{"id":240,"date":"2009-04-05T13:52:00","date_gmt":"2009-04-05T13:52:00","guid":{"rendered":"https:\/\/raulmourao.com\/blog\/?p=240"},"modified":"2009-04-05T13:52:00","modified_gmt":"2009-04-05T13:52:00","slug":"o-que-constroi-e-educa-uma-sociedade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.archive.raulmourao.com\/blog\/?p=240","title":{"rendered":"O que constr\u00f3i e educa uma sociedade"},"content":{"rendered":"<p><a onblur=\"try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}\" href=\"http:\/\/2.bp.blogspot.com\/_YCtMPf2Ld4Q\/Sdi68YaW9uI\/AAAAAAAABt8\/ij8n91Vh3M4\/s1600-h\/trilhasdodesejo.jpg\"><img style=\"cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 254px;\" src=\"http:\/\/2.bp.blogspot.com\/_YCtMPf2Ld4Q\/Sdi68YaW9uI\/AAAAAAAABt8\/ij8n91Vh3M4\/s400\/trilhasdodesejo.jpg\" border=\"0\" alt=\"\"id=\"BLOGGER_PHOTO_ID_5321208506246166242\" \/><\/a><\/p>\n<div class=\"headerdiv_12\" id=\"headline_492_div\">     <strong><\/strong>Texto do cr\u00edtico de arte <a href=\"http:\/\/forumpermanente.incubadora.fapesp.br\/portal\/.convidados\/ps_duarte\">Paulo S\u00e9rgio Duarte<\/a> que saiu na <a href=\"http:\/\/indexet.gazetamercantil.com.br\/arquivo\/2009\/04\/03\/492\/O-que-constroi-e-educa-uma-sociedade.html\">Gazeta Mercantil<\/a>, S\u00e3o Paulo, 3 de Abril de 2009.<\/p>\n<p>\u00c9 muito dif\u00edcil escrever para um \u00f3rg\u00e3o da imprensa &#8211; n\u00e3o se trata do cat\u00e1logo da exposi\u00e7\u00e3o ou de um informe de divulga\u00e7\u00e3o &#8211; sobre uma exposi\u00e7\u00e3o de arte da qual voc\u00ea n\u00e3o apenas participou como um dos organizadores, mas coordenou toda uma equipe de quatro curadores e oito assistentes. Tratando-se de arte na qual os ju\u00edzos s\u00e3o sempre subjetivos n\u00e3o existe ningu\u00e9m mais suspeito do que eu para <a href=\"http:\/\/indexet.gazetamercantil.com.br\/arquivo\/2009\/04\/03\/492\/O-que-constroi-e-educa-uma-sociedade.html#\" onclick=\"hwClick15076714011337(-286659308);return false;\" style=\"border-bottom: 1px dotted; color: rgb(0, 0, 255); text-decoration: underline;\" onmouseover=\"hw15076714011337(event, this, '-286659308'); this.style.cursor='hand'; this.style.textDecoration='underline'; this.style.borderBottom='solid';\" onmouseout=\"hideMaybe(event, this); this.style.cursor='hand'; this.style.textDecoration='underline'; this.style.borderBottom='dotted 1px'; \" oncontextmenu=\"return false;\">falar<\/a> dessa exposi\u00e7\u00e3o porque o leitor, naturalmente, espera, ao ler o jornal, uma avalia\u00e7\u00e3o cr\u00edtica. Pe\u00e7o que a visite e a avalie por si mesmo.<\/div>\n<p>Tratando-se de uma escolha que n\u00e3o \u00e9 pessoal, mas de uma equipe de treze pessoas, posso apenas garantir que se trata de uma relevante amostragem da produ\u00e7\u00e3o de artes visuais do Brasil contempor\u00e2neo de Norte a Sul, de Leste a Oeste. E um evidente testemunho da vitalidade dessa produ\u00e7\u00e3o que h\u00e1 muitos anos nos coloca de igual para igual com o que de melhor se faz no planeta. E depois dessas afirma\u00e7\u00f5es, vejam como n\u00e3o sou suspeito.<\/p>\n<p>Mas \u00e9 importante essa oportunidade para informar o leitor do que se trata o programa Rumos Ita\u00fa Cultural Artes Visuais. E quem lhes escreve dirigiu \u00f3rg\u00e3os p\u00fablicos federais, estaduais e municipais, e tem alguma experi\u00eancia com entidades privadas. Hoje, o Rumos Artes Visuais \u00e9 o mais importante programa realizado por meio de um edital p\u00fablico na \u00e1rea de artes visuais voltado especialmente \u00e0 produ\u00e7\u00e3o emergente. Nenhum outro \u00f3rg\u00e3o p\u00fablico ou privado desenvolve um programa como esse.