{"id":3090,"date":"2014-05-23T04:51:21","date_gmt":"2014-05-23T04:51:21","guid":{"rendered":"https:\/\/raulmourao.com\/blog\/?p=3090"},"modified":"2014-05-23T04:59:40","modified_gmt":"2014-05-23T04:59:40","slug":"fcrio-7-luiz-zerbini-um-cartesianista-tropical","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.archive.raulmourao.com\/blog\/?p=3090","title":{"rendered":"FC\/RIO #7 \u2013 Luiz Zerbini, um cartesianista tropical"},"content":{"rendered":"<p><b>Nosso correspondente\u00a0Frederico Coelho mandou\u00a0o texto certeiro\u00a0a\u00ed embaixo sobre a exposi\u00e7\u00e3o imperd\u00edvel de Luiz Zerbini na Casa Daros &#8211; Rio de Janeiro. [ATEN\u00c7\u00c3O povo do Rio ou de passagem pela cidade &gt; amanh\u00e3 tem show do Chelpa Ferro e a exposi\u00e7\u00e3o s\u00f3 vai at\u00e9 domingo &#8211; Lucia\u00a0Koch (aka DJ Surpresinha) j\u00e1 confirmou presen\u00e7a].\u00a0<\/b><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/archive.raulmourao.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2014\/05\/Luiz-Zerbini-Erosao_final.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-3091\" src=\"https:\/\/archive.raulmourao.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2014\/05\/Luiz-Zerbini-Erosao_final.jpg\" alt=\"Luiz-Zerbini-Erosao_final\" width=\"640\" height=\"429\" srcset=\"https:\/\/www.archive.raulmourao.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2014\/05\/Luiz-Zerbini-Erosao_final.jpg 640w, https:\/\/www.archive.raulmourao.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2014\/05\/Luiz-Zerbini-Erosao_final-300x201.jpg 300w, https:\/\/www.archive.raulmourao.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2014\/05\/Luiz-Zerbini-Erosao_final-600x402.jpg 600w\" sizes=\"(max-width: 640px) 100vw, 640px\" \/><\/a><\/p>\n<p><b>Luiz Zerbini, um cartesianista tropical<\/b><\/p>\n<p>Natureza e cultura s\u00e3o dois polos que alimentam nosso olhar ao nos depararmos com a obra de Luiz Zerbini. Mesmo em sua geometria plena de jogos crom\u00e1ticos entre superf\u00edcie e profundidade, em suas esculturas cujo m\u00e1rmore se torna n\u00e3o t\u00e9cnica da eterniza\u00e7\u00e3o, mas sensa\u00e7\u00e3o de movimento, nos desenhos cujo prazer do artista com o jogo entre caneta e papel explode diante de nossos olhos, a for\u00e7a motriz de todos esses trabalhos \u00e9 a vontade de Zerbini de devorar o mundo atrav\u00e9s de tintas e transformar natureza e cultura em um espa\u00e7o \u00fanico de compreens\u00e3o das coisas.<\/p>\n<p>O Brasil e o brasileiro, dentro do mundo visual de Zerbini, \u00e9 um am\u00e1lgama alucinado de improvisa\u00e7\u00f5es, destrui\u00e7\u00e3o, fasc\u00ednio e choque que, lado a lado no plano da tela, formam um \u00fanico ponto de vista sobre tudo e todos. Sua unidade, por\u00e9m, n\u00e3o existe como princ\u00edpio que esvazia a sutileza das diferen\u00e7as. Ao contr\u00e1rio. Ela serve como \u00e9tica frente \u00e0s coisas do mundo. Natureza e cultura s\u00e3o um s\u00f3 plano sens\u00edvel, que se atravessam, se alimentam e se eliminam.<\/p>\n<p>Em suas telas figurativas, Luiz Zerbini atinge, hoje, um dos pontos altos da arte contempor\u00e2nea que se faz no Brasil. E localizo for\u00e7adamente sua obra no plano local da nacionalidade, porque \u00e9 isso que ele vem pensando ao produzir essas telas. Pedras, plantas, bichos, mares explodem em cores e superf\u00edcies, excedem em um barroquismo de texturas e detalhes. Mas, ao contr\u00e1rio dos naturalistas estrangeiros, que, ao longo de nossa coloniza\u00e7\u00e3o, tinham de exibir os esp\u00e9cimes locais como trof\u00e9us de beleza e opul\u00eancia dos tr\u00f3picos, Zerbini sabe que os tempos s\u00e3o outros. A natureza, aqui, \u00e9 exposta como prova cabal de nossa transitoriedade. Folhas secas, torcidas, no ch\u00e3o, ao lado de bambus cortados, de canaviais dispersos, de flores em cactos, s\u00e3o sobrepostos \u00e0 invas\u00e3o voraz da civiliza\u00e7\u00e3o material, adentrando como ru\u00eddo da paisagem, infiltrando-se como fragmentos de um mundo que parece abandonado e que, aos poucos, \u00e9 coberto pela vegeta\u00e7\u00e3o devoradora dos tr\u00f3picos. Em meio a esse drama de fundo, vemos as cores em serpenteio, as formas virarem rios, escorrendo entre veios riscados, desaguando em mares de estampas.