{"id":2945,"date":"2014-02-26T06:02:25","date_gmt":"2014-02-26T06:02:25","guid":{"rendered":"https:\/\/raulmourao.com\/blog\/?p=2945"},"modified":"2014-02-26T06:05:01","modified_gmt":"2014-02-26T06:05:01","slug":"emmanuel-nassar-e-suas-bandeiras","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.archive.raulmourao.com\/blog\/?p=2945","title":{"rendered":"Emmanuel Nassar e a vida"},"content":{"rendered":"<p>O grande Emmanuel Nassar postou hoje em sua p\u00e1gina no Facebook o maravilhoso relato abaixo. \u00a0Emmanuel \u00e9 incans\u00e1vel artista 24h por dia, mas deu uma pausa na confec\u00e7\u00e3o de suas novas armadilhas\/traps <a href=\"http:\/\/www.flickr.com\/photos\/emmanuelnassar\/with\/12662972875\/\">(veja aqui algumas)<\/a> para revirar o ba\u00fa de lembran\u00e7as e dividir com sua numerosa audi\u00eancia online a saga que o levou a construir um dos mais belos trabalhos da hist\u00f3ria da arte brasileira recente. Eu gosto de vida cheia de est\u00f3rias ricas e intensas (a vida vazia tem cheiro de pl\u00e1stico e morte). Eu tenho a sorte de ouvir, acompanhar e dividir est\u00f3rias de vida e arte com Emmanuel h\u00e1 anos. Segue o texto de EN e as imagens q ele colou no post.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/archive.raulmourao.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2014\/02\/emmanuel_nassar_2.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-large wp-image-2947\" alt=\"emmanuel_nassar_2\" src=\"https:\/\/archive.raulmourao.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2014\/02\/emmanuel_nassar_2-1024x507.jpg\" width=\"545\" height=\"269\" srcset=\"https:\/\/www.archive.raulmourao.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2014\/02\/emmanuel_nassar_2-1024x507.jpg 1024w, https:\/\/www.archive.raulmourao.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2014\/02\/emmanuel_nassar_2-300x148.jpg 300w, https:\/\/www.archive.raulmourao.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2014\/02\/emmanuel_nassar_2-600x297.jpg 600w, https:\/\/www.archive.raulmourao.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2014\/02\/emmanuel_nassar_2.jpg 1500w\" sizes=\"(max-width: 545px) 100vw, 545px\" \/><\/a><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/archive.raulmourao.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2014\/02\/emmanuel_nassar_3.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-large wp-image-2948\" alt=\"emmanuel_nassar_3\" src=\"https:\/\/archive.raulmourao.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2014\/02\/emmanuel_nassar_3-1024x952.jpg\" width=\"545\" height=\"506\" srcset=\"https:\/\/www.archive.raulmourao.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2014\/02\/emmanuel_nassar_3-1024x952.jpg 1024w, https:\/\/www.archive.raulmourao.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2014\/02\/emmanuel_nassar_3-300x279.jpg 300w, https:\/\/www.archive.raulmourao.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2014\/02\/emmanuel_nassar_3-600x558.jpg 600w, https:\/\/www.archive.raulmourao.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2014\/02\/emmanuel_nassar_3.jpg 1970w\" sizes=\"(max-width: 545px) 100vw, 545px\" \/><\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>1998\/ Bandeiras\/ MAM SP\/ Bienal SP<\/strong><\/p>\n<p>A est\u00f3ria de como fiz &#8220;Bandeiras\u201d, come\u00e7a em 1993, numa viagem \u00e0 Alemanha. Eu acabara de montar minha participa\u00e7\u00e3o na Bienal de Veneza e estava viajando \u00e0 passeio.<\/p>\n<p>Sa\u00ed de Veneza, parando em Floren\u00e7a, Basel at\u00e9 Col\u00f4nia, onde fui hospede do fot\u00f3grafo e editor Dietmar Schneider.<\/p>\n<p>Dietmar fora um dos curadores da exposi\u00e7\u00e3o &#8220;Brasil J\u00e1&#8221;, em 89, reunindo dez brasileiros numa grande exposi\u00e7\u00e3o de pintura, em tr\u00eas museus alem\u00e3es.