{"id":3214,"date":"2014-07-18T05:37:07","date_gmt":"2014-07-18T05:37:07","guid":{"rendered":"https:\/\/raulmourao.com\/blog\/?p=3214"},"modified":"2014-07-18T17:02:10","modified_gmt":"2014-07-18T17:02:10","slug":"sobrecultura-entrevista-ronaldo-brito","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.archive.raulmourao.com\/blog\/?p=3214","title":{"rendered":"sobreCultura entrevista Ronaldo Brito. Por:\u00a0Henrique Kugler"},"content":{"rendered":"<h1 class=\"documentFirstHeading\" style=\"color: #26457d;\"><a href=\"http:\/\/ch.tangrama.com.br\/revista-ch\/2014\/315\/a-morte-indolor-da-arte\"><span id=\"parent-fieldname-title\">A morte indolor da arte<\/span><\/a><\/h1>\n<p class=\"documentDescription\" style=\"font-weight: bold;\"><span id=\"parent-fieldname-description\"><a href=\"http:\/\/ch.tangrama.com.br\/revista-ch\/2014\/315\/a-morte-indolor-da-arte\">Em entrevista ao sobreCultura, o cr\u00edtico Ronaldo Brito fala dos \u00edcones da arte moderna brasileira e sua repercuss\u00e3o no cen\u00e1rio internacional hoje.<\/a>\u00a0<\/span><\/p>\n<p>Por:\u00a0Henrique Kugler, Ci\u00eancia Hoje\/ RJ<\/p>\n<p>Publicado em 07\/07\/2014\u00a0| Atualizado em\u00a007\/07\/2014<\/p>\n<div class=\"newsImageContainer\">\n<div style=\"width: 410px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a id=\"parent-fieldname-image\" style=\"color: #436976;\" href=\"http:\/\/ch.tangrama.com.br\/revista-ch\/2014\/315\/a-morte-indolor-da-arte\/image\" rel=\"lightbox\"><img loading=\"lazy\" class=\"newsImage link-overlay\" title=\"\u00c9 ineg\u00e1vel a presen\u00e7a de artistas brasileiros em exposi\u00e7\u00f5es internacionais, como a de Mira Schendel na Tate Modern, em Londres, no fim de 2013. (foto: Martin Beek \u2013 CC BY-NC-ND 2.0)\" src=\"http:\/\/ch.tangrama.com.br\/revista-ch\/2014\/315\/a-morte-indolor-da-arte\/image_preview\" alt=\"A morte indolor da arte\" width=\"400\" height=\"279\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">\u00c9 ineg\u00e1vel a presen\u00e7a de artistas brasileiros em exposi\u00e7\u00f5es internacionais, como a de Mira Schendel na Tate Modern, em Londres, no fim de 2013. (foto: Martin Beek \u2013 CC BY-NC-ND 2.0)<\/p><\/div>\n<\/div>\n<div id=\"parent-fieldname-text\" class=\"plain\">\n<p>Quando o assunto \u00e9 arte moderna, atire a primeira pedra quem jamais torceu o nariz diante das formas e cores aparentemente ca\u00f3ticas que marcaram a est\u00e9tica dominante no s\u00e9culo 20. Salvador Dal\u00ed (1904-1989) que o diga. Em seu Libelo contra a arte moderna, o pintor catal\u00e3o n\u00e3o economizaria improp\u00e9rios aos cr\u00edticos que se curvavam \u00e0s vanguardas art\u00edsticas por mais \u201chorrorosas\u201d que fossem: \u201cDiante dessa derrocada total dos meios de express\u00e3o, acreditou-se ter dado um passo adiante rumo \u00e0 libera\u00e7\u00e3o da t\u00e9cnica pict\u00f3rica; e cada fracasso foi batizado de economia, intensidade e plasticidade\u201d.