{"id":2788,"date":"2014-01-03T12:49:52","date_gmt":"2014-01-03T12:49:52","guid":{"rendered":"https:\/\/raulmourao.com\/blog\/?p=2788"},"modified":"2014-01-03T13:06:55","modified_gmt":"2014-01-03T13:06:55","slug":"marchand-franco-terranova-morre-aos-90-anos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.archive.raulmourao.com\/blog\/?p=2788","title":{"rendered":"Marchand Franco Terranova morre aos 90 anos"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"http:\/\/oglobo.globo.com\/cultura\/marchand-franco-terranova-morre-aos-90-anos-11180083\">publicado no site do Globo as 15h25 do dia 30\/12\/13<\/a><\/p>\n<div id=\"attachment_2789\" style=\"width: 510px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/archive.raulmourao.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2014\/01\/franco_terranova.jpg\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-2789\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-2789\" alt=\"franco_terranova\" src=\"https:\/\/archive.raulmourao.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2014\/01\/franco_terranova.jpg\" width=\"500\" height=\"375\" srcset=\"https:\/\/www.archive.raulmourao.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2014\/01\/franco_terranova.jpg 500w, https:\/\/www.archive.raulmourao.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2014\/01\/franco_terranova-300x225.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 500px) 100vw, 500px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-2789\" class=\"wp-caption-text\">fotografia de Leonardo Aversa<\/p><\/div>\n<h3>Um dos idealizadores da Petite Galerie, ele lutava contra um c\u00e2ncer<\/h3>\n<p>RIO &#8211; Morreu na manh\u00e3 desta segunda-feira aos 90 anos o marchand Franco Terranova. Um dos idealizadores da Petite Galerie, que funcionou entre 1954 a 1988 em Ipanema, foi um do precursores no mercado de arte brasileiro. Pela galeria passaram artistas como Carlos Vergara, Ernesto Neto, Volpi, Luiz \u00c1quila, entre outros. Ele lutava havia dois meses contra um c\u00e2ncer.<\/p>\n<p>Quando chegou ao Brasil vindo da It\u00e1lia, em 1947, o estudante de literatura e poeta Franco Terranova tinha experi\u00eancia como aviador, tendo atuado em batalhas da Segunda Guerra Mundial. Deixou o pa\u00eds pelo qual lutou, bradando que se recusava a viver numa It\u00e1lia comandada por Mussolini \u2014 e j\u00e1 encantado com o personagem de Z\u00e9 Carioca, que o fez pegar um navio rumo ao Brasil.<\/p>\n<p>Chegou aqui sem dinheiro, primeiro ao Paran\u00e1 e a S\u00e3o Paulo e, em seguida, ao Rio. Na cidade em que se consagraria como um dos grandes nomes das artes visuais, Terranova dormiu uma ou outra noite na praia at\u00e9 ser abrigado pela fam\u00edlia Matarazzo, com quem tinha parentesco. O imigrante conseguiu emprego na Petite Galerie, a diminuta casa inaugurada em 1953, em Copacabana, pelo pintor Mario Agostinelli (1915-2000).<\/p>\n<p>Um ano depois, Terranova j\u00e1 era um dos s\u00f3cios da galeria de arte que, por suas m\u00e3os, seria convertida num dos principais pontos de encontro de artistas na d\u00e9cada de 1960. Em 1954, a casa migrou para o endere\u00e7o em que fez hist\u00f3ria (na Pra\u00e7a General Os\u00f3rio, 53, em Ipanema).<\/p>\n<p>L\u00e1, Terranova exp\u00f4s, nos anos 1950, Jos\u00e9 Pancetti e Alfredo Volpi, e, na d\u00e9cada seguinte, Carlos Vergara e Antonio Dias. Nos anos 1970, chegou a ter uma filial em S\u00e3o Paulo, mas era o Rio que ganhava for\u00e7a como espa\u00e7o de vanguardas art\u00edsticas. Mais tarde, nos anos 1980, lan\u00e7ou artistas como Ernesto Neto e Jac Leirner.<\/p>\n<p>\u2014 Lembro do dia em que ele foi ao meu ateli\u00ea pela primeira vez. Era julho de 1987, e tive um dos maiores encontros da minha vida. Mostrar meu trabalho a ele foi um dos momentos mais espirituais que vivi \u2014 lembra Ernesto Neto, que, em mar\u00e7o de 1988, fez, na galeria de Terranova, sua primeira exposi\u00e7\u00e3o individual. \u2014 Mesmo antes de expor l\u00e1, eu j\u00e1 sonhava com uma mostra na Petite. Estar na galeria em 1988 foi muito importante na minha carreira, mas, mais que isso, foi emocionante. Tenho um amor profundo por ele, um respeito enorme. Considero Franco um pai.<\/p>\n<p>Emocionado, Neto conta que Terranova sonhava fazer uma exposi\u00e7\u00e3o num navio \u201ce sair com ela pelo mundo, navegando\u201d (\u201cEra um poeta, tinha uma vis\u00e3o ampla da vida\u201d, diz o artista).