{"id":218,"date":"2009-03-21T15:30:00","date_gmt":"2009-03-21T15:30:00","guid":{"rendered":"https:\/\/raulmourao.com\/blog\/?p=218"},"modified":"2009-03-21T15:30:00","modified_gmt":"2009-03-21T15:30:00","slug":"a-cultura-do-remix","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.archive.raulmourao.com\/blog\/?p=218","title":{"rendered":"A cultura do remix"},"content":{"rendered":"<p><a onblur=\"try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}\" href=\"http:\/\/4.bp.blogspot.com\/_YCtMPf2Ld4Q\/ScUJ8jK2TgI\/AAAAAAAABpY\/GDuGvtXmL9k\/s1600-h\/para_entender_internet.jpg\"><img style=\"cursor:pointer; cursor:hand;width: 283px; height: 400px;\" src=\"http:\/\/4.bp.blogspot.com\/_YCtMPf2Ld4Q\/ScUJ8jK2TgI\/AAAAAAAABpY\/GDuGvtXmL9k\/s400\/para_entender_internet.jpg\" border=\"0\" alt=\"\"id=\"BLOGGER_PHOTO_ID_5315665871018282498\" \/><\/a><\/p>\n<h2 class=\"entry-title\"><span class=\"entry-source-title-parent\">do <a href=\"http:\/\/www.google.com\/reader\/view\/feed\/http%3A%2F%2Fwww.oesquema.com.br%2Ftrabalhosujo%2Ffeed%2F\" class=\"entry-source-title\" target=\"_blank\">Trabalho Sujo<\/a><\/span> de <span class=\"entry-author-name\">Alexandre Matias<\/span><\/h2>\n<p><a target=\"_blank\" href=\"http:\/\/www.oesquema.com.br\/trabalhosujo\/2009\/03\/16\/para-entender-a-cultura-do-remix\/\">Conforme prometido ontem<\/a>, segue meu cap\u00edtulo do livro <a target=\"_blank\" href=\"http:\/\/paraentenderainternet.blogspot.com\/\">Para Entender a Internet<\/a>, do <a target=\"_blank\" href=\"http:\/\/www.naozero.com.br\/\">Juliano Spyer<\/a>. O livro \u00e9 uma compila\u00e7\u00e3o digital de v\u00e1rios textos que buscam explicar conceitos b\u00e1sicos da natureza digital. Al\u00e9m do meu texto, o livro ainda conta com textos de <a target=\"_blank\" href=\"http:\/\/paraentenderainternet.blogspot.com\/2009\/01\/pirataria-srgio-amadeu.html\">S\u00e9rgio Amadeu sobre pirataria<\/a>, <a target=\"_blank\" href=\"http:\/\/paraentenderainternet.blogspot.com\/2009\/01\/p2p-andr-passamani.html\">Andr\u00e9 \u201cMaratimba\u201d Passamani sobre P2P<\/a>, <a target=\"_blank\" href=\"http:\/\/paraentenderainternet.blogspot.com\/2009\/01\/carlos-merigo.html\">Carlos Merigo sobre propaganda<\/a>, <a target=\"_blank\" href=\"http:\/\/paraentenderainternet.blogspot.com\/2009\/01\/rede-social-raquel-recuero.html\">Raquel Recuero sobre redes sociais<\/a>, <a target=\"_blank\" href=\"http:\/\/paraentenderainternet.blogspot.com\/2009\/01\/internet-e-lei-eleitoral-soninha.html\">Soninha sobre elei\u00e7\u00f5es e internet<\/a>, <a target=\"_blank\" href=\"http:\/\/paraentenderainternet.blogspot.com\/2009\/01\/blog-edney-souza.html\">Interney sobre blog<\/a>, do <a target=\"_blank\" href=\"http:\/\/paraentenderainternet.blogspot.com\/2009\/01\/jose-mauro-kazi.html\">Kazi sobre beta<\/a>, <a target=\"_blank\" href=\"http:\/\/paraentenderainternet.blogspot.com\/2009\/01\/fabio-fernandes.html\">F\u00e1bio Fernandes sobre cyberpunk<\/a>, <a target=\"_blank\" href=\"http:\/\/paraentenderainternet.blogspot.com\/2009\/01\/whuffie-cris-dias.html\">Cris Dias sobre capital social<\/a>, <a target=\"_blank\" href=\"http:\/\/paraentenderainternet.blogspot.com\/2009\/01\/mobile-luli-radfahrer.html\">Luli Radfahrer sobre mobilidade<\/a>, <a target=\"_blank\" href=\"http:\/\/paraentenderainternet.blogspot.com\/2009\/01\/ecologia-digital-jos-murilo-junior.html\">Z\u00e9 Murilo sobre ecologia digital<\/a>, <a target=\"_blank\" href=\"http:\/\/paraentenderainternet.blogspot.com\/2009\/01\/lixo-eletrnico-felipe-fonseca.html\">Felipe Fonseca sobre lixo eletr\u00f4nico<\/a>, <a target=\"_blank\" href=\"http:\/\/paraentenderainternet.blogspot.com\/2009\/01\/jornalismo-colaborativo-ana-brambilla.html\">Ana Brambilla sobre jornalismo colaborativo<\/a> e <a target=\"_blank\" href=\"http:\/\/paraentenderainternet.blogspot.com\/2009\/01\/brecha-digitalexclusao-digital-rodrigo.html\">Rodrigo Savazoni sobre exclus\u00e3o digital<\/a>, entre outros. Segue o meu texto abaixo, mas ele <a target=\"_blank\" href=\"http:\/\/paraentenderainternet.blogspot.com\/2009\/01\/alexandre-matias.html\">tamb\u00e9m se encontra aqui (com os devidos links para a expans\u00e3o dos conceitos)<\/a>. O livro ainda n\u00e3o existe em papel, mas pode ser <a target=\"_blank\" href=\"http:\/\/www.yousendit.com\/transfer.php?action=download&amp;ufid=TTZseFVZNHYyWGMwTVE9PQ\">baixado em PDF aqui<\/a>.