{"id":3171,"date":"2014-08-14T18:34:54","date_gmt":"2014-08-14T18:34:54","guid":{"rendered":"https:\/\/raulmourao.com\/blog\/?p=3171"},"modified":"2014-08-14T22:32:28","modified_gmt":"2014-08-14T22:32:28","slug":"uma-vida-revelada-a-descoberta-do-tesouro-vivian-maier-por-emilio-fraia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.archive.raulmourao.com\/blog\/?p=3171","title":{"rendered":"Uma vida revelada A descoberta do tesouro Vivian Maier por Emilio Fraia"},"content":{"rendered":"<p><b>Na I<a href=\"http:\/\/www1.folha.uol.com.br\/fsp\/ilustrissima\/171145-uma-vida-revelada.shtml\">lustrissima da Folha de <\/a>alguns domingos atr\u00e1s. E aqui o site <a href=\"http:\/\/www.vivianmaier.com\">oficial de Vivian<\/a>.<\/b><\/p>\n<p>Descoberta por acidente, a obra da norte-americana Vivian Maier tornou-se um dos maiores tesouros fotogr\u00e1ficos do s\u00e9culo 20. As 100 mil fotos que a bab\u00e1 fez anonimamente s\u00f3 foram valorizadas ap\u00f3s sua morte, em 2009, e viraram tema de filmes e livros, como &#8220;Vivian Maier: Uma Fot\u00f3grafa de Rua&#8221;, que sai no Brasil.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/archive.raulmourao.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/vivian_maier.png\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-large wp-image-3267\" src=\"https:\/\/archive.raulmourao.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/vivian_maier-1024x1018.png\" alt=\"vivian_maier\" width=\"545\" height=\"541\" srcset=\"https:\/\/www.archive.raulmourao.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/vivian_maier-1024x1018.png 1024w, https:\/\/www.archive.raulmourao.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/vivian_maier-150x150.png 150w, https:\/\/www.archive.raulmourao.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/vivian_maier-300x298.png 300w, https:\/\/www.archive.raulmourao.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/vivian_maier-600x596.png 600w, https:\/\/www.archive.raulmourao.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/vivian_maier.png 1416w\" sizes=\"(max-width: 545px) 100vw, 545px\" \/><\/a><\/p>\n<p>Em 2007, John Maloof, um corretor de im\u00f3veis e historiador ocasional de 26 anos, andava atr\u00e1s de material iconogr\u00e1fico para a elabora\u00e7\u00e3o de um livro sobre Portage Park, bairro onde vivia, em Chicago. O volume serviria para promover a regi\u00e3o, &#8220;coloc\u00e1-la no mapa imobili\u00e1rio da cidade&#8221;. Na \u00e9poca, John tamb\u00e9m presidia uma certa Associa\u00e7\u00e3o de Preserva\u00e7\u00e3o Hist\u00f3rica do Setor Noroeste de Chicago, e passava parte de seus dias tragado por antiqu\u00e1rios, leil\u00f5es de tralhas, feiras, mercados de pulgas, aquilo tudo que o artista belga Francis Al\u00ffs apelidou de &#8220;buracos negros da mem\u00f3ria coletiva&#8221;.<\/p>\n<p>Certo dia, na modesta casa de leil\u00f5es e venda de &#8220;m\u00f3veis vintage, objetos para casa, arte e antiguidades&#8221; RPN (iniciais dos donos Roger, Paul e Nancy), John esbarrou numa caixa atulhada de velhos negativos e fotografias, uma cole\u00e7\u00e3o de imagens urbanas dos anos 1960. Sem saber muito bem se aquilo poderia ou n\u00e3o ser \u00fatil a sua pesquisa, deu um lance de US$ 400 (cerca de R$ 890) e arrematou o lote: 30 mil negativos, 1.600 rolos de filmes n\u00e3o revelados.