{"id":232,"date":"2009-03-28T11:19:00","date_gmt":"2009-03-28T11:19:00","guid":{"rendered":"https:\/\/raulmourao.com\/blog\/?p=232"},"modified":"2009-03-28T11:19:00","modified_gmt":"2009-03-28T11:19:00","slug":"a-mente-os-protocolos-da-cultura-digital-3","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.archive.raulmourao.com\/blog\/?p=232","title":{"rendered":"A mente &amp; os protocolos da cultura digital (3)"},"content":{"rendered":"<p>Na quinta o Gustavo Mini postou a terceira parte do texto A mente &#038; os protocolos da cultura digital. Coloquei a\u00ed embaixo para facilitar a vida dos mais pregui\u00e7osos mas recomendo um pulo l\u00e1 no <a href=\"http:\/\/www.oesquema.com.br\/conector\/\">Conector<\/a> para ler a primeira parte tamb\u00e9m.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.oesquema.com.br\/conector\/wp-content\/uploads\/2009\/03\/moma-susana-soares.jpg\"><img loading=\"lazy\" src=\"http:\/\/www.oesquema.com.br\/conector\/wp-content\/uploads\/2009\/03\/moma-susana-soares.jpg\" alt=\"\" title=\"moma-susana-soares\" class=\"alignnone size-full wp-image-2444\" height=\"415\" width=\"500\" \/><\/a> <\/p>\n<p>Esse papo todo, estou chegando \u00e0 conclus\u00e3o, \u00e9 coisa de migrante digital. Saca migrante digital? \u00c9 um conceito que vi numa palestra (n\u00e3o lembro de quem, n\u00e3o lembro qual) que dividia as pessoas em migrantes e nativos digitais. Os nativos nasceram e cresceram com as internet e as tecnologias m\u00f3veis j\u00e1 implementadas, enquanto que n\u00f3s, os migrantes, come\u00e7amos a lidar com isso depois dos 20 anos. <\/p>\n<p>Fato: a maior parte dos migrantes digitais \u201cfala\u201d com sotaque. E estranha a maior parte dos novos protocolos de comunica\u00e7\u00e3o, por mais que adote e curta muitos deles. \u00c9 o que o Bruno Natal comentou h\u00e1 algumas semanas, no post <a href=\"http:\/\/www.oesquema.com.br\/urbe\/2009\/03\/03\/a-geracao-do-meio\/\">A Gera\u00e7\u00e3o do Meio<\/a>.<\/p>\n<p>***<\/p>\n<p>Bom, estou tentando retomar o meu eixo de pensamento. N\u00e3o \u00e9 meu objetivo, ao escrever esses posts, refletir sobre as dificuldades que certas pessoas tem com novos gadgets e muito menos criticar comportamentos surgidos da populariza\u00e7\u00e3o da tecnologia. N\u00e3o, n\u00e3o\u2026 o que eu acho interessante \u00e9 como estamos mandando pra dentro da mente os protocolos da cultura digital. Que \u00e9 algo que n\u00e3o come\u00e7ou a acontecer ontem. Nos coment\u00e1rios, algu\u00e9m trouxe \u00e0 tona a id\u00e9ia de ciborgues, de jun\u00e7\u00e3o do corpo humano com aparelhos. Embora isso n\u00e3o esteja rolando da forma cool como acontece nos filmes, a verdade \u00e9 que toda vez que o ser humano come\u00e7a a conviver mais intensamente com uma m\u00e1quina, a simbiose acontece. O autom\u00f3vel \u00e9 o melhor exemplo: ao entrarmos dentro dele, nos vestimos de autom\u00f3vel e agimos como autom\u00f3vel. Andamos como autom\u00f3vel, falamos a l\u00edngua dos autom\u00f3veis (composta basicamente por buzina, reclama\u00e7\u00e3o e xingamentos) nos restringindo \u00e0s \u00e1reas dos autom\u00f3veis, ou ao menos \u00e0s que \u00e9 poss\u00edvel um autom\u00f3vel entrar. N\u00e3o subimos escadas com autom\u00f3vel, por exemplo. A identidade do autom\u00f3vel passa a compor a nossa identidade temporariamente. Esse exemplo do autom\u00f3vel n\u00e3o \u00e9 meu, tirei de um texto do Lama Padma Samtem.<\/p>\n<p>Assim acontece com tudo. Os objetos que utilizamos comp\u00f5em nossa identidade e passamos a agir de acordo com essa nova identidade, olhando o mundo de outra forma. Exemplo cl\u00e1ssico: de celular na orelha, falando com um amigo, automaticamente a rua vira uma cabine telef\u00f4nica. N\u00e3o \u00e9 mais rua, \u00e9 um espa\u00e7o \u00edntimo expandido que faz parte da conversa (sim, mesmo as pessoas \u201ceducadas\u201d fazem isso). E assim por diante.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.oesquema.com.br\/conector\/wp-content\/uploads\/2009\/03\/bees.jpg\"><img loading=\"lazy\" src=\"http:\/\/www.oesquema.com.br\/conector\/wp-content\/uploads\/2009\/03\/bees.jpg\" alt=\"\" title=\"bees\" class=\"alignnone size-full wp-image-2445\" height=\"483\" width=\"500\" \/><\/a><\/p>\n<p>Olha, na real acho que me perdi na curva. Antes que algu\u00e9m me acuse a) de estar fumando maconha ou b) de estar meramente regurgitando um monte de clich\u00eas de teorias p\u00f3s-modernas (sendo que eu n\u00e3o conhe\u00e7o nenhuma delas formalmente, mea academica ignor\u00e2ncia), tento de novo trazer o eixo da id\u00e9ia inicial e fazer um r\u00e1pido fechamento antes que isso tudo vire um grande fiasco.