{"id":318,"date":"2009-05-31T15:23:00","date_gmt":"2009-05-31T15:23:00","guid":{"rendered":"https:\/\/raulmourao.com\/blog\/?p=318"},"modified":"2009-05-31T15:23:00","modified_gmt":"2009-05-31T15:23:00","slug":"os-beatles-e-a-anima","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.archive.raulmourao.com\/blog\/?p=318","title":{"rendered":"Os Beatles e a Anima"},"content":{"rendered":"<p><object width=\"425\" height=\"344\"><param name=\"movie\" value=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/gedtmkfTeSI&#038;color1=0xb1b1b1&#038;color2=0xcfcfcf&#038;hl=pt-br&#038;feature=player_embedded&#038;fs=1\"><\/param><param name=\"allowFullScreen\" value=\"true\"><\/param><embed src=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/gedtmkfTeSI&#038;color1=0xb1b1b1&#038;color2=0xcfcfcf&#038;hl=pt-br&#038;feature=player_embedded&#038;fs=1\" type=\"application\/x-shockwave-flash\" allowfullscreen=\"true\" width=\"425\" height=\"344\"><\/embed><\/object><\/p>\n<p>\u00c9 um post que peguei l\u00e1 no <a href=\"http:\/\/cidadeealma.blogspot.com\/\">excelente blog do psicologo doutor professor Henrique Pereira chamado Cidade e Alma<\/a>. Foi a dica da madrugada do Marcelo irm\u00e3o do Henrique (que l\u00e1 pelas 2h da matina chafurdava o <a href=\"http:\/\/antoniocicero.blogspot.com\/\">blog do Antonio Cicero<\/a> e tentava comprar sem sucesso &#8220;o mundo desde o fim&#8221;, livro de filosofia do Cicero, onde ele defende uma concep\u00e7\u00e3o de modernidade mas que est\u00e1 esgotado no Brasil, dispon\u00edvel apenas numa edi\u00e7\u00e3o portuguesa&#8230;). Cidade e alma \u00e9 mais um blog assinado no esquema RSS &#8211; Google Reader e daqui pra frente n\u00e3o perco mais nada. Del\u00edcia. Obrigado Pereiras.<\/p>\n<p><span style=\"font-weight:bold;\">Os Beatles e a Anima<br \/><\/span><br \/>Nelson Rodrigues dizia que ele n\u00e3o seria quem era sem suas \u201cobsess\u00f5es\u201d. Pois eu tamb\u00e9m tenho as minhas. E uma de minhas obsess\u00f5es mais incorrig\u00edveis s\u00e3o os Beatles.<\/p>\n<p>Para quem esteve ausente do planeta Terra nos \u00faltimos 50 anos, aqui vai uma breve explica\u00e7\u00e3o. Os Beatles foram um dos maiores fen\u00f4menos culturais do s\u00e9culo XX. Fen\u00f4meno a um s\u00f3 tempo de comportamento, ind\u00fastria e, principalmente, m\u00fasica. A maior parte de suas can\u00e7\u00f5es suportou o impiedoso teste do Tempo e continua, depois de quase quarenta anos do t\u00e9rmino da banda, a alegrar nossos cora\u00e7\u00f5es. Continua, \u00e9 preciso dizer, a influenciar uma nova gera\u00e7\u00e3o de m\u00fasicos, como \u00e9 o caso do extraordin\u00e1rio pianista de jazz Brad Mehldau e de Elliott Smith, talentoso cantor e compositor j\u00e1 falecido (\u201c<em>buon<\/em><em>\u2019anima<\/em>!\u201d).<\/p>\n<p>Gostaria de falar dos Beatles de um prisma diferente do habitual, isto \u00e9, do musical. Gostaria de imaginar a m\u00fasica do quarteto de Liverpool da perspectiva da psicologia junguiana.<\/p>\n<p>A m\u00fasica dos Beatles foi profundamente marcada pelo que Jung chamou de anima. Por \u201canima\u201d, entenda-se a face imaginativa, er\u00f3tica e feminina da psique. James Hillman, analista junguiano, explica:<\/p>\n<p>\u201cFuncionalmente, a anima opera como aquele complexo que conecta nossa consci\u00eancia habitual com a imagina\u00e7\u00e3o, ao provocar desejo ou obnubilar-nos com fantasias e devaneios, ou aprofundando nossa reflex\u00e3o. Ela \u00e9 ambos ponte para o imaginal e tamb\u00e9m para o outro lado, personificando a imagina\u00e7\u00e3o da alma. Anima \u00e9 psique personificada, como Psych\u00e9 na sua historia antiga de Apuleio personificava a alma\u201d.