<\/p>\n<p>Foi para casa, abriu o pacote. As imagens nada tinham a ver com a vizinhan\u00e7a sobre a qual estava interessado -acabou n\u00e3o utilizando uma foto sequer no projeto do livro. Ficaram na caixa, num arm\u00e1rio, por quase um ano.<\/p>\n<p>Nesse ponto, como num daqueles contos de Maupassant em que depois de uma breve introdu\u00e7\u00e3o o narrador diz aos ouvintes (quase sempre no final de um jantar): &#8220;Vou lhes apresentar o caso mais inquietante que jamais encontrei&#8221;, John Maloof nos fala de Vivian Maier. Primeiro, assim, apenas um nome, num envelope, em meio a rolos de filme. Na \u00e9poca, Maloof n\u00e3o sabia praticamente nada sobre fotografia, mas quando decidiu olhar de perto o que tinha em m\u00e3os (e era muita coisa), ficou impressionado. Estava ali, diante dele, um riqu\u00edssimo panorama social de Nova York e Chicago nos anos 1950 e 1960, um olhar cheio de empatia sobre crian\u00e7as e mulheres, a vida de gente simples, a experi\u00eancia dos afro-americanos na cidade, b\u00eabados, vagabundos, a face de m\u00e1rmore de nobres senhoras vestidas com pompa, uma freira na sombra, um homem ca\u00eddo e centenas de autorretratos.<\/p>\n<p>Resolveu ir atr\u00e1s daquela que provavelmente seria a autora das fotos. Vasculhou a internet. Nenhuma refer\u00eancia no Google, nada no Flickr, Twitter, Facebook. Ao mesmo tempo em que tentava encontrar pistas -sem sucesso-, surpreendia-se cada vez mais com a qualidade do material. Passou a escanear os negativos e criou um blog. Seu interesse por fotografia tamb\u00e9m crescia. Fez cursos, leu livros, passou tardes indolentes assistindo \u00e0 s\u00e9rie &#8220;Os G\u00eanios da Fotografia&#8221;, na BBC.<\/p>\n<p>Em 2009, em mais uma de suas mon\u00f3tonas e peri\u00f3dicas varreduras em sites de buscas, algo enfim surgiu: um brev\u00edssimo obitu\u00e1rio, no &#8220;Chicago Tribune&#8221;, do dia 23 de abril daquele ano. Uma nota simples, que dizia apenas: &#8220;Vivian Dorothea Maier, francesa de origem e moradora de Chicago nos \u00faltimos 50 anos, faleceu em paz na segunda-feira. Foi uma segunda m\u00e3e para John, Lane e Matthew. Sua mente aberta tocou a todos que a conheceram. Sempre pronta a dar sua opini\u00e3o, um conselho, uma ajuda&#8221;.<\/p>\n<p>A partir disso, Maloof descobriu que John, Lane e Matthew eram irm\u00e3os e filhos de uma fam\u00edlia para quem a senhorita Maier havia trabalhado por 17 anos, os Gensburg. E descobriu tamb\u00e9m que, durante 40 anos, entre Nova York, Los Angeles e Chicago, Vivian Maier fora bab\u00e1. Nascida em Nova York em 1926, filha de pai austr\u00edaco e m\u00e3e francesa, separados quando Vivian ainda era beb\u00ea, mudou-se para uma pequena cidade na Fran\u00e7a, Saint-Julien-en-Champsaur, onde passou a maior parte da inf\u00e2ncia e da adolesc\u00eancia. Foi l\u00e1 que, em 1949, come\u00e7ou a fotografar, com uma Kodak Brownie, uma c\u00e2mera amadora rudimentar. N\u00e3o se sabe exatamente como desenvolveu essa aptid\u00e3o. Alguns dizem que foi influenciada pela lembran\u00e7a de uma amiga de sua m\u00e3e, a retratista Jeanne Bertrand, que conhecera pequena, ainda nos Estados Unidos. Em 1951, aos 25 anos, voltou para Nova York. Foi quando come\u00e7ou a trabalhar como bab\u00e1 -e a fotografar, compulsivamente, o que fez at\u00e9 o fim de sua vida.