{"id":263,"date":"2009-04-17T12:16:00","date_gmt":"2009-04-17T12:16:00","guid":{"rendered":"https:\/\/raulmourao.com\/blog\/?p=263"},"modified":"2009-04-17T12:16:00","modified_gmt":"2009-04-17T12:16:00","slug":"homem-maquina","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.archive.raulmourao.com\/blog\/?p=263","title":{"rendered":"HOMEM-M\u00c1QUINA"},"content":{"rendered":"<p><a onblur=\"try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}\" href=\"http:\/\/4.bp.blogspot.com\/_YCtMPf2Ld4Q\/Seh0m_DCJdI\/AAAAAAAABwY\/bMnG8z25exE\/s1600-h\/luiz-alberto-oliveira.jpg\"><img style=\"cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 266px;\" src=\"http:\/\/4.bp.blogspot.com\/_YCtMPf2Ld4Q\/Seh0m_DCJdI\/AAAAAAAABwY\/bMnG8z25exE\/s400\/luiz-alberto-oliveira.jpg\" border=\"0\" alt=\"\"id=\"BLOGGER_PHOTO_ID_5325634772473619922\" \/><\/a><br \/>Entrevista com LUIZ ALBERTO OLIVEIRA que eu achei l\u00e1 no <a href=\"http:\/\/www.salton.med.br\/index.php?id_menu=entrevista&#038;idioma=portugues&#038;id_entrevista=40\">site Salton Courses<\/a>.<\/p>\n<p>A tecnoci\u00eancia avan\u00e7a para a hibridiza\u00e7\u00e3o de homens e m\u00e1quinas? <br \/>O tema \u00e9 abordado por Luiz Alberto Oliveira, f\u00edsico, doutor em Cosmologia, pesquisador do Laborat\u00f3rio de Cosmologia e F\u00edsica Experimental de Altas Energias (Lafex) do Centro Brasileiro de Pesquisas F\u00edsicas (CBPF\/MC, onde tamb\u00e9m atua como professor de Hist\u00f3ria e Filosofia da Ci\u00eancia. Ele concedeu entrevista \u00e0 ComCi\u00eancia abordando algumas consequ\u00eancias da internaliza\u00e7\u00e3o das novas tecnologias no cotidiano das pessoas. <\/p>\n<p>ComCi\u00eancia &#8211; Em algumas palestras o senhor abordou os seres vivos como biontes, bi\u00f3ides e borgues. O que s\u00e3o esses conceitos? Eles se relacionam com per\u00edodos, tecnologias e saberes espec\u00edficos?<\/p>\n<p>Oliveira &#8211; A observa\u00e7\u00e3o decisiva \u00e9 que progressivamente, e cada vez mais, diluem-se as distin\u00e7\u00f5es cl\u00e1ssicas entre mat\u00e9ria, vida e pensamento. Anteriormente se poderia dizer que a tecnologia era uma ferramenta para o esp\u00edrito, residente na dimens\u00e3o interna da subjetividade, agir sobre a natureza que lhe \u00e9 exterior. Hoje, devido \u00e0 capacidade recentemente adquirida de intervir nas escalas infinitesimais de comprimentos e dura\u00e7\u00f5es que s\u00e3o pr\u00f3prias ao dom\u00ednio da microf\u00edsica, ocorre uma internaliza\u00e7\u00e3o da a\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica, como se a tecnologia se rebatesse sobre seu agente, como se o esp\u00edrito se dobrasse sobre si mesmo e se auto-afetasse. Considere-se o que o fil\u00f3sofo Daniel Dennett denominou &#8216;a perigosa id\u00e9ia de Darwin&#8217;: em per\u00edodos de dura\u00e7\u00e3o suficientemente longa, min\u00fasculas diferen\u00e7as entre indiv\u00edduos de mesma esp\u00e9cie, selecionadas pelas press\u00f5es aleat\u00f3rias do meio, podem conduzir \u00e0 especia\u00e7\u00e3o, a ramifica\u00e7\u00e3o em novas esp\u00e9cies. Este lento processo de acumula\u00e7\u00e3o foi o procedimento pelo qual a evolu\u00e7\u00e3o escreveu e reescreveu, ao longo das eras, as s\u00e9ries de instru\u00e7\u00f5es que presidem a constitui\u00e7\u00e3o dos biontes, os seres vivos desenhados pela sele\u00e7\u00e3o natural. Mas nos anos 50, o biof\u00edsico Francis Henry Crick e o bioqu\u00edmico James Watson determinaram o suporte bioqu\u00edmico do &#8220;manual de opera\u00e7\u00f5es&#8221; &#8211; o genoma &#8211; que todo ser vivo portaria no interior de suas c\u00e9lulas e que cont\u00e9m os organogramas e fluxogramas que