<\/p>\n<p>Devo agradecer ao incans\u00e1vel Dietmar, a forte impress\u00e3o que uma das visitas guiadas por ele, me causou, dando inicio ao longo, e as vezes tortuoso caminho que me levou \u00e0 instala\u00e7\u00e3o &#8220;Bandeiras&#8221;, quase cinco anos depois, no Museu de Arte Moderna de S\u00e3o Paulo, em 1998, sua primeira vers\u00e3o.<\/p>\n<p>A exposi\u00e7\u00e3o que tanto me impressionou, estava num museu de arte contempor\u00e2nea, em Bonn, mas tinha car\u00e1ter antropol\u00f3gico. Eram 80 bandeiras de Gana, na Africa, acompanhadas de muitos textos, que informavam sobre sua hist\u00f3ria, simbologia e proced\u00eancia.<\/p>\n<p>O que me impressionara nas bandeiras, naquele museu em Bonn, era a oportunidade de atrav\u00e9s delas, poder colher como num flagrante, o assombroso encontro entre as duas culturas. Com que precis\u00e3o se tinha al\u00ed uma s\u00edntese das rela\u00e7\u00f5es Europa-Africa.\u00a0Em vermelhos, pretos, amarelos e verdes.\u00a0Em desenhos de le\u00f5es, girafas, flor de liz, ramos de trigo, castelos medievais, lan\u00e7as, espadas, paisagem africana. Prec\u00e1ria costura, \u00e0 golpes de linha e panos coloridos.<\/p>\n<p>Foi com os olhos nessas rela\u00e7\u00f5es que vi as bandeiras dos munic\u00edpios do Par\u00e1 e quis fazer algo que pudesse repetir a s\u00edntese que havia me encantado. Desta feita reproduzindo o encontro entre a heran\u00e7a portuguesa (europeia) e uma realidade local, de um peda\u00e7o de Brasil.<\/p>\n<p>Esbo\u00e7ei numerosos projetos. Com mastros em evolu\u00e7\u00e3o, com bandeiras dobradas em caixas de acr\u00edlico transparente, em amontoado delas, em varal, em c\u00edrculos, em ambientes fechados, abertos, enfim, toda esp\u00e9cie de maneirismos contempor\u00e2neos.<\/p>\n<p>Em abril de 1997, mais de um ano antes da mostra no Museu de Arte Moderna de S\u00e3o Paulo, o jornal O Liberal, de Bel\u00e9m, publicava a primeira e ampla not\u00edcia da exposi\u00e7\u00e3o. E eu ainda falava em usar caixas de acr\u00edlico, \u201conde apenas um detalhe seria mostrado\u201d, falava tamb\u00e9m em \u201chastear\u201d algumas bandeiras.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/archive.raulmourao.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2014\/02\/emmanuel_nassar.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-large wp-image-2946\" alt=\"emmanuel_nassar\" src=\"https:\/\/archive.raulmourao.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2014\/02\/emmanuel_nassar-747x1024.jpg\" width=\"545\" height=\"747\" srcset=\"https:\/\/www.archive.raulmourao.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2014\/02\/emmanuel_nassar-747x1024.jpg 747w, https:\/\/www.archive.raulmourao.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2014\/02\/emmanuel_nassar-218x300.jpg 218w, https:\/\/www.archive.raulmourao.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2014\/02\/emmanuel_nassar-600x822.jpg 600w, https:\/\/www.archive.raulmourao.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2014\/02\/emmanuel_nassar.jpg 1494w\" sizes=\"(max-width: 545px) 100vw, 545px\" \/><\/a><\/p>\n<p>O conceito, no entanto era bastante claro dois par\u00e1grafos adiante: \u201ccomo se trata de uma obra de arte, n\u00e3o ser\u00e3o identificadas\u201d. Identifica-las \u201csignificaria dar \u00e0 mostra um carater antropol\u00f3gico e did\u00e1tico. A informa\u00e7\u00e3o de que se tratam de bandeiras dos munic\u00edpios paraenses, \u201cser\u00e1 amplamente divulgada na forma de entrevistas\u201d, expliquei.<\/p>\n<p>Eu n\u00e3o dormiria por muitas e muitas noites, em d\u00favidas.\u00a0D\u00favidas que come\u00e7aram a se transformar em verdadeiros pesadelos quando come\u00e7ei a experimentar a dificuldade em\u00a0obter as bandeiras. Essa parte da est\u00f3ria, \u00e9 uma verdadeira aventura.<\/p>\n<p>Foram quatorze meses de uma verdadeira campanha. Talvez uma campanha pol\u00edtica. Onde n\u00e3o faltaram viagens pelo interior do Par\u00e1, ch\u00e1s de cadeira, por gabinetes de pol\u00edticos, peixe frito, cerveja, boas amizades, anuncio em jornal, demorados e entusiasmados comprimentos de populares, pelas ruas de Bel\u00e9m.