{"id":213,"date":"2009-03-13T12:53:00","date_gmt":"2009-03-13T12:53:00","guid":{"rendered":"https:\/\/raulmourao.com\/blog\/?p=213"},"modified":"2009-03-13T12:53:00","modified_gmt":"2009-03-13T12:53:00","slug":"a-primavera-que-espero-ou-a-verdadeira-historia-de-viriato-sapopemba","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.archive.raulmourao.com\/blog\/?p=213","title":{"rendered":"A Primavera que Espero ou A Verdadeira Hist\u00f3ria de Viriato Sapopemba"},"content":{"rendered":"<p><a onblur=\"try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}\" href=\"http:\/\/3.bp.blogspot.com\/_YCtMPf2Ld4Q\/Sbpabcixo-I\/AAAAAAAABpA\/h1tsY0abk7U\/s1600-h\/fred_coelho.jpg\"><img style=\"cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 300px;\" src=\"http:\/\/3.bp.blogspot.com\/_YCtMPf2Ld4Q\/Sbpabcixo-I\/AAAAAAAABpA\/h1tsY0abk7U\/s400\/fred_coelho.jpg\" border=\"0\" alt=\"\"id=\"BLOGGER_PHOTO_ID_5312658138001941474\" \/><\/a><\/p>\n<p><strong>Cap\u00edtulo 1<\/strong><\/p>\n<p>Viriato Sapopemba de pai e m\u00e3e amava andar de \u00f4nibus. Uma patologia moderna, t\u00edpica dos seres urbanos do s\u00e9culo XX. Andar de \u00f4nibus era um exerc\u00edcio de alargamento da mente de Viriato. Pequenas janelas s\u00e3o televis\u00f5es de realidade, dizia ele aos amigos que fazia nas in\u00fameras viagens cruzando a cidade e o pa\u00eds. \u00c0s vezes, entrava num \u00f4nibus para Santa Cruz s\u00f3 pra ver a Avenida Brasil e suas veias curvas de linhas coloridas, moinhos de farinha abandonados e gas\u00f4metros. E dali extraia teorias mundiais sobre a transforma\u00e7\u00e3o do homem. Transeuntes s\u00e3o seres pac\u00edficos que permanecem em estado est\u00e1tico de espera pelo impacto das viol\u00eancias verbovocovisuais: som e imagem e fuma\u00e7a s\u00e3o basicamente os elementos de intera\u00e7\u00e3o dos seres com o ambiente urbano.<\/p>\n<p>Viriato era urbano e amava a cidade alojando sua mente numa esp\u00e9cie de Balzac moreno. A cidade era mais que espa\u00e7o: era extens\u00e3o do ser, pois a cidade era aquilo que as janelas dos \u00f4nibus mostram para todos. A quest\u00e3o \u00e9 saber escolher a trilha sonora para cada momento de vis\u00e3o. Viriato era cineasta formado na cinemateca do MAM early sixties e dava conta de suas produ\u00e7\u00f5es superoitotais \u2013 o filme que s\u00f3 o autor v\u00ea \/ radicaliza\u00e7\u00e3o do dilema entre obra-p\u00fablico. Sapopemba dizia a todos nas rodas do bar da L\u00edder: o filme \u00e9 voc\u00ea!<\/p>\n<div align=\"justify\">Assim, o homem vai costurando um olho no ouvido e na boca e no corpo para entender como a totalidade atinge a tonalidade, como a fus\u00e3o atinge a refra\u00e7\u00e3o da sua lente. Entende? perguntava Viriato ao motorista do 240 rumo \u00e0 Cidade de Deus. Estou indo visitar meu amigo Smurf l\u00e1 na Freguesia pois ando com saudades das tardes lascando fumo na pedreira da Pau-ferro. Pois ando nost\u00e1lgico das partidas de sinuca com brenfa do quiririm no bosque. Smurf j\u00e1 me fez rodar a cidade num jipe do ex\u00e9rcito e numa bicicleta sem freio. Smurf \u00e9 guerreiro e a muito n\u00e3o o vejo.