<\/p>\n<p>1. Nossa identidade \u00e9 um fluxo cont\u00ednuo de fen\u00f4menos impermanentes (um corpo, sensa\u00e7\u00f5es, percep\u00e7\u00f5es, conceitos e uma consci\u00eancia, todos elementos se modificando a cada instante) que ganha sentido gra\u00e7as a uma narrativa que criamos, contamos e recriamos a cada intera\u00e7\u00e3o com o mundo (ou com nosso inquieto fluxo de pensamentos).<\/p>\n<p>2. A forma de contarmos e absorvermos hist\u00f3rias vem mudando significativamente com a digitaliza\u00e7\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o, distribui\u00e7\u00e3o e consumo de conte\u00fado. <\/p>\n<p>3. Uma vez que nossas narrativas \u201cinteriores\u201d s\u00e3o altamente influenciadas pela nossa intera\u00e7\u00e3o com narrativas \u201cexteriores\u201d (contos de fadas, pinturas, cinema, romance), a introdu\u00e7\u00e3o de fundamentos de transmedia storytelling (narrativas fragmentadas cujo sentido completo est\u00e1 na intersec\u00e7\u00e3o de diversas m\u00eddias) em larga escala\u2026<\/p>\n<p>4. \u2026 vai invariavelmente afetar a forma como as pessoas lidam com as identidades, adquirindo novas habilidades, especialmente no que diz respeito a fragmentar e reconstruir suas narrativas pessoais (como se faz em um universo transmedia) devido ao contato continuado com interfaces digitais e uso intenso de uma variedade cada vez maior de meios de produ\u00e7\u00e3o, distribui\u00e7\u00e3o e consumo de conte\u00fado digital.<\/p>\n<p>5. O Henry Jenkins j\u00e1 citou a necessidade de ter cr\u00edticos de arte que possam fazer, digamos, resenhas de universos transmedia (e n\u00e3o cr\u00edtico de \u201ccinema\u201d, \u201cquadrinhos\u201d, \u201cTV\u201d). Da mesma forma, vamos ter terapeutas, por exemplo, ferramentados para lidar com essa nova forma de constru\u00e7\u00e3o de identidades? <\/p>\n<p>Algo assim. AAAAAH. Chega!<\/p>\n<div id=\"wp_fb_like_button\" style=\"margin:5px 0;float:none;height:100px;\"><script src=\"http:\/\/connect.facebook.net\/en_US\/all.js#xfbml=1\"><\/script><fb:like href=\"https:\/\/www.archive.raulmourao.com\/blog\/?p=232\" send=\"false\" layout=\"standard\" width=\"450\" show_faces=\"true\" font=\"arial\" action=\"like\" colorscheme=\"light\"><\/fb:like><\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Na quinta o Gustavo Mini postou a terceira parte do texto A mente &#038; os protocolos da cultura digital. Coloquei a\u00ed embaixo para facilitar a vida dos mais pregui\u00e7osos mas recomendo um pulo l\u00e1 no Conector para ler a primeira parte tamb\u00e9m. Esse papo todo, estou chegando \u00e0 conclus\u00e3o, \u00e9 coisa de migrante digital. Saca &hellip;<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.archive.raulmourao.com\/blog\/?p=232\" class=\"more-link\">Read More<\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[1],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.archive.raulmourao.com\/blog\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/232"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.archive.raulmourao.com\/blog\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.archive.raulmourao.com\/blog\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.archive.raulmourao.com\/blog\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.archive.raulmourao.com\/blog\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=232"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.archive.raulmourao.com\/blog\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/232\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.archive.raulmourao.com\/blog\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=232"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.archive.raulmourao.com\/blog\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=232"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.archive.raulmourao.com\/blog\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=232"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}