c9 como se o ch\u00e3o tivesse sido suspenso para a parede. Esse espa\u00e7o expositivo inclui ainda cerca de 16 desenhos de pequenas dimens\u00f5es criados como um \u201centalhe\u201d na tinta azul. Na parte dianteira da galeria, a vitrine \u00e9 tomada pelos copos e l\u00e2mpadas, dessa vez no ch\u00e3o e \u201catravessando\u201d o vidro rumo \u00e0 rua.<\/p>\n<p class=\"normal\" style=\"color: #808285;\"><strong>o conceito por tr\u00e1s da obra<\/strong><\/p>\n<p class=\"normal\" style=\"color: #808285;\">Atravessando o cubo branco, os postes &#8211; pe\u00e7as inutilizadas de mobili\u00e1rio urbano &#8211; s\u00e3o ressignificadas e ressignificam o local em que se inserem. Trazem para dentro da galeria o universo cotidiano constitu\u00eddo por elementos que s\u00e3o ao mesmo tempo natureza (toras de madeira) e a\u00e7\u00e3o humana (postes de luz). Em seu estado de suspens\u00e3o no ambiente, que conserva e evidencia atos de prop\u00f3sito est\u00e9tico, esses troncos parecem eternizar o movimento pelo qual a cultura evolui do princ\u00edpio selvagem para a complexidade do conglomerado criado pelo ser humano.<\/p>\n<p class=\"normal\" style=\"color: #808285;\">Tudo na instala\u00e7\u00e3o leva \u00e0 percep\u00e7\u00e3o da atividade humana. Inclusive sua montagem, que n\u00e3o s\u00f3 mant\u00e9m nos troncos os antigos an\u00e9is de metal da extremidade como tamb\u00e9m deixa vis\u00edveis as grandes porcas e parafusos que prendem as bra\u00e7adeiras das jun\u00e7\u00f5es. A mat\u00e9ria parece n\u00e3o sofrer a\u00e7\u00e3o da gravidade. A galeria passa ent\u00e3o a ser a guardi\u00e3 da suspens\u00e3o no tempo e no espa\u00e7o da natureza convertida em cultura. E nisso se configura seu car\u00e1ter de arte: na articula\u00e7\u00e3o dos dois p\u00f3los que constituem o ser humano e na impress\u00e3o de eterniza\u00e7\u00e3o do transit\u00f3rio.<\/p>\n<p class=\"normal\" style=\"color: #808285;\">Os copos e as l\u00e2mpadas espalhados pelo ch\u00e3o emprestam uma sensa\u00e7\u00e3o de fragilidade \u00e0 apar\u00eancia da queda iminente, mas encenada de forma est\u00e1tica, como se pudessem se quebrar a qualquer momento. A a\u00e7\u00e3o da mat\u00e9ria natural (o tronco de madeira) se sobrep\u00f5e \u00e0 cultura (o vidro trabalhado pelo homem), mostrando a suscetibilidade desta.<\/p>\n<p style=\"color: #808285;\">Como define o historiador da arte Lorenzo Mammi, \u201ccertamente, o paradoxo da imobilidade do transit\u00f3rio n\u00e3o \u00e9 pr\u00f3prio apenas do trabalho de Carvalhosa, mas de toda a arte, se n\u00e3o de toda forma. Toda formaliza\u00e7\u00e3o \u00e9 um ato de soberba, natural \u00e9 desfazer-se. Mas nas obras de Carvalhosa a quest\u00e3o parece adquirir uma inquietude mais intensa, que a torna central. N\u00e3o h\u00e1 muitos trabalhos de outros artistas em que fique t\u00e3o evidente que formalizar \u00e9 estancar uma mat\u00e9ria que escoa, estabelecer um corte horizontal numa descida lenta, mas imposs\u00edvel de se deter para sempre. O trabalho de Carlito Carvalhosa fala da conviv\u00eancia desconfort\u00e1vel de tempo e eternidade.\u201d<\/p>\n<div id=\"wp_fb_like_button\" style=\"margin:5px 0;float:none;height:100px;\"><script src=\"http:\/\/connect.facebook.net\/en_US\/all.js#xfbml=1\"><\/script><fb:like href=\"https:\/\/www.archive.raulmourao.com\/blog\/?p=3296\" send=\"false\" layout=\"standard\" width=\"450\" show_faces=\"true\" font=\"arial\" action=\"like\" colorscheme=\"light\"><\/fb:like><\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Carlito Carvalhosa faz sua primeira individual na Galeria Nara Roesler a partir de 30 de agosto, trazendo uma megainstala\u00e7\u00e3o concebida especialmente para o espa\u00e7o da galeria. A obra consiste na suspens\u00e3o de antigos postes de luz de madeira atravessando o espa\u00e7o expositivo, mesclados a pe\u00e7as de vidro espalhadas pelo ch\u00e3o. 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