<\/p>\n<p>***<\/p>\n<p>Cultura do remix<\/p>\n<p>O termo remix surgiu nos anos 70, quando produtores e DJs descobriram que era poss\u00edvel mexer na m\u00fasica depois que ela havia sido gravada. Um conceito de certa maneira novo, a p\u00f3s-produ\u00e7\u00e3o ajudou a maturidade do rock nos anos 60, quando, liderada pelos Beatles, toda uma gera\u00e7\u00e3o se disp\u00f4s a alterar a pr\u00f3pria obra com efeitos, superposi\u00e7\u00f5es e modula\u00e7\u00f5es que podiam mudar sutil ou completamente o que havia sido registrado em est\u00fadio. Mas o que o produtor americano Tom Mould descobriu quase sem querer que era poss\u00edvel aproveitar este novo recurso e aplic\u00e1-lo em um mercado ainda mais recente, o da disco music. Ele quem come\u00e7ou a explorar as possibilidades de uma mesma m\u00fasica ser esticada, \u00e0s vezes por mais de dez minutos, caso fosse necess\u00e1rio. Ciente da nov\u00edssima habilidade dos DJs de Nova York no final dos anos 70 (que, sozinhos, come\u00e7aram a grudar as m\u00fasicas umas nas outras, juntando batidas semelhantes e encaixando as m\u00fasicas umas nas outras), Mould percebeu que poderia ajudar a movimenta\u00e7\u00e3o da pista de dan\u00e7a se fizesse discos que ajudassem o DJ &#8211; afinal, discos eram seus instrumentos. E assim foi inventando novidades como o breque instrumental no meio da m\u00fasica &#8211; que poderia ser usado ou para prolongar a dura\u00e7\u00e3o da m\u00fasica, usando-se dois discos, ou permitir que uma nova m\u00fasica entrasse -, o single de 12 polegadas (com sulcos mais largos, em vez do compacto de sete) e, finalmente, o remix.<\/p>\n<p>O conceito de remix, no entanto, n\u00e3o podia ficar limitado \u00e0 pista de dan\u00e7a. Afinal, ele trata de um processo que come\u00e7a a reverter o detalhismo cartesiano que categorizou o mundo em compartimentos t\u00e3o diferentes que parece n\u00e3o ter conex\u00f5es entre si. Aos poucos redescobrimos pontos em comum em \u00e1reas que antes julg\u00e1vamos completamente alheias umas \u00e0s outras &#8211; intersec\u00e7\u00f5es entre arte e dinheiro, ci\u00eancia e religi\u00e3o, paix\u00e3o e lucro &#8211; que nos fazem repensar completamente o cen\u00e1rio em que habitamos. Estamos, como Mould no final dos anos 70, descobrindo que existem formas de facilitar a vida de cada um dos DJs do mundo &#8211; e todo mundo \u00e9 um DJ em potencial. Como tal, todo ser humano edita sua pr\u00f3pria realidade a partir de sentimentos, conceitos, princ\u00edpios e valores que s\u00e3o, voltando \u00e0 met\u00e1fora, as can\u00e7\u00f5es que ele quer que o resto do mundo ou\u00e7a. Com os recentes avan\u00e7os tecnol\u00f3gicos que tivemos ao final do s\u00e9culo passado, come\u00e7amos a remixar a realidade de forma mais dr\u00e1stica e consciente, seja no controle remoto, no uso da internet e em tudo que consumimos.<\/p>\n<p>Mais do que na m\u00fasica, que ainda mant\u00e9m alguns setores completamente alheios ao remix, a realidade atual \u00e9 completamente remixada. Entre as roupas customizadas e os carros tunados, h\u00e1 um sem-fim de produtos que est\u00e3o sendo reinventados por seus consumidores &#8211; al\u00e9m de tantos outros produtos que foram feitos para ajudar as pessoas a criar, mais do que a simplesmente remixar. Se antes tem\u00edamos que a sociedade do consumo nos padronizasse e uniformizasse, estamos vendo um movimento bem diferente acontecendo hoje em dia &#8211; e a cada dia que passa, mais temos possibilidades dispon\u00edveis para alterar a nossa rotina.