<\/p>\n<p><b>REVELA\u00c7\u00c3O<\/b><\/p>\n<p>Em outubro de 2009, enquanto ia desvendando essas e outras pegadas, John postou o link de seu blog sobre Maier num grupo de discuss\u00e3o do Flickr chamado Hardcore Street Photography. Na postagem, perguntava: &#8220;O que devo fazer com essa tralha toda? Consideram esse trabalho digno de uma exposi\u00e7\u00e3o, de um livro? Ou esse tipo de coisa surge o tempo todo, assim, do nada? Qualquer ajuda \u00e9 bem-vinda&#8221;.<\/p>\n<p>Em menos de 24 horas, Maloof recebeu mais de 200 respostas. Algumas, como a assinada pela alcunha Film Noir Anti-Hero, questionavam se aquilo n\u00e3o seria um &#8220;hoax&#8221;, um boato virtual: &#8220;Ser\u00e1 que algu\u00e9m n\u00e3o saiu por a\u00ed tirando fotos de pessoas vestidas com roupas dos anos 40 a fim de publicar na internet e dar o cr\u00e9dito para algu\u00e9m que j\u00e1 morreu?&#8221;. Mas a maioria das mensagens (a postagem no f\u00f3rum chegou a ter 752 respostas) era de relatos absolutamente emocionados com as imagens de Maier.<\/p>\n<p>&#8220;Seus rolos de filme n\u00e3o s\u00e3o uma sequ\u00eancia de cliques. Vivian n\u00e3o era nada impulsiva, era cuidadosa a cada registro. Raramente tirava tr\u00eas ou quatro &#8216;takes&#8217; da mesma cena&#8221;, comenta John Maloof, em entrevista por telefone para a Folha. Sem perder tempo, John foi atr\u00e1s dos outros lotes com o nome de Maier do mesmo leil\u00e3o em que havia adquirido a primeira caixa. Arrematou praticamente tudo. Sua cole\u00e7\u00e3o, hoje, tem quase 150 mil negativos (boa parte ainda n\u00e3o escaneada), al\u00e9m de mais de 3.000 fotos impressas, centenas de rolos ainda n\u00e3o revelados e filmes de 8 mm gravados por ela. Nada disso veio \u00e0 tona durante a vida de Maier, que, at\u00e9 onde se sabe, jamais mostrou a algu\u00e9m seu trabalho.<\/p>\n<p>Neste m\u00eas, com o lan\u00e7amento no Brasil de &#8220;Vivian Maier: Uma Fot\u00f3grafa de Rua&#8221; [Aut\u00eantica, 136 p\u00e1gs., R$ 108], editado por John Maloof, com pref\u00e1cio de Geoff Dyer (leia ao lado), talvez possamos adivinhar algo mais sobre a vida secreta da bab\u00e1-fot\u00f3grafa, cuja obra n\u00e3o raro vem sendo colocada ao lado de mestres como Diane Arbus, Walker Evans, Garry Winogrand e Robert Frank.<\/p>\n<p>Dois outros livros foram publicados recentemente nos Estados Unidos e podem aprofundar o olhar sobre seu legado: &#8220;Vivian Maier: Out of Shadows&#8221; [CityFiles Press, 288 p\u00e1gs., US$ 60], biografia escrita por Richard Cahan e Michael Williams; e &#8220;Vivian Maier: Self-Portraits&#8221; [ed. powerHouse Books, 120 p\u00e1gs., US$ 50], organizado por Maloof com Elizabeth Avedon. Para o fim de 2014, Maloof promete um novo volume de in\u00e9ditas.<br \/>\nUma exposi\u00e7\u00e3o com as fotografias j\u00e1 passou por mais de dez pa\u00edses, incluindo Alemanha, Inglaterra e Fran\u00e7a, e nos pr\u00f3ximos meses deve chegar \u00e0 B\u00e9lgica e \u00e0 Su\u00e9cia. Dois document\u00e1rios, &#8220;Finding Vivian Maier&#8221;, dirigido pelo pr\u00f3prio Maloof em parceria com Charlie Siskel, e &#8220;The Vivian Maier Mistery&#8221;, produzido pela BBC e dirigido por Jill Nicholls, aterrissaram recentemente nos cinemas e na TV.<\/p>\n<p><b>EXPOSI\u00c7\u00c3O<\/b><\/p>\n<p>O reconhecimento cr\u00edtico despontou j\u00e1 em 2011, na ocasi\u00e3o da primeira exposi\u00e7\u00e3o individual de Maier, organizada por Maloof, em Chicago. &#8220;Trata-se de uma das fot\u00f3grafas de rua mais argutas dos Estados Unidos&#8221;, escreveu David W. Dunlap, em extenso artigo no &#8220;New York Times&#8221;.