<\/p>\n<p>Essa pintura figurativa, quando transformada em geometria, gera trabalhos em que Zerbini aprofunda seu di\u00e1logo com a tradi\u00e7\u00e3o construtivista brasileira e mundial. Mesmo assim, ela n\u00e3o cessa de aspirar um ponto de vista peculiar. Apesar do rigor de formas e linhas, n\u00e3o \u00e9 isso que nos prende nessas pinturas. Nossos olhos ficam colados no jogo entre cores e linhas, simula\u00e7\u00f5es precisas de movimentos \u00f3pticos, inven\u00e7\u00f5es de sombras por decr\u00e9scimo sutil de tonalidades, armadilhas para a vis\u00e3o. Suas telas geom\u00e9tricas nos mostram o prazer do pintor em armar arapucas coloridas para o espectador e para ele mesmo, descobrindo as sutilezas que o <i>grid<\/i> e sua disciplina apresentam. Se \u201ctudo \u00e9 quadrado\u201d, como Zerbini disse uma vez acerca de sua vis\u00e3o para as coisas do mundo, o <i>grid <\/i>\u00e9 seu para\u00edso.<\/p>\n<p>Vale ainda apontar que a obra de Zerbini, hoje, \u00e9 a de um artista que chegou a sua maturidade. \u00c9 quando vemos o controle pleno de um vocabul\u00e1rio pessoal em s\u00edntese permanente. Elementos pict\u00f3ricos de diferentes tempos em sua obra passam a conviver numa composi\u00e7\u00e3o. A geometria invade o mar de m\u00e1rmore, as plantas s\u00e3o transformadas em pixels, peda\u00e7os de azulejo s\u00e3o cravados na areia de um rio de linhas. A grande mesa, escultura-pintura, \u00e9 posta como prova concreta dos elementos materiais das imagens nas telas. H\u00e1 uma linha cont\u00ednua que costura tudo, cerzindo os pontos desse jogo entre natureza e cultura. Para os que acompanham sua obra, suas telas tornam-se quebra-cabe\u00e7as, criando um lugar l\u00fadico e misterioso. Essa sincronicidade de imagens tamb\u00e9m aparece como sincronicidade de tempos subjetivos do artista. Lembran\u00e7as de inf\u00e2ncia, desenhos de juventude, fotos pessoais, hist\u00f3rias com suas filhas, os lugares que frequenta, tudo isso \u00e9 articulado por Zerbini e transformado em imagens que comp\u00f5em essas telas plenas de ac\u00famulos e de solid\u00e3o.<\/p>\n<p>Seu pa\u00eds n\u00e3o \u00e9 uma ode ao \u00c9den de nossa natureza, nem a vit\u00f3ria do materialismo do capital. O pa\u00eds de Zerbini \u00e9 esse emaranhado de esperan\u00e7a e de vazio, de decad\u00eancia e opul\u00eancia. Com suas telas, ele mergulha nos tr\u00f3picos geom\u00e9tricos. Ou, para usarmos a express\u00e3o-s\u00edntese do cr\u00edtico su\u00ed\u00e7o Max Bense sobre o Brasil, em nosso <i>cartesianismo tropical<\/i>.<\/p>\n<div id=\"wp_fb_like_button\" style=\"margin:5px 0;float:none;height:100px;\"><script src=\"http:\/\/connect.facebook.net\/en_US\/all.js#xfbml=1\"><\/script><fb:like href=\"https:\/\/www.archive.raulmourao.com\/blog\/?p=3090\" send=\"false\" layout=\"standard\" width=\"450\" show_faces=\"true\" font=\"arial\" action=\"like\" colorscheme=\"light\"><\/fb:like><\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nosso correspondente\u00a0Frederico Coelho mandou\u00a0o texto certeiro\u00a0a\u00ed embaixo sobre a exposi\u00e7\u00e3o imperd\u00edvel de Luiz Zerbini na Casa Daros &#8211; Rio de Janeiro. 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