<\/p>\n<p>Nessa edi\u00e7\u00e3o 1617 artistas se inscreveram. Quarenta e cinco foram selecionados. Os artistas selecionados recebem recursos criteriosamente estabelecidos para realizar suas obras quando estes s\u00e3o necess\u00e1rios. Mas n\u00e3o \u00e9 mais um sal\u00e3o de arte. Muito al\u00e9m do concurso p\u00fablico e da exposi\u00e7\u00e3o que agora pode ser visitada o programa \u00e9 todo um processo complexo e variado.<\/p>\n<p>Percorre o Pa\u00eds em diversas cidades do Norte ao Sul, promovendo confer\u00eancias e debates, visita ateli\u00eas, entra em contato com os artistas, distribui livros para enriquecer bibliotecas com t\u00edtulos de arte, realiza oficinas de trabalho, promove semin\u00e1rio e bolsas de resid\u00eancia no exterior e no pa\u00eds. Acima de tudo, promove um interc\u00e2mbio de experi\u00eancias entre artistas, curadores, cr\u00edticos; cada edi\u00e7\u00e3o do Rumos Artes Visuais \u00e9 um encontro, em muitos cap\u00edtulos, que dura dois anos. A exposi\u00e7\u00e3o ora apresentada em S\u00e3o Paulo receber\u00e1 quatro recortes por cada um dos quatro curadores &#8211; Alexandre Cerqueira, de Bel\u00e9m; Mar\u00edlia Panitiz, de Bras\u00edlia; Christine Melo, de S\u00e3o Paulo e Paulo Reis, de Curitiba &#8211; e ser\u00e1 exibida em Rio Branco, no Acre, em Bras\u00edlia, em Salvador, e em Curitiba e, depois, ser\u00e1 mostrada na \u00edntegra no Rio de Janeiro. Os artistas selecionados t\u00eam uma ocasi\u00e3o \u00fanica de ter sua obra em contato com um p\u00fablico muito variado.<\/p>\n<p>Agora vem o momento cr\u00edtico: e para qu\u00ea tudo isso? A mentalidade instalada no poder em nosso Pa\u00eds, e isto n\u00e3o agora, mas desde nossa funda\u00e7\u00e3o, n\u00e3o compreendeu o papel da arte na constru\u00e7\u00e3o de uma na\u00e7\u00e3o. No nosso caso de Pa\u00eds perif\u00e9rico a ind\u00fastria do entretenimento pegou pesado por meio da televis\u00e3o. Produzimos uma das melhores televis\u00f5es abertas do mundo. Mas lembre-se, a meu ver, apenas um canal aberto apresenta alta qualidade de conte\u00fado e forma, o resto \u00e9 sofr\u00edvel quando n\u00e3o deprimente.<\/p>\n<p>Esse canal de melhor audi\u00eancia e qualidade desenvolve um trabalho cultural evidente, critic\u00e1vel em alguns aspectos, mas de longe uma das melhores coisas que j\u00e1 vi quando sintonizo a TV nos hot\u00e9is em qualquer Pa\u00eds. Mas arte n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 cultura, e muito menos cultura eletr\u00f4nica. \u00c9 isto que a elite brasileira n\u00e3o introjetou, n\u00e3o botou para dentro. As castas superiores da sociedade brasileira t\u00eam uma enorme dificuldade em diferenciar arte de cultura. E tanto faz castas de esquerda e de direita, todas pensam igual.<\/p>\n<p>Pode ser que algu\u00e9m pergunte: mas o que esse cara entende por casta? Entendo por casta no Brasil esse ajuntamento de propriet\u00e1rios, de investidores pesados. Seus assessores e, sobretudo, essa burguesia de Estado formada por tecnocratas e rec\u00e9m-chegados ao poder que ocuparam desde os fundos de previd\u00eancia das estatais at\u00e9 \u00f3rg\u00e3os da cultura. Esta \u00e9 a casta superior da sociedade brasileira. \u00c9 esta casta que n\u00e3o diferencia arte de cultura. E n\u00e3o interessa diferenciar porque cultura &#8211; esta coisa gen\u00e9rica &#8211; rende politicamente, arte \u00e9 mais complicado.<\/p>\n<p>N\u00e3o vou falar da Europa, porque vou ser considerado muito antigo. Vamos aos Estados Unidos que t\u00eam a maior ind\u00fastria cultural do mundo: Hollywood, a Broadway, as maiores redes de TV e uma produ\u00e7\u00e3o imensa de pacotes de exporta\u00e7\u00e3o. O que eles fazem? Exportam ind\u00fastria cultural, entretenimento e importam arte. T\u00eam absoluta ci\u00eancia do papel da arte na constru\u00e7\u00e3o de uma na\u00e7\u00e3o. Basta pensar nos seus maiores museus.