<\/p>\n<p>Eu diria mesmo que a m\u00fasica dos Beatles pode ser entendida como uma experi\u00eancia da e com a anima. Primeiramente, a anima surge projetada na figuras de garotas e no relacionamento amoroso juvenil. \u00c9 o caso de can\u00e7\u00f5es dos primeiros discos da banda, algo ing\u00eanuas para os ouvidos de hoje, tais como <em>I saw her standing there<\/em>, <em>I wanna hold your hand <\/em>e <em>From me to you<\/em>.<\/p>\n<p>Aos poucos esta proje\u00e7\u00e3o foi sendo desfeita ou, antes, transformada. A anima foi tornando-se mais uma esp\u00e9cie de pot\u00eancia imaginante a investir outras tem\u00e1ticas e mesmo outras formas de fazer m\u00fasica. As can\u00e7\u00f5es dos Beatles foram ent\u00e3o ficando mais complexas na forma e no conte\u00fado. Come\u00e7am a romper com o formato de combo, introduzindo elementos orquestrais e instrumentos ex\u00f3ticos, como a c\u00edtara. Surgem experimenta\u00e7\u00f5es com <em>feedback<\/em>. A anima dos <em>fab four <\/em>passou a ser vivenciada como a pr\u00f3pria imagina\u00e7\u00e3o criadora \u2014 a <em>femme inspiratrice <\/em>\u2014 do grupo.<\/p>\n<p>Mas foi depois da segunda metade de 1966, quando a banda decidiu parar de apresentar-se ao vivo, que a criatividade dos Beatles parece ter de fato explodido. Interessante observar que a retirada da proje\u00e7\u00e3o da anima coincide ent\u00e3o com a retirada dos Beatles dos palcos.<\/p>\n<p>De 1966 em diante, os Beatles v\u00e3o se tornando musicalmente mais ousados. O trabalho em est\u00fadio se sofistica. A cada faixa de cada disco uma surpresa, uma revolu\u00e7\u00e3o sonora: <em>they boldly go where no man has gone before<\/em>. A criatividade da banda do sargento pimenta parecia inesgot\u00e1vel. Deste per\u00edodo, podemos citar, dentre tantas can\u00e7\u00f5es maravilhosas, <em>Tomorrow Never Knows <\/em>(influ\u00eancia indiana, budismo tibetano e experimenta\u00e7\u00e3o eletr\u00f4nica), <em>Honey Pie <\/em>(foxtrot), <em>Revolution <\/em>(tem\u00e1tica pol\u00edtica), <em>Blackbird <\/em>(reinven\u00e7\u00e3o de m\u00fasica erudita, tem\u00e1tica \u00e9tico-pol\u00edtica), <em>Something <\/em>(o fasc\u00ednio misterioso da amada), <em>Because <\/em>(reinven\u00e7\u00e3o do cl\u00e1ssico), <em>Sun King <\/em>(surrealismo), <em>Her Magesty <\/em>(ironia iconoclasta).<\/p>\n<p>Personificada, a anima se revela, por exemplo, nas personagens femininas de <em>Eleonor Rigby<\/em>, <em>Lovely Rita<\/em>, <em>Lady Madonna<\/em>, <em>Julia <\/em> e <em>Let it be <\/em>(&#8220;Mother Mary comes to me&#8221;).<\/p>\n<p>Para finalizar: imaginemos os Beatles como um fen\u00f4meno arquet\u00edpico. O quarteto ingl\u00eas como uma esp\u00e9cie de mandala, uma imagem arquet\u00edpica do si-mesmo. Por emanar um fasc\u00ednio m\u00edtico, sua m\u00fasica tem encantado tanta gente durante tanto tempo. Lennon &amp; McCartney (seguidos de perto por Harrison), esses herois p\u00f3s-modernos, ajudaram e ajudam a tornar a mis\u00e9ria de nossa condi\u00e7\u00e3o humana mais suport\u00e1vel.<\/p>\n<div id=\"wp_fb_like_button\" style=\"margin:5px 0;float:none;height:100px;\"><script src=\"http:\/\/connect.facebook.net\/en_US\/all.js#xfbml=1\"><\/script><fb:like href=\"https:\/\/www.archive.raulmourao.com\/blog\/?p=318\" send=\"false\" layout=\"standard\" width=\"450\" show_faces=\"true\" font=\"arial\" action=\"like\" colorscheme=\"light\"><\/fb:like><\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00c9 um post que peguei l\u00e1 no excelente blog do psicologo doutor professor Henrique Pereira chamado Cidade e Alma. 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