<\/p>\n<p>&#8220;As paisagens urbanas da senhorita Maier conseguem captar ao mesmo tempo a forte marca local e os momentos paradoxais que d\u00e3o \u00e0 cidade o seu pulso&#8221;, diz o articulista. &#8220;As pessoas em seus frames s\u00e3o vulner\u00e1veis, nobres, derrotadas, orgulhosas, fr\u00e1geis, ternas e, n\u00e3o raro, bem c\u00f4micas.&#8221;<\/p>\n<p>Apesar disso, Maloof viu portas de institui\u00e7\u00f5es como o MoMA e a Tate Modern se fecharem. &#8220;Eles n\u00e3o consideram as fotos como vis\u00e3o do artista se n\u00e3o forem impressas pelo pr\u00f3prio artista&#8221;, lamenta.<\/p>\n<p>Para o cr\u00edtico e curador Rubens Fernandes Junior, o fato de nos anos 50 Maier fotografar com uma Rolleiflex, formato m\u00e9dio 6 x 6 cm -mais tarde ela usaria as Rolleiflex 3.5T, 3.5F, 2.8C, uma Leica IIIc, al\u00e9m das Ihagee Exakta, Zeiss Contarex, entre outras- j\u00e1 \u00e9 um ind\u00edcio de sua exig\u00eancia em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 qualidade da imagem. &#8220;Significa tamb\u00e9m, arrisco dizer, que ela provavelmente estava observando os fot\u00f3grafos do per\u00edodo&#8221;, diz.<\/p>\n<p>A grande refer\u00eancia da \u00e9poca, chama a aten\u00e7\u00e3o Fernandes Junior, \u00e9 a exposi\u00e7\u00e3o de Edward Steichen, no MoMA, &#8220;The Family of Man&#8221; (1955), que se tornou um marco do imagin\u00e1rio do p\u00f3s-Guerra. Embora existam poucos ind\u00edcios nesse sentido, o cr\u00edtico acredita que ela estava atenta ao mundo dos museus, para a produ\u00e7\u00e3o de fot\u00f3grafos como Dorothea Lange, Eugene Smith, Irving Penn, Lisette Model, e \u00e0s revistas como &#8220;Life&#8221;, &#8220;Time&#8221; e &#8220;Paris Match&#8221;.<\/p>\n<p>&#8220;H\u00e1 em suas fotos um olhar terno, generoso, que busca incessantemente o di\u00e1logo. Sua composi\u00e7\u00e3o nem sempre \u00e9 \u00f3bvia, e sua luz \u00e9 muito trabalhada, o que denota um amplo conhecimento do of\u00edcio&#8221;, comenta ele. &#8220;O que me espanta \u00e9 sua atitude de nunca ter batalhado pela publica\u00e7\u00e3o ou exibi\u00e7\u00e3o de suas fotografias. Seria muito rigorosa com ela mesma?&#8221;<\/p>\n<p><b>FILME<\/b><\/p>\n<p>Essa \u00e9 uma das quest\u00f5es em &#8220;Finding Vivian Maier&#8221;. Para a realiza\u00e7\u00e3o do filme, o ex-corretor de im\u00f3veis e atual guardi\u00e3o do esp\u00f3lio de Maier entrevistou cerca de 90 pessoas, entre remanescentes das fam\u00edlias em que ela trabalhara como bab\u00e1 e gente que a conhecera na Fran\u00e7a durante a juventude, al\u00e9m de cr\u00edticos e especialistas.<\/p>\n<p>A partir dos depoimentos, descobrimos que, ao se aposentar, Maier estocou seus pertences em v\u00e1rios guarda-m\u00f3veis da cidade. Com o passar dos anos, parou de pagar o aluguel, e suas coisas ficaram esquecidas. Foi assim que boa parte de seu material fotogr\u00e1fico foi parar nas m\u00e3os de leiloeiros.<\/p>\n<p>Nos dep\u00f3sitos, prestes a serem jogados fora, Maloof encontrou chap\u00e9us, c\u00e2meras, ingressos, um par de sapatos vermelhos, cartas, itiner\u00e1rios de viagem, milhares de d\u00f3lares em cheques do governo n\u00e3o descontados, um gravador, uma infinidade de recortes de jornais diligentemente organizados em pastas -boa parte deles sobre crimes ocorridos na cidade.