<\/p>\n<p>O apoio do jornal O Liberal, foi decisivo para arrecadar as bandeiras. Publicaram anuncio criado por mim, por quase dois meses convocando a popula\u00e7\u00e3o a contribuir no trabalho de reunir as bandeiras.<\/p>\n<p>Secretario do munic\u00edpio de Monte Alegre me ligou preocupado porque havia enviado bandeira e ainda constava na lista do anuncio como ausente. Tentei tranq\u00fciliza-lo, por conta da demora de seus intermedi\u00e1rios chegarem a mim. Mas ele insistiu em mandar outra bandeira diretamente, \u201cporque a popula\u00e7\u00e3o est\u00e1 nos pressionando.\u201d<\/p>\n<p>Num domingo, as 8 da manh\u00e3, atendi a porta de minha casa um senhor de uns 75 anos, cabelos brancos, com um embrulho nas m\u00e3os. Viajara 150kms, de Marapanim a Bel\u00e9m para me trazer a bandeira de seu munic\u00edpio. Ele pr\u00f3prio, aos 14 anos havia desenhado a bandeira, vencendo um concurso escolar para eleger a bandeira do munic\u00edpio.<\/p>\n<p>De qualquer modo, as duvidas a respeito de como tratar as bandeiras foram se dissipando. Elas seriam mostradas como uma \u00fanica obra: a grande colcha de retalhos. Justapostas, do ch\u00e3o ao teto, por todo o espa\u00e7o da exposi\u00e7\u00e3o. Na Sala Paulo Figueiredo, no Museu de Arte de S\u00e3o Paulo. O espectador seria envolvido, numa grande caixa colorida.<\/p>\n<p>Eu buscava uma dissolu\u00e7\u00e3o das individualidades simb\u00f3licas. Com o objetivo de transforma-las numa s\u00f3 obra, num mural pop, extraido das entranhas do Brasil, do Par\u00e1, de mim mesmo.\u00a0Tranquilizei-me ao assumir a apropria\u00e7\u00e3o do material. Como um painel, uma cole\u00e7\u00e3o, uma colcha de retalhos. Sem discursos. E assim aconte\u00e7eu.<\/p>\n<p>Emmanuel Nassar, fevereiro 2014<\/p>\n<div id=\"wp_fb_like_button\" style=\"margin:5px 0;float:none;height:100px;\"><script src=\"http:\/\/connect.facebook.net\/en_US\/all.js#xfbml=1\"><\/script><fb:like href=\"https:\/\/www.archive.raulmourao.com\/blog\/?p=2945\" send=\"false\" layout=\"standard\" width=\"450\" show_faces=\"true\" font=\"arial\" action=\"like\" colorscheme=\"light\"><\/fb:like><\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O grande Emmanuel Nassar postou hoje em sua p\u00e1gina no Facebook o maravilhoso relato abaixo. \u00a0Emmanuel \u00e9 incans\u00e1vel artista 24h por dia, mas deu uma pausa na confec\u00e7\u00e3o de suas novas armadilhas\/traps (veja aqui algumas) para revirar o ba\u00fa de lembran\u00e7as e dividir com sua numerosa audi\u00eancia online a saga que o levou a construir &hellip;<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.archive.raulmourao.com\/blog\/?p=2945\" class=\"more-link\">Read More<\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[1],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.archive.raulmourao.com\/blog\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/2945"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.archive.raulmourao.com\/blog\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.archive.raulmourao.com\/blog\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.archive.raulmourao.com\/blog\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.archive.raulmourao.com\/blog\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=2945"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/www.archive.raulmourao.com\/blog\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/2945\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":2951,"href":"https:\/\/www.archive.raulmourao.com\/blog\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/2945\/revisions\/2951"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.archive.raulmourao.com\/blog\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=2945"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.archive.raulmourao.com\/blog\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=2945"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.archive.raulmourao.com\/blog\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=2945"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}