<\/p>\n<p>Compreender o fazer art\u00edstico do \u00faltimo s\u00e9culo demanda um olhar apurado. No Brasil, a arte moderna teve seus \u00edcones \u2013 e seus grandes nomes s\u00e3o, agora, cada vez mais conhecidos no cen\u00e1rio internacional. Quem nos contextualiza a respeito \u00e9 o cr\u00edtico Ronaldo Brito, do Departamento de Hist\u00f3ria da Pontif\u00edcia Universidade Cat\u00f3lica do Rio de Janeiro (PUC-Rio). Ele comenta sobre os caminhos e descaminhos da arte moderna. E, no embalo do racioc\u00ednio, explica as origens e consequ\u00eancias do regime de mercantiliza\u00e7\u00e3o sum\u00e1ria a que est\u00e1 submissa a arte de nosso tempo.<\/p>\n<p><strong><em><img class=\"image-left\" src=\"http:\/\/ch.tangrama.com.br\/revista-ch\/2014\/315\/imagens\/RonaldoBrito02.jpg\/image_mini\" alt=\"Ronaldo Brito\" \/><\/em><\/strong><\/p>\n<p><strong><em>sobreCultura<\/em>: A arte brasileira do s\u00e9culo 20, cada vez mais, parece estar em evid\u00eancia no cen\u00e1rio internacional. Essa percep\u00e7\u00e3o \u00e9 correta?<br \/>\nRonaldo Brito<\/strong>: Sim, \u00e9 ineg\u00e1vel. Multiplicam-se exposi\u00e7\u00f5es internacionais de artistas brasileiros. Mira Schendel [1919-1988] teve uma recente exposi\u00e7\u00e3o individual na Tate Modern, em Londres. Suas obras j\u00e1 foram expostas tamb\u00e9m no Museu de Arte Moderna de Nova York, assim como as de Lygia Clark [1920-1988]. Willis de Castro [1926-1988] e H\u00e9lio Oiticica [1937-1980] tamb\u00e9m s\u00e3o cada vez mais reconhecidos no exterior, entre v\u00e1rios outros exemplos. Quero crer que esse reconhecimento internacional seja pela qualidade e pela pot\u00eancia po\u00e9tica das obras. Por outro lado, \u00e9 curioso que Iber\u00ea Camargo [1914-1994] ou Alfredo Volpi [1896-1988], segundo muitos os maiores pintores brasileiros, ainda n\u00e3o sejam amplamente conhecidos nem mesmo no Brasil.<\/p>\n<p>Talvez por n\u00e3o explicitarem a no\u00e7\u00e3o de brasilidade \u2013 que \u00e9 a praga nacional, uma ret\u00f3rica regressiva, um populismo que insiste em sobreviver. A ideia de brasilidade \u2013 t\u00e3o cara, por exemplo, a pintores como Candido Portinari [1903-1962] e Emiliano Di Cavalcanti [1897-1976], baseia-se em um regionalismo que \u00e9 negado pela verdadeira arte moderna brasileira, pois entra em conflito com o universalismo pr\u00f3prio de sua linguagem.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m \u00e9 o caso de Osvaldo Goeldi [1895-1961], um artista sensacional. Mas, at\u00e9 hoje, n\u00e3o h\u00e1 no pa\u00eds um museu dedicado \u00e0 sua obra. Falta materialidade simb\u00f3lica. Isto \u00e9, as obras n\u00e3o entram na corrente sangu\u00ednea do p\u00fablico. \u00c9 inexplic\u00e1vel como o Brasil n\u00e3o metaboliza isso. Mas no exterior, sim, \u00e9 ineg\u00e1vel a crescente visibilidade de alguns de nossos artistas.<\/p>\n<p><strong>Essa visibilidade pode ser relacionada \u00e0 crescente import\u00e2ncia geopol\u00edtica que o Brasil protagoniza no mundo?<\/strong><br \/>\nAcredito que n\u00e3o haja uma liga\u00e7\u00e3o direta de causa e efeito. O que aconteceu foi que, a partir dos anos 1980, a arte entrou no universo da ind\u00fastria de massa \u2013 n\u00e3o pela aquisi\u00e7\u00e3o particular de obras, mas pela sua inclus\u00e3o no circuito da ind\u00fastria do turismo e do entretenimento. Museus s\u00e3o as novas catedrais. Recebem quantidades enormes de visitantes, e em fun\u00e7\u00e3o disso s\u00e3o projetados.