<\/p>\n<p>Maloof conta que Vivian nunca casou, n\u00e3o teve filhos nem tinha amigos pr\u00f3ximos. Revelava seus rolos de filmes num banheiro que tinha na casa dos seus patr\u00f5es. No document\u00e1rio, ela \u00e9 lembrada como uma mulher &#8220;intransigente, mas brincalhona, infinitamente curiosa ainda que reservada e, algumas vezes, cruel&#8221;. Vestia-se de &#8220;maneira antiga, costumava mentir sobre seu local de nascimento, e nas lojas de material fotogr\u00e1fico apresentava-se sempre com um nome diferente&#8221;. Um conhecido recorda ter lhe perguntado do que vivia. &#8220;Sou uma esp\u00e9cie de espi\u00e3&#8221;, foi a resposta.<\/p>\n<p>Em 1958, fez uma viagem de quase tr\u00eas meses pelas Am\u00e9ricas Central e do Sul, passando por Bogot\u00e1, Quito, Santiago, Montevid\u00e9u, Buenos Aires, S\u00e3o Paulo, Rio e pela Amaz\u00f4nia. Maloof diz que h\u00e1 uma profus\u00e3o de imagens destas andan\u00e7as, mas que ainda est\u00e3o sendo escaneadas e avaliadas. Em 1959, perambulou ainda por Europa, Oriente M\u00e9dio e \u00c1sia.<\/p>\n<p>Em recente artigo publicado no blog da revista &#8220;The New Yorker&#8221;, a jornalista e roteirista Rose Lichter-Marck diz que Maier &#8220;desafia nossas ideias de como uma pessoa, um artista e, especialmente, uma mulher deveria ser&#8221; -ainda mais se pensarmos nos Estados Unidos dos anos 1950, principal cen\u00e1rio das andan\u00e7as da fot\u00f3grafa. Para Lichter-Marck, ao contr\u00e1rio do que o document\u00e1rio sugere, ao buscar motiva\u00e7\u00f5es psicol\u00f3gicas e de trauma para a trajet\u00f3ria da fot\u00f3grafa, a impress\u00e3o \u00e9 de que Maier &#8220;era algu\u00e9m bastante livre, que gostava de estar \u00e0 margem, e que viveu a vida que quis viver&#8221;.<\/p>\n<p>Uma poss\u00edvel chave para sua obra talvez esteja em seus autorretratos, tirados em frente a vitrines, espelhos, vidros de carro. E sobretudo naqueles numerosos cliques em que Vivian registra a pr\u00f3pria sombra. Num verso de &#8220;Folhas de Relva&#8221;, Walt Whitman se pergunta: &#8220;Ser\u00e1 que algu\u00e9m, quando eu morrer e sumir, escrever\u00e1 a minha hist\u00f3ria?\/ Como se algu\u00e9m pudesse saber alguma coisa&#8221;.<\/p>\n<p>Em 2008, Vivian escorregou e bateu a cabe\u00e7a num peda\u00e7o de gelo, no centro de Chicago. Acabou n\u00e3o conseguindo se recuperar da queda e morreu em 2009, numa casa de repouso, aos 83 anos.<\/p>\n<p><b>EMILIO FRAIA<\/b>, 32, \u00e9 autor do romance &#8220;O Ver\u00e3o do Chibo&#8221; (Alfaguara), com Vanessa Barbara, e da graphic novel &#8220;Campo em Branco&#8221; (Companhia das Letras), com DW Ribatski.<\/p>\n<div id=\"wp_fb_like_button\" style=\"margin:5px 0;float:none;height:100px;\"><script src=\"http:\/\/connect.facebook.net\/en_US\/all.js#xfbml=1\"><\/script><fb:like href=\"https:\/\/www.archive.raulmourao.com\/blog\/?p=3171\" send=\"false\" layout=\"standard\" width=\"450\" show_faces=\"true\" font=\"arial\" action=\"like\" colorscheme=\"light\"><\/fb:like><\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Na Ilustrissima da Folha de alguns domingos atr\u00e1s. E aqui o site oficial de Vivian. Descoberta por acidente, a obra da norte-americana Vivian Maier tornou-se um dos maiores tesouros fotogr\u00e1ficos do s\u00e9culo 20. 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