<\/p>\n<p>Esse processo de remistura\u00e7\u00e3o \u00e9 o oposto do que aconteceu, voltamos \u00e0 m\u00fasica, quando o \u00e1udio come\u00e7ou a ser gravado. Artistas que nunca haviam aspirado o sucesso al\u00e9m de sua pr\u00f3pria comunidade aos poucos se viram transformados em pequenas celebridades, vendendo um novo tipo de som nov\u00edssimo para o p\u00fablico em geral pelo \u00fanico fato de ser gravado. Se antes a m\u00fasica popular era um processo coletivo, sem dura\u00e7\u00e3o, g\u00eanero musical ou autoria definidos, \u00e0 medida em que o s\u00e9culo 20 amanhecia, surgiram novos astros de uma m\u00fasica que, devido a limita\u00e7\u00f5es t\u00e9cnicas (s\u00f3 era poss\u00edvel gravar tr\u00eas ou quatro minutos), passava a ter um tema s\u00f3 e come\u00e7o, meio e fim. Assim surgiu o jazz, o blues, o tango, a moda de viola, o samba, o bai\u00e3o, a rumba, o country e o frevo, por exemplo, g\u00eaneros musicais que eram praticados na rua por todos que, quando um Robert Johnson ou Luiz Gonzaga chegava ao est\u00fadio, era personalizado em um m\u00fasico, quase sempre \u201co rei do tipo de m\u00fasica tal\u201d.<\/p>\n<p>Estabelecida com o advento da mesma inova\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica que deu origem aos idiomas modernos, aos pa\u00edses, aos livros e ao jornalismo (a palavra impressa), a autoria, como todos estes conceitos anteriores, vem, no entanto, sofrendo uma dr\u00e1stica derrocada que acompanha os primeiros passos de uma nova consci\u00eancia planet\u00e1ria. O meio ambiente, o capitalismo moderno e a cultura pop funcionaram como agentes cruciais no despertar dessa sensa\u00e7\u00e3o de que todos n\u00f3s somos respons\u00e1veis por todo o planeta. A internet s\u00f3 nos conectou. Encontrou um ambiente prop\u00edcio para acelerar a troca de id\u00e9ias e de informa\u00e7\u00e3o a ponto de tornar-se, em pouqu\u00edssimo tempo, no sistema nervoso da humanidade.<\/p>\n<p>Do mesmo jeito que o g\u00eanio n\u00e3o \u00e9 algu\u00e9m que veio do nada e venceu por conta de seus pr\u00f3prios esfor\u00e7os (sempre procure o contexto de onde o sujeito veio antes de comemorar a vit\u00f3ria da individualidade), a criatividade tamb\u00e9m n\u00e3o pertence a um s\u00f3 indiv\u00edduo. E se o s\u00e9culo 20 consolidou o conceito de autoria gra\u00e7as \u00e0 v\u00e1rias revolu\u00e7\u00f5es tecnol\u00f3gicas do fim do s\u00e9culo anterior (a fotografia, a rotativa, o gravador de som e de imagens &#8211; basicamente inven\u00e7\u00f5es ligadas ao processo de registro), a revolu\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica que assistimos hoje \u00e9 baseada em exposi\u00e7\u00e3o, distribui\u00e7\u00e3o e troca. Estamos dispostos a fazer o conhecimento planet\u00e1rio possa se tornar acess\u00edvel a todos os seres humanos e temos cada vez mais consci\u00eancia disso &#8211; como do nosso papel de agente desta distribui\u00e7\u00e3o, atuando como um DJ que, de acordo com as \u201cm\u00fasicas\u201d (sentimentos, conceitos, princ\u00edpios e valores) que escolhe, atinge um determinado tipo de p\u00fablico.<\/p>\n<div id=\"wp_fb_like_button\" style=\"margin:5px 0;float:none;height:100px;\"><script src=\"http:\/\/connect.facebook.net\/en_US\/all.js#xfbml=1\"><\/script><fb:like href=\"https:\/\/www.archive.raulmourao.com\/blog\/?p=218\" send=\"false\" layout=\"standard\" width=\"450\" show_faces=\"true\" font=\"arial\" action=\"like\" colorscheme=\"light\"><\/fb:like><\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>do Trabalho Sujo de Alexandre Matias Conforme prometido ontem, segue meu cap\u00edtulo do livro Para Entender a Internet, do Juliano Spyer. 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