<\/p>\n<p>Muitos museus na Europa j\u00e1 foram feitos pensando nessa escala de massa. O lugar mais visitado do mundo \u00e9 o Museu do Louvre, em Paris \u2013 que pouco faz em termos de arte contempor\u00e2nea. E as obras de l\u00e1 se tornaram mercadorias de turismo e entretenimento. Massifica\u00e7\u00e3o e mercantiliza\u00e7\u00e3o. \u00c9 o usufruto do museu como mercadoria.<\/p>\n<p><strong>O s\u00e9culo 20 foi o s\u00e9culo da massifica\u00e7\u00e3o. Parecem ter-se confirmado as premissas do fil\u00f3sofo alem\u00e3o Theodor Adorno (1903-1969), que visualizou a transforma\u00e7\u00e3o da arte em mercadoria e cunhou o termo \u2018ind\u00fastria cultural\u2019. Qual o reflexo dessa mercantiliza\u00e7\u00e3o do fazer art\u00edstico sobre a arte e sobre os pr\u00f3prios artistas?<\/strong><br \/>\nA\u00a0<em>pop art<\/em>\u00a0norte-americana, nos anos 1950, assumiu conscientemente o car\u00e1ter alienado e mercadol\u00f3gico da arte. Reconheceu que n\u00e3o havia como escapar disso e que se tornar mercadoria seria seu destino fatal. (Curiosidade: o pintor espanhol Pablo Picasso [1881-1973] afirmou que gostaria de retirar suas obras dos museus e jog\u00e1-las de volta \u00e0 natureza. Nas praias, nas florestas.)<\/p>\n<p><strong>Que diferen\u00e7as marcaram os artistas da primeira e da segunda metade do s\u00e9culo 20?<\/strong><br \/>\nOs artistas da segunda metade do s\u00e9culo 20 experimentaram um car\u00e1ter p\u00fablico e mercadol\u00f3gico que os anteriores mal chegaram a conhecer. Entraram em um circuito global. O artista deixou de ser g\u00eanio para ser celebridade. Mas, como celebridade, o artista ser\u00e1 sempre uma celebridade de segunda ordem. Celebridades s\u00e3o fen\u00f4menos aleat\u00f3rios \u2013 condicionados talvez por sorte ou perfil.<\/p>\n<p>Para os artistas da primeira metade do s\u00e9culo, como Mira Schendel, havia uma demanda por materialidade p\u00fablica de seus trabalhos. Trabalhavam num isolamento, numa incompreens\u00e3o. Ao mesmo tempo em que o Brasil produziu essa arte, ele n\u00e3o foi capaz de digeri-la \u2013 pois n\u00e3o temos uma cultura visual forte. Simplificando: se antes o problema do artista era uma irrealidade, agora o problema \u00e9 realidade demais. O excesso de realidade; o peso da realidade. O novo artista \u00e9 quase um funcion\u00e1rio de uma ind\u00fastria. Passa a vida levando trabalhos para diferentes lugares do mundo.<\/p>\n<p>Artistas jovens, inclusive brasileiros, j\u00e1 fazem parte desse circuito mundial. H\u00e1 muita \u201carte de aeroporto\u201d. O sujeito fica levando sua instala\u00e7\u00e3o para l\u00e1 e para c\u00e1&#8230; E o novo artista pode, do dia pra noite, tornar-se celebridade. O que \u00e9 terr\u00edvel. Ao acordar, ver\u00e1 que est\u00e1 dentro de um circuito de demandas vorazes. \u00c9 um regime de sucesso que amea\u00e7a engolf\u00e1-lo. Mas essa fama, quase sempre irris\u00f3ria, acaba sendo o horizonte imediato a ser conquistado. Porque \u00e9 isto ou n\u00e3o existir. Se o artista n\u00e3o fizer esse percurso, ele ser\u00e1 invis\u00edvel.<\/p>\n<p><strong>A arte contempor\u00e2nea d\u00e1 novo f\u00f4lego a uma quest\u00e3o sem\u00e2ntica: o que o artista quer dizer \u00e9 de fato o que o p\u00fablico entende? O que se pensa a respeito disso atualmente?