gerenciam o desenvolvimento dos organismos de cada esp\u00e9cie. A biologia teria assim, como substrato, a ci\u00eancia do material gen\u00e9tico dos organismos ou gen\u00f4mica. Entretanto, como \u00e9 caracter\u00edstico da tecnoci\u00eancia atual, esses avan\u00e7os no conhecimento sobre as funda\u00e7\u00f5es da gen\u00f4mica foram de imediato acompanhados pela gera\u00e7\u00e3o de aplica\u00e7\u00f5es pr\u00e1ticas &#8211; as biot\u00e9cnicas. Assim, rapidamente, a tessitura fundamental da pr\u00f3pria vida tornou-se suscet\u00edvel a interven\u00e7\u00f5es t\u00e9cnicas: j\u00e1 nos anos 60, surgiram as primeiras associa\u00e7\u00f5es entre genes particulares e caracter\u00edsticas morfol\u00f3gicas (ou comportamentais); nos 70, deu-se o come\u00e7o da capacidade de interven\u00e7\u00e3o programada em processos gen\u00e9ticos; nos 80, tornaram-se corriqueiros a inclus\u00e3o, exclus\u00e3o e substitui\u00e7\u00e3o de genes precisos, bem como a mescla interesp\u00e9cies; nos 90, \u00e9 produzido o primeiro bi\u00f3ide (ser vivo com desenho artificial) mam\u00edfero: Dolly. A perspectiva que se abre \u00e9 a da hibrida\u00e7\u00e3o radical: em cinq\u00fcenta anos, estima Freeman Dyson, teremos a plena fus\u00e3o interesp\u00e9cies, ou a g\u00eanese de esp\u00e9cies inteiramente novas. Ora, de um ponto de vista estritamente microf\u00edsico, n\u00e3o h\u00e1 diferen\u00e7a entre mol\u00e9culas biol\u00f3gicas e inorg\u00e2nicas, naturais ou artificiais. \u00c0 medida que aumenta o poder de manipular objetos em escala molecular, a tend\u00eancia seria ocorrer uma integra\u00e7\u00e3o crescente entre componentes org\u00e2nicos, gerados biologicamente, e componentes eletr\u00f4nicos, fabricados artificialmente. S\u00ednteses de carbono e de sil\u00edcio: essa fus\u00e3o se daria por uma real mescla de formas, pela interpenetra\u00e7\u00e3o entre componentes org\u00e2nicos e semi-condutores; a perspectiva ent\u00e3o \u00e9 a de que nosso devir seja nos tornarmos borgues, h\u00edbridos de c\u00e9lulas e chips. Recordemos um feito espantoso: o c\u00e9rebro do peixe lampreia foi conectado a sensores sens\u00edveis \u00e0 luz e tamb\u00e9m aos controles de movimento de um pequeno rob\u00f4. Com o c\u00e9rebro da lampreia funcionando como central de processamento, o rob\u00f4 passou a agir como a lampreia agiria, evitando as zonas iluminadas e buscando as escuras. Esta conex\u00e3o \u00e9 ainda muito rudimentar, pois se trata de neur\u00f4nios inteiros postos em contato com condutores met\u00e1licos, mas brevemente ser\u00e1 poss\u00edvel penetrar em um n\u00edvel subneuronal, associando subestruturas dos neur\u00f4nios a componentes eletr\u00f4nicos. Nesse momento, que n\u00e3o estaria longe, veremos o nascimento de aut\u00eanticos h\u00edbridos biotr\u00f4nicos, veremos o nascimento de centauros cognitivos, e esses centauros seremos n\u00f3s. <\/p>\n<p>segue <a href=\"http:\/\/www.salton.med.br\/index.php?id_menu=entrevista&#038;idioma=portugues&#038;id_entrevista=40\">aqui<\/a>.<\/p>\n<div id=\"wp_fb_like_button\" style=\"margin:5px 0;float:none;height:100px;\"><script src=\"http:\/\/connect.facebook.net\/en_US\/all.js#xfbml=1\"><\/script><fb:like href=\"https:\/\/www.archive.raulmourao.com\/blog\/?p=263\" send=\"false\" layout=\"standard\" width=\"450\" show_faces=\"true\" font=\"arial\" action=\"like\" colorscheme=\"light\"><\/fb:like><\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Entrevista com LUIZ ALBERTO OLIVEIRA que eu achei l\u00e1 no site Salton Courses. A tecnoci\u00eancia avan\u00e7a para a hibridiza\u00e7\u00e3o de homens e m\u00e1quinas? 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