<\/p>\n<p>Casado desde o in\u00edcio da d\u00e9cada de 1960 com Rossella Terranova, italiana nascida em Atenas, o galerista manteve nos fundos da Petite um espa\u00e7o, o Petit Studio, em que a mulher trabalhava preparando atores para espet\u00e1culos, filmes e novelas.<\/p>\n<p>Em 1988, ele decidiu fechar a galeria. Mais tarde, em entrevista ao GLOBO, disse ter deixado o of\u00edcio para as mulheres, citando nomes como os das galeristas Raquel Arnaud e Nara Roesler, ambas marchandes que atuam em S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p>Um dos quatro filhos que teve com Rossella, o fot\u00f3grafo Marco Terranova conta que, desde o fechamento da Petite Galerie, o pai passou a se dedicar integralmente \u00e0 poesia. Embora tenha seguido investindo em obras de arte (e ainda servindo de refer\u00eancia para colecionadores e artistas), deixou de ter o espa\u00e7o f\u00edsico da galeria.<\/p>\n<p>\u2014 Ele continuou interessado em arte, mas virou poeta em tempo integral. Seguia para o computador todos os dias para escrever poemas \u2014 lembra Marco, que trabalhou ao lado do pai em \u201cSombras\u201d, livro lan\u00e7ado pela editora R\u00e9ptil em 2012.<\/p>\n<p>No t\u00edtulo tamb\u00e9m participou outra filha do galerista, a designer Paola Terranova. Para o projeto, ele convidou 72 artistas a fazerem ilustra\u00e7\u00f5es. Um time de artistas consagrados, como Cildo Meireles, Abraham Palatnik, Frans Krajcberg e Carlos Vergara, aceitou seu convite.<\/p>\n<p>\u2014 Franco tinha vis\u00e3o de artista de vanguarda e tamb\u00e9m uma ades\u00e3o \u00e0s vanguardas. Era um poeta que a vida toda praticou poesia \u2014 disse, entre l\u00e1grimas, Vergara, que tamb\u00e9m fez sua primeira individual na Petite Galerie, em 1967. \u2014 Vivemos coisas inesquec\u00edveis. Fiz uma exposi\u00e7\u00e3o com Franco fechada por um general em 1968, de forma brutal, durante a ditadura. E ele docemente segurou o tranco. Foi um companheiro que sabia manter dist\u00e2ncia, n\u00e3o era invasivo, passava uma amorosa seguran\u00e7a. Foi importante no in\u00edcio da minha carreira e, agora, na maturidade, me deu um presente: quando abri minha exposi\u00e7\u00e3o no Museu do A\u00e7ude (em setembro passado), Franco surgiu l\u00e1, caminhando. Era um homem capaz disso: aos 90 anos, subir l\u00e1 para ver minha exposi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Como poeta, Terranova tamb\u00e9m foi prestigiado. Lan\u00e7ou 13 livros e \u00e9 tido como um precursor da poesia concreta por Ferreira Gullar, que assinou o pref\u00e1cio de \u201cSombras\u201d. Em 1960, no \u201cJornal do Brasil\u201d, ele publicou um poema pela primeira vez. A constru\u00e7\u00e3o espacial se repetiria em todos os seus textos, desde o primeiro livro, \u201cO girassol\u201d (1973).<\/p>\n<p>\u2014 Conhe\u00e7o Franco desde a Petite Galerie. Fomos muito amigos, ele me visitou no ex\u00edlio, em Buenos Aires. Teve uma import\u00e2ncia enorme nas artes pl\u00e1sticas do Brasil. Tinha o ju\u00edzo cr\u00edtico de um artista, o que ele tamb\u00e9m era. N\u00e3o fazia s\u00f3 pelo dinheiro, prezava pela qualidade. Pela Petite Galerie s\u00f3 passavam os melhores \u2014 disse Gullar.<\/p>\n<p>Ele deixa mulher, quatro filhos, duas netas e um livro no prelo, \u201cCarma carnadura\u201d, que ser\u00e1 lan\u00e7ado pela R\u00e9ptil no in\u00edcio de 2014. Para a obra, posou nu diante das lentes do filho Marco, a fim de registrar as marcas da velhice no corpo humano. J\u00e1 seu texto trata de um homem que morre em plena vida.<\/p>\n<div id=\"wp_fb_like_button\" style=\"margin:5px 0;float:none;height:100px;\"><script src=\"http:\/\/connect.facebook.net\/en_US\/all.js#xfbml=1\"><\/script><fb:like href=\"https:\/\/www.archive.raulmourao.com\/blog\/?p=2788\" send=\"false\" layout=\"standard\" width=\"450\" show_faces=\"true\" font=\"arial\" action=\"like\" colorscheme=\"light\"><\/fb:like><\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>publicado no site do Globo as 15h25 do dia 30\/12\/13 Um dos idealizadores da Petite Galerie, ele lutava contra um c\u00e2ncer RIO &#8211; Morreu na manh\u00e3 desta segunda-feira aos 90 anos o marchand Franco Terranova. 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