<\/strong><br \/>\nNa modernidade tardia, toda obra \u00e9 feita em uma rela\u00e7\u00e3o com um processo institucional. A arte j\u00e1 n\u00e3o respira aquele ar livre da boemia. \u00c9 uma arte que sabe que ser\u00e1 prontamente consumida e processada. Supor que aquilo que o artista diz \u00e9 aquilo que seu p\u00fablico entender\u00e1? Quest\u00e3o ing\u00eanua. Estamos no regime geral do equ\u00edvoco. Ningu\u00e9m sup\u00f5e isso. Sup\u00f5e-se que a arte \u00e9 um processo.<\/p>\n<p><strong>Desse modo, as obras contempor\u00e2neas n\u00e3o correm o risco de se tornar herm\u00e9ticas, inacess\u00edveis ou mesmo esvaziadas de sentido?<\/strong><br \/>\nIsso \u00e9 senso comum. Creio que esse dilema j\u00e1 tenha ficado para tr\u00e1s. No Brasil, claro, h\u00e1 dificuldades. O pintor holand\u00eas Vincent Van Gogh [1853-1890] era incompreendido pelo grande p\u00fablico. Mas tinha seus pares. Cientistas s\u00e3o incompreendidos pelo grande p\u00fablico. Mas t\u00eam seus pares.<\/p>\n<p><strong>O senhor critica a ineficiente atua\u00e7\u00e3o das institui\u00e7\u00f5es brasileiras no sentido de n\u00e3o darem o devido suporte \u00e0 produ\u00e7\u00e3o e dissemina\u00e7\u00e3o de nossa arte. Por qu\u00ea?<\/strong><br \/>\nO problema n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 nossa fragilidade institucional. Falta dar materialidade p\u00fablica \u00e0 arte moderna brasileira. A hist\u00f3ria de nossa arte \u00e9 fantasm\u00e1tica. Pois n\u00e3o passa pelo teste do real, que \u00e9 estar presente, formando consensos. O que faz parte do cotidiano hoje s\u00e3o os museus. N\u00e3o a arte. N\u00e3o se vai a um museu para ver a arte de fulano ou ciclano. E sim para ver o que est\u00e1 ofertando o pr\u00f3prio museu.<\/p>\n<p><strong>Cronologicamente, como devemos entender a evolu\u00e7\u00e3o da arte brasileira ao longo do s\u00e9culo 20? Quando o moderno passa a ser p\u00f3s-moderno ou mesmo contempor\u00e2neo?<\/strong><br \/>\nHoje, muitos n\u00e3o falam mais em modernidade, e sim em p\u00f3s-modernidade. O p\u00f3s-modernismo come\u00e7a na arquitetura, nas d\u00e9cadas de 1970 e 1980.<\/p>\n<p>Mas \u00e9 um conceito selvagem, dif\u00edcil de compreender. H\u00e1 v\u00e1rios tipos de p\u00f3s-modernidade. Uma das maneiras de entend\u00ea-la \u00e9 imagin\u00e1-la como uma modernidade hiperconsciente e cr\u00edtica de si mesma. N\u00e3o \u00e9 mais um idealismo formal ortodoxo. E sim uma rela\u00e7\u00e3o entre o artista e o universo. Ou entre o artista e o \u201ccriador\u201d \u2013 figura na qual ningu\u00e9m mais acredita, eu suponho.<\/p>\n<p>Ningu\u00e9m sabe o que \u00e9 arte. Nem mesmo um artista. Sabemos, no entanto, o que ela n\u00e3o \u00e9: n\u00e3o \u00e9 cultura, nem artesanato, nem t\u00e9cnica. O que define arte moderna \u00e9 exatamente o fato de que ningu\u00e9m sabe o que ela \u00e9. Trata-se de algo que escapa aos conceitos.<\/p>\n<p><strong>Qual a sua percep\u00e7\u00e3o acerca dos rumos atuais da arte contempor\u00e2nea no Brasil?<\/strong><br \/>\nO risco que corre a arte, hoje, \u00e9 o de uma morte institucional e indolor. Essa nova morte da arte n\u00e3o \u00e9 o gesto escandaloso e iconoclasta do dada\u00edsmo. \u00c9 a redu\u00e7\u00e3o dela a mercadoria, a discurso cultural. Uma arte que n\u00e3o diz sim nem n\u00e3o. Algo que tem acompanhado o fazer art\u00edstico \u00e9 sua insignific\u00e2ncia, sua falta de transcend\u00eancia, seu car\u00e1ter banal.