<\/p>\n<p>Em Merion, na Barnes Foundation, um sub\u00farbio da Filad\u00e9lfia, entre outras preciosidades existem 52 \u00f3leos de C\u00e9zanne, repito, 52 de C\u00e9zanne. N\u00e3o falemos de Washington, Nova York, Filad\u00e9lfia, ou Chicago. O pa\u00eds que deu ao mundo o blues, o jazz e o rock n\u00e3o abdicou de formar grandes cole\u00e7\u00f5es de arte. Por qu\u00ea? Sem confundir arte com cultura os norte-americanos sabem o que constroem e educam uma sociedade.<\/p>\n<p>Em nosso Pa\u00eds \u00e9 deplor\u00e1vel a situa\u00e7\u00e3o das artes visuais. Passados 13 presidentes da Rep\u00fablica entre ditadores e democratas &#8211; n\u00e3o contando os dois interregnos &#8211; o Museu de Arte de Bras\u00edlia \u00e9 a antiga sede do Clube das For\u00e7as Armadas, depois transformada em Casar\u00e3o do Samba, para, finalmente ser destinada ao Museu. Vive, em lugar ermo, ao lado de um conjunto hoteleiro de arquitetura p\u00edfia chamados, et pour cause, de Fort Lauderdale e Key Biscayne.<\/p>\n<p>O Rumos Ita\u00fa Cultural Artes Visuais faz todo esse trabalho, para qu\u00ea? Para ser complementado por programas p\u00fablicos de bolsas de trabalho para artistas e programas de aquisi\u00e7\u00f5es de obras de arte para enriquecimentos de acervos nacionais e locais. Mas para isso \u00e9 preciso abrir o olho para a arte e diferenci\u00e1-la da cultura. E sobretudo parar com a discurseira reformista e fortalecer o que est\u00e1 dando certo.<\/p>\n<div id=\"wp_fb_like_button\" style=\"margin:5px 0;float:none;height:100px;\"><script src=\"http:\/\/connect.facebook.net\/en_US\/all.js#xfbml=1\"><\/script><fb:like href=\"https:\/\/www.archive.raulmourao.com\/blog\/?p=240\" send=\"false\" layout=\"standard\" width=\"450\" show_faces=\"true\" font=\"arial\" action=\"like\" colorscheme=\"light\"><\/fb:like><\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Texto do cr\u00edtico de arte Paulo S\u00e9rgio Duarte que saiu na Gazeta Mercantil, S\u00e3o Paulo, 3 de Abril de 2009. \u00c9 muito dif\u00edcil escrever para um \u00f3rg\u00e3o da imprensa &#8211; n\u00e3o se trata do cat\u00e1logo da exposi\u00e7\u00e3o ou de um informe de divulga\u00e7\u00e3o &#8211; sobre uma exposi\u00e7\u00e3o de arte da qual voc\u00ea n\u00e3o apenas participou &hellip;<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.archive.raulmourao.com\/blog\/?p=240\" class=\"more-link\">Read More<\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[1],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.archive.raulmourao.com\/blog\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/240"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.archive.raulmourao.com\/blog\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.archive.raulmourao.com\/blog\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.archive.raulmourao.com\/blog\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.archive.raulmourao.com\/blog\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=240"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.archive.raulmourao.com\/blog\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/240\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.archive.raulmourao.com\/blog\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=240"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.archive.raulmourao.com\/blog\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=240"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.archive.raulmourao.com\/blog\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=240"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}