<\/p>\n<p>Assim Sapopemba sensibilizou o piloto e ele parou fora do ponto. Viriato voava acima do horizonte numa olhada em largo pelo bairro que ele aprendera a amar. Viu as vacas e cavalos nas suas vielas escondidas sob o mato alto. Viu o mundo invis\u00edvel dos loucos da marinha e a solid\u00e3o do batalh\u00e3o da PM. Seu cora\u00e7\u00e3o sabia que era dentro do \u00f4nibus que ele sentia-se bem. Devia voltar ao solo mais eram as tomadas de grande angular que lhe impediam de pousar, diminuir seu raio de a\u00e7\u00e3o e contracenar com os figurantes.<\/p>\n<p>Mas Viriato \u00e9 santo e fechou as asas repentinamente. Ca\u00eda como um \u00cdcaro e ningu\u00e9m sabia como segurar tal criatura descomunal. As ruas entraram em p\u00e2nico, corriam para todos os lados e diziam em voz histri\u00f4nica seus mais rec\u00f4nditos pecados. O homem de bem dizia que roubava at\u00e9 nen\u00e9m enquanto de joelhos via Viriato desabando. A menina dizia que vivia de pica mas era s\u00f3 at\u00e9 ficar rica enquanto Viriato chegava perto do solo. O playboy afirmava que dava o rabo e matava viado mas nunca afinava enquanto via Viriato prestes a morrer.<\/p>\n<p>Em meio aos prantos dos mortais, Viriato perto do solo p\u00e1ra no ar. Ao assumir a forma de cidad\u00e3o pagante de impostos, afirma que o mundo est\u00e1 mudando tanto que ele entende os pecados dos seus camaradas de civiliza\u00e7\u00e3o. Isso tudo, tudo isso em grande e \u00e9pica narrativa, Viriato Sapopemba viu do filme feito por ele da janela do \u00f4nibus que ele mant\u00e9m at\u00e9 hoje na ativa. O meu verbo, dizia ele em forma de enigma milenar: CIRCULAR. <\/p><\/div>\n<p>Frederico Coelho, autor da novela em dois cap\u00edtulos a\u00ed de cima esclarece que ela foi escrita no s\u00e9xulo XX e narra a intr\u00e9pida e lend\u00e1ria vida de Viriato Sapopemba, de pai e m\u00e3e.<\/p>\n<p>Essa mini-fic\u00e7\u00e3o deliciosa com a cara do Ivan Lessa dos bons eu encontrei l\u00e1 no <a href=\"http:\/\/objetosimobjetonao.blogspot.com\/\">blog dele<\/a>, <span style=\"font-weight:bold;\">Objeto sim, objeto n\u00e3o<\/span> em meio aos ensaios maravilhosos que o Fred pendura por l\u00e1. <span style=\"font-weight:bold;\">Objeto<\/span> \u00e9 blog para assinar e conferir todo dia.<\/p>\n<p>E acabo de ver que ele colocou <a href=\"http:\/\/objetosimobjetonao.blogspot.com\/2009\/03\/fabulacao-2.html\">a segunda parte<\/a>.<\/p>\n<div id=\"wp_fb_like_button\" style=\"margin:5px 0;float:none;height:100px;\"><script src=\"http:\/\/connect.facebook.net\/en_US\/all.js#xfbml=1\"><\/script><fb:like href=\"https:\/\/www.archive.raulmourao.com\/blog\/?p=213\" send=\"false\" layout=\"standard\" width=\"450\" show_faces=\"true\" font=\"arial\" action=\"like\" colorscheme=\"light\"><\/fb:like><\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Cap\u00edtulo 1 Viriato Sapopemba de pai e m\u00e3e amava andar de \u00f4nibus. 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