<\/p>\n<p>A arte torna-se parte da ind\u00fastria do entretenimento. Al\u00e9m disso, a arte se tornou uma discuss\u00e3o quase jornal\u00edstica: ela leva em conta quest\u00f5es de identidade, g\u00eanero, sexualidade, pol\u00edtica&#8230; Uma vez que ela se aproxima desse dom\u00ednio mais p\u00fablico \u2013 e, em parte, essa era uma demanda da pr\u00f3pria arte moderna \u2013 ela passa a abrir m\u00e3o de sua densidade formal. Torna-se mais parecida com as discuss\u00f5es sociais vigentes. A arte acaba se tornando comunica\u00e7\u00e3o social, nesse sentido. H\u00e1 artistas que se dobram a isso, evidentemente. Mas quando a arte \u00e9 transformada em mero discurso social, seu conte\u00fado hist\u00f3rico \u00e9 esvaziado.<\/p>\n<\/div>\n<div id=\"wp_fb_like_button\" style=\"margin:5px 0;float:none;height:100px;\"><script src=\"http:\/\/connect.facebook.net\/en_US\/all.js#xfbml=1\"><\/script><fb:like href=\"https:\/\/www.archive.raulmourao.com\/blog\/?p=3214\" send=\"false\" layout=\"standard\" width=\"450\" show_faces=\"true\" font=\"arial\" action=\"like\" colorscheme=\"light\"><\/fb:like><\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A morte indolor da arte Em entrevista ao sobreCultura, o cr\u00edtico Ronaldo Brito fala dos \u00edcones da arte moderna brasileira e sua repercuss\u00e3o no cen\u00e1rio internacional hoje.\u00a0 Por:\u00a0Henrique Kugler, Ci\u00eancia Hoje\/ RJ Publicado em 07\/07\/2014\u00a0| Atualizado em\u00a007\/07\/2014 Quando o assunto \u00e9 arte moderna, atire a primeira pedra quem jamais torceu o nariz diante das formas &hellip;<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.archive.raulmourao.com\/blog\/?p=3214\" class=\"more-link\">Read More<\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[1],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.archive.raulmourao.com\/blog\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/3214"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.archive.raulmourao.com\/blog\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.archive.raulmourao.com\/blog\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.archive.raulmourao.com\/blog\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.archive.raulmourao.com\/blog\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=3214"}],"version-history":[{"count":6,"href":"https:\/\/www.archive.raulmourao.com\/blog\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/3214\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":3220,"href":"https:\/\/www.archive.raulmourao.com\/blog\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/3214\/revisions\/3220"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.archive.raulmourao.com\/blog\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=3214"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.archive.raulmourao.com\/blog\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=3214"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.archive